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Caneca de Letras

Caneca de Letras

13
Dez16

Debaixo da minha cama...

Filipe Vaz Correia

Era uma vez um menino, que tinha medo dos pesadelos que se escondiam debaixo da sua cama, à noite, no seu quarto, naquela escuridão imensa que assombrava a imensidão da sua pequena alma.

Aquele quarto pequeno, aquele tecto trabalhado, aquelas sombras meio perdidas, escondidas que ameaçavam polvilhar aquela tenra imaginação...

Tinha medo que o levassem, que o aprisionassem nesse mundo obscuro escondido debaixo da sua cama e de onde era possível sairem os monstros mais terríveis alguma vez imaginados.

Nem a luz de presença o tranquilizava, nem os passos dos adultos o reconfortavam, nem a esperança sem fim de que a sua mãe o viesse tapar o deixava tranquilo, menos nervoso...

Tanto medo num pequeno coração, num menino que se escondia debaixo dos lençois.

A coragem que ele queria ter, por vezes parecia se apróximar, encher a sua alma e numa força sem fim, dar-lhe aquele pedaço de determinação para sorrateiramente espreitar para debaixo daquela cama, às vezes navio, buscando corajosamente encontrar o vazio que racionalmente ali teria de estar...

Mas essa determinação passava, esse medo regressava, voltava, vindo do nada, preenchendo novamente esse receio imenso que teimosamente insistia em não se calar.

Esse menino cresceu, esse quarto já não lhe pertence, essa cama já não existe, esse medo desapareceu...

Esse menino guardado no fundo da minha alma, já não chora com medo dos monstros que se escondem debaixo da sua cama, já não receia a escuridão que se instalava no seu quarto...

O menino que um dia fui, apenas sente saudades, desse tempo, desses medos próprios de uma irrequieta imaginação, dessa imensa angústia de perder aquilo que tanto estimava...

A infância que não regressa.

 

Filipe Vaz Correia

13
Dez16

Silêncios de Amor...

Filipe Vaz Correia

 

Oiço a tua voz, meu amor;

Esse sorriso que se fecha,

A impaciência às vezes dor,

Daquele amor que se deixa.

 

Oiço o esgar desse fim;

O som de uma dolorosa pena,

De uma sentença que assim,

Encerra mais uma cena...

 

Oiço as palavras que me dizes;

Os gritos que não falam,

As mágoas, as cicatrizes,

Que silenciam, que se calam...

 

Essa resposta sem pergunta;

Essa pergunta nunca feita,

Essa razão defunta,

De uma felicidade desfeita...

 

Oiço calado;

Questiono então o silêncio...

 

Para onde foste, meu amor?

 

Oiço a voz desse tempo que não regressa...

 

Triste, somente triste;

Apenas nos sobrou a tristeza.

13
Dez16

António Guterres: O Político Humanista...

Filipe Vaz Correia

 

António Guterres foi hoje, oficialmente empossado, como Secretário Geral das Nações Unidas, iniciando assim uma caminhada que se antevê repleta de dificuldades.

Ao acompanhar esta tarde a cerimónia de tomada de posse, pensei no mundo que hoje se depara diante de todos nós e nos desafios que inevitavelmente se depararão a este Secretário Geral da ONU...

As guerras na Síria, Ucrânia, Líbia, Iraque entre outras, as Alterações Climáticas, negadas pelo Senhor Trump, o papel da Mulher no mundo Islâmico, o crescimento dos Radicalismos, sejam eles quais forem, Religiosos, de Raça, de Género.

Guterres terá de lidar com políticos cada vez mais inflexíveis, menos tolerantes que prometem encerrar o mundo em redor dos seus nacionalismos e com o desespero aprisionado a uma economia global, enquistada pelo desemprego e a estagnação que continua a sufocar as sociedades actuais.

Terá ainda de lidar com a expectativa de uma nova ONU, regenerada e reformada através das promessas de um conceito de novas relações entre as Instituições e as Populações.

Na minha opinião, António Guterres, tem no seu humanismo, nessa faceta tão presente nele, o seu maior trunfo, como tantas vezes ficou comprovado enquanto Alto Representante para os Refugiados...

O seu olhar tocante, a sua maneira próxima de chegar aos outros, partilhando o sofrimento, mantendo mesmo em situações limite, aquela capacidade de ouvir os outros, transformando as pessoas em questão, parte importante da solução desses dramas, muitas vezes quase insolúveis.

Estas capacidades fazem dele um homem singular, com caracteristicas singulares, únicas.

Será possível resolver através desse dialogo, que tanto gosta de referir, tantos problemas que se escondem por esse mundo fora?

E aqueles que surgirão inevitavelmente no futuro?

Não o sei...

Mas sei que o mundo, terá neste Secretário Geral, alguém que não esconderá o seu coração diante desses problemas, não deixará de estender a sua mão quando encontrar alguém caído, não deixará de ver as feridas que esventram, muitos locais, espalhados pelo Planeta.

Assim tenho esperança no Ser Humano, António Guterres, nas suas emoções e nos valores que se espelham nos seus olhos.

Não resolverá todas as tragédias do mundo, não será nem o Super-Homem, nem o Homem Aranha, mas poderá ser aquilo que hoje em dia, escasseia, no panorama político mundial:

Uma boa pessoa, que se preocupa genuinamente com os outros...

Para os dias de hoje, já não estará mal.

E para o cargo concreto em questão, Secretário Geral Da ONU, parece-me perfeito.

 

Boa Sorte Senhor António Guterres, pois o seu sucesso, será o de todos nós.

 

Filipe Vaz Correia

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