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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Velho Poeta...

 

Dizia o velho poeta:

" Que o sofrimento é o sal da alma, que gritado na folha de papel, se tornará em cada uma das letras que formarão, a  intensa verdade poética."

Teria razão o velho poeta?

Valeria a pena ter razão?

Acalentado silêncio que permite prolongar, sem atenuar, as tamanhas agruras da alma, dessa parte do poema, onde apenas a alma chora...

Onde apenas é permitido a essa amargurada alma, chorar.

A mistura poética desta prosa, entrelaça a enviesada dor, que esmagada por entre as lágrimas que não querem mais se esconder, vão sussurrando ao malfadado vento, tudo o que guardado em tantas linhas, se vai soltando sem querer.

A magia de um poema, poesia salgada, mágoa libertada de um amor sem fim, termina soletrada, com um ardor sufocante, sufocando ardentemente, sem queixume...

Pois quem ama não se queixa, ou melhor, vai queixando a velha esperança, de encontrar por entre essa balança de um intemporal amor, o mesmo olhar, do que um dia fomos.

Talvez não voltemos a ser...

Talvez não saibamos que com o passar do tempo, vai ficando apenas a sensação perdida, do que um dia nos pertenceu.

Ao partir...

Morrer.

Ao chegar o infinito momento dessa eterna finitude, buscando tantos olhares que cumpriram o desfiado destino, no mesmo tempo existencial, sobrando o vazio, repleto da tamanha insensatez da alma, questionada estupefacção do coração.

Conseguiremos reencontrar, sem saber, o que se perdeu?

Conseguiremos voltar a amar, aquele amor que um dia perdido, jamais se voltará a cruzar?

E nesse momento, instante derradeiro, descansará o velho poeta.

" Já não sofre o meu coração, não chora o destino por cumprir, mas silenciosamente, vai continuando a soletrar as letras que constroem esse nome, que é o teu."

Já não chora o velho poeta, nem o seu malfadado destino.

 

 

Filipe Vaz Correia