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Caneca de Letras

Caneca de Letras

16
Nov18

O Regresso Do IRA?

Filipe Vaz Correia

 

Tenho de admitir que, esta manhã, me assustei...

As noticias davam conta do regresso do IRA, em força, com novos desenvolvimentos e até com uma Portuguesa, como um dos seus principais rostos.

Meu Deus!

Isto deve estar relacionado com este acordo para o Brexit, a suposta fronteira entre as duas Irlandas ou a falta dela...

"Esta Portuguesa, deve ser Luso-Descendente." Pensava inquieto e ainda ensonado, estupefacto em frente da televisão.

Encapuçados, em pose ameaçadora, capazes de enfrentar o mundo pelas suas convicções, estilo Daesh...

Que horror!

No entanto, num singelo momento, algo em mim se questionou:

Mas o que faz um cão, pincelado, naquele pano aterrorizador por detrás dos supostos terroristas?

Que estranho!

Começo lentamente a despertar e também  o meu cérebro dá sinais de querer raciocinar...

Pan?

Cãezinhos?

Foi então  que me apercebi...

Terrorismo à Portuguesa, carregado de estranhezas, inusitadas ligações e perturbadoras formas de contestação.

Escrevam o que vos digo:

Qualquer dia teremos um Canídeo na Assembleia da República, como Deputado da Nação, tal o ponto a que já chegámos.

E o pior...

É que deverá fazer melhor trabalho do que alguns Senhores que por lá andam.

Pois para isso, bastará aparecer...

Sem faltas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

16
Nov18

A Justiça Versus As Portas Dos Tribunais...

Filipe Vaz Correia

 

Mais um dia de discussão judicial, de televisão em televisão, de parangona em parangona, de comentador em comentador, de estupidez em estupidez.

Do Bruno culpado, preso definitivamente, passámos para o inocente, libertado em nome de uma justiça popular que se verbaliza sem dentes, com ranho e postiços, num qualquer microfone à porta de um tribunal.

Mas enfim...

Nada faz sentido.

Deixando de lado as minhas convicções, sobre os "acusados", pois a justiça não deve compactuar com convicções populares, muito menos transforma-las em sentenças, importa realçar a minha perplexidade com o andamento dos dias...

Destes dias em que a "novela" Bruno e o atrelado Mustafá, se tornou o assunto mais falado cá do sítio.

A decisão de prender Bruno de Carvalho durante cinco dias, para que este prestasse depoimento, tem tanto de absurdo como de arbitrário, uma manifestação de um poder judicial bacoco, prepotente e autoritário.

Quer ouvir?

Convoque...

Notifique e só em casos excepcionais detenha, prive da liberdade aqueles que gozam da presunção de inocência, ainda para mais, quando nem acusados se encontram.

É o mínimo.

Mas para tornar tudo mais inusitado, atentemos ao despacho que decretou a liberdade daqueles dois arguidos:

O Juiz considera que Bruno e Mustafá podem, em liberdade, perturbar o processo...

Mesmo assim liberta e não proíbe o contacto entre arguidos.

Considera ainda que existe perigo de fuga...

Mas não apreende os seus passaportes.

Esta deliberação alerta, ainda, para a possível e grave perturbação da ordem pública...

E mesmo assim não impede ou limita a acção dos mesmos, em determinados locais públicos.

Mustafá, esteve nesta mesma noite, no Pavilhão  do Sporting, a ver um jogo de Futsal.

Por fim...

O Juiz salienta, de forma veemente, a indiferença dos arguidos diante do sofrimento causado às vitimas deste processo, fazendo assim, um perturbador julgamento que deixa antever o seu pensamento.

E mesmo assim...

Liberta.

São estas contradições que perturbam um leigo cidadão, como eu, num confuso jogo de palavras e intenções que mais uma vez desmerecem a "Justiça".

A decisão da Magistrada Pública, de supostamente, recorrer desta libertação, divulgada em alguns canais de televisão, demonstra o descrédito que anteriormente descrevi, numa entrelaçada promiscuidade entre o poder judicial e o "mundo" jornalístico que corrói  desmedidamente o digno "julgamento" democrático.

O singelo direito de todo cidadão, ambicionar um justo tratamento entre a acusação e a defesa.

Mas assim prossegue a dita Justiça, sem nexo ou sentido.

De uma coisa tenho a certeza:

Nem Bruno se tornou "culpado" no dia em que foi detido, nem se tornou "inocente" por não ter ficado preso preventivamente.

Quanto às descontroladas convicções...

É esperar pela próxima porta de um Tribunal.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

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