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Caneca de Letras

Caneca de Letras

20
Dez18

Adeus, Nunca Te Direi...

Filipe Vaz Correia

 

Oito anos se passaram e parece que foi ontem...

Parece que ainda há pouco te abracei, sem ter coragem de me despedir, sem ter coragem de te ver partir.

A imensa cobardia submersa nas lágrimas que escorriam pelo meu rosto, num misto de ardor e desgosto, de revolta e dor, de desespero sem fim.

Oito anos se passaram e continuo te procurando como da primeira vez, como de todas as vezes, como sempre foi e será.

Poderia me despedir numa carta, numa poesia, num adeus que permanece encravado na minha alma, mas continuo sem o saber fazer, sem saber como me despedir de ti, minha Mãe...

Como me despedir de alguém que dentro de mim pulsa e habita.

Tenho saudades do teu sorriso, do teu olhar, das tuas reprimendas, da tua mão em meus caracóis, do teu cheiro junto a mim, da tua voz, de ti...

Tenho saudades de tudo o que contigo vivi, do que ficou por viver, do que não sei descrever.

Mas do que mais falta sinto, é desse amor incondicional que me acariciava o coração, como se num pequeno beijo, eu pudesse sentir todo o carinho do mundo, ali preso, só para mim.

Nunca te agradeci, minha Mãe, pelo simples facto de existires em minha vida e com essa tua presença, teres sido a minha maior alegria, pois sem ti...

Nada, mesmo nada, teria feito sentido.

Sem ti...

Jamais saberia despejar no papel o que amarra a alma, jamais saberia chorar e sorrir sem temer, dizer ou libertar sem silenciar, olhar para o mundo sem ressentimentos, soletrando baixinho cada pedaço de mim mesmo.

Oito anos se passaram e ainda busco o cordão umbilical, ainda procuro, vezes sem conta, a tua mão.

Quando os dias estremecem, ainda busco o teu regaço, como refúgio maior da minha imberbe alma.

Neste vazio que ficou por preencher e que não mais será preenchido, contam-se dias e anos, somam-se saudades que não findam mas essencialmente ficará em cada lágrima minha, um pedaço de todo o amor que contigo descobri...

Que, intensamente, me ensinas-te.

Como canta Caetano:

"Todo o homem precisa de uma Mãe..."

Por tudo isso, por tudo o que pulsa no meu coração...

Obrigado Mãe!

E até sempre...

Pois adeus, nunca te direi.

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

20
Dez18

Quem Nunca "Morreu" De Amor?

Filipe Vaz Correia

 

Poderia gritar intensamente, intensamente vociferar, vociferando tão longe, como tão longe pudesse a minha voz alcançar, alcançando desmedidamente, o que desmedidamente se esconde, por entre os esconderijos da querença, a mesma querença que soluça, soluçando intermitentemente, a singela intermitência do Ser, sendo capaz de esquecer, o que esquecido desejo recordar, para que as tamanhas recordações despertem, a despertada sonolência de um amor antigo. Tão antigo esse amar, que se confunde com o azul do mar, entrelaçando silenciosamente os ruídos que insistem em chegar, sem partir ou voltar, simplesmente permanecendo sem calar... Mas baixinho, devagarinho, numa quebrada emoção da alma, a mesma que outrora voava e agora apenas se deixa caída, esperando abandonada por uma nova vida, recuperada ferida que ainda arde, ardendo intensamente, desanimando o que soletrado ficará eternamente escondido nas nuvens, no vento, em cada momento de todas as linhas, de um texto.

No meio de tão complexa divagação, apenas uma singela indagação...

Quem nunca morreu de amor?

Só quem nunca, verdadeiramente, viveu.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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