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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Tem dias...

 

A vida é misteriosa, assim como, misteriosa é por vezes esta imensa vontade, de aqui escrever.

Em desabafar palavras que se seguram, sentimentos que ouso guardar em mim, para mim...

Enfim, só em mim.

Tenho dias em que penso mais nas despedidas que tive com aqueles que mais me marcaram...

Tem dias assim.

Por razões e desatinos, recordo vezes sem conta Minha Mãe e  aquele sorriso que me acalentava, aquecia, trazia esse imenso amor que só ela me sabia dar.

Nada se compara a essa expressão maior...

Nada!

Um amor maior do que a extensa dimensão de um texto, do que a densidade descrita numa singela poesia, do que a incessante  busca por um encontro, entre o pensamento e a palavra.

Foi através de minha Mãe que herdei este gosto pela escrita, pela forma poética de expressar o que dentro da alma habita, seja em grito, em sussurro ou simplesmente em silêncio...

Num silencioso desejo de desabafar.

Tem dias em que a tristeza é maior, tem dias que não...

Tem dias em que me recordo mais desse instante final, outros dias em que tudo me traz o brilho, que sempre subsistiu em seu olhar.

Tem dias em que se esconde  a um canto, essa tristeza, sempre presente mas que se fingindo ausente, vai deixando a alegria voltar, o sorriso permanecer maior...

Tem dias que não, que essa tristeza se agiganta, volta a ser maior do que o bater da alma, regressando a dor, a invasiva e esmagadora dor.

Tem dias assim...

Mas no meio desses dias, pego numa caneta ou ligo o computador e aqui desabafo umas linhas, perco-me neste pedaço de mim.

Tem dias que sim...

Tem dias que não.

Mas essencialmente sobra a memória, a recordação constante de tantos e tantos dias passados, indescritíveis dias, que trazem consigo a imensa certeza...

De que valeu a pena.

Valeu sempre a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia 

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