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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Viajando Para Lá Da Memória!

 

Oiço ruídos...

Imensos ruídos, barulhos imprecisos sobre memórias que ouso recordar, sem saber que essa ousadia, ousaria me levar, nesta viagem por mim mesmo.

Pessoas e imagens, palavras e situações, afectos e amarguras, tudo misturado numa miragem que insiste em me perseguir.

Onde se encontra a derradeira ilusão, de um jovem menino?

Onde moram os receios e as dúvidas daquela criança, que temia o escuro da noite?

Esta viagem, acompanhada por quem tanto amei, impregnada de ondas e maresia, de temores e aventuras, regressa em cada sonho, a cada lembrança, cheirando a esperança, memorizando as desesperanças só minhas.

As viagens de uma vida, nessa história própria de cada um, em cada um, por cada um...

O que se esconde, por trás de cada mente?

Quantas lágrimas, formam o carácter de cada um de nós?

Questões difíceis, por vezes imprecisas mas que acalentam a alma, indagam o pensamento e aprisionam esse futuro que tarda em chegar...

No olhar de cada estrela, se as estrelas tiverem olhar, se escondem as desilusões e anseios de tantos de nós, se encerram os desígnios, desses destinos solitários.

E assim, por entre as linhas de um desabafo, reescrevo as divagações que me acompanharam na escuridão daquele imenso quarto, que era o meu...

Que saudades desse tempo e daqueles que comigo cumpriram essa viagem, tão nossa.

Saudades das expressões, dos olhares, dos segredos e cumplicidades que se tornaram nessas memórias só minhas...

Que um dia ousaram se libertar, ganhando expressão e moldando essa pessoa em que me tornei.

Tenho saudades de mim e essencialmente de vós, retrato meu...

De meu Pai, o meu eterno herói, de minha Mãe, o meu eterno amor e desse destino que apesar de meu, será sempre parte de vós.

De nós! 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

As Rosas Do Meu Quintal!

 

 

 

As roseiras do meu quintal;

Já não brilham como dantes,

Já partiram do roseiral,

Levando os alegres instantes,

Misturados com a intemporal,

Idade viajante...

 

As rosas outrora viçosas;

Murcharam entristecidas,

Aprisionadas à desgostosa,

Sensação perdida,

Da minha juventude...

 

Sobraram as folhas caídas pelo chão;

Como lágrimas escorrendo pelo meu rosto,

Sobraram recordações no coração,

Saudades e desgostos,

Daqueles que um dia partiram...

 

 Restaram no meu quintal;

Estas minhas velhas lembranças,

Guardadas num singelo postal,

Guardando a fugidia esperança...

 

E as rosas vão murchando;

Cada pétala se despedindo,

Vão discretamente tombando,

E desta vida partindo...

 

E como elas;

Também eu,

Vou-me despedindo deste quintal,

Que muitos chamarão,

De vida.

 

 

 

A Estrada Da Vida!

 

 

 

Nascemos sós;

Morremos sós...

 

E nesse entretanto;

Que chamamos de vida,

Buscamos encontrar,

A fórmula perdida,

Para a desejada felicidade...

 

Por vezes chorando,

Outras vezes sorrindo,

Vai a alma caminhando,

Pela mais bela viagem,

Que um dia existiu...

 

Viajando no complexo;

Destino,

De cada um de nós...

 

Pois nascemos sós,

E morremos sós.

 

 

 

 

Amor De Mãe!!!!!!

 

 

 

Como explicar ao coração;

Que chegaste e partiste,

Amargurada razão,

Que em mim subsiste...

 

Como lidar com esta dor;

Esta complexa forma de amar,

Este vazio transformado em ardor,

Que parece não mais acabar...

 

Porque meu filho sempre serás;

Pois tão breve foi a nossa eternidade,

O teu nome em mim viverá,

Assim como esta eterna saudade...

 

E partindo tristemente assim;

Este pequeno menino que amo,

Este filho que desejei sem fim,

E que para sempre me pertencerá...

 

Porque a morte;

Nunca será tão forte,

Como o meu amor,

Por ti.

 

 

As Noites E As Minhas Eternas Saudades!

 

Muitas vezes me aproximo da janela, à noite, esperando reconhecer nas estrelas que brilham intensamente, um rosto conhecido por entre o desconhecido enigma deste destino que nos envolve...

Tantas e tantas vezes procuro naquela escuridão impregnada de cristais cintilantes, um pedaço de mim mesmo, desse passado e das pessoas que já partindo, eternamente fazem parte da minha alma.

Procuro assim atenuar as saudades que insistem em sobreviver, acorrem vezes sem conta à minha mente para recordar a falta que ainda sinto, de cada um...

Por vezes nesse constante reencontro com os momentos que já fugiram, relembro sorrisos e lágrimas, resgato tristezas e alegrias, tentando preencher um vazio que sempre acaba por reaparecer.

Nessas noites, tendo a lua como testemunha, converso com o misterioso desconhecido que insisto em crer será repleto de reencontros ansiados...

E se assim não for?

As dúvidas e anseios próprios desta imensa incerteza que por vezes me invade, fazendo-me olhar novamente para aquelas estrelas, para aquele brilho e através dele voltar a perder-me na crença de que me ouçam.

A noite permanece, as estrelas ali continuam e eu volto a esconder as intensas saudades guardadas em mim, daqueles que para sempre meus, infelizmente, partiram para longe.

Mais uma noite, nesta eternidade pejada de enigmas...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Triste Alma A Tua!

 

 

 

Se odiar;

Te ocupa um lugar,

Nesse viver, desesperar,

Pelo eterno desencontrar,

Dessas fantasias por realizar,

Sem ninguém para responsabilizar...

 

Se em cada singelo lugar;

Encontras no espelho esse luar,

Que te indica o definhar,

Onde escolheste pernoitar....

 

Se assim te irás ocupar;

Eternamente a enfadar,

Ou simplesmente desperdiçar,

O tempo que te irá restar,

Para da vida desfrutar....

 

Se nada mais te restar;

Então...

 

Que triste alma;

A tua.

 

 

 

 

A Viagem De Uma Vida!

 

 

 

Tantas as estrelas no céu;

No infindável mergulho da minha vida,

Nas histórias guardadas em mim,

Na memória esquecida,

Que acompanha sem fim,

A minha alma...

 

Tantas as lágrimas por contar;

As alegrias e as aventuras,

Os momentos a recordar,

De agruras ou ternuras,

Aprisionadas nesse passado...

 

Tantas as pessoas que perdi;

Neste caminho para a velhice,

Os que lembrando, esqueci,

Desde a minha meninice....

 

E neste trajeto de ilusão;

Por entre o amor e a desilusão,

Esperando chegar a esta conclusão,

Amarrada ao meu coração...

 

De que valeu a pena;

Esta viagem.

 

 

Vida!

 

A vida é feita de pequenos nadas;

De reencontros e despedidas,

É feita de estradas desencontradas,

De chegadas e partidas...

 

A vida é feita de cor;

Esventrada fantasia,

Disfarçada de dor,

Que por vezes irradia,

Na esperança de um amor,

Eterna melancolia...

 

A vida  é como um beijo, a recordar;

É como um poema por escrever,

É um desejado teorema,

Um indecifrável saber...

 

A vida é uma inexplicável;

Diabrura de Deus.