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Caneca de Letras

Caneca de Letras

02
Fev18

Mulheres Sem Véu

Filipe Vaz Correia

 

Foi durante a minha pré-adolescência que tive pela primeira vez consciência, do que era viver no Irão...

Do que era ser Mulher, no regime dos Ayatollahs.

Nunca mais me esquecerei, da interpretação de Sally Field no filme Rapto em Teerão, num angustiante retrato de uma sociedade misógina e retrógrada.

Um filme baseado numa história verídica e que me deixou a pensar noite adentro, sobre a brutalidade daquele mundo que até então, desconhecia.

Hoje em Teerão, assim como em outras cidades Iranianas, Mulheres que anseiam ser livres, corajosamente desnudaram as suas cabeças, soltaram os seus cabelos e usaram os seus Hiyabs, como bandeira para o mundo, num grito libertador que me trouxe à memória as imagens de Sally Field, correndo por entre as ruas de Teerão, com a sua filha pela mão, fugindo daqueles que sendo família, eram os seus primeiros algozes.

Que coragem, a destas mulheres.

29 detidas foram as últimas noticias chegadas de Teerão, arriscando penas de prisão, sendo julgadas por ignorantes radicais, que continuam aprisionados a tempos ancestrais.

Será difícil contrariar a força deste regime, desta Teocracia fundamentalista, no entanto, nada é mais digno e desafiador, do que a expressão maior da liberdade.

E estas Mulheres procuram apenas serem livres de escolher, se usam ou não...

Um Véu.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

02
Fev18

Os Segredos Da Justiça!

Filipe Vaz Correia

 

Abomino o segredo de justiça...

Simplesmente porque ninguém o cumpre.

Detesto o segredo nesta justiça...

Simplesmente porque ele não existe.

A polémica com o Ministro Mário Centeno, deixa evidente as fragilidades deste sistema, capaz de destruir antes de julgar, de desnudar o que por vezes, apenas, é suposição.

No caso de Mário Centeno, que se colocou a jeito ao pedir os ditos bilhetes, este arquivamento não é mais do que o esperado, depois de entendido o absurdo de que era acusado...

Completamente absurdo.

No entanto, a noticia colocada nos jornais, na imprensa, libertada em parangonas para o mundo, tomou proporções que não só poderiam lesar o bom nome da pessoa em causa, como também, dos cargos que ocupa em nome do País e em nome da Europa.

Arquivou-se o caso.

Mas quem escreveu a notícia que praticamente o colocava como arguido?

E quem passou ao "jornalista" essa informação?

Esta falta de respeito para com aqueles que são julgados, permite que a presunção de inocência seja violada de maneira aviltante, desvirtuando as bases necessárias para um sistema democrático sobreviver.

Neste processo que envolve o Juiz Rangel e Luís Filipe Vieira, mais uma vez assistimos a buscas filmadas em directo e partilhadas em vários canais de televisão...

A CMTV e a revista Sábado parecem ser os canais prioritários para quem cede as informações, esse pedaço de devassa que se tornou num direito de coscuvilhice que acompanha o sistema.

Não quero com isto defender estas duas personagens, que além de sinistras considero duvidosas, mas acima de tudo, relevar a importância de uma justiça sem Big Brother.

Um cidadão comum pode ter um veredicto pré-julgamento...

A justiça não.

Um cidadão comum pode querer saber o que se esconde, para além daquelas anunciadas buscas...

A justiça jamais as poderá partilhar.

O deverá permitir.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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