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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Esquecendo...

 

 

 

Ao vento;

No meio do mar,

Vão sobrando as leves dores,

Do que um dia foi respirar,

Respirar sem fim...

 

Do que na alma existia;

Desse amor que batia,

De cada instante guardado,

Em nós...

 

Nesse nós;

Que era só meu,

Nesse olhar meio perdido,

Do que levemente se desvaneceu,

Desvanecendo ferido...

 

E de orgulho esventrado;

Coração magoado,

Vai se esbatendo o passado,

Outrora sincero...

 

Vou-te amar;

Amando eternamente,

Recordando para sempre,

O que importa esquecer...

 

Pois só esquecendo;

Poderei sobreviver,

A tamanho destino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Verdadeiro Sentido Da Palavra Gendarmerie...

 

Arnaud Beltrame...

Um simples nome que prometo não esquecer, assim como, esse legado de um instante, marcadamente destemido, se eternizará por entre a memória de um País.

O enterro do Gendarmerie Francês que ousou trocar a sua vida com a de um refém, durante o atentado a um supermercado em Trèbes, silenciou por momentos o rebuliço quotidiano de uma França dos tempos modernos.

Neste fim esmagador, arrebatadora forma de nos recordar o heroísmo que resiste na essência Humana, subsiste esta tristeza inerente à morte.

Beltrame tombou às mãos de Radouane Lakdim, terrorista Islâmico de 25 anos, negando a capitulação diante da cobardia imensa, dando a sua vida para que outra pudesse continuar a viver...

Essa sobrevivente é Mãe de uma criança de dois anos.

Ao compreender a história, ao ler a tragédia, mais me arrepia o acto, o desesperante momento em que este simples homem, se tornou herói.

Emmanuel Macron prestou a sua Homenagem a este Gendarmerie, no pátio do Hotel des Invalides, transportando com ele todo o sentimento do povo Francês.

Por vezes estas histórias parecem escritas numa qualquer tela de um cinema, retiradas da amargura Humana, ficcionada, sem a carga irreversível de um destino...

No entanto, não foi assim.

Arnaud Beltrame morreu...

E o seu legado serve de lição para um mundo cada vez mais embrenhado na individualidade mesquinha, de um singelo olhar.

Até sempre Monsieur Beltrame...

Merci Beaucoup.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Quem Já Sofreu De Amor?

 

Gritos e mais gritos, silêncios e mais nada, vozes sussurradas sem alma, despojadas de um querer desamparado.

Poética contradição, desesperada forma de expressar aquilo que se guarda no secreto recanto do Ser, dessa parte secreta que sendo discreta, não se cansa de sentir.

Palavras soltas, reflectindo tantas e tantas voltas imperfeitas, sabores e odores, ódios e amores, imprecisos no olhar.

Já não sei como escrever, sendo a escrita amargurada, já não sei como gritar, o tamanho grito envergonhado.

Não vou fugir, voar por entre o céu pejado de nuvens, as mesmas nuvens que servem de abrigo às lágrimas, que há muito me aprisionam...

Não quero fugir de um abraço, distante regaço, que já não me pertence.

Poderia escrever eternamente, mesmo que as palavras se tornassem ausentes e que as letras me brindassem com o vazio...

Mesmo que esse vazio fosse o único destino da minha alma.

Por vezes é difícil descrever a infinita dor de uma tristeza, tão grande tristeza, meio nobreza, de uma eterna separação...

Por vezes é difícil explicar ao coração, que esse sentir não passará de ardor, que aquele sofrer se tornará eternamente dor e que por fim...

Por fim a distancia será a constância desse viver.

Mas apenas isso se tornará...

Apenas esse momento ficará.

E vai passando o destino, se afastando o encontro, adiando o desencontro que não fugirá.

Restará cada segundo que valeu a pena, cada momento sem arrependimentos, cada pedaço sincero vivido...

Sem medo, sem receio, sem olhar para trás.

Sempre sorrindo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Soletradamente...

 

Um dia bem distante, tão distante como as memórias que insistem em não regressar...

Nesse dia fui feliz.

Tão feliz que pareço não recordar, meio hesitante, não sabendo bem como expressar, esse desejo que se diluiu.

Houve um tempo onde nada mais existia, onde se perdia esta parte de mim que estando presente, se quedava ausente, na permanente vontade de te amar...

Mas tudo isso se perdeu, desvaneceu sem falar, calando insistentemente a tamanha querença de um bem maior.

Pois em cada sorriso teu, se perdeu esse olhar meu, que se perdendo por entre o tempo pareceu não parar...

Ou talvez se pudesse parar o tempo, mesmo sendo um qualquer segundo importante, nessa vontade tamanha de te querer.

Mas caindo a noite desperançada, sempre quieta e calada, se apercebeu este coração meu, que renegado estava este inquieto amor...

Amor imenso, intranquilo, intenso e intemporal, destemidamente capaz de tudo enfrentar.

Só que chegada a inesperada dor, indescritível sofrimento, soletradamente descrito por cada palavra tua, foi escapando a pequena essência de tão precioso sentir.

E ficou aquele nada, despido de tudo mas carregado de vazio, de dor, de mágoa. 

Um dia, por mais anos que passem, voltarei a este texto, a estas palavras, para recordar um adeus que nunca desejei...

E continua a bater o estúpido coração, tentando esquecer o que tantas vezes ousou recordar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Despedaçadamente...

 

 

 

Sussurro envergonhadamente;

Pois envergonhado me encontro,

Como sou intensamente,

Intenso desencontro,

Sussurrado...

 

Numa memória escrevinhada;

Reencontro imaginado,

Soletradamente aventurada,

Querer apaixonado...

 

Já partiu a velha imagem;

Que de tão velha se esqueceu,

Do que um dia foi miragem,

Dessa esperança que fugiu...

 

Escapou sem soletrar;

Cada palavra meio perdida,

Sem dizer ou gritar,

Aquele ardor,

Naquela ferida...

 

Vou continuar a caminhar;

Caminhando por entre as lágrimas,

Que escondo com pudor,

Para não mais sentir...

 

Vou continuar a caminhar;

Para não mais recordar,

Essa parte de ti,

Que tanto amei.

 

 

 

 

A Mais Bela Parte De Mim...

 

 

 

Sei bem que vai doer;

Como já dói,

Sem renegar o tamanho querer,

Que me consome...

 

Mas o que posso dizer;

Se assim é imposto,

Impondo a desmedida estupidez,

Deste destino descompassado...

 

Porque não vale a pena;

Buscar o eterno amor,

Quando se silencia,

Sem pudor,

Pedaços da alma...

 

E sobrará o olhar;

Perdidamente sincero,

Para recordar,

Cada pedaço de ardor,

Que se eternizará,

Sem medos...

 

Sem receios;

Do que um dia,

Ficou guardado,

Na mais bela parte,

De mim.

 

 

 

Casillas, Chicharito e Mkhitaryan No Milan De 1901...

 

Sou um conjunto de contradições...

Um católico que acredita na reencarnação, num lugar diferente daquele que a minha fé me quer fazer acreditar.

Penso e reflicto, discuto e aprendo, num turbilhão de dúvidas e questões que me preenchem, num crer que me pertence mas que não me basta...

A revista Panenka publicou uma fotografia, retrato se preferirem, onde se vê o Milan de 1901, os jogadores que compunham aquele plantel, carregado de passado, de diferenças, de almas de outrora.

Nesse retrato uma ideia ou pensamento se mantém actual:

O que ali faziam Casillas, Mkhitaryan e Chicharito?

Naquele retrato tirado de um qualquer baú empoeirado, encontramos três homens que sendo almas de um passado distante vivem nos dias de hoje...

Ou se calhar não.

Mas não vivendo se encontram entre nós...

Os seus rostos, o seu olhar, a expressão maior que reconhecemos sem duvidar.

Sei que existirão explicações para tamanha coincidência, para tamanha imprecisa similitude, no entanto, a minha alma sedenta de explicações, se amarra sem pestanejar, buscando nessa explicação a resposta para as tamanhas contradições do destino.

Acredito na roda do destino, nesta preciosa volta de tantas almas, incoerentemente imaginando tantas vidas, na crença de um católico...

Mas o que seria da alma sem as suas contradições, sem as questões que nos consomem, as duvidas que nos reforçam, os desapegos que nos fazem maiores.

Vendo este retrato questiono esta parte de mim que crê nesta espécie de reencarnação, sobre os reencontros que a vida nos dá, os abraços perdidos por entre séculos, perdidamente ansiando por se reencontrarem.

Mas nem sempre a alma crê, por vezes se perde na dor imposta, na amargura que se sobrepõe a tantas coincidências abstractas.

Quero crer...

Quero saber como ali podem estar Casillas, Mkhitaryan e Chicharito?

Adorava saber.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Perdi-me...

 

 

 

Perdi-me no meio do nada;

Um vazio constante,

Perdidamente triste,

Saudade penetrante,

Olhando para trás,

Para trás hesitante,

Tentando descodificar,

Esse medo sufocante,

Que sufocando,

Me aprisiona...

 

Perdi-me sem saber;

Que me perdendo perderia,

Essa espécie de querer,

Que querendo amputaria,

Este meu coração...

 

Perdi-me...

 

Para não mais te encontrar.

 

 

Sonho Meu...

 

Um frio imenso, intenso, amarrado a um vento que parecia cobrir todo o horizonte que diante de mim se encontrava e que ameaçava se tornar infinito.

Ao meu lado o vazio, a solitária solidão, neste caminho que necessito percorrer, impulsivamente buscando o que desconheço e que desconhecendo parece me pertencer.

Continuo sem parar...

Esforçadamente querendo, cerrando dentes, fechando os punhos, orando bem alto...

Bem alto dentro de mim, sem gritar ofegantemente, como queria fazer, deveria fazer ou desejaria sentir.

O manto branco que cobre o chão, onde enterro os meus pés, abraçados pela neve imensa que se formou...

Não tenho medos, tendo tantos, não tenho desesperos, estando coberto por eles, na imensidão silenciosa que me acompanha.

Olho para todos os lados em busca de um destino, buscando também, nesse destino, os fantasmas prometidos em cada pesadelo, a cada meu receio.

Não tenho medos...

Repito sem parar, tentando convencer a alma minha de que é verdade esta mentira que sinto, que não me aprisiona este tão grande silêncio.

O barulho do vento, dessa gigantesca presença ausente, parece apoderar-se sem dizer, de tudo e ao mesmo tempo de nada, de mim e de ninguém, de todos os que sendo meus, há muito, me abandonaram.

Vou andando...

Vou esperançadamente caminhando.

Ao longe, neste destino que se tornou viagem, oiço o trautear da minha infância, das vozes perdidas em mim, dos sonhos que um dia me pertenceram...

Uma casa pequena, com as luzes reflectidas nas janelas, a lareira acesa e o fumo saindo da chaminé.

Naquelas paredes, no meio do nada, daquele nada gélido e branco, parece existir um pedaço que conheço, uma parte que sempre reconhecerei.

Aproximo-me daquelas janelas e espreito para lá dos seus vidros...

Sinto cheiros que conheço, vozes que me embalaram, sorrisos e abraços que tanto me ensinaram.

Naquela casa vejo Avós e Mãe, Tios e até amigos...

Vejo gente que tanto quis...

Que tanto quero.

Num instante o meu olhar se cruza com o de minha Mãe, com o seu terno e querido olhar, repleto daquele carinho que me tornava o centro do mundo...

Do seu mundo.

Um sorriso que me abraçava, somente abraçava, como se aquele abraço fosse o que nesse mundo mais importava, nesse mundo que se encontrava dentro daquele abraço.

Acordei...

Acordei, acordando, sabendo que esperava não mais acordar.

Naquele gélido sonho, naquelas palavras que não disse, nem escrevi, se encerrava um breve encontro, desencontrado amor que sempre me amparou, entrelaçado com as imensas saudades que para sempre perdurarão...

Como é bom sonhar, com quem sempre connosco sonhou.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Por Mais...

 

 

 

Por mais que eu te diga;

Por mais palavras que tente encontrar;

Ou que me escapem essas lágrimas,

Tantas vezes a desencontrar...

 

Por mais que deslize o destino;

Por mais que se venha a silenciar,

Ou que os versos se reneguem;

Se reneguem sem parar...

 

Por mais que escreva;

Não mudará o passado,

No ausente futuro;

Que sobrará...

 

Por mais...

 

 

 

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