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Caneca de Letras

Caneca de Letras

As Rosas Do Meu Quintal!

 

 

 

As roseiras do meu quintal;

Já não brilham como dantes,

Já partiram do roseiral,

Levando os alegres instantes,

Misturados com a intemporal,

Idade viajante...

 

As rosas outrora viçosas;

Murcharam entristecidas,

Aprisionadas à desgostosa,

Sensação perdida,

Da minha juventude...

 

Sobraram as folhas caídas pelo chão;

Como lágrimas escorrendo pelo meu rosto,

Sobraram recordações no coração,

Saudades e desgostos,

Daqueles que um dia partiram...

 

 Restaram no meu quintal;

Estas minhas velhas lembranças,

Guardadas num singelo postal,

Guardando a fugidia esperança...

 

E as rosas vão murchando;

Cada pétala se despedindo,

Vão discretamente tombando,

E desta vida partindo...

 

E como elas;

Também eu,

Vou-me despedindo deste quintal,

Que muitos chamarão,

De vida.

 

 

 

A Estrada Da Vida!

 

 

 

Nascemos sós;

Morremos sós...

 

E nesse entretanto;

Que chamamos de vida,

Buscamos encontrar,

A fórmula perdida,

Para a desejada felicidade...

 

Por vezes chorando,

Outras vezes sorrindo,

Vai a alma caminhando,

Pela mais bela viagem,

Que um dia existiu...

 

Viajando no complexo;

Destino,

De cada um de nós...

 

Pois nascemos sós,

E morremos sós.

 

 

 

 

Amor De Mãe!!!!!!

 

 

 

Como explicar ao coração;

Que chegaste e partiste,

Amargurada razão,

Que em mim subsiste...

 

Como lidar com esta dor;

Esta complexa forma de amar,

Este vazio transformado em ardor,

Que parece não mais acabar...

 

Porque meu filho sempre serás;

Pois tão breve foi a nossa eternidade,

O teu nome em mim viverá,

Assim como esta eterna saudade...

 

E partindo tristemente assim;

Este pequeno menino que amo,

Este filho que desejei sem fim,

E que para sempre me pertencerá...

 

Porque a morte;

Nunca será tão forte,

Como o meu amor,

Por ti.

 

 

As Noites E As Minhas Eternas Saudades!

 

Muitas vezes me aproximo da janela, à noite, esperando reconhecer nas estrelas que brilham intensamente, um rosto conhecido por entre o desconhecido enigma deste destino que nos envolve...

Tantas e tantas vezes procuro naquela escuridão impregnada de cristais cintilantes, um pedaço de mim mesmo, desse passado e das pessoas que já partindo, eternamente fazem parte da minha alma.

Procuro assim atenuar as saudades que insistem em sobreviver, acorrem vezes sem conta à minha mente para recordar a falta que ainda sinto, de cada um...

Por vezes nesse constante reencontro com os momentos que já fugiram, relembro sorrisos e lágrimas, resgato tristezas e alegrias, tentando preencher um vazio que sempre acaba por reaparecer.

Nessas noites, tendo a lua como testemunha, converso com o misterioso desconhecido que insisto em crer será repleto de reencontros ansiados...

E se assim não for?

As dúvidas e anseios próprios desta imensa incerteza que por vezes me invade, fazendo-me olhar novamente para aquelas estrelas, para aquele brilho e através dele voltar a perder-me na crença de que me ouçam.

A noite permanece, as estrelas ali continuam e eu volto a esconder as intensas saudades guardadas em mim, daqueles que para sempre meus, infelizmente, partiram para longe.

Mais uma noite, nesta eternidade pejada de enigmas...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Triste Alma A Tua!

 

 

 

Se odiar;

Te ocupa um lugar,

Nesse viver, desesperar,

Pelo eterno desencontrar,

Dessas fantasias por realizar,

Sem ninguém para responsabilizar...

 

Se em cada singelo lugar;

Encontras no espelho esse luar,

Que te indica o definhar,

Onde escolheste pernoitar....

 

Se assim te irás ocupar;

Eternamente a enfadar,

Ou simplesmente desperdiçar,

O tempo que te irá restar,

Para da vida desfrutar....

 

Se nada mais te restar;

Então...

 

Que triste alma;

A tua.

 

 

 

 

A Viagem De Uma Vida!

 

 

 

Tantas as estrelas no céu;

No infindável mergulho da minha vida,

Nas histórias guardadas em mim,

Na memória esquecida,

Que acompanha sem fim,

A minha alma...

 

Tantas as lágrimas por contar;

As alegrias e as aventuras,

Os momentos a recordar,

De agruras ou ternuras,

Aprisionadas nesse passado...

 

Tantas as pessoas que perdi;

Neste caminho para a velhice,

Os que lembrando, esqueci,

Desde a minha meninice....

 

E neste trajeto de ilusão;

Por entre o amor e a desilusão,

Esperando chegar a esta conclusão,

Amarrada ao meu coração...

 

De que valeu a pena;

Esta viagem.

 

 

Vida!

 

A vida é feita de pequenos nadas;

De reencontros e despedidas,

É feita de estradas desencontradas,

De chegadas e partidas...

 

A vida é feita de cor;

Esventrada fantasia,

Disfarçada de dor,

Que por vezes irradia,

Na esperança de um amor,

Eterna melancolia...

 

A vida  é como um beijo, a recordar;

É como um poema por escrever,

É um desejado teorema,

Um indecifrável saber...

 

A vida é uma inexplicável;

Diabrura de Deus.

 

 

 

 

 

 

Só...

 

Às vezes perco-me na escuridão;

Insolente vontade,

Disfarçada de solidão,

Encoberta saudade,

De tempos, ilusão,

Maldita verdade...

 

Por vezes perco-me ao entardecer;

Escrevendo sem descrever,

As lágrimas que me esforço por esconder,

Amargurado entristecer,

Que me chega ao entardecer...

 

E escutando discretamente;

Vendo o mundo passar,

Revendo saudosamente,

Cada memória a recordar,

Os momentos agora ausentes,

Desse passado meu...

 

Por vezes perco-me;

E às vezes reencontro-me,

Só!

 

 

Apeadeiro da Vida!

 

Um comboio no apeadeiro;

Um mundo que nos aguarda,

Destino primeiro,

Que de soslaio nos observa,

Pedaço inteiro,

Da nossa caminhada...

 

Uma viagem;

Sem retorno;

Retornando vezes sem conta,

Numa aprendizagem, reencontro,

Com os nossos pecados...

 

Com as duvidas permanentes;

As hesitações constantes,

As encruzilhadas presentes,

Mágoas distantes,

Sempre próximas...

 

E em cada lágrima;

Uma emoção,

Resguardada aprendizagem,

Outra vida, estação,

Renovada carruagem...

 

No apeadeiro da vida.