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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Tic-Tac...

 

Tic-Tac, Tic-Tac, Tic-Tac...

O ponteiro do relógio a passar, os minutos a acumularem-se, percorrendo desesperadamente o seu curso, rumo ao ponteiro maior, ao encontro destinadamente inadiado.

Nos olhares que se cruzam, quase todos interrogativos, lá se encontram alguns tranquilos, meio sorridentes, desafiando a intranquilidade reinante.

A professora, de bata branca, sentada naquela secretária em cima de um estrado, com uma chávena fumegante de chá, óculos gigantes que lhe aconchegam o rosto...

Os seus olhos por vezes se cruzavam com os nossos, controlando, tentando controlar.

Tic-Tac, Tic-Tac, Tic-Tac...

Ruído ensurdecedor, gigantesco silêncio desacompanhado pelo receio de não conseguir preencher a tamanha folha em branco, tão pouca sabedoria que de dentro da minha mente, pareceria querer soltar-se.

Questões e mais questões, perguntas e mais perguntas, num misto de interrogatório, meio inquisitivo de tudo aquilo que ao longo do tempo, nos foram debitando...

- Meu Deus!

Toca a campainha lá fora...

Pára o relógio, invade-nos o barulho de tantas e tantas crianças, que ao contrário de nós estavam libertas para ser crianças, para correr pelo recreio sem o peso de um teste, a meio do dia...

Aquele teste.

Chegava a hora e afinal parecia ter conseguido fazer quase tudo, escrever quase tudo, como sempre...

O relógio parecia estagnar, dar lugar a um certo sorriso aprisionado ao nosso olhar, a essa ternura de ser criança, sem testes, sem dramas.

Acordei!

Já não tenho testes, não tenho carteira nem colegas de turma, não tenho colégio...

Nem sequer em mim resiste, esse intemporal friozinho na barriga.

Já não existe...

Tic-Tac, Tic-Tac, Tic-Tac.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

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