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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Vazio!

 

Oiço essa voz sem rosto;

Esse cheiro sem presença,

Noto nesse imenso desgosto,

Essa estimada crença,

Que afinal, é vazio...

 

Ausente na vontade;

Que insiste em se apresentar,

Diante dessa realidade,

Que tanto me esforço por disfarçar,

Mas que vive nesse vazio...

 

Nesse afago que desejo, desejar;

Nesse abraço que ninguém me quis dar,

Nesse beijo que me passou a escapar,

Sem o notar ou alguém para me alertar,

Sentindo esse vazio...

 

Olhando para as janelas vizinhas;

Para os quadros que me fugiram,

Ao destino, aos sonhos,

Que partiram, desistiram,

Só me sobrando, o vazio...

 

Repleto desse medo;

Que é a minha companhia, solitária,

Nesse presente, vida passada,

Que não passou, aprisionada,

Enjaulada nesse vazio...

 

E assim continuo, caminhando;

Recordando e escrevendo,

Preenchendo neste tempo,

O vazio que me restou!