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Caneca de Letras

Caneca de Letras

18
Jan17

O Cão do meu Avô...

Filipe Vaz Correia

 

Quantas vezes terás de correr;

Para encontrar aquele dono,

Esse receio de esquecer,

Uma imagem, um sonho;

Um amigo...

 

Quantas voltas terás de dar;

Para perceber que se foi,

Que acabou por morrer,

Aquele afago ao entardecer,

Aquela presença a aquecer,

Esse pedaço da tua alma...

 

Desespero ou loucura;

Entre um latido, soluçar;

Um olhar de ternura,

Que acabará por encontrar,

A derradeira resposta...

 

Fidelidade sem preço;

Nessa palavra ou amor,

Buscando esse pedaço de apreço,

Que se tornou nessa amizade...

 

Era assim o cão do meu avô;

Que tentou vencer a morte,

Desse dono que sempre amou,

Até à eternidade...

 

E nessa eternidade certamente reencontrou;

Aquele amigo de sempre.

 

 

 

18
Jan17

Um Estranho na Favela...

Filipe Vaz Correia

 

Casas como escadas;

Degraus cheios de vida,

Pessoas enjauladas,

Com as mesmas caras, repetidas,

Impregnadas de receio...

 

Desconfiança no olhar;

No ruidoso silêncio de um sussurro,

Esse aviso, a alertar,

Nesse beco, esse muro...

 

Em cada rua; uma reunião,

Em cada ponto, um espião,

Em cada passo, uma sensação,

Desse estreito caminho...

 

Um sítio, tantas memórias;

Nesse olhar, tamanhas histórias,

Nessas mortes, sem glória,

Resgatadas em cada buraco, daquelas paredes...

 

Assim, com essas vozes perdidas ao vento;

Viajando por cada janela,

Continuei caminhando por aquele tormento,

Sentindo-me um estranho na favela...