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Caneca de Letras

Caneca de Letras

24
Jan17

Alzheimer...

Filipe Vaz Correia

 

Já não sei quem sou;

Nem adivinho o que me dizem,

Já não sinto a minha alma,

O meu querer, a minha vontade...

 

Deixei de ser quem era;

Deixei para trás o meu destino,

Já não fujo, Já não corro,

Já não sei quando morro...

 

Os meu olhos esmoreceram;

Pálidos, com falta de cor,

Já me esqueci para onde foram,

Aqueles que me davam amor...

 

Estou sozinha, sem nada;

Buscando nos dias uma razão,

Recordando desanimada,

A razão da minha desilusão...

 

Já não conheço esta gente;

Já nem sei o que escrevo,

Sei que o vosso olhar me mente,

Mas não sei, o porquê...

 

Porque às vezes ainda penso;

Pensando e às vezes sentindo,

Parecendo que às vezes vejo,

Aquilo em que me vão mentindo...

 

Assim, rascunhando estas linhas;

Com essa angústia que me fica,

Pois não sei se me irei recordar,

Do que pensei ou escrevi,

Quando este poema terminar!

 

 

23
Jan17

Droga...

Filipe Vaz Correia

 

Tenho uma seringa no braço;

Adrenalina nas minhas veias,

Pois já não sei o que faço,

Nem que droga me rodeia...

 

Preciso de te sentir;

A espetar-me, a violentar-me,

O calor dentro do meu corpo,

A tocar-me, a desnudar-me...

 

Anseio a tua companhia;

Ó heroína maldita,

Essa que me beija de dia,

E de noite tanto agita...

 

Estranho, obsessivo;

Sonhando com o teu sabor,

Possesso, possessivo,

Pedindo-te por favor...

 

Sem preço a pagar;

Pois por ti faço tudo,

Torno-me cego, surdo,

E por vezes também mudo...

 

Porque por ti nada me basta;

Sou teu e só teu,

E de ti ninguém me afasta...

 

Mas assim vale a pena;

Vale a pena continuar,

A ver-te dentro de mim,

Dentro de mim a matar...

 

Mata-me então, sem problemas;

Consome-me ardentemente,

Porque contigo não tenho dilemas,

E a morte é um presente!

 

 

 

 

 

 

21
Jan17

Juventude...

Filipe Vaz Correia

 

Tenho saudades;

De não ter sono mas sonho,

De não ter medo mas coragem,

De nada me ser enfadonho,

Do horizonte me parecer risonho,

Sem dor, ardor...

 

Tenho saudades;

De tantas noites e de tantos dias,

Desse desejo ardente,

Me preencher de alegria,

E de voar constantemente...

 

Tenho saudades;

De estar sol ou a chover,

Dessas histórias a escrever,

Numa vida a viver,

Sem ter medo de morrer,

Tendo amigos para fazer...

 

Tenho saudades;

De olhar para o meu espelho,

E reconhecer aquele reflexo,

Aquele pedaço tão complexo,

De mim...

 

Tenho saudades, tuas;

Minha imensa inquietude,

Minha perdida juventude...

 

21
Jan17

América: Uma Vírgula na História...

Filipe Vaz Correia

 

Aqui estávamos nós, perante o dia da tomada de posse de Donald J. Trump, como o 45º Presidente dos Estados Unidos da América.

Um dia que acabou por ser o que muitos esperavam, uma cerimónia triste, esvaziada de uma certa esperança que sempre acompanha estes momentos, com faces meio embaraçadas e com o povo longe de encher aqueles jardins e ruas diante do Capitólio.

Trump não desiludiu, com um discurso esvaziado de ideias, repetitivo, odioso, fracturante, populista, provocando em muitos momentos, um silêncio constrangedor, mesmo entre aqueles que ali o apoiavam. 

Com um estilo arruaceiro, de punho erguido qual Hugo Chavez ou Fidel, Trump continua a atacar tudo e todos, tal e qual como na campanha eleitoral, desde Washington até à China, das fronteiras até à globalização, da imprensa até à Nato.

Assim, o senhor que se segue na Casa Branca continuará a coleccionar inimigos, externos e internos, o que lhe provocará, estou certo, valentes dissabores durante este mandato presidencial.

Enquanto esperava com tristeza e até estupefação, pelos comentários às fraquíssimas palavras de um Presidente cowboy, uma janela se abria no canto do meu televisor, com uma notícia de última hora, chegada da base militar de Andrews:

Barack Obama, falaria uma vez mais, antes de entrar no Air Force One.

Nunca havia sido feito...

Nunca um Presidente cessante, teve a ousadia de fazer uma conferência de imprensa enquanto o seu sucessor ainda assinava os primeiros papéis no Capitólio.

Obama fez e fez muitíssimo bem.

Em apenas oito minutos, voltou a trazer dignidade à função, a recuperar a esperança num olhar, num aceno, nas palavras...

"Uma vírgula, não um ponto final!"

Obama terá um papel importante no futuro dos Estados Unidos, na construção de um caminho que possa resgatar os valores e princípios Americanos.

A ignorância e a boçalidade tão visíveis em Trump, contrastam com a eloquência, a cultura, a imensa capacidade de nos prender com as palavras de Obama.

Por isso acredito que a América saberá contornar esta vírgula no papel, pois a história Americana não merece tamanha injustiça.

 

Filipe Vaz Correia 

21
Jan17

Voltarei a Amar!

Filipe Vaz Correia

 

Dói discretamente;

Arde intensamente,

Magoa desmesuradamente,

Numa mágoa tão presente,

Dessa presença ausente,

No meu coração demente...

 

Ainda acredito, sem saber;

Ainda quero, sem querer,

Tentando entender,

Porque não sou capaz de esquecer,

Essa história a escrever,

Ainda antes de a viver...

 

Nesse caminho despedaçado;

Sem retorno, regressar,

Vejo agora desabitado,

Esse pobre coração,

Que é o meu...

 

Porque ainda o oiço, soluçar;

Dentro de mim, a chorar,

Mas sei que irá lutar,

Para um dia...

 

Voltar a amar!

 

 

 

 

 

 

20
Jan17

Donald Trump: Um Remake de "Nós os Ricos"...

Filipe Vaz Correia

 

Antes de mais queria pedir desculpa a todo o elenco desta série portuguesa, especialmente ao Fernando Mendes, Rosa do Canto e Carlos Areias, mas não posso deixar de escrever sobre as semelhanças entre a ficção nacional e a triste realidade Americana.

Quando hoje me preparava para escrever no Caneca, pensava como poderia abordar este momento tão marcante para os USA e para o mundo e tantas ideias me assolaram a mente, num misto de saudade e susto perante este passado ainda presente e o futuro que se aproxima...

No entanto, sentado diante da minha televisão, vendo as muitas reportagens que circulam pelos canais de informação sobre o Sr. Trump, não pude deixar de ter esta visão que me fez regressar à minha infância:

Os salões de casa de Mr. Trump, na Trump Tower em Nova Iorque.

Admito que me feriu o olhar, pouco preparado para tamanhos dourados, tamanhos cristais, tamanha ostentação bacoca.

Por momentos pensei estar ali, naqueles episódios de "Nós os Ricos".

Será que Donald Trump se terá inspirado nesta série portuguesa para decorar os seus salões?

Ou qual Luis XIV, tentou transformar aquele espaço numa espécie de Galeria dos Espelhos, do Palácio de Versailles?

Em qualquer dos casos isso dirá muito do dito senhor, pois no primeiro exemplo tentava-se ridicularizar precisamente este género de bimbos ou labregos, como preferirem, e no segundo a Galeria dos Espelhos só faz sentido no local onde foi construída...

O Palácio de Versailles.

Fora destes casos este cenário torna-se parte integrante da personagem que o ostenta e descreve na perfeição a personalidade do mesmo.

Trump é isso mesmo, um pequeno pedaço de intelecto, forrado a dourado e repetindo vezes sem conta as banalidades odiosas que pensa lhe poder assegurar a tão preciosa popularidade...

Por isso mesmo é tão perigoso para todos nós, que alguém assim, seja Presidente dos Estados Unidos da América do Norte...

Para nós e para o mundo.

Assim, perdido entre as repetições reluzentes daquele cenário de tão mau gosto, uma dúvida me atormenta e persegue:

Se Marcelo Rebelo de Sousa é o Obama português, como muitos escrevem, será que estaremos destinados a ter nas próximas eleições, Fernando Mendes como Presidente da República?

Bem, vou mudar de canal para ver se os Simpsons me poderão responder a esta curiosidade, esperando verdadeiramente, que o Homer tenha piedade de nós.

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

18
Jan17

O Cão do meu Avô...

Filipe Vaz Correia

 

Quantas vezes terás de correr;

Para encontrar aquele dono,

Esse receio de esquecer,

Uma imagem, um sonho;

Um amigo...

 

Quantas voltas terás de dar;

Para perceber que se foi,

Que acabou por morrer,

Aquele afago ao entardecer,

Aquela presença a aquecer,

Esse pedaço da tua alma...

 

Desespero ou loucura;

Entre um latido, soluçar;

Um olhar de ternura,

Que acabará por encontrar,

A derradeira resposta...

 

Fidelidade sem preço;

Nessa palavra ou amor,

Buscando esse pedaço de apreço,

Que se tornou nessa amizade...

 

Era assim o cão do meu avô;

Que tentou vencer a morte,

Desse dono que sempre amou,

Até à eternidade...

 

E nessa eternidade certamente reencontrou;

Aquele amigo de sempre.

 

 

 

18
Jan17

Um Estranho na Favela...

Filipe Vaz Correia

 

Casas como escadas;

Degraus cheios de vida,

Pessoas enjauladas,

Com as mesmas caras, repetidas,

Impregnadas de receio...

 

Desconfiança no olhar;

No ruidoso silêncio de um sussurro,

Esse aviso, a alertar,

Nesse beco, esse muro...

 

Em cada rua; uma reunião,

Em cada ponto, um espião,

Em cada passo, uma sensação,

Desse estreito caminho...

 

Um sítio, tantas memórias;

Nesse olhar, tamanhas histórias,

Nessas mortes, sem glória,

Resgatadas em cada buraco, daquelas paredes...

 

Assim, com essas vozes perdidas ao vento;

Viajando por cada janela,

Continuei caminhando por aquele tormento,

Sentindo-me um estranho na favela...

 

 

17
Jan17

Bataclan...

Filipe Vaz Correia

 

Ainda me sinto no meio do escuro;

Daquele turbilhão, sensação,

Que invadiu o meu coração,

Durante esse momento, explosão,

Que virou vazio, escuridão...

 

Explosão de medo, incertezas;

Tantos olhares de estranheza,

Vidas perdidas com a certeza,

Dessa tão triste, tristeza,

Cobardia...

 

Ainda me sinto tremendo;

Deitado, esperando,

Ouvindo e gritando,

Aguardando, rezando...

 

Só eu sei os que morreram;

Os que vivendo, pereceram,

Os que respirando, tombaram,

Estando vivos, desapareceram...

 

Porque não basta morrer;

Para a morte resgatar,

Esse deixar de viver,

Nesse Bataclan a recordar...

 

Já não vivo;

Mas a minha dor será eterna.

 

15
Jan17

As Amarguras de um Sportinguista...

Filipe Vaz Correia

 

Tanta raiva guardada dentro do meu coração leonino, desesperado, gritando e libertando sem parar, toda a dor que o aprisiona...

Não!!!!!!!!

Não pode estar a acontecer...

O meu Sporting está encurralado entre a realidade dos seus desaires e as aborrecidas alucinações constantes de quem o dirige.

Basta de nos perdermos em batalhas vãs, infrutíferas que só servem para esconder aquilo que verdadeiramente nos atinge e destrói...

A incompetência!

Jorge Jesus passa por um momento em que disfarça muito bem, a qualidade que todos, sempre lhe atribuíram, desorientando uma equipa, que inicialmente parecia talhada para vencer.

Quem contratou estes jogadores e emprestou outros que formados na Academia, melhor representariam o Sporting de todos nós?

Quem????????

Porque razão emprestamos Kiko Geraldes ou Iuri, Podence ou Palhinha, ou mesmo Domingos Duarte?

Ninguém se questiona como pode o Sporting pagar 8 milhões de Euros por uma espécie de jogador amador, de um desporto parecido com o Futebol...

Alan Ruiz não vale 1 milhão de euros, talvez nem mesmo 500 mil euros, por isso interrogo-me o que estará por trás deste negócio, no entanto, logo me recordo de André Balada, Petrovic, Melli, Markovic, Elias ou mesmo Castaignos e me apercebo que das duas uma, ou o Sporting tem uma equipa de olheiros cheios de estrabismo e cataratas que não consegue identificar os jogadores que observa, ou então, estamos perante negócios ruinosos, sem explicação possível.

Não existe terceira opção!

Pedro Marques e Dani Bragança apesar da sua tenra idade, não estarão em melhores condições de servirem o Grande Sporting, do que alguns destes nomes?

Mais, a gestão que é feita dos sucessivos processos de renovação ou melhorias salariais a treinador e alguns jogadores em detrimento de outros poderá explicar o mau-estar que parece reinar naqueles rapazes de verde e branco...

Bruno de Carvalho é o único e príncipal responsável pela situação em que o Sporting se encontra, pelas batalhas que comprou, pelas opções que tomou e certamente pelo resultado que terá ao fim de 4 anos e meio de mandato.

Basta das mesmas desculpas, dos mesmos culpados, dos mesmos nomes mencionados por uma clique aparelhista que parece aterrorizar todos os que se opõem ao actual establishment vigente em Alvalade.

Karma is a bitch e será ele a tratar de Bruno de Carvalho.

Começo seriamente a pensar se em vez de Jorge Jesus, Bruno de Carvalho não deveria antes ter contratado Luis Filipe Vieira para o seu lugar, pois talvez assim estivéssemos mais perto de ser campeões...

Assim esperando para ver o que poderá ainda fazer o meu Sporting, fico com a sensação que os próximos jogos definirão não só o futuro de Jesus, como também o de Bruno Carvalho.

Não vencer estes desafios tornará o caminho impossível e deixará a nú a desorganização que reina indiscutivelmente dentro do clube e se reflecte dentro e fora do actual plantel.

 

Viva o Sporting que será sempre maior do que aqueles que pontualmente o servem.

 

Filipe Vaz Correia

 

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