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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A efémera intemporalidade!

 

 

 

Quantas vezes imaginei,

Que era eterno o que sentia,

Quantas vezes me enganei,

Sem imaginar que doeria

 

Acreditando na eternidade,

Nessa efémera forma de querer,

Vai chorando essa saudade,

De um tempo a esquecer

 

Sem que possa descrever,

Como  desvaneceu o sentimento,

Essa estranha forma de morrer,

No bater do sofrimento

 

E depois de muitas linhas,

De tantas palavras prometidas,

Escapou se o tamanho amor,

Por entre as feridas,

Da minha triste alma.

 

 

Triste Alma A Tua!

 

 

 

Se odiar;

Te ocupa um lugar,

Nesse viver, desesperar,

Pelo eterno desencontrar,

Dessas fantasias por realizar,

Sem ninguém para responsabilizar...

 

Se em cada singelo lugar;

Encontras no espelho esse luar,

Que te indica o definhar,

Onde escolheste pernoitar....

 

Se assim te irás ocupar;

Eternamente a enfadar,

Ou simplesmente desperdiçar,

O tempo que te irá restar,

Para da vida desfrutar....

 

Se nada mais te restar;

Então...

 

Que triste alma;

A tua.

 

 

 

 

Luar!

 

 

 

Não fiques triste;

Só porque a tristeza insiste,

Em te mostrar que existe,

Essa dor que não desiste,

De te magoar...

 

Não penses que eternamente;

Essa desilusão que sentes,

Te irá penosamente,

Aprisionar para sempre,

Só porque esse destino não era eterno...

 

Não deixes que a escuridão;

Reaparecida na imensidão,

Deslumbrante ilusão,

Te roube do coração,

A esperança...

 

E de mansinho, devagar;

Com a noite a entrar,

Talvez possas voltar a acreditar,

Que aquele cintilante luar,

Refletido no teu olhar...

 

É o teu futuro a chegar!

 

 

 

 

 

 

Circo!

 

 

 

Uns pozinhos de perlimpimpim;

Um sorriso, uma tristeza,

Uma ausência sem fim,

Por entre cores de estranheza,

Disfarçando enfim,

Cada lágrima de beleza,

Inundando assim,

O seu mundo de incerteza...

 

E começa mais uma sessão;

Cheia de luzes e gargalhadas,

Escondendo o coração,

Das recordações amarguradas,

Que invadem a solidão,

Solitária palhaçada...

 

E assim devagarinho;

Pintando uma vez mais, a cara;

Prendendo o nariz encarnado, ao seu rosto,

E vislumbrando no espelho,

Mais um pedaço desse desgosto,

Sorridente...

 

No sorriso de um palhaço.

 

 

O Menino Dos olhos Tristes...

 

O menino dos olhos tristes;

Não sabia bem esconder,

Aquela chuva no olhar,

Meio tristeza a chover,

Insistindo em chegar,

Sempre que via reaparecer,

Aquele triste recordar,

Ausente reviver...

 

O menino dos olhos tristes,

Tristonhos e entristecidos,

Carregando um passado,

Coração bem ferido,

Dolorido, amargurado,

Por esse amor esquecido,

Nunca antes encontrado...

 

E nessa ausente infância,

 No aconchego que nunca chegou,

Perdido nessa distância,

Naquela dor que carregou,

Solitário...

 

E assim continuou;

O menino dos olhos tristes!

 

 

 

O Mundo Imperfeito...

 

Um mundo a separar;

Por caminhos tão distantes,

Entre vozes a gritar,

Sentimentos asfixiantes,

Num destino a contar,

Os sofrimentos viajantes,

Que insistem em ficar,

Ficando hesitantes,

Presos num olhar,

Cansado, debilitante,

Que já não consegue acreditar...

 

Um mundo tão diferente;

Triste, desaparecido,

Em cada lágrima ausente,

Caindo bem ferido,

Esvoaçando indiferente,

Doendo, bem dorido,

Eternamente...

 

Tantos mundos, enfim;

Soçobrados, derrotados,

Que habitam dentro de mim,

A lembrar, recordados,

Dessa dor sem fim,

Guardada nesse passado...

 

E volta o mundo a girar;

Volta o céu a chorar,

Volta o sol a brilhar,

Percorrendo sem calar,

Os mundos que me impedem de sonhar.

 

 

 

 

Tristeza...

 

Triste, tristeza, tristemente;

Palavras tão amargas e tão belas,

Nesse sentimento que se sente,

Dessa vida que se vive...

 

Chega perto e se apodera;

Nos cerca e por vezes domina,

Como se fosse uma fera,

Que à volta tudo mina...

 

Ó tristeza, não te quero;

Vou pensando, desejando,

Não te quero, nunca quis,

Mas assim vou andando...

 

Senta-se ao lado sem dizer;

Companhia e às vezes voz,

Tristeza vem, vem querer,

Nunca nos deixando sós...

 

Tudo escuro, mais fechado;

Mais triste fica o coração,

Vai bater sempre cansado,

Toldando a minha emoção...

 

Às vezes dentro do olhar;

Como um relógio sempre a correr,

Deixando o tempo passar,

E a vida a esmorecer...

 

Mas o que seria de nós, sem a tristeza;

Sem os dias, as noites, a idade,

Como dariamos valor à beleza,

Ao amor, à felicidade...

 

Fica então, o pensamento;

De que da tristeza não poderemos fugir,

Mas não te esqueças de nesse momento,

De mesmo triste, sorrir.

 

Silêncios de Amor...

 

Oiço a tua voz, meu amor;

Esse sorriso que se fecha,

A impaciência às vezes dor,

Daquele amor que se deixa.

 

Oiço o esgar desse fim;

O som de uma dolorosa pena,

De uma sentença que assim,

Encerra mais uma cena...

 

Oiço as palavras que me dizes;

Os gritos que não falam,

As mágoas, as cicatrizes,

Que silenciam, que se calam...

 

Essa resposta sem pergunta;

Essa pergunta nunca feita,

Essa razão defunta,

De uma felicidade desfeita...

 

Oiço calado;

Questiono então o silêncio...

 

Para onde foste, meu amor?

 

Oiço a voz desse tempo que não regressa...

 

Triste, somente triste;

Apenas nos sobrou a tristeza.