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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A Mais Bela Parte De Mim...

Filipe Vaz Correia, 22.03.18

 

 

 

Sei bem que vai doer;

Como já dói,

Sem renegar o tamanho querer,

Que me consome...

 

Mas o que posso dizer;

Se assim é imposto,

Impondo a desmedida estupidez,

Deste destino descompassado...

 

Porque não vale a pena;

Buscar o eterno amor,

Quando se silencia,

Sem pudor,

Pedaços da alma...

 

E sobrará o olhar;

Perdidamente sincero,

Para recordar,

Cada pedaço de ardor,

Que se eternizará,

Sem medos...

 

Sem receios;

Do que um dia,

Ficou guardado,

Na mais bela parte,

De mim.

 

 

 

Casillas, Chicharito e Mkhitaryan No Milan De 1901...

Filipe Vaz Correia, 22.03.18

 

Sou um conjunto de contradições...

Um católico que acredita na reencarnação, num lugar diferente daquele que a minha fé me quer fazer acreditar.

Penso e reflicto, discuto e aprendo, num turbilhão de dúvidas e questões que me preenchem, num crer que me pertence mas que não me basta...

A revista Panenka publicou uma fotografia, retrato se preferirem, onde se vê o Milan de 1901, os jogadores que compunham aquele plantel, carregado de passado, de diferenças, de almas de outrora.

Nesse retrato uma ideia ou pensamento se mantém actual:

O que ali faziam Casillas, Mkhitaryan e Chicharito?

Naquele retrato tirado de um qualquer baú empoeirado, encontramos três homens que sendo almas de um passado distante vivem nos dias de hoje...

Ou se calhar não.

Mas não vivendo se encontram entre nós...

Os seus rostos, o seu olhar, a expressão maior que reconhecemos sem duvidar.

Sei que existirão explicações para tamanha coincidência, para tamanha imprecisa similitude, no entanto, a minha alma sedenta de explicações, se amarra sem pestanejar, buscando nessa explicação a resposta para as tamanhas contradições do destino.

Acredito na roda do destino, nesta preciosa volta de tantas almas, incoerentemente imaginando tantas vidas, na crença de um católico...

Mas o que seria da alma sem as suas contradições, sem as questões que nos consomem, as duvidas que nos reforçam, os desapegos que nos fazem maiores.

Vendo este retrato questiono esta parte de mim que crê nesta espécie de reencarnação, sobre os reencontros que a vida nos dá, os abraços perdidos por entre séculos, perdidamente ansiando por se reencontrarem.

Mas nem sempre a alma crê, por vezes se perde na dor imposta, na amargura que se sobrepõe a tantas coincidências abstractas.

Quero crer...

Quero saber como ali podem estar Casillas, Mkhitaryan e Chicharito?

Adorava saber.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Perdi-me...

Filipe Vaz Correia, 20.03.18

 

 

 

Perdi-me no meio do nada;

Um vazio constante,

Perdidamente triste,

Saudade penetrante,

Olhando para trás,

Para trás hesitante,

Tentando descodificar,

Esse medo sufocante,

Que sufocando,

Me aprisiona...

 

Perdi-me sem saber;

Que me perdendo perderia,

Essa espécie de querer,

Que querendo amputaria,

Este meu coração...

 

Perdi-me...

 

Para não mais te encontrar.

 

 

Sonho Meu...

Filipe Vaz Correia, 17.03.18

 

Um frio imenso, intenso, amarrado a um vento que parecia cobrir todo o horizonte que diante de mim se encontrava e que ameaçava se tornar infinito.

Ao meu lado o vazio, a solitária solidão, neste caminho que necessito percorrer, impulsivamente buscando o que desconheço e que desconhecendo parece me pertencer.

Continuo sem parar...

Esforçadamente querendo, cerrando dentes, fechando os punhos, orando bem alto...

Bem alto dentro de mim, sem gritar ofegantemente, como queria fazer, deveria fazer ou desejaria sentir.

O manto branco que cobre o chão, onde enterro os meus pés, abraçados pela neve imensa que se formou...

Não tenho medos, tendo tantos, não tenho desesperos, estando coberto por eles, na imensidão silenciosa que me acompanha.

Olho para todos os lados em busca de um destino, buscando também, nesse destino, os fantasmas prometidos em cada pesadelo, a cada meu receio.

Não tenho medos...

Repito sem parar, tentando convencer a alma minha de que é verdade esta mentira que sinto, que não me aprisiona este tão grande silêncio.

O barulho do vento, dessa gigantesca presença ausente, parece apoderar-se sem dizer, de tudo e ao mesmo tempo de nada, de mim e de ninguém, de todos os que sendo meus, há muito, me abandonaram.

Vou andando...

Vou esperançadamente caminhando.

Ao longe, neste destino que se tornou viagem, oiço o trautear da minha infância, das vozes perdidas em mim, dos sonhos que um dia me pertenceram...

Uma casa pequena, com as luzes reflectidas nas janelas, a lareira acesa e o fumo saindo da chaminé.

Naquelas paredes, no meio do nada, daquele nada gélido e branco, parece existir um pedaço que conheço, uma parte que sempre reconhecerei.

Aproximo-me daquelas janelas e espreito para lá dos seus vidros...

Sinto cheiros que conheço, vozes que me embalaram, sorrisos e abraços que tanto me ensinaram.

Naquela casa vejo Avós e Mãe, Tios e até amigos...

Vejo gente que tanto quis...

Que tanto quero.

Num instante o meu olhar se cruza com o de minha Mãe, com o seu terno e querido olhar, repleto daquele carinho que me tornava o centro do mundo...

Do seu mundo.

Um sorriso que me abraçava, somente abraçava, como se aquele abraço fosse o que nesse mundo mais importava, nesse mundo que se encontrava dentro daquele abraço.

Acordei...

Acordei, acordando, sabendo que esperava não mais acordar.

Naquele gélido sonho, naquelas palavras que não disse, nem escrevi, se encerrava um breve encontro, desencontrado amor que sempre me amparou, entrelaçado com as imensas saudades que para sempre perdurarão...

Como é bom sonhar, com quem sempre connosco sonhou.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Por Mais...

Filipe Vaz Correia, 16.03.18

 

 

 

Por mais que eu te diga;

Por mais palavras que tente encontrar;

Ou que me escapem essas lágrimas,

Tantas vezes a desencontrar...

 

Por mais que deslize o destino;

Por mais que se venha a silenciar,

Ou que os versos se reneguem;

Se reneguem sem parar...

 

Por mais que escreva;

Não mudará o passado,

No ausente futuro;

Que sobrará...

 

Por mais...