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Caneca de Letras

Caneca de Letras

02
Ago17

Os Milhões De Neymar

Filipe Vaz Correia

 

Quando Diego Maradona se mudou para Nápoles, vindo precisamente do Barça, muitos escreveram que o mundo estaria louco e que ninguém valeria aquele valor:

Perto de 7 milhões de Euros.

Nada nem ninguém, algum dia valera tanto dinheiro no mundo do futebol, deixando boquiabertos rivais e adeptos, com aquela tamanha mudança no panorama das transferências.

Pouco tempo depois, chegava o Holandês voador a Milão, de mão dada com o novo milionário do futebol italiano, Silvio Berlusconi, numa transferência a rondar os 12 milhões de Euros e novamente exclamaram todos:

Os Deuses estão loucos!

Daí para cá, já todos sabemos a história, que culminou no verão passado na transferência de Paul Pogba, por cerca de 125 milhões de Euros.

Podemos discutir estes montantes de dinheiro, no patamar da moral, dessa suposta moralidade que certamente torna infame este tipo de valores, em oposição com a tamanha miséria encontrada em tantos pontos deste mundo...

No entanto, poderemos ver este problema, por outro prisma:

Vejamos então a transferência de Maradona, que chega a Nápoles, um clube recém-chegado à Serie A italiana, sem pergaminhos e que se atreve a contratar o melhor jogador do mundo...

A partir desse momento vence provas europeias e vários Scudettos, como nunca o fizera na sua história, tornando-se por momentos uma das equipas mais temidas, um dos principais clubes a vencer qualquer prova mundial.

Quanto dinheiro realizaram em publicidade e merchandising, os napolitanos após a chegada de Diego Maradona?

Quantas vezes se pagou "El Pibe"?

De lá para cá, na era pós Maradona, nunca mais o Nápoles voltou a este patamar, nunca mais venceram algo similar.

E Cristiano Ronaldo?

O jogador Lusitano chegou a Madrid por mais de 90 Milhões de Euros, vencendo após esse momento três Ligas dos Campeões e duas Ligas Espanholas entre outros títulos...

Pouca coisa?

Melhor que isto só no tempo de Di Stefano, há muitas décadas atrás e sem o valor comercial inerente a este novo Real Madrid.

Ronaldo trouxe consigo também do ponto de vista de Merchandising e contratos publicitários um valor incalculável, valorizando a marca Real Madrid e as receitas do clube.

Quantas vezes se pagou CR7?

Cheguemos então a Neymar...

O que determinará o sucesso da sua transferência, serão os títulos que conquistará na cidade da Luz, os títulos Europeus, bem entendido.

Se conquistar para o PSG, duas Champions League, se conseguir a isso aliar um par de bolas de Ouro, certamente arrastará atrás de si, o entusiasmo necessário em mercados emergentes para que esta transferência daqui a algum tempo, seja vista como um golpe de asa, da estrutura desportiva Parisiense e do seu proprietário.

Caso contrário será o maior fiasco da história...

Do ponto de vista moral será sempre possível recriminar este tipo de negócios, no entanto, para os adeptos do PSG o que lhes importará verdadeiramente, é saber se depois de a bola começar a rolar, Neymar mostrará ou não, ser capaz de reclamar esse cognome de melhor do mundo e se os ajudará ou não, a vencer,  esses títulos de sonho que insistentemente procuram...

E aí, tudo será apoiado, percebido e o mundo se renderá a mais uma galáctica contratação.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

02
Ago17

Sírios: Entre Assad E O Daesh!

Filipe Vaz Correia

 

Os desaparecidos da Síria é mais uma reportagem impressionante da BBC, sobre o conflito naquela região e a forma como a oposição foi esmagada à mercê do regime de Bashar Al-Assad.

Na história ali contada, sobram os relatos de brutalidade, de uma viagem desesperada pelo caminho penumbroso, de morte e assassinatos, de raptos e tortura, de impunidade e sofrimento.

A trágica vida daqueles que um dia se opuseram a um regime de Algozes, corrupto, sanguinário, num dilema absolutamente insolúvel...

A história de homens e mulheres, velhos e crianças que se encontram encurralados entre o poder dos Alaúitas, representado por Assad e os desmandos fanáticos do Daesh.

É aqui que se entende o fim de uma Nação, o labirinto sem escapatória de gente comum, devastada pelo simples facto, de ousar sonhar com esse direito inalienável de ser livre...

Liberto enfim, nesse desejo de escrever sem grilhões, falar sem amarras, pensar sem receios, expressar a sua vontade sem medo de ser cerceado.

Neste horror, espelhado é mais uma fantástica reportagem, fica a sensação que será impossível resolver este conflito, que serão irrecuperáveis as vidas, ali perdidas em vão...

As vidas que se perderam, apenas porque ousaram dizer não.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

02
Ago17

A Tinta...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Se a tinta da minha caneta;

Tivesse o poder de reencontrar,

Os versos outrora perdidos,

Que ousei imaginar,

Num destino desconhecido,

Que insisto em procurar...

 

Se a tinta desta minha caneta;

Fosse mágica e intemporal,

Se conseguisse por um instante,

Como um intenso vendaval,

Reescrever,

Esta rima final...

 

Mas a tinta da minha caneta;

Está aprisionada ao meu destino,

A esse secreto caminho,

De dor e desatino,

Poético.

 

 

02
Ago17

Maduro E Ceausescu: A Repetição Da História?

Filipe Vaz Correia

 

Continuo a escrever sobre a Venezuela, sobre o drama indescritível vivido por aquelas gentes, que se encontram ali aprisionadas, num misto de desespero aglutinador e de estupidez humana.

Olhando para esta realidade não é possível retirar deste contexto, o papel decisivo de um homem menor, o Presidente Nicolas Maduro.

Sempre que vejo noticias desse longínquo País, por tradição repleto de descendentes Lusitanos, não consigo deixar de me lembrar de Nicolae Ceausescu...

As semelhanças entre ambos são imensas, intelectualmente e até ideologicamente, sendo que acredito que o desfecho desta história poderá ser, também ele, igual.

A América Latina e o Mundo têm um vasto historial de ditadores, de regimes totalitários, durante longos anos, no anterior século e no atual, no entanto,  ditadores como Maduro e Ceauscescu, são unidos e legitimados pela sua própria ignorância, assim como, pela esperança daqueles que fazendo parte dos excluídos, em algum momento, acreditaram que essa ausência de cultura poderia significar simplicidade.

A Roménia Comunista era um País entregue a um homem, num regime desconexo e dependente desta família dominante, que moldou a vida e os comportamentos de tantas e tantas gerações.

Com os militares do seu lado, o Regime de Ceausescu ditou durante décadas as linhas com que se escreveria a História daquele povo, subjugados às experiências inacreditáveis de Nicolae e Helena, sua mulher...

Helena Ceausescu, praticamente analfabeta, teve em suas mãos durante anos a parte educacional e cientifica daquele País, sendo galardoada com louvores universitários e galões literários, em virtude de teses escritas por outros mas assinadas por si.

É aqui que me recordo de Nicolas Maduro, com o seu papel de Comandante, de líder supremo, meio entrelaçado com aquela genuína boçalidade com que expressa a loucura, que mora no seu miserabilista cérebro...

Mora sozinho no meio daquele palanque de onde discursa, naqueles monólogos ziguezagueantes, num desespero desconcertado que levará a Venezuela para um abismo, cada vez mais real.

Ceausescu tombou num dia de festa, num regresso a casa depois de uma visita de estado, na varanda de um dos seus palácios, diante de uma multidão...

As gentes vaiaram-no pela primeira vez, provocando espanto, estampado naquele seu olhar vazio, avançaram ao seu encontro e os militares que sempre o haviam apoiado, afastaram-se, abandonaram o pequeno ditador à sua sorte.

Ainda tentou fugir mas foi capturado ao lado da sua mulher, numa estrada perdida no meio de uma zona rural, onde pouco tempo depois foram executados, por entre gritos dilacerantes de Helena Ceausescu, não acreditando que aqueles homens seriam capazes de assassinar a sua "Mãe".

Era assim que se via...

Era desta maneira que a sua tortuosa mente acreditava ser vista, por todos os Romenos.

Nicolas Maduro, posso estar enganado, encontrará no meio de um discurso, no auge de um delírio, o julgamento popular que ele julgará impossível.

E assim, no meio destas semelhanças, por entre a loucura iletrada ou através da alucinação ignorante encontrada nestes dois homens, que talvez se possa vislumbrar a repetição de uma história...

E o fim do martírio de um povo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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