Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Poético Coração...

 

 

 

Caminhei por entre a vida;

Pela infinitude de sentimentos,

Carreguei tamanhas feridas,

Inquietudes e tormentos...

 

Naveguei em alto mar,

Nadei na imensidão de um rio,

Desejei sem renegar,

O teu toque, meu arrepio...

 

Voei sem sobrevoar;

Minhas lágrimas recolhidas,

Mágoas a disfarçar,

Palavras fingidas...

 

Caminhei por entre o destino;

Eternidade temporal,

Por esse imenso desatino,

Meu desejo infernal...

 

E foi passando demasiado tempo;

Na cantada vontade da minha solidão,

Solidão trazida pelo vento,

Voz de uma emoção,

Recordado sofrimento,

Deste poético coração.

 

 

Passado...

 

 

 

Será que posso revelar;

O que esconde o meu coração?

 

O que esconde a emoção;

Desbravando inquieto,

O carregado semblante,

Desse receio, entrelaçado,

Esse medo, aprisionado,

Em cada lágrima nossa...

 

Em cada memória;

Guardada em nós,

Pedaço de história,

Cravado na pele,

No sentido destino,

Da alegórica alma...

 

E vai continuando;

A louca melodia,

O deslumbrante pensamento,

Do que foi um dia,

Esse nosso amor.

 

 

Vinte e Um Anos...

 

 

 

Passaram vinte e um anos;

Que lentamente esvoaçaram,

Por entre as memórias que sobraram,

As mágoas que ficaram,

Em mim...

 

Passaram vinte e um anos,

Como se passasse a intensa dor,

Amarrando o sentimento,

Ao entorpecente ardor,

Com que o tempo,

Tudo leva...

 

Passaram vinte e um anos,

E neste dia,

Vão regressando,

Um a um...

 

Numa intensa melancolia,

Pedaço de uma saudade,

Abraço de nostalgia,

Num adeus de verdade...

 

Passaram vinte e um anos,

E podem outros vinte um passar,

Que terei para sempre em mim,

Esse teu esperançado olhar,

Esse imenso acreditar,

Num futuro que não te chegou...

 

Vinte e um anos;

Meu eterno amigo.

 

 

 

 

Viagem De Uma Vida!

 

 

 

Uma porta fechada;

Tantas outras por abrir,

Um caminho, encruzilhada,

Destino por descobrir,

Vontade determinada,

De viver...

 

Pelos olhos adentro;

Vai irrompendo a curiosidade,

Medos e magoas,

Machucada felicidade,

Estradas esburacadas,

Denominada idade...

 

Sempre o tempo a correr;

E tantas as portas que ficaram para trás;

Memórias por esquecer,

Caras meio nubladas,

Dos que perdemos...

 

Tantas as portas;

Tantos os caminhos,

Na tamanha viagem de uma vida.

 

 

Viajando Para Lá Da Memória!

 

Oiço ruídos...

Imensos ruídos, barulhos imprecisos sobre memórias que ouso recordar, sem saber que essa ousadia, ousaria me levar, nesta viagem por mim mesmo.

Pessoas e imagens, palavras e situações, afectos e amarguras, tudo misturado numa miragem que insiste em me perseguir.

Onde se encontra a derradeira ilusão, de um jovem menino?

Onde moram os receios e as dúvidas daquela criança, que temia o escuro da noite?

Esta viagem, acompanhada por quem tanto amei, impregnada de ondas e maresia, de temores e aventuras, regressa em cada sonho, a cada lembrança, cheirando a esperança, memorizando as desesperanças só minhas.

As viagens de uma vida, nessa história própria de cada um, em cada um, por cada um...

O que se esconde, por trás de cada mente?

Quantas lágrimas, formam o carácter de cada um de nós?

Questões difíceis, por vezes imprecisas mas que acalentam a alma, indagam o pensamento e aprisionam esse futuro que tarda em chegar...

No olhar de cada estrela, se as estrelas tiverem olhar, se escondem as desilusões e anseios de tantos de nós, se encerram os desígnios, desses destinos solitários.

E assim, por entre as linhas de um desabafo, reescrevo as divagações que me acompanharam na escuridão daquele imenso quarto, que era o meu...

Que saudades desse tempo e daqueles que comigo cumpriram essa viagem, tão nossa.

Saudades das expressões, dos olhares, dos segredos e cumplicidades que se tornaram nessas memórias só minhas...

Que um dia ousaram se libertar, ganhando expressão e moldando essa pessoa em que me tornei.

Tenho saudades de mim e essencialmente de vós, retrato meu...

De meu Pai, o meu eterno herói, de minha Mãe, o meu eterno amor e desse destino que apesar de meu, será sempre parte de vós.

De nós! 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

As Rosas Do Meu Quintal!

 

 

 

As roseiras do meu quintal;

Já não brilham como dantes,

Já partiram do roseiral,

Levando os alegres instantes,

Misturados com a intemporal,

Idade viajante...

 

As rosas outrora viçosas;

Murcharam entristecidas,

Aprisionadas à desgostosa,

Sensação perdida,

Da minha juventude...

 

Sobraram as folhas caídas pelo chão;

Como lágrimas escorrendo pelo meu rosto,

Sobraram recordações no coração,

Saudades e desgostos,

Daqueles que um dia partiram...

 

 Restaram no meu quintal;

Estas minhas velhas lembranças,

Guardadas num singelo postal,

Guardando a fugidia esperança...

 

E as rosas vão murchando;

Cada pétala se despedindo,

Vão discretamente tombando,

E desta vida partindo...

 

E como elas;

Também eu,

Vou-me despedindo deste quintal,

Que muitos chamarão,

De vida.

 

 

 

A Estrada Da Vida!

 

 

 

Nascemos sós;

Morremos sós...

 

E nesse entretanto;

Que chamamos de vida,

Buscamos encontrar,

A fórmula perdida,

Para a desejada felicidade...

 

Por vezes chorando,

Outras vezes sorrindo,

Vai a alma caminhando,

Pela mais bela viagem,

Que um dia existiu...

 

Viajando no complexo;

Destino,

De cada um de nós...

 

Pois nascemos sós,

E morremos sós.