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Caneca de Letras

Caneca de Letras

13
Jul18

Modric Ou Geraldes?

Filipe Vaz Correia

 

Quando oiço que querem vender o Chico Geraldes, algo em mim se arrepia...

Num desespero imenso, questiono-me se será possível tamanha estupidez.

Será que não percebem?

Será que sou só eu?

O Chico é a personificação do romantismo no futebol, aquela parte do jogo que se foi extinguindo com a robotização, cada vez mais presente, no futebol moderno.

O Chico é o pensador, o pausador de serviço que temporiza e agita, que modera e apimenta, que num simples momento acalma e acelera...

É o Modric da academia de Alcochete, num momento pensador noutro silenciador, num segundo um marcador de livres noutro um recuperador de bolas.

Ele pensa o jogo, numa Era em que se busca quem rompa e esventre os momentos, criando espectáculo e fogo de artificio...

Neste misto de contra-senso, assisto com receio às manchetes dos jornais e ao interesse do Frankfurt...

A sério?

Recuso-me a desperdiçar tamanho talento, tamanha ligação ao "nosso" Sporting...

Recuso-me a aceitar tamanha estupidez!

Quero ver o Chico no Sporting, como Modric está no Real Madrid...

O talento, condição primeira, não engana.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

13
Jul18

O Meu Amigo Imaginário...

Filipe Vaz Correia

 

Tive um amigo imaginário, tão imaginário aos olhos de outros, como real nesse sentir que até hoje me pertence.

Tantas e tantas vezes me acompanhou...

Em férias a sós com meus Pais, solitariamente entregue às brincadeiras que eu mesmo imaginava, no primeiro dia de escola, enfrentando os receios próprios desta minha timidez, no caminhar pelo trilho de uma infância.

Nesse mundo, só meu, aquela personagem se tornava real, companheiro de aventuras e desventuras, confidente inigualável nos mais variados momentos.

A minha querida Mãe ao se aperceber deste traço, de mim mesmo, das conversas aparentemente solitárias, apressou-se a levar-me a um Psicólogo, amigo da família, alguém entendido nestas coisas da mente, vulgarmente intitulado, em meados dos anos 80, de "maluquice".

Mas que mal tem falar com um amigo imaginário?

Pensava o menino...

E refutava o imaginário, no fundo da minha alma, sabendo bem a pueril mente que era somente na imaginação que vivia esse, tão fraterno amigo.

Talvez esse traço, vulgo consciência, me tenha retirado da área dos "malucos", ou então, esse dito amigo de meus Pais era, também ele, um grande "maluco".

Também?

Sabe-se lá...

"Deixem o rapaz brincar e expressar-se à vontade, isso é apenas um reflexo da sua imensa capacidade de imaginação, a escapatória por ser um menino num mundo de adultos.

O tempo passou...

Cresceu o menino, buscando da vida outras realidades, construindo reais amizades, vivendo intensamente cada pedaço de emoção solta, por entre, as melodiosas formas de um destino.

No entanto, de quando em vez, lá me vem à memória a imagem daquele amigo, conselheiro, companheiro incessante dos primeiros anos de uma vida...

E mesmo sabendo que fisicamente ele não existe, nunca existiu, não fez parte desta realidade que denominamos de vida, mesmo assim, em mim...

Na minha alma estará sempre presente a sua imagem, buscando nessa certeza, o pedaço dessa criança que em mim, felizmente, sobrevive.

Obrigado por tudo Gó.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

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