Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Matteo Renzi: E Ora Itália? E Agora, Europa?

Filipe Vaz Correia, 05.12.16

O Não venceu em Itália, com quase 60% dos votos, no referendo requerido por Matteo Renzi, para tentar mudar o sistema político Italiano e a sua eterna contradição...

A democracia Italiana vive aprisionada a este sistema há décadas, levando a que os rostos desse sistema se perpetuem, ad aeternum, num emaranhado de cargos e contra-poderes, que não permitem a quem governa as competências legislativas suficientes para reformar verdadeiramente o País.

Renzi jogou com tudo o que tinha, colocando mesmo o seu futuro político como trunfo, para uma vitória que acreditava poder alterar o rumo da sua Nação, no entanto, ameaçando demitir-se em caso de desaire, Matteo Renzi conseguiu unir todos os seus adversários, na expetactiva de assim o conseguirem afastar do quadro político Italiano.

Renzi perdeu e cumpriu...

Para Itália, já não está mal.

Numa recente entrevista ao 60 Minutos, Matteo Renzi admitiu que havia errado, ao elevar a fasquia, pois em caso de derrota ele colocaria em causa todo o seu trabalho, o seu papel e o papel do seu governo, mas era tarde demais para recuar, para fugir das palavras que o acorrentavam à promessa que havia dado.

Muitos políticos Italianos ao longo de décadas disseram o mesmo e o seu contrário, percorrendo todos esses cargos e lugares públicos que agora Renzi queria extinguir ou restringir, por isso tenho a expectativa que com o seu exemplo Matteo Renzi possa, mesmo depois desta derrota, conseguir demonstrar um novo caminho para este velho País.

A Europa vê assim nascer uma nova questão:

O que fazer, se o populista movimento Cinco Estrelas, de Peppe Grillo, assumir o poder numas novas eleições em Itália?

Mais um movimento Anti-Europeu, para implodir o ideal criado pela UE.

A Europa tem de a todo o custo, tentar inverter esta imensa contestação que cresce dentro de si, pois caso contrário, esta irá implodir através desses mesmos governos eleitos em cada País, que se unirão para combater o progressivo avanço de uma União Europeia.

A queda de Renzi é na minha opinião um passo dado nesse desconhecido rumo.

Por fim não posso deixar de notar a derrota da extrema direita na Áustria, o que contrariando a maioria das sondagens veio dar uma pequena esperança, de que afinal ainda é possivel combater os Radicalismos crescentes em toda a Europa.

Mude-se as politicas, fale-se ao coração das pessoas e ouça-se o que estas tem a dizer...

Escutando-as, estaremos mais perto de desarmar os populismos e as demagogias.

Assim depois de mais uma noite eleitoral e vendo o discurso de Matteo Renzi, fico com a esperança de que um dia, este ainda possa ter uma palavra a dizer sobre o futuro do seu Pais...

Da nossa Europa.

Por isso, Arriverdeci e Buona Fortuna, Signor Matteo Renzi... 

Vida...

Filipe Vaz Correia, 04.12.16

 

Ainda penso no que não queria pensar;

Ainda me recordo do que não queria recordar,

Ainda faz parte de mim,

Essa angústia sem fim,

Daquele dia assim...

 

Ainda tenho que viver;

Sabendo sem querer,

Que o fim ou morrer,

Faz parte desse saber,

Que é a vida...

 

Vida...

 

Tão estranha forma de celebrar;

Uma passagem por este lugar,

Onde nos cruzamos a caminhar,

Com sentimentos a chegar,

Até partir, zarpar...

 

É assim a vida;

Sobra pouco para explicar,

Deste enigma a questionar,

A escrever ou partilhar...

 

Resta-nos aproveitar;

Cada dia,

Cada olhar,

Como se fosse a primeira vez...

Salto para o infinito!

Filipe Vaz Correia, 03.12.16

 

Saltei de uma ponte;

A mais alta que encontrei,

E nesse tempo em que caía,

Nesse tempo pensei...

 

Em tudo o que ficou para trás;

Que deixei nessa história,

Que vivi, que jaz,

Perdido na minha memória...

 

Fugi de tanto e de tão pouco;

Não consegui mais resistir,

Às agruras de um louco,

Que resolveu de si, fugir...

 

Fuga para lá do entendimento;

De um tempo que não compreendo,

De um desmesurado sofrimento,

Que não pedi a ninguém...

 

Quem julgará o meu destino?

Esse que me deram ao nascer,

O mesmo que rejeitei,

No dia em que decidi morrer...

 

Tão gigante esta decisão;

Tão enorme o meu salto,

Neste grito sem perdão,

Que findou este acto...

 

Fui-me embora, simplesmente;

Disse que não, cobarde,

Mas no fundo do meu coração,

Ficou para sempre uma saudade...

 

Saudade, de mim mesmo.

 

Impossível...

Filipe Vaz Correia, 02.12.16

 

Teu sorriso;

Meu agrado,

Pouco siso,

Desencontrado,

Perdido nesse riso,

Tresloucado,

Viajante de um passado,

Não realizado...

 

Teu afago;

Meu desencontro,

Desejando,

Por entre esses sonhos,

Que não desejo sonhar,

Com o receio de encontrar,

O tal esconderijo secreto...

 

Teu beijo;

Tão salgado,

Nesse desejo,

Tão ansiado,

Nesse ensejo,

Cheio de sal,

Que se formou no meu sentimento...

 

Meu amor;

Sem o ser,

Meu fervor,

Sem o viver,

Tantas dúvidas,

Expectativas...

 

Apenas por desejar;

O Impossível.

Saudades

Filipe Vaz Correia, 01.12.16

 

Porque me fazes doer?

Palavra estranha,

Por vezes até entorpecer,

Nesse passado que se entranha,

Devagar ao amanhecer,

De mansinho nos apanha...

 

Porque me iluminas sem brilhar?

Me deixas sentir esse sabor,

Esse intenso paladar,

Resgatando sem pudor,

Sem despir, divagar,

Esse passado às vezes dor...

 

Essa dor às vezes passada;

Essa mágoa por vezes regressada,

Numa mistura já vivida,

Por vezes ferida,

Sempre sentida...

 

E só assim;

Vivendo por ti,

Sinto as Saudades que adoçam a minha alma.

Pág. 6/6