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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Jantar De Amigos!

 

Celebrar a amizade, nos últimos dias de um Outubro, derradeiros dias de um Verão que tarda em se despedir, em deixar surgir aquele desnudar das árvores, imensa melancolia no olhar, que insiste em não chegar.

Fui jantar com a minha mulher e dois queridos amigos, Verinha e Lourenço, a um restaurante perto de minha casa, O Papo Cheio...

Mesa na esplanada, jantar magnifico, como sempre, conversa descontraída, solta, tão nossa, repleta de empatia, telepatias, enfim aquela ligação que tão bem nos define.

A amizade tem destas coisas, esta espécie de combinação exacta, quase perfeita, de tantos e tamanhos labirintos opinativos, que acabam por se conjugar num reencontro constante, de pessoas que se querem bem.

No fim da noite, no curvar de uma esquina, o desfolhar de uma árvore, numa dança imperfeita de folhas que se estiralham no chão, se desprendem das copas e nos brindam com um cenário romântico, nostálgico, teatral...

Verinha e Daniela à frente, Lourenço e eu atrás, perdidos por entre conversas diferentes, pensamentos diversos, reencontrados nesse desencontro mágico, repleto de um imenso significado.

E assim, numa esquina desta nossa Lisboa, entregues ao espantoso momento e à sua intrínseca beleza, tivemos a certeza de que celebrada a amizade, num desajustado dia de um verão que já passou, tivemos o gosto de presenciar, um pedaço de Outono, que se recusou  a ser Verão...

Viva a amizade.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Agosto, A Gosto...

 

O que escrever neste último dia de Agosto, por entre mergulhos na piscina e o pensamento esvoaçante em mais um verão que teimou em se escapar, tão levemente como chegou...

Um dia espectacular para compensar aqueles primeiros dias da semana, tristonhos, desagradáveis.

De regresso a casa, nesta Lisboa intemporal, a este rebuliço constante, desfruto com gosto deste calor abrasador, abrasadoramente convidativo, entrelaçado a esta minha vontade de me perder, por entre a água retemperadora que parece olhar para mim...

Chamar-me...

Agosto chega ao fim, neste ano de 2017, deixando para trás as luzidias tardes, as noites claras, o sonho acordado até ao infinito entardecer.

Está a chegar o Outono e depois o Inverno, antecedendo a Primavera...

E depois, novamente, o Verão.

Não sei porquê, mas nunca deixei de sentir na chegada de Setembro, uma certa nostalgia, uma incerta vontade de despedida deste dolce far niente, inerente ao calor e à praia...

Pelo menos na minha mente, sempre assim foi.

Por todas estas razões, deixo aqui neste último dia de Agosto, este meu tributo ao mês, onde a luz parece não ter fim, os rostos parecem ter outra cor, as vozes parecem soar de outra maneira e os olhares desprendidos parecem ganhar expressão em cada pessoa...

Em cada um de nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Foz...

 

O mar da Foz do Arelho, resgata à minha mente recordações, memórias que guardo na alma, com o carinho imenso com que sempre aqui sou recebido...

O som deste mar, bravamente acolhedor faz-me sonhar, sentado no terraço de casa dos meu Tios, como se estivesse no camarote de um navio, navegando mar adentro rumo a um destino intemporal.

As Berlengas ao longe, nítidas, imponentes, como se estivessem a flutuar por esse mar imenso, que nos invade com a sua força indescritível...

O sol reflete-se no azul do mar, o vento corre entrelaçado com a espuma das ondas que rebentam bravamente, ao encontro daqueles que à beira mar passeiam, respirando sem parar, este pedaço salgado de vida.

As gaivotas sobrevoam tranquilamente os céus, descobrindo também elas os recantos escondidos de mais um verão.

O fim de semana está acabar e aproxima-se o regresso ao rebuliço de Lisboa, com os seus encantos, com o quotidiano citadino, com a agitação tão própria da capital.

No entanto, mais uma vez, fica em mim, no meu coração e na minha alma,  a estima e a amizade, as gargalhadas e as histórias, os momentos eternos que para sempre estarão guardados.

Porque são esses os momentos que verdadeiramente importam...

Obrigado, Tios.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Verões Da Minha Infância!

 

 

 

Um mergulho tão fundo;

No despertar do verão,

Um prazer vagabundo,

Vagueando pela ilusão,

Reencontro profundo,

Com a distante recordação,

Da minha infância...

 

Este ar quente;

Este sol abrasador,

Reflexo de um tempo já ausente,

Passado acolhedor,

Por entre as memórias da minha mente...

 

E em cada pedaço deste mar;

Onde me pareço perder,

Perdendo-me nesse reencontrar,

Intenso reviver,

Desses verões que já não voltam...

 

A esse tempo,

Onde fui criança.