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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Ruas do Tempo

Filipe Vaz Correia, 23.11.16

 

Estas mesmas ruas, tão diferentes;

Os mesmos caminhos que não esqueci,

As mesmas esquinas, agora ausentes,

De uma vida que vivi,

Foi minha,

Mas já perdi...

 

As mesmas casas;

Os mesmos rostos envelhecidos,

O mesmo tempo sem asas,

Percorrendo esse destino,

Que um dia foi o meu...

 

Crianças como um dia fui;

Velhos como ainda não sou,

Pessoas e gentes,

Nesse percurso que não mente,

Trazendo com ele o tempo que me escapou...

 

Procuro os caminhos da minha vida de menino;

Esse que ainda se esconde em mim,

Procurando eternamente,

Esse labirinto sem fim,

Que deixei para trás,

Nas ruas da minha perdida infância.

Actor

Filipe Vaz Correia, 23.11.16

 

Quem se importa, se me escondo?

Quem se importa, com o que sinto?

Se vos conto, se vos explico,

Ou simplesmente vos minto...

 

Quem se importa, com o que quero gritar?

Quem se importa, com o que quero contar?

Se nem eu sei, o que tenho a falar,

Para me entender,

Explicar...

 

O que importam estas minhas mágoas;

Estas contradições, angústias,

Este labirinto onde me pareço perder...

 

Quem se importa?

Quem um dia quererá saber,

Que por dentro de mim,

Aprisionado, sem querer,

Viveu assim,

Sem fim...

 

Um Actor.