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Caneca de Letras

Caneca de Letras

04
Mar18

Sem Vida...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Crianças esquartejadas;

Empilhadas,

Sem vida...

 

Olhares perdidos;

Parados,

Rostos feridos,

Desencontrados...

 

Sem vida...

 

Marcas de desgostos;

Horrores profundos,

Homens pequenos,

Pequenos segundos...

 

Sem vida...

 

Tantos mortos;

Sem idade para sentir,

Que a vida chegara,

Chegara a partir...

 

Sem vida...

 

Eternamente sem vida,

Por entre as lágrimas que não chegaram,

As dores que não calaram,

As mágoas que não contaram,

Os medos que se concretizaram...

 

Em vida...

 

 

04
Mar18

Linhas Imperfeitas...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Pedi sem dizer;

Que o tempo regressasse,

Para secretamente escrever,

Rescrevendo mudasse,

Esse destino...

 

Mas o tempo não mudou;

O céu continuou,

O cinzento ali ficou,

Doendo matou...

 

Sangrado intensamente;

Se foi esvaindo a alma,

Que discretamente,

Partiu...

 

E talvez noutro mundo;

Noutra vida por chegar,

Se abrace o que ficou,

Escondido nesse luar.

 

 

04
Mar18

60 Minutos Na Síria Ou A Vergonha Da Humanidade?

Filipe Vaz Correia

 

Imagens assustadoras, arrebatadoras, devastadoras...

A SIC Noticias exibiu ontem, uma reportagem sobre mais um genocídio químico na Síria, no programa 60 Minutos.

Espero que a vejam...

Tenham medo, receio, pois o devem ter, num tremendo confronto com a dor e devastação inimaginável, por entre os olhos sufocados de várias crianças, vozes silenciadas sem expressão, espasmos contínuos esmagados pela mortandade de Gás Sarin.

Crianças e mais crianças, Pais e Mães, Novos e Velhos.

Nada escapou ao criminoso gesto de Bashar Al-Assad, a mais um criminoso acto de um regime genocida.

Vejam...

Por favor vejam!

As imagens não editadas, integralmente passadas pela CBS, num gesto corajoso, afrontador da consciência Humana, retira de tantas frases feitas a hipocrisia, dos medos civilizacionais a estupidificante razão de existirem.

Se ali estivéssemos, só poderíamos querer fugir, se víssemos os nossos filhos ali, apenas nos restava correr com eles nos braços, para evitar que o seu destino fosse igual ao daqueles meninos, estendidos naquelas terras...

Se ali estivéssemos, apenas nos restava esperar que aquelas bombas não chegassem, que aquele fim não fosse cumprindo.

Nos olhos daquela gente, morta, espumando de suas bocas, presas por um momento, singelo segundo, às vidas outrora seguras, se encontra a vergonha disfarçada de todos aqueles que permanecem cúmplices...

Calados.

Não quero fazer parte desse conjunto de pessoas e por isso grito...

Vejam!

Vejam como na Síria, nos dias que correm, se mata sem pudor, se esmaga a esperança de tantas crianças sem que nada mude...

Sem que o mundo se indigne.

E no meio de tantos silêncios, de tanta hipocrisia, continua a reinar a desesperante vontade de um déspota. 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

04
Mar18

Terá Valido A Pena?

Filipe Vaz Correia

 

No meio da estrada, caminhando intensamente, se escondia aquele receio que insistia em segredar, o mesmo medo segredado que voltava a amarrar a alma, pertencente a tal viajante.

Numa viagem infindável, sem fim, sem chegar, que desmedidamente se aproximava do céu...

O mesmo céu que nos cobre, nos envolve, nos completa, repleto de esperança e amargura, sonho e loucura, hesitação e desventura.

Essa mesma vontade de ser fiel, leal ao que se esconde no coração, ao que sente o pequeno pedaço de nós que se mantém desnudado de disfarces.

Nesse entretanto que é a vida, se vão perdendo momentos, se vão calando sentimentos, se vão desvanecendo abraços, perdidos eternamente por entre a maquilhagem imposta.

Nesse mesmo entretanto de tempo que não volta, vai escapando a vida, aquela que se torna presente, ausente passado que amarra a gigantesca forma de vida.

Quantas vidas me bastarão?

E quantas me bastaram?

Quanta vezes se amarrou o desejado reencontro?

E quantas vezes irá voltar a acontecer?

Talvez nada...

Talvez nunca.

Talvez se desvaneça esse encontro, reencontro desencontrado que nunca deveria ter acontecido mas que acontecendo numa espécie de adeus, se torna no definitivo desprendimento da amargurada alma, desapontadamente entregue.

E talvez seja chegada a hora de libertadamente esquecer, esquecendo finalmente o que há muito deveria ter sido esquecido, meio perdido por entre o inebriante olhar.

Pois ninguém escolhe quem ama...

Ninguém pede para amar, nesse cruzamento infindável de tamanhas memórias desabitadas, vazias.

Não valeu a pena...

Mas voltaria a tentar que valesse.

Pois só assim poderia saber que não tinha valido a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

04
Mar18

Gotas De Chuva!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Um dia carregado de chuva;

Molhando vigorosamente o chão,

As pedras cravadas na terra,

Inundando de emoção,

A esperança desbragada,

Desbragadamente repleta de desilusão...

 

Um dia carregado de nuvens;

Nuvens cobertas de tristeza,

Tristemente soltando,

As infindáveis incertezas,

Do incerto destino...

 

E nessa busca vagarosa;

Tão vagarosamente dolorida,

Se misturam as gotas de chuva,

Com as lágrimas do meu rosto...

 

Inundando a expressão;

Que se esconde,

Neste meu triste coração.

 

 

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