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Caneca de Letras

Caneca de Letras

16
Out17

LUTO!

Filipe Vaz Correia

 

O País está de luto, carbonizadamente de luto, enlutado pelos mortos que tombaram em mais uma tragédia incendiária ou pelos vivos que sobrevivendo, estão submersos em mais um pesadelo impregnado de dor.

Um retrato a preto e branco deste nosso Portugal, carregado de cinzas, enublado por entre as poeiras da incompetência de políticos, governantes, destino menor desta nossa triste alma Lusitana.

Gentes com memórias queimadas, esperanças incineradas, casas destruídas, vidas suspensas...

Já não existem palavras suficientes para descrever o olhar das pessoas, o desespero na expressão do rosto, a ausência de esperança, no meio de tamanha desesperança.

O que fica de Portugal, deste nosso querido País, é uma devastadora sensação de dor, de amargura, de abandono que as populações sentem, sentiram, e segundo o Primeiro-Ministro poderão voltar a sentir.

Abandono sentido no meio de florestas, em aldeias, cidades, estradas, em todo o lado por onde deflagrou este miserável pesadelo.

Através das imagens passadas pelas televisões, fica um retrato de devastação, de terrorismo, como diria o meu caro, O Último Fecha a Porta, de equívocos e erros acumulados durante décadas.

Não existe mais tempo para reflexões, não temos mais tempo para discussões, apenas sobra tempo para agir, para de uma vez por todas resolver esta repetitiva maldição.

Chove lá fora, do lado de fora da minha janela...

Por um momento, um instante, parece ganhar cor, a dor imensa deste meu querido País.

Que chova, que continue a chover, e que essa chuva se misture com as lágrimas da nossa dor, do nosso dolorido fado.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

16
Out17

É Tempo De Ter Vergonha!

Filipe Vaz Correia

 

Durante os incêndios de Pedrógão Grande, aqueles momentos arrepiantemente tristes, muitos quiseram ou pediram a cabeça da Ministra da Administração Interna, muitos chegaram a exigir tal consequência...

Não fui dos que se opôs a isso, no entanto, não estava certo se era esse o caminho a seguir, se na verdade, a MAI tinha esgotado ali o seu trabalho no cargo.

4 meses passados, não tenho dúvidas em afirmar, que chegou o seu fim político.

Não é possível que não tenhamos aprendido nada com a tragédia de Pedrógão, que não se tenha retirado nenhuma conclusão, neste espaço de tempo que mediou aquela desgraça e esta que agora Portugal torna a viver.

As declarações da Ministra, assim como as de António Costa, são inexplicáveis, estranhas, parecendo saídas de uma desconexa peça teatral, pejada de drama, mas em que os personagens em questão, se alhearam da realidade.

A Ministra Constança Urbano de Sousa disse aos jornalistas:

" Este não é um tempo de demissão, mas um tempo de acção!"

Se recuarmos estes meses, encontramos as mesmas palavras, da mesma pessoa, numa circunstância similar...

E o que mudou?

Fui eu que mandei desmobilizar os meios de combate, no inicio de Outubro, apesar dos avisos de várias instituições, por se considerar que tinha acabado a época de incêndios?

Foram os cidadãos que tomaram essa estúpida decisão?

Não, Senhora Ministra.

Sei da extrema seca que o País atravessa, sei que não se muda tantas falhas em tão pouco tempo, sei ainda que este será um trabalho de anos...

Sabemos todos.

Mas o que não se pode é dizer à população, que este horror será uma inevitabilidade, que voltará a acontecer, que não teremos meios para o combater...

Isso é que não.

E mais...

Se é indiscutivelmente tempo de acção, é igualmente tempo de demissão, e acima de tudo, é chegado o tempo de ter vergonha.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

16
Out17

Desconversando...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Não regressa a ausente lágrima;

As histórias e memórias,

Esse pedaço de mim,

Que busco conhecer,

Que desconhecendo,

Temo perder,

Por entre tantas hesitações...

 

Não desiste a alma,

Alma desapegada,

Minha emoção,

Dúvida cravejada,

Neste coração,

Ousada intermitência,

Do ser...

 

Já não reconheço;

O que um dia me pertenceu;

Pois sabendo, desconheço,

O que desconhecendo desvaneceu,

Em mim...

 

Essa parte de mim;

Silenciosamente silenciosa,

Esse pedaço de fim,

Que chegou.

 

 

 

 

16
Out17

Um Mar De Chamas!!!!!

Filipe Vaz Correia

 

Portugal está a arder, esventrado por um mar de chamas que parece não ter fim...

Um vermelhão ao longe, no horizonte, perdendo-se por entre o desespero das gentes, das pessoas, de vidas.

O pior dia do ano, no que diz respeito a incêndios,  com estradas cortadas, localidades isoladas, aldeias e cidades cercadas, tantos e tantos sítios, no meio de um pesadelo.

Como poderemos nós, cidadãos, aceitar que tudo isto ocorra, sem que nada se altere?

Basta, por uma vez, basta!

Existe por trás destes fogos mãos criminosas, uma espécie de quadrilha que actua concertadamente para construir estes cenários de horror.

Sei perfeitamente que este clima para Outubro é excepcional, que as alterações climáticas são uma realidade, que o território Nacional está em parte, ao abandono...

Sei de tudo isso, mas não consigo acreditar que seja possível este tipo de fogos, esta dimensão descontrolada, sem que exista acção humana.

Por último, independentemente dos estudos que quiserem fazer, julgo que a Ministra da Administração Interna, assim como a equipa que a acompanha, terá de abandonar o cargo, demitir-se ou ser demitida.

Não me interessa se é directamente responsável, até pode não o ser, no entanto, em última instância tem verdadeiramente muito azar...

E uma Ministra com azar, também não se recomenda para o cargo.

Que venha a chuva, para que se extinga este mar de chamas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

16
Out17

Os Dois Lados De Um Rio...

Filipe Vaz Correia

 

Rui Rio esteve no Jornal da noite da TVI, para uma entrevista, a primeira desde que é candidato à Presidência do PPD/PSD.

Gosto imenso de Rui Rio, sempre tive respeito e consideração pela sua coerência política, pela rectidão do carácter, pela forma como sempre se comportou na vida pública...

E isso não é de somenos, no panorama político actual.

No entanto, esta entrevista deixou-me um pouco confuso, pois se em muitos momentos reconheço o mesmo Rui Rio de sempre, a mesma disciplina nas palavras, a mesma autenticidade do discurso, noutros pareceu-me preocupado em não ferir susceptibilidades dentro do Partido, essencialmente, na Bancada Parlamentar.

Gostei de Rio quando, mesmo superficialmente, avaliou o Orçamento de Estado agora apresentado pela Geringonça, a forma como se diferenciou de Pedro Santana Lopes, como não teve receio em afirmar a necessidade de colocar sempre o País, à frente dos interesses Partidários...

Mas ao mesmo tempo, desagradou-me a maneira hesitante como tentou tranquilizar, aqueles que temem perder o seu lugar, irritou-me a insistência em afirmar que não existirá uma purga no Grupo Parlamentar, a necessidade de confortar, aqueles que se acomodaram ao aparelho laranja.

Rio tem de perceber que se for para manter este PSD, então não valerá a pena votar nele, Santana interpretará melhor essa função...

Aquilo que se pede a Rio, é que resgate o Partido da pasmaceira aparelhista a que foi votado nestes últimos anos, que o liberte do poder de Relvas e Marco António, que recupere os valores essenciais do Centro-Direita Português.

Centro-Direita, não se confunda com esquerda, que aqui ou ali, também me pareceu estranho, ouvir no discurso de Rio.

Por todas estas razões, e também por alguns destes meus receios, reafirmo a minha simpatia por Rui Rio, a esperança que possa mudar o rumo do PPD/PSD, mas para que consiga levar a cabo esta empreitada, será importante que se liberte de alguns gestos politicamente correctos, numa tentava de agradar às várias facções do Partido...

Terá de escolher uma das margens do Rio, um dos lados desse destino a cumprir.

Se for fiel ao seu passado e perfil, julgo que estará sempre mais perto de ter sucesso...

No Partido e no País.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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