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Caneca de Letras

Caneca de Letras

14
Abr21

Sem Olhar Para Trás

Filipe Vaz Correia

 

 

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"olhares.com"

 

 

Não escolhi ruas;

apenas por elas ando,

como um fantasma desencantado,

perseguido por pesadelos,

outrora fios e novelos...

 

Perseguido,

pelas gentes que partiram,

pelos que ficando se silenciaram,

por tantos momentos que desapareceram nas asas do vento.

 

Suspiro intensamente;

levemente de uma vez,

sustendo a querença que grita ao virar da esquina,

nesses escritos marcados nos murais dos prédios,

desassombrada expressão,

de desmedido tédio.

 

E assim procuro neste lento divagar;

vozes e rostos,

marcadamente meus,

ilusórios desgostos,

cravados em cada adeus,

que me acompanha.

 

Caminho por entre ruas,

sem nunca olhar para trás.

 

 

 

 

 

 

01
Abr21

Imaginava... Imaginar!

Filipe Vaz Correia

 

 

 

As luzes do palco ligadas...

A sala cheia, repleta de gente, olhares, sussurros quase murros desnudando a solitária alma de um artista.

E o sorriso, o meu, como escudo da terna e frágil criança, que se esconde temendo a tamanha voracidade, desse desconhecido desconhecer.

As luzes ligadas, a sala repleta de pessoas e eu...

Caminhando de um lado para o outro desse palco, contando os momentos, cada momento, em que o sofredor sentimento pudesse se libertar, numa mistura de batimentos que aceleram o coração.

Cada passo, entrelaçado, vai fazendo disparar o raciocínio, que sendo meu se agiganta, ultrapassa o sonho e se imortaliza num gigantesco abraço com a recordação...

Mesmo se perdendo, desvanecendo, desaparecendo, sem retorno.

Já não existem "papões" escondidos debaixo da cama, nem buracos negros no tecto, apenas desencantamento no olhar, num desencantar que melodiosamente permanece, se entranha, se amarra.

As luzes do palco...

Apagaram as luzes do palco...

Sobrando o silêncio, o vazio, aquele abraçar que só a imaginação te pode dar.

Ninguém como companhia, e o sorriso de partida, como capa despida, mostrando no escuro a leve ferida que perdura.

Sem luzes, sem gente, adormece a dormente esperança de um poema declamado, de um beijo salgado, de um futuro já passado, de tudo o que um dia imaginei...

Ou que imaginava, imaginar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

31
Mar21

Menino...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Suspenso no ar;

Numa redoma de encantar,

Vai caminhando o menino,

Buscando esse destino,

Que desmesuradamente perdeu,

Quando a ternura desvaneceu,

E lhe sobrou a tristeza,

Pedaço de dor sem beleza,

Que é solitária e ardente,

Sufocando loucamente,

Como se um dia,

Se pudesse tornar poesia...

 

E perdido o menino se encontrou;

Por entre a mágoa que chegou,

Sorrindo disfarçado,

Num desabafo entrelaçado,

Olhando para trás no tempo,

Procurando aquele momento,

Que para sempre ficou marcado,

Como o dia amargurado...

 

De tua partida.

 

 

30
Mar21

A Estafadeira Do “Omnipresente” João Ferreira...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Meus queridos amigos venho aqui escrever este breve texto para manifestar a minha preocupação com esse centenário Partido que é o PCP.

Ao longo do tempo se foi falando da diminuição dos militantes e votantes Comunistas, coisa que apesar de ser notada me parecia manifestamente exagerada, no entanto, tenho de aqui vir anotar que essa realidade parece cada vez mais correcta.

Pois que outra explicação poderemos nós encontrar para a oficialização de João Ferreira como Candidato à Câmara  Municipal de Lisboa?

Será que é outro João Ferreira?

Ou é o mesmo?

O mesmo que foi candidato a Presidente da República, a Deputado Europeu, à Câmara Municipal de Lisboa, novamente a Deputado Europeu, novamente à Câmara Municipal de Lisboa, etc, etc, etc...

Ufa... que estou estafado!

Atenção que eu aprecio a estabilidade política, futebolística...

Mas talvez fosse preciso ganhar alguma coisinha que isto ir de derrota em derrota, de eleição em eleição, ano após ano, é deveras difícil.

A explicação que me parece mais óbvia é essa falta de militância, a escassez de escolha, a extinção do eleitorado Comunista...

Pois com o ruir da URSS e a chegada da era digital teremos de deixar cair por terra a hipótese de a missiva de Moscovo com o nome do cabeça de Lista do PCP possa se ter extraviado há anos ficando assim emperrado neste tão simpático João Ferreira.

De uma coisa não podem ser acusados...

Do dom da imprevisibilidade.

Boa sorte João Ferreira...

Pois o meu caro deve andar estafadíssimo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

 

27
Mar21

Noite Estrelada...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Em alto mar espreitei o céu;

Desesperadamente estrelado,

Num brilho desmedido,

Que acendia em mim,

Um desejo sem fim,

De reencontrar...

 

O que não sei.

 

Nesse misterioso sentir;

Amarrei na alma,

Cada pedaço de estrela envergonhada,

Que brindava a minha curiosidade,

Numa mistura encantada,

De amor e saudade...

 

E em alto mar;

Sonhei...

 

Do alto desse mar;

Chorei...

 

No sobressalto daquele mar;

Acreditei,

Que poderia voar...

 

E voando;

Sobrevooei a tamanha eternidade,

Para te encontrar.

 

 

26
Mar21

Porque Sim...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Porque terá de ser assim? Porque dói a tamanha dor, sem disfarçar o ardor que arde desmesuradamente, fogo ardente que não se apaga... Jamais... Porque se enchem os olhos de maresia, se sabe bem o coração que as ondas não voltam, não regressam, nem no tempo, nem no disfarçado sofrimento que em algum momento se reacende. Por vezes faltam as palavras, as mesmas que sobram a cada recordação, por vezes se calam as certezas, dando lugar ao vazio que sempre volta. Esse vazio que se transforma em vida, sempre que ausente se encontra aquele bater, tic tac, carregado de timidez, silenciado em nome de um destinado imprevisto, chamado de amor. E em fuga se encontra, continuando escapando, vezes sem conta, sem olhar para trás com o receio desse medo maior... Porque terá de ser assim? Quantas questões... Reflexões perdidas diante do mar que não se cala, pois esse chega e abala, não pedindo permissão, apenas assistindo silencioso, num agigantar que nos suplanta, arrebata, esmaga. E sentado na areia, molhando os pés... Misturando as lágrimas do rosto com aquelas que brotam da imensidão desse mar que por um instante me pertence, me interrogo... Porque terá de ser assim? E porque não teria? Se é maresia, de noite ou dia, enquanto doía e tenuemente sorria, sempre assim... Despida, em ferida, a alma escondida que finge saber sentir. Porque terá de ser assim? Sem mais... Porque sim.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

23
Mar21

O Filho Do Meu Coração

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Não nasceste do meu ventre;

Mas da minha alma,

Não te esperei nove meses,

Mas uma vida inteira,

Não te reconheci ao nascer,

Mas na esperança desse encontro,

Não soube do teu sofrimento,

Até te encontrar...

 

Não descobri essa palavra;

Até te conhecer,

Não senti a amargura,

Até ter medo de te perder,

Não entendi a ternura,

Até perceber,

A desentendida procura,

De te ter...

 

E assim;

Encontrada com os meus desencontros,

Com os recantos de mim mesma,

Descubro em cada sorriso teu,

Parte desse destino,

Só nosso!

 

 

 

 

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