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Caneca de Letras

Caneca de Letras

14
Dez17

A Caminhada De Um Sem Abrigo...

Filipe Vaz Correia

 

O que estará por trás, do olhar de um Sem-Abrigo?

Daquele Sem-Abrigo?

Quantas dores permanecem encobertas, por aquele ar austeramente abandonado, enlameadamente escurecido, quase ofensivamente perturbador desta vida "normal", das pessoas "normais"...

Barba toda branca, amarelada, cabelos igualmente brancos, encardidos, com a sujidade presente na pele, nas unhas, na roupa.

Tudo me perturba...

Tudo deveria perturbar.

Caminha só, acompanhado pelas palavras que insiste em debitar alto, prometendo continuar sussurrando o malfadado destino que parece se ter cumprido, amarrado à infelicidade presente, na ausente vontade de ser "normal...

Gente comum.

A tristeza e a revolta parecem ter ali espaço, só ter ali espaço, naquele homem, naquele insistente olhar, que por mais que me esforce custo a esquecer.

Um olhar vazio, apesar de ser negro, presente apesar de nada nele existir, tem vida, reflectindo o nada, sempre o nada, que ganha expressão naquele rosto.

Esse vazio assustador, mistura de dor, de mágoa, de um abismo transformado em vida.

Aquele homem, aquela vida, ou o que dela resta, caminha só...

Continua percorrendo a rua, as ruas e os meus olhos acompanham-no, vão acompanhando os seus passos, até desaparecer no horizonte e se tornar para mim, o que antes havia sido...

Nada!

Mas no fundo da minha alma, no recanto do meu coração, aquela imagem permanece, aquela solidão que parecia ser sua companhia, arrepiou esta parte de mim que aqui desabafa...

Querendo vos escrever.

Quem terá feito parte daquela vida?

Como se perderam os desamores e amores daquele homem?

Como ficou vazia uma vida?

Abandonado no meio de tanto mundo, de tanta gente, de todos nós.

Perguntas que esvoaçam por entre as linhas e letras deste post, ficando sem as respostas, que porventura acompanham aquele homem, descendo a rua, prosseguindo o seu destino...

Aquele destino, que há muito, o abandonou.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

14
Dez17

Quem Joga Melhor Futebol Em Portugal?

Filipe Vaz Correia

 

Esta equipa do Rio Ave é de facto um caso de estudo, não só pela carreira que está a fazer na Taça de Portugal, assim como no Campeonato, mas essencialmente pelo futebol que joga...

Pela maneira como joga.

Miguel Cardoso, anterior adjunto de Domingos Paciência e Paulo Fonseca, amarrou o clube a uma filosofia romântica, assente na qualidade de jogo, da posse como destino de uma ideia infinita...

Infinitamente deslumbrante.

O Rio Ave joga como Grande, mesmo contra os Grandes.

Os Vila-Condenses apresentam um conjunto de qualidade, com um guarda-redes experiente, Cássio, um central de qualidade, Marcelo, um lateral de futuro, Yuri Ribeiro, um médio defensivo consistente, Péle, um capitão com alma, Tarantini, mas é no meio-campo ofensivo que tudo se transforma...

Que mora a essência, repleta de magia, deste Rio Ave:

Quem vê jogar João Novais, Francisco Geraldes ou Rúben Ribeiro, entende a razão pela qual esta equipa não teme jogar, olhos nos olhos, com qualquer equipa...

João Novais traz à equipa uma dimensão física superior aos outros dois, aliando qualidade técnica, a uma mais valia imprescindível ao futebol moderno...

A marcação eximia de livres directos.

Francisco Geraldes e Rúben Ribeiro são na minha opinião, ainda mais deslumbrantes, donos de uma intensa magia que define, surpreende, apaixona...

Chico, menino leão, faz do passe o diamante, o instante definitivo com que esventra defesas adversárias, do toque a arma com que congela o tempo, da visão de cada lance, o irrepetivel momento que vislumbra muito antes de qualquer outro.

Rúben, jogador feito, quase trintão, é a interrogação perfeita, da imperfeita pesquisa de talento feita por Benfica, Sporting e Porto.

Como pode um jogador desta qualidade, chegar aqui sem nunca ter sido contratado por uma desta equipas...

O Benfica poderia propor a troca de Rafa por Rúben, o Sporting dar o Argentino Ruiz e pagar mais uns milhões por este 10 Vila-Condense e o Porto...

Quantos Adrians valerá Rúben Ribeiro?

Assim vendo este Rio Ave que ontem voltou a destruir o Benfica, fiel à sua ideia de jogo, ao Tiki-Taka de Caxinas, dá vontade para questionar:

Quem joga melhor em Portugal?

Talvez a resposta seja...

O Rio Ave.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

14
Dez17

Também Tu, Froome?

Filipe Vaz Correia

 

A notícia de que Christopher Froome acusou positivo num controlo Anti-Doping durante a volta a Espanha, vem descredibilizar uma vez mais o Ciclismo ou a inverdade permanente que parece trespassar este desporto.

Froome junta-se a Armstrong, Schleck, Contador, entre tantos outros, que num determinado momento, foram apanhados nestes controlos...

O que parece evidente, na minha opinião, é que não importa saber se um determinado Ciclista se dopou ou não, mas sim se foi ou não apanhado.

Este tipo de descrédito, esventra em certa medida, a pureza desta modalidade, o crédito conquistado durante décadas por tantos e tantos Ciclistas que se tornaram heróis após cada edição de um Tour.

 A Pergunta que agora subsiste é:

Será que também Merckx ou Lemmond, Indurain ou Hinault, corriam dopados?

Será que também eles enganaram aqueles que na berma da estrada aguardavam embevecidos pela sua passagem?

O drama do Ciclismo de hoje, enlameia o passado da modalidade, escurece tantas e tantas edições passadas e acima de tudo, cria um gigantesco ponto de interrogação para esse futuro de uma modalidade que cada vez mais parece mentirosa...

Na essência, na verdadeira forma de se competir.

E assim, com esta noticia, mais um mito, se tornou num homem comum...

É caso para questionar:

Também tu, Froome?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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