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Caneca de Letras

Caneca de Letras

25
Out17

O Regresso De Babush...

Filipe Vaz Correia

 

Babush está de volta, regressando com os seus sorrisos, depois da imensa tempestade, provocada pelo seu outro eu,  António Costa...

Babush estava então escondido, receando a chegada do sisudo António, seu lado impaciente, arrogantemente desagradado, zangado, e que a generalidade dos Portugueses, ainda, desconheciam.

O que o insensível Costa não esperava, era que a maioria dos Portugueses emocionados com a tragédia dos incêndios, se insurgissem com tamanha insensibilidade e que com a ajuda do afectuoso Presidente Marcelo, desfizessem num grito revoltado, as suas certezas.

Costa tremeu...

A Geringonça abanou...

E regressou Babush.

Babush é o termo carinhoso, segundo o próprio, como a Mãe, os Filhos, os Sobrinhos e alguns Amigos o tratam, e a quem, certamente, o desesperado António pediu ajuda.

Neste dia de entrega de casas em Pedrogão, juntamente com o Autarca da região, lá estava Babush, sorridente, tentando apagar a imagem, daquele homem frio, naquela fria madrugada, em que o António estarreceu o País.

Agora voltámos a ter o simpático Babush...

Porque será?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Filipe vaz Correia 

25
Out17

Cartas Do Meu Passado.....

Filipe Vaz Correia

 

Através dos olhares de outros, viajo vezes sem conta por entre as realidades esquecidas, por entre vidas esvaziadas de presença, mas imensas no sentido, naquele sentir eterno.

Descobri cartas e mais cartas de um passado distante, com mais de 100 anos...

Cartas e postais, palavras soltas e apertadas, saudades distantes e lágrimas disfarçadas, em cada uma das suas letras esborratadas, de uma qualquer linha, daquele postal.

Naquelas cartas encontrei a minha Avó, minha Bisavó, amigas e sonhos, desilusões imprecisas, numa mistura de vida, cumprido destino.

Encontrei as saudades imensas de minha Mãe, uma menina que desconhecia que de si viria, aquele que nesse instante lia, palavras e sentimentos explanados em tão antiga carta...

Presente carta...

Voz que tanto amo.

Cartas e mais cartas, impregnadas dos meus, cheias de mim.

Porque o que somos nós senão esse pedaço, demasiados pedaços, daqueles que um dia, ao longo de vários destinos, nos pertenceram...

Serão eternamente parte de nós.

Assim continuo aprisionado, às letras, aos desabafos, à formalidade inerente a tempos que já passaram...

Continuo buscando partes de mim, que ainda não conheço.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

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