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Caneca de Letras

Caneca de Letras

05
Jan18

Carta Para Um Amigo!

Filipe Vaz Correia

 

Meu querido amigo, muitos parabéns neste dia, pelos 40 anos que ficaram por cumprir...

Assim como ficaram os 20, os 30,  tantos e tantos sonhos, guardados em ti.

Neste dia de Reis, recordo muitos dos dias que passámos juntos, muito dos sorrisos que partilhámos, das traquinices que inventámos, da lealdade constante entre nós.

Se pudesse descrever a nossa amizade numa palavra, talvez esta fosse a mais apropriada, a que mais nos caracterize...

Lealdade.

Sempre juntos, sinceros, ligados.

Tanta coisa nos separava à partida, tantos nos ligou sem sabermos...

Às vezes penso se teríamos sido amigos, sem aquela cena de pancadaria que nos levou ao gabinete da Professora Jesuína, directora do colégio e daquela casmurrice, que tão bem nos define, de cada um querer assumir as culpas do outro.

Inimigos até aquele dia, siameses a partir daí.

Tínhamos 10 anos, 10 jovens anos.

Desde esse dia e até hoje, repito hoje, em momento algum ficaste longe do meu pensamento, meu amigo, longe deste coração que sempre te pertencerá.

Mesmo naqueles dias difíceis, enevoados por entre as sessões de quimioterapia, a que foste sujeito, mesmo nesses dias, não esqueço a nobreza com que enfrentavas a realidade, a esperança que brilhava no teu desbravado olhar...

No teu leal olhar.

Daqui, nesta carta, amigo de uma vida, fica o meu grito de parabéns, onde quer que estejas, onde quer que vás, para onde quer que foste.

Daqui, com o tremendo sentimento desta eterna amizade, fica silenciosamente, o imenso obrigado, por um dia ter feito parte dessa breve vida, que foi a tua...

Mas que sempre recordarei, com um carinho sem tamanho.

Parabéns Luís...

Meu querido amigo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

05
Jan18

Um Singelo Gesto De Nobreza!

Filipe Vaz Correia

 

A mesquinhez humana sempre me atormentou, me deixou desconfortável...

Gente capaz de passar por cima de qualquer tipo de valores para se dar bem na vida, capazes de buscar na miséria alheia, um propósito para se sentirem melhor, com esse vazio instalado, que por vezes parece ser a única coisa que lhes sobra.

Gente assim passa pela vida em movimento, de um lado para o outro, provavelmente dando-se bem com esta forma de estar.

Não sou assim...

Não consigo gostar de gente assim.

Estava eu nos meus pensamentos, pensando sobre um ou outro caso que fui sabendo, deste exemplar de canalhice, quando uma noticia me chamou a atenção...

Uma imagem, um destemperado raio de esperança, no meio de alguns obscuros calhordas...

No México, um jovem toureiro, de seu nome Francisco Martinez, de 21 anos, ficou inconsciente depois da investida de um Touro, ficando inanimado na arena à mercê do animal.

O seu irmão Felipe, que assistia à lide de Francisco, num gesto heróico e irreflectido, saltou para a arena, protegendo o corpo de seu irmão com o seu, deitado sobre ele, servindo-lhe de escudo.

Depois de tudo isto, Felipe ficou com um dedo da mão partido e umas costelas magoadas, enquanto Francisco recuperado e com apenas alguns traumatismos, conseguiu terminar a corrida.

Este exemplo, pejado de beleza, carrega consigo a dimensão Humana, a nobreza inerente ao sentir, à força de um leal sentimento, puro, maior do que os medos e receios.

Depois de ler a reportagem deste caso, no Jornal A Marca, voltei a pensar no contraste entre um gesto de nobreza e um singelo calhorda...

Continuo a ter esperança que a nobreza, possa sempre vencer.

 

 

Filipe Vaz Correia