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Caneca de Letras

Caneca de Letras

20
Fev18

Efémera Melodia...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Foram com o vento;

As palavras prometidas,

Promessas sem tempo,

Nesse tempo perdidas,

Voando o sentimento,

Dessas palavras esquecidas...

 

Esbateram-se as cores;

No quadro pintadas,

Sobraram as dores,

Agora marcadas,

Marcando os temores,

Da alma desencantada...

 

Fugiram sem parar;

As certezas tão incertas,

Presas ao olhar,

Da minha profunda desilusão...

 

Mas do lado de fora da janela;

De soslaio,

Vejo o silencioso brilho desse céu,

Onde um dia escrevi,

O quão intemporal seria este amor...

 

E assim;

Sem mácula,

Caminho por entre os versos;

Descompassados,

Desta efémera melodia.

 

 

 

 

 

 

 

20
Fev18

O Fugaz Pedaço Do Destino, De Giovane De Sena Brisotto...

Filipe Vaz Correia

 

Uma viagem pelo mundo, o mundo inteiro...

Nem um seu recanto esquecido, nem um ponto perdido, nessa vontade de viver que se extinguiu.

Giovane de Sena Brisotto morreu...

E eu nem sabia quem ele era.

Ao ler a noticia, as reacções ao desaparecimento do protagonista do documentário de " O Sentido Da Vida ", volto a dar-me conta de como tudo isto é efémero, de como é passageiro este nosso destino.

Giovane tinha 31 anos e sofria da "Doença dos Pezinhos", uma doença sem cura, destrutivamente incapacitante.

Ao ler os relatos desta partida, recordei-me da Professora de Introdução ao Direito, no meu 10º Ano, que acabou por morrer da mesma maneira.

Parece estranho, como por momentos, veio à minha memória o seu rosto, o seu olhar, a expressão maior de um eterno desafio, que parecia enfrentar, sempre que entrava naquela sala de aula...

Com duas muletas, os pés inchadíssimos, o rosto meio desfigurado.

No caso da minha Professora, a sua irmã sofria da mesma doença, acamada no seu quarto, aos cuidados da Mãe que tratava das duas filhas sozinha...

A minha Professora esforçava-se para manter as rotinas, não ceder ao anunciado fim, ao vaticinado e efémero adeus.

De certa maneira, esta era a sua volta ao mundo.

Morava em Almada e vinha de táxi para o colégio que ficava no centro de Lisboa, num desmesurado querer que nos impressionava, arrepiava.

Recordo-me que quando a sua situação se tornou impossível de manter e o fim se aproximava, todos nós, alunos da minha turma, resolvemos visita-la em sua casa, já a morte da sua Irmã a tinha despedaçado, despedaçado a grande alma que era a sua...

Recordo-me bem...

Da sua casa, do seu quarto, onde estava a sua cama e do olhar sofrido daquela Mãe.

Mas com o tempo fui esquecendo, com o tempo fui apagando de mim tais momentos, aquele misto de sofrimento e grandeza presas à intensa memória.

Esta história que apenas agora tomei conhecimento, trouxe-me este pedaço de destino, novamente ao coração, àquele coração dos meus 16 anos...

O tempo passa, mas infelizmente as histórias muitas vezes se repetem e com elas um pedaço de coragem, entrelaçado com a desesperança do mesmo fim.

Resta-nos aproveitar...

Desenhar, sem medo, aquele amor que se perdeu, sem nunca o desperdiçar, mesmo que por um instante o coração compreenda, que não valerá a pena...

Sonhar com aquele abraço, um dia perdido.

Querer aquela parte de nós, que parece ter fugido.

Tudo valerá a pena...

Apenas não tentar, não dizer, não querer viver ou sonhar...

Apenas essa espécie de medo, não vale a pena, não valerá a pena.

Até sempre Giovane...

Até sempre Professora Maria do Carmo.

 

 

Filipe vaz Correia

 

 

20
Fev18

Eterno...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Não me importa perder;

Desde que saibas que o faço,

Perdendo essa parte de mim,

Que te ama,

Que abandona sem fim,

Essa intensa chama,

Que se acende a teu lado,

E a teu lado se extingue...

 

Não me importa que acabe;

Desde que saibas,

Que a cada momento,

Em que te perco,

Perderei amando,

Cada pedaço teu...

 

Porque amar é assim;

Um pedaço sem fim,

De eternidade...

 

E talvez percebas;

Que este pequeno amor,

É enfim...

 

Eterno!

 

 

20
Fev18

Tudo Vale A Pena... Quando A Alma É De Leão!

Filipe Vaz Correia

 

Vale a pena vencer assim, mesmo que a alma diga que não, mesmo que o sofrimento maior, este que absorve sem parar, grite desesperadamente dentro de nós...

Esta vitória do meu querido Sporting, aos 98 minutos, abanou as estruturas do meu prédio, despertou vizinhos e quase me votou ao divórcio.

Tem dias assim...

Vale-nos a fama, pois sendo Sportinguista nos dias que correm, facilmente nos colocam num patamar animalesco ou boçal, onde qualquer tipo de alarvidade pode ser permitida.

Atente-se ao " Pequeno Líder".

Mas este texto é para falar de alegrias, de uma vitória que aglutina, amarra a alma Leonina a uma esperança sem fim, a um desejo sem fim, a uma crença sem fim...

Ao infinito desejo de ser campeão.

O Sporting de hoje não foi muito diferente do que tantas vezes foi durante esta época, mas teve alma, teve coração, algo que tenho verificado nos últimos jogos, num acreditar até ao apito final.

Estes três pontos, num momento em que se calhar poucos acreditavam, dá aos jogadores uma noção de que é possível, de que estamos na luta...

E essa noção é deveras importante.

Durante estes 98 minutos muitos foram os estados de alma que me assolaram, momentos dispares de desespero e crença, de crer e revolta, no entanto, nos pés de Coates se guardava o infinito grito vitorioso.

E como soube bem...

O Sporting é isto, essencialmente isto, a alegria tamanha de poder saltar, de chorar e abraçar, de descobrir no rosto daquele companheiro que ao nosso lado se encontra, o querer constante dessa esperança.

Mais uma jornada...

Mais uma esperançada viagem nesse rumo que se espera vitorioso.

E eu quero acreditar...

Quero muito acreditar!

Quero continuar a acreditar que independentemente de tudo, do que nos separa fora de campo, dentro daquelas quatro linhas, a alma Leonina será sempre uma...

A de todos nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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