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Caneca de Letras

Caneca de Letras

23
Jul18

Indecifrável Olhar...

Filipe Vaz Correia

 

Não imaginaria escrever as indecifráveis paginas que se escondiam na lamentação deste singelo e desmedido orgulho.

Não imaginava...

As árvores permaneciam caladas, gritantemente silenciadas nessa mistura de sentimentos guardados em mim, nas muitas noites de solidão...

Por entre janelas, mágoas encobertas, conversas passadas, olhares disfarçados, memórias...

Tamanhas recordações.

As mesmas janelas, as mesmas árvores, o mesmo singelo lugar, sem que as almas que um dia ali estiveram permanecessem, acompanhassem essa lembrança minha que se extingue...

Como se de uma chama se tratasse, como se de uma parte de mim fosse, neste bater incessante da alma, de certa forma solitariamente amarrada a mim...

Em mim.

O vento incansável agitava as duvidas, realçava as interrogações, avivava o que há muito se queria esquecido, relutantemente perdido, numa busca amedrontada que reprime a escrita, que apaga a poesia envergonhada, acentuando desmesuradamente a timidez das palavras.

Nada se perde, mesmo que perdido se encontre, desencontradamente segredado na angustia de tempos intemporais.

A meia luz da velas que iluminam o papel, que sombreiam o rosto, meu, por entre as sombras na penumbra de tamanhos anseios inauditos...

Desenhos rabiscados em tristes retratos, lágrimas disfarçadas em sorrisos imperfeitos, imperfeições envoltas na mais rebuscada contradição.

Valeria a pena ter perdido o tempo, sem questionar por um momento, se voltaria atrás esse fragmento de instante só nosso?

Voltaria a ser presente, esse segundo intemporal, onde entrelaçámos as mãos?

As mesmas árvores, o mesmo céu, a mesma incerteza...

Perdida beleza de um sagrado querer.

Não imaginaria escrever as indecifráveis paginas de tamanho amor, desmedido sentir que apenas no olhar se mantém.

Nesse indecifrável olhar que para sempre te pertencerá...

Nos pertencerá.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

23
Jul18

O Que Mais Irritará Otelo Saraiva De Carvalho?

Filipe Vaz Correia

 

Estava a caminho do Pingo Doce, no Campo Pequeno...

Depois de uma tarde espectacular a banhos, quando me deparo com uma glamorosa multidão, um sem número de "empregados de mesa", munidos de vinho fresco e croquetes, (perdoem-me alguns Sportinguistas), envolvidos numa gigantesca e frenética quantidade de pessoas.

Espantei-me, não deixando de apreciar o momento e até desejar que algum desses "criados" se cruzasse comigo, pois apesar do calção de banho e camisa desportiva, existia em mim a esperança de que os meus olhos pequenos, quase rasgados, pudessem convencer, com sorte, os generosos anfitriões de que também eu fazia parte daquela "festa".

No entanto, o que me chamou mais a atenção foi o facto de todos aqueles convidados serem Chineses, ou qualquer coisa assim do género, excluo serem Japoneses, pois reconheço um Japonês em qualquer parte do mundo...

Talvez a sua nobreza?

Género Samurai...

Ou reconhecer em cada um deles, um Mr. Miyagy?

Não sei!

Para mim eram todos Chineses num imponente evento, denominado:

"Prudential Gala Dinner".

Segui a minha vida...

E por entre, o vinho Planalto, o Porto Offley, os camarões cozidos ou o gelado de framboesas, uma expressão surgiu na minha mente:

O que mais irritará Otelo?

A Reinauguração do Campo Pequeno, citando as palavras de Alberto João Jardim:

" Otelo, querias meter toda a direita Portuguesa no Campo Pequeno, pois bem, hoje estamos cá todos."

Ou ter o Campo Pequeno invadido por milhares de Chineses, cidadãos de um País Comunista, (perdão emocionei-me...), vestidos como se estivessem numa entrega dos Óscares, aproveitando ao máximo aquilo que o Capitalismo selvagem lhes tem oferecido?

Adorava saber...

O que mais irritará Otelo Saraiva de Carvalho?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

 

  

20
Jul18

Mão...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Uma mão vazia;

Carregando essa vida despojada,

Em pedaços de maresia,

Memória reservada,

De tempos passados...

 

Uma mão calejada;

Marcadas incertezas,

Mágoas guardadas,

Incertas belezas,

De um destino...

 

Uma mão sem par;

Solitariamente desencontrada,

Não sabendo soletrar,

A hesitação recordada,

De tamanhas recordações...

 

Uma mão escrevinhadora;

Poetizando tremulamente,

As imprecisões de um tristonho...

 

Coração!

 

 

 

 

19
Jul18

Benedictus João...

Filipe Vaz Correia

 

João Benedito apresentou hoje a sua candidatura à Presidência do Sporting Clube de Portugal...

Uma sala cheia, um olhar profundamente emocionado, carregando o peso do momento, a esperança inerente à dimensão do cargo.

Tinha muita curiosidade em ver como se comportava o "nosso" querido João, esse atleta que sempre nos encheu de orgulho, o líder que sempre foi merecedor da nossa confiança, o homem que sempre demonstrou a raça e a elevação que agora leva como lema.

Um verdadeiro Leão.

Há muito que observava as várias soluções perfiladas para estas eleições, sem encontrar alguém em que me revisse, aquela personalidade que me parecesse a ideal para liderar os destinos do "meu" Sporting, enfim o projecto mais capaz...

Fiquei feliz, pelas palavras, pela emoção, pela presença de pessoas e vozes, memórias e uma certa mística que necessita de ser recuperada, aglutinando, unindo este mundo Leonino extremamente fracturado.

Talvez tenha chegado a hora de João Benedito, um dos maiores atletas da História Leonina, ter a oportunidade de resgatar esse destino vencedor com que os Sportinguistas tanto sonham e que há muito nos foge.

Eu acredito e mais do que convencido...

Estou convictamente conquistado.

Viva o Sporting

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

19
Jul18

A Louca Viagem De Donald Trump...

Filipe Vaz Correia

 

Donald Trump viajou pelo Continente Europeu, num périplo carregado de inconveniências, deslizes, faltas de educação e uma constante boçalidade inerente ao personagem.

Estes dias foram marcados por gaffes habituais, misturadas com aquele estilo cowboy popularucho que caracteriza o Presidente do Estados Unidos.

Em primeiro lugar a visita ao Reino Unido...

O comportamento de Trump com a Rainha Isabel II, a falta de conhecimento do protocolo, as palavras endereçadas à Primeira-Ministra Britânica, sugerindo que esta fosse substituída pelo anterior Ministro dos Negócios Estrangeiros, numa clara ingerência em assuntos internos da política Britânica, foram apenas alguns apontamentos deste tresloucado "rapazola".

A sugestão para que Theresa May processasse a União Europeia,  em vez de com ela negociar o Brexit, ao mesmo tempo em que se sentava na poltrona de Churchill, durante a visita que fez à casa Museu dedicada ao Estadista Inglês, apimentavam ainda mais o incomodo e a fúria Inglesa.

"How Dare You"...

Gritou o Daily Mirror, através da sua primeira página, libertando assim a revolta e indignação existente na maioria dos cidadão Britânicos.

As palavras sobre os parceiros da Nato, num conflito aberto contra os Estados Europeus, persiste e guia cada vez mais os Estados Unidos a um isolamento histórico e sem paralelo, junto de aliados que sempre foram de uma estratégica importância.

Por fim, a cimeira com Putin...

Um Trump diferente, com uma postura submissa, encolhida e aprisionada, parecendo refém do enquadramento geopolítico que marcou todo este encontro.

Ali, em Helsínquia, Trump não se insurgiu ou barafustou com Vladimir Putin,antes pelo contrário, concordou com o Presidente Russo, mesmo que isso significasse pôr em causa os Serviços Secretos Americanos e a sua veracidade...

Em Helsínquia, Trump sorriu, ouviu, desfez-se em delicadezas e vergou-se, acicatando ainda mais as dúvidas sobre esse seu servilismo Russo.

Nos Estados Unidos, em choque com tamanha vergonha ou um acumular de vergonhas, Democratas e Republicanos saíram à rua, numa onda de choque que já obrigou o "traquinas" Trump, vir a terreiro desmentir o que anteriormente havia dito e certamente o que no futuro voltará a dizer.

Pois com Donald Trump tudo é instável, nada é controlável e acima de tudo...

Tudo é desmedidamente grosseiro.

Desmedidamente vergonhoso.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

17
Jul18

A Centelha...

Filipe Vaz Correia

 

Poderia escrever sobre este amor;

Mas não existiriam palavras para o descrever,

Tamanha a imensitude,

Deste imenso bater...

 

Que bate descompassadamente;

A cada pedaço de ti,

Cada parte de nós,

Pincelado, por entre, uma vida...

 

És a parte de mim que mais amo;

Essa parte de ti que mais desejo,

Desatino infernal,

De um amor intemporal...

 

És a centelha da alma;

O sentir do coração,

A certeza que acalma,

Por entre um turbilhão...

 

És apenas tudo;

Como se tudo fosse imenso,

Como se imenso fosse capaz,

De significar...

 

O que verdadeiramente;

És para mim.

 

 

 

16
Jul18

Palavras Perdidas De Um Grande Amor...

Filipe Vaz Correia

 

Nas entrelinhas de uma carta podem se ler muitas verdades, muitas tremulas sinceridades guardadas a sete chaves e que ganham vida, na transparência de palavras trancadas na inusitada alma.

Nas entrelinhas de um texto, se perdem lágrimas amarguradas, se escondem sorrisos imperativos, se entrelaçam desejos inconquistáveis, se amarram amores impossíveis...

Mas deixarão de ser sentidos aqueles sentimentos, esborratados pela tinta da nobre e solitária caneta, que obreiramente insiste em despejar para o papel, o que vai soletradamente surgindo pela frente?

Deixarão de doer aquelas feridas?

Deixarão de arder aquelas magoas?

Deixarão de existir cada pedaço da tamanha contradição?

Talvez sim...

Talvez não.

Nas entrelinhas de uma carta, de despedida ou de amor, sobejam virgulas e pontos finais, disfarçando o indisfarçável sentir, encobrindo racionalmente o que não pode ser racional...

O indisfarçável bater do coração.

Cartas em papel, num papel por vezes amarrotado, tão amarrotado como as pedras de um caminho inesperado, tão inesperado como aqueles fantasmas que nos acompanham a cada noite, por noites que se transformam em dias, penosos dias que se perpetuam no destino de uma vida.

Mas servem também essas cartas para expiar, quando possível, a definitiva partida de um grande amor...

De um intenso amor, desapegada forma de querer, onde nada mais importa do que esse sorriso teu, perdido no meio da multidão, nessa imensa multidão que circunda, envolve, enevoa...

E mesmo assim o descubro, sei onde está.

Mas também para isso servem...

Num adeus singelo, esventrada maneira de expiar sem força o que parece impossível fazer olhos nos olhos, encarando o tudo e o nada que representas.

E num adeus, uma vez mais adeus, partem as palavras, deixando as recordações, as mesmas que sobreviverão por entre o tempo, para por vezes arder, por outras doer, mas sempre significar...

Amor!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

15
Jul18

Solitário Gatilho...

Filipe Vaz Correia

 

Pistola na mão...

Na mão calejada de tristeza e desilusão, de uma amargurada história que se incompleta, na incerta certeza que tarda em chegar.

Um quarto vazio, tão intensamente vazio, que se quebra o silencio com a tamanha solidão que não cala, ruidosamente maior do que o desejo em mim de a silenciar.

Na rua um rebuliço carregado de esperança, essa que há muito me abandonou...

No quarto ao lado, beijos e abraços, desejos soltos, gritos e gemidos perdidos, ecoando pelas paredes desnudadas, desnudando esse pedaço de vida esquecida.

E eu preso a tamanhos fantasmas...

A estes fantasmas que me perseguem.

Pistola na minha mão...

Lágrimas escorrendo pelo rosto, recordando cada uma delas, as alegrias, pequenos pedaços onde fui feliz, carregadas de rostos que me pertenceram, me preencheram.

Já nada faz sentido...

Encosto a mim o cano da pistola, num gesto lento, moribundamente lento, como que desejando que alguém por ali entrasse e impedisse este acto desesperado.

Sustenho a respiração...

Fecho os olhos...

O rebuliço na rua, os gemidos do quarto ao lado e um gigantesco quadro na minha alma, repleto de imagens, de memórias.

Primo o gatilho...

Primo o gatilho daquela pistola.

Um rebuliço na rua, por entre, desejos e gemidos no quarto ao lado...

E continua o tempo a passar, a vida a correr, o destino a percorrer o seu curso, desmedidamente egoísta para perceber que se perdera uma poética alma...

Na ponta de um solitário gatilho.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

14
Jul18

A Carta De Cristiano Ronaldo A "El Chiringuito"......

Filipe Vaz Correia

 

Cristiano está na Juventus, como se isso fosse de somenos, partindo assim desse mundo Madridista que viveu sob a sua genialidade, um dos mais importantes momentos da sua História, senão o mais importante.

Ronaldo será sempre uma lenda Madridista, pelo que jogou, pelo que ganhou.

Será sempre um dos maiores jogadores da História do jogo, senão o maior...

Mas é na dimensão humana, tantas vezes criticada, que se vê o quão especial ele é.

A carta escrita por Cristiano ao programa televisivo Chiringuito, despedindo-se de todos, os que o defenderam, amigos e Madridistas, assim como, os que sempre estiveram contra si, demonstra o lado cordial, afável e humano deste super jogador.

O lado emocional de tal gesto ficou marcado no rosto de todos, daqueles jornalistas que representam o mais importante programa desportivo da televisão Espanhola.

São pormenores, singelos pormenores que constroem a verdadeira essência deste monstro do futebol Mundial.

Cristiano partiu para Turim, mas soube partir...

Soube despedir-se, mesmo vendo negado um adeus oficial no Santiago Bernabéu, soube deixar mais do que saudades do seu futebol, as mais sinceras manifestações de respeito e carinho pelo homem.

E é também por isto que serás eterno...

Cristiano Ronaldo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

13
Jul18

Modric Ou Geraldes?

Filipe Vaz Correia

 

Quando oiço que querem vender o Chico Geraldes, algo em mim se arrepia...

Num desespero imenso, questiono-me se será possível tamanha estupidez.

Será que não percebem?

Será que sou só eu?

O Chico é a personificação do romantismo no futebol, aquela parte do jogo que se foi extinguindo com a robotização, cada vez mais presente, no futebol moderno.

O Chico é o pensador, o pausador de serviço que temporiza e agita, que modera e apimenta, que num simples momento acalma e acelera...

É o Modric da academia de Alcochete, num momento pensador noutro silenciador, num segundo um marcador de livres noutro um recuperador de bolas.

Ele pensa o jogo, numa Era em que se busca quem rompa e esventre os momentos, criando espectáculo e fogo de artificio...

Neste misto de contra-senso, assisto com receio às manchetes dos jornais e ao interesse do Frankfurt...

A sério?

Recuso-me a desperdiçar tamanho talento, tamanha ligação ao "nosso" Sporting...

Recuso-me a aceitar tamanha estupidez!

Quero ver o Chico no Sporting, como Modric está no Real Madrid...

O talento, condição primeira, não engana.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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