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Caneca de Letras

Caneca de Letras

20
Out20

Outras Vidas...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Tantas vidas à tua procura,

Uma após outra, uma após outra...

 

Sem parar, numa aventura;

Procurando com candura

O toque dessa tua ternura

Perdida além do tempo...

 

Noutra vida...

Que ainda consigo recordar,

Lá bem distante,

Tão jovens, inocentes,

Desencontrados nesse amar

Que buscamos eternamente

Sem saber ou adivinhar

Esse encontro de antigamente.

 

Tantas vidas afinal, sempre nossas;

Noutras vidas que passaram, tão nossas,

Tantas e tantas, só nossas...

 

Um dia as encontraremos todas...

Todas as nossas vidas,

Numa só.

 

 

16
Out20

Puta

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Todas as noites na mesma rua;

Tantos homens nessa esquina

Numa vontade nua

De te ver...

 

De te querer, desejar;

De te terem por um momento

Esse dinheiro a pagar

Pelo teu sofrimento...

 

Tantas noites nesse lugar;

Onde te vendes, mulher,

Vendo a vida a passar

Ou o que dela te restou...

 

Envergonhada, esventrada, esquartejada;

Nesse corpo vazio

Porque essa alma abandonada

Já partiu, desistiu...

 

Assim despida, ferida;

Entregue ao seu destino

Ao som de uma palavra...

 

Puta.

 

 

15
Out20

“Sempre Tive Medo”

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Sempre tive medo de te perder;

Sempre tive medo de crescer

Sempre tive medo, esse ter...

 

De não saber caminhar;

De enfrentar esse sol a nascer

Esse rumo a escolher...

 

De me perder na encruzilhada;

Não conseguir encontrar essa estrada

Tive medo, do nada...

 

Sempre tive medo;

De enfrentar o mundo sem ti

De caminhar sozinho...

 

Porque o mundo é meu;

Mas o meu mundo...

 

És tu.

 

 

14
Out20

Até Ao fim dos Tempos...

Filipe Vaz Correia

 

Noite e dia

repetindo o ciclo da vida

em cada passo de mortalidade

substituindo egos

afagados e gigantes

que se apagam em cada repetição desse mesmo dia.

 

Amiúde reencontramos os inevitáveis imperadores

"de papel"

pequenos ditadores que se sentem inexpugnáveis

mas que num instante solitário

se extinguem na sua pequenez,

fragilidade,

temporalidade...

 

noite e dia

se repete o palco,

a peça reescrita

na repetida desdita, 

 em novas roupagens

se renovam as imagens,

desta selva inusitada.

 

noite e dia...

 

até ao fim dos tempos.

 

 

 

 

13
Out20

As Estrelas Do Céu

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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Contei todas as estrelas do céu;

Uma a uma, cada uma

Olhei para elas despidas

Na bruma, discreto

Escutando as perdidas

Naquela imensidão...

 

Decorei o seu brilho;

Vislumbrei o seu reflexo

Questionei o seu destino

Desafio sem tino

De um universo em desatino...

 

Contei todas as estrelas do céu;

Uma vez mais interrogando

De onde vieram, para onde irão

Nesse mistério desesperando

Por uma resposta em vão...

 

Contei todas as estrelas do céu;

E continuei a contar, devagar

Sem saber que no meu olhar

Também elas se podiam vislumbrar...

 

E assim sem parar;

Mais uma vez, devagar

Contei todas as estrelas do céu.

 

 

11
Out20

“Eu Preciso Dizer Que Te Amo”

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Num tempo onde parece dificil usar essa palavra, amor, trazer este poema de Cazuza, feito numa tarde e cantado por Dé, Cazuza e Bebel Gilberto, simboliza um pedaço liberto de suspiro nesta Caneca de Letras...

E quantas destas letras foram sobre um dos maiores poetas que alguma vez tive o gosto de ler, ouvir, abraçar.

Cazuza...

O Mestre do amor.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

10
Out20

Todas As Noites São Boas Para Voar...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Todas as noites procuro por ti;

Por encontrar aquela voz

Aquele desejo escondido tão profundamente

Tão secretamente

Tão no intimo da minha mente...

 

Todas as noites procuro aquele sentimento;

Aquele secreto, segredo

Que espantosamente ao vento

Não voa com medo

Com o receio de ser cedo

Para voar...

 

Todas as noites insisto, sem insistir;

Tentando não escutar

Esse pedido a fugir, rugir

Dentro de mim a falar

A gritar, vociferar...

 

Todas as noites nesse céu estrelado;

Imagino o dia em que poderei contar

O que este coração encurralado

Há tanto tempo está a guardar...

 

E talvez nessa noite, o sol apareça;

A lua se possa esconder

E o meu coração aqueça

Sem temer

Dizer...

 

Que te amo. 

 

 

09
Out20

Salvem-Se Os Poetas...

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

As minhas palavras foram, desde cedo, entrelaçadas aos grandes poetas, àqueles que puseram em palavras os sentidos maiores desses temores que nos perseguem...

A todos.

Desde pequeno que fui apresentado a este sentimento maior que nos estrangula e deixa sedentos, que nos abraça e liberta, nos ensina a viver e reviver pelos trilhos da dimensão Humana.

Nessa ânsia de caminhar, leia-se escrever, ler, fui tropeçando na boçalidade que amiúde saltava dos ignorantes com quem me fui cruzando mas também ressaltando daqueles que me deram a mão, me ensinaram a olhar e escutar, soletrando as suas ideias, sussurrando as questões que perturbavam os dogmas instalados...

Desses, os últimos, fui bebendo, retirando o melhor, em prosa, em verso, nas intermináveis poesias que simbolizavam os enigmas escondidos nas esquinas da alma.

Tenho medos e anseios, saudades imperfeitas em perfeitas e solitárias vontades...

Como admiro Pessoa, na sua pequenez agigantada, Cazuza, na sua irreverente vontade de viver que inevitavelmente o guiou até ao imberbe fim de seus dias, Drummond de Andrade, na gentil forma de ser intemporal, Vinicius, nesse copo de Whisky que ainda tilinta nos mais requintados bares de Copacabana, Camões, pelo singelo facto de ser na sua pena que se amarra cada parte dessa descoberta constante de um imenso Povo...

O nosso.

Na Carta a Dani, onde Cazuza escreve as primeiras palavras após ter assumido a sua doença, essa que naqueles dias certificava o fim mais cruel desde o tempo da lepra, se pode sentir a corajosa coragem, a repetição por vezes faz sentido, podendo encontrar o verdadeiro sentido de um poema...

Despido, real, mais além do que qualquer retrato.

Coragem, Humano, de uma dimensão escassa, singela...

Cazuza escreveu um dia:

"Que morrer não dói"

Mas dói a insensibilidade destes tempos desumanos, bem explicita na encíclica papal Fratelli Tutti, onde o Papa Francisco cita Vinicius de Moraes.

E se na divina palavra de um Papa cabe um trecho do "Samba da Benção"...

"A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida"

Talvez seja a hora de em cada parte de nossas vidas conseguirmos olhar para o outro, para cada verso de nossos dias, com a fraterna expressão de um poeta.

Sem receio de amar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

08
Out20

Da Rússia Com Amor... (Envenenado)

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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Ouvir Nalvalny explicar o que aconteceu com o seu corpo é mais do que uma questão pornográfica, mais do que uma falta de pudor, é a explicação de um tempo bafiento que exala a naftalina.

Olhar em tempos de Covid, para este envenenamento, mais um, deste regime putrefacto Russo e do seu líder Vladimir Putin,  recorda-nos a todos os perigosos tempos em que nos encontramos.

A Rússia não é uma democracia...

Putin não é um político eleito democraticamente...

O futuro não pode ser traçado com gente como esta...

Estas alíneas são um pormaior na forma como olhamos o mundo, aqui se encontram os extremos, pois é na revolta contra estes "pequenos" Estalines de outrora que encontramos os democratas de hoje, ou seja, aqueles que independentemente dos conceitos de Esquerda e Direita se predispõem a combater os demagogos de agora.

Sejam eles Trump's, Bolsonaros, Venturas, Le Pens, Putins, Maduros, Orbans, Erdogans ou outros...

Pulsem eles de onde pulsarem.

E um argumento me encanita mais do que qualquer outro:

"Este é mau mas o outro é também muito fraquinho"

Quando o quesito é o populismo não existe espaço para comparações, condescendências ou cedências...

Somente condenar, pugnarmos energicamente, pugnar para resgatar o melhor de todos nós.

Nada mais.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

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Comentários recentes

  • BC

    ….

  • Filipe Vaz Correia

    Minha querida BC...Como gosto de sentir o carinho ...

  • Filipe Vaz Correia

    Minha querida BC...Obrigado.Um beijinho imenso

  • BC

    ohhhh… "Porque o mundo é meu; Mas o meu mundo… És ...

  • BC

    Tenho olhado para elas todos os dias de manhã… que...

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