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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Contradição...

 

 

 

Despida contradição;

Da contraditória alma minha;

Contradizendo o coração,

Que suspirando contradizia,

A destemida interrogação...

 

Será que o amor pode resistir;

Às agruras a surgir,

De uma vida a sentir,

Esse medo a ferir,

Em mim...

 

Será que desenhado no olhar;

Se revela o ruborizar,

Por entre esse sonho a acalentar,

Cada reencontro nosso...

 

E mesmo que apenas eu;

O sinta,

Mesmo que apenas eu,

Não minta...

 

Mesmo assim;

Quero continuar a sonhar.

 

 

 

 

 

Amigos!

 

Um amigo é tão valioso como o respirar de uma vida, como o acreditar de um sonho...

A amizade é a expressão maior da raça Humana, ou seja, um amor intemporal de vidas que insistem em se fazer cumprir.

Ao rever na minha mente esta vida que é a minha, recordo os poucos amigos que preenchem o meu coração, aqueles que ali estando me acompanham nesta viagem, por vezes incompreensível.

Por entre dores e desamores, alegria e conversas, desgostos e euforias, atravessando intensamente os dias que vão chegando, como a espuma das ondas...

Os poucos amigos que guardo comigo, atravessaram os dias de uma vida, contemplando o enternecedor olhar que não falando se expressa, que não gritando segreda esse imenso partilhar.

Uns mais do que outros nessa expressão maior desse amor não explicável, contemplando neste texto esse privilégio tão meu.

As lágrimas por vezes escondidas, amarguradas desventuras compostas em cada sílaba, decompostas nessa atribulada viagem de cada alma e acompanhadas das memórias que preenchem a história de cada um de nós, amarradas a esses olhares, que tornam único, esse nobre sentimento...

Essa partilha incondicional.

Já perdi amigos eternos, desaparecidos por entre a luta de uma vida, no entanto, os que me restam, os poucos que escolhi como meus, permanecem insistentes nesse desgaste que o tempo insiste em percorrer.

Porque a amizade é isso mesmo...

Uma viagem constante através das vidas, que o destino escolheu cumprir.

E vida após vida, nos reencontraremos e voltaremos a acreditar nesse olhar que nos faz sentir inseparáveis.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Loures: O André E Os Ciganos...

 

Durante estes últimos dias André Ventura tem se desdobrado em explicar as suas afirmações sobre a comunidade Cigana em vários canais de televisão, desde o popular Você na TV, na TVI, até aos telejornais da cabo...

A polémica lançada pelas suas palavras, para alguns xenófobas, atira para a crista da onda o pequeno André, a sua veia mediática, o seu apetite pelas luzes toscas da popularidade.

A indignação reinante dos muitos que resolveram atacar André Ventura neste caso, soa a hipocrisia, a aproveitamento bacoco de um sentimento fácil e pouco esclarecedor...

O que disse André Ventura sobre a Comunidade Cigana, é ou não o que muitas das pessoas pensam?

É ou não, aquilo que em muitos casos acontece?

Muitos dos que o criticam neste caso, aceitariam ou imaginariam viver num daqueles bairros?

Estariam preparados para lidar com as consequências de uma clara impunidade, que estes gozam?

E as denuncias que André ventura fez acerca da discriminação sofrida pelas mulheres Ciganas, sob o jugo da chamada tradição?

Terá mentido?

Neste blog escrevi a minha opinião sobre o senhor em causa, sobre a minha completa discordância com quase tudo o que este senhor diz, da forma como o diz, do que pensa, no entanto, neste caso julgo que mais do que as suas palavras, convêm avaliar o problema...

Existe na realidade um problema de segurança, convivência, em certos lugares deste nosso país, entre a população comum e a comunidade Cigana, protegida por uma espécie de impunidade disfarçada de Democracia.

Disse aqui e escrevi que o meu problema com André Ventura não foram as suas palavras em relação a esta polémica mas sim tudo o que desse senhor já ouvi, ao longo do tempo...

O que ele representa como cata-vento político, ou seja, um anárquico ideológico capaz de tudo para representar as massas e diluir o verdadeiro sentido da palavra, política.

É populista?

É demagogo?

Sem dúvida nenhuma mas até um relógio parado acerta nas horas, duas vezes por dia.

Por essa razão, discuta-se o problema, debata-se a polémica e não se escondam as questões que certamente preocuparão muitas das pessoas que votam no Município de Loures, pois foi assim que Donald Trump chegou ao poder...

Iludindo as gentes com soluções impossíveis para problemas existentes, problemas esses que nenhum dos candidatos do main stream, quis sequer falar.

Depois não vale a pena dizer:

Como é que as pessoas votaram num tipo destes?

Talvez porque mais ninguém se dignou a ouvi-las.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Quantas Vezes Teria De Nascer O Jovem Mbappé?

 

Quantas vezes teria de nascer Mbappé, se tivesse crescido na escolinha de Alcochete e o destino o obrigasse a se cruzar com o mestre JJ?

Estaria certamente neste momento a renovar o seu contrato e provavelmente a rumar a um qualquer Desportivo de Chaves, para explanar o seu futebol a centenas de quilómetros de casa.

Esta transferência de 180 milhões do jovem fenómeno Francês é a evidência de que a idade no futebol não é contraditória do talento, da capacidade de ser determinante.

Aos dezoito anos, lançado pelo seu treinador, Mbappé deslumbrou o planeta da bola, desequilibrou em campo nos mais variados palcos e fez sonhar aqueles adeptos Monegascos que viram nele uma possibilidade de concretizarem esse distante sonho de vencerem...

Serem campeões.

O que seria de Dier, se em Alvalade ficasse?

Onde estaria Bernardo se continuasse subjugado à ditadura limitada de um treinador, que nunca conseguiu vislumbrar o seu imenso talento?

O que seria deste jogo, futebol, se o talento imaturo dos jovens génios fosse eternamente adiado?

Perturbam-me estas saídas que acontecem no meu Sporting, Chico, Matheus, Domingos Duarte ou até Palhinha em detrimento de Petrovic, Matheus Oliveira, Alan Ruiz ou mesmo Battaglia, sem que honestamente me pareça que em algum destes casos, os que ficam, sejam melhores do que estes pequenos meninos formados em Alvalade.

Se Mbappé valerá 180 milhões?

Não o sei, no entanto se Morata vale 80, se Lukaku vale 90 então o jovem Monegasco valerá pelo menos o dobro.

Porém, mais do que expressar a minha avaliação financeira do futebol actual, o que aqui importa é celebrar o atrevimento de um clube que não teve medo de escolher um dos seus, reconhecer-lhe o talento e apostar...

E ganhar!

Ainda bem que Mbappé, não nasceu em Almada, não começou a treinar pequenino nos campos de Alcochete, pois certamente teria de nascer pelo menos 100 vezes para ser suplente de Alan Ruiz e ter o privilégio de desfrutar de uma quantas palestras do Senhor Jesus.

Felizmente para ele, teve a oportunidade de voar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Os Mortos de Pedrogão!

 

As notícias e o aproveitamento sensacionalista deste tempo, atingiu um patamar de mediocridade absolutamente indescritível...

Os mortos de Pedrogão, fazem neste momento as manchetes de quase todos os jornais, são o tema de comentário de quase todas as televisões, deixando para trás a dignidade daqueles que partiram mas também a nossa que supostamente os deveríamos respeitar.

De 64 já passaram para 80, de 80 já ouvi 100 e de 100 se calhar poderemos ter 64...

O Autarca daquele Município veio numa tentativa desesperada por um pouco de respeito, pedir que se acabe com a boataria, com esses rumores que alimentam esta espécie de diz que disse, em versão mórbida e canalha.

Evitei ao máximo escrever sobre o tema pois apesar de muitas vezes pertinente, sempre me pareceu que atirar palavras num triste acontecimento como este, não repunha a dignidade roubada àqueles que ali infelizmente tombaram, no entanto, depois de horas e horas de verborreia sem nexo, desabafo aqui a minha perplexidade com a leviandade com que alguns se entretêm a ganhar audiências com tamanha desgraça.

Se morreram mais pessoas do que estava contabilizado, convêm que se concretize, se denuncie a quem de direito mas por favor deixem as parangonas para assuntos onde o debate possa permitir alguma dignidade e não para acrescentar vozearia ao desaparecimento de tanta gente...

De tantas famílias que ali se perderam.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Velhice!

 

 

 

Vejo o mundo através destes olhos envelhecidos;

Recordo o tempo que para trás ficou,

Questiono os sonhos esquecidos,

Que a minha memória não resgatou,

Se perderam, perdidos...

 

Vejo os rostos que partiram;

Os que ficando se escaparam,

Mágoas que feriram,

Que ardendo, ficaram...

 

Vejo a outrora juventude que se foi;

A velhice que então chegou,

Os carinhos que já não me pertencem,

A solidão que restou...

 

Vejo tanto;

Restando tão pouco,

Enquanto,

Serenamente deixo voar o tempo,

Desta minha velhice.

 

 

 

 

As Escolhas De Pedro Passos Coelho...

 

Há dias jantava num dos meus restaurantes preferidos, quando sou surpreendido por uma afirmação do dono daquele espaço:

- Vou votar na Geringonça!

Fiquei boquiaberto pois este tipo de pessoas, os empresários individuais ou se quiserem "self made man", sempre foram um dos redutos intransponíveis Sociais-Democratas, no entanto, haveria de me surpreender mais...

- E não vou votar no PS, pois quero que os outros lá continuem para os travar!

Esta afirmação ainda me deixou mais incrédulo.

Sendo alguém que sempre vira votar no PSD, esta mudança demonstra até que ponto o actual Partido de Passos Coelho, aniquilou toda uma base eleitoral que tradicionalmente lhe era fiel, o apoiava...

As razões?

Fácil...

Estas pessoas sentiram-se traídas durante os anos da Troika, com aquele discurso estupidificante de ventríloquo da Austeridade, repetindo vezes sem conta o guião Europeu.

Poder-se-ia fazer diferente?

Não o sabemos mas certamente se poderia ter explicado de maneira absolutamente diferente, não hostilizando, tentando minimizar os sacrifícios feitos por todos...

Pelo Portugueses.

E depois veio a geringonça e a sua política não tão diferente mas inequivocamente mais sedutora para aqueles que se sentiram excluídos e espoliados durante o Governo PSD...

E o que esperavam as pessoas?

Nada...

Ou talvez que viesse o diabo.

Só que o diabo não veio, vindo antes essa sensação de alivio, parecendo brindar esta espécie de aliança contra-natura, de uma folga de esperança que em parte, lhe foi dada pelo discurso suicida do Líder Social Democrata...

E assim com essas expectativas tão baixas, com tão pouca fé, cresceu o espaço para surpreender, para fazer melhor do que se esperava e mais do que tudo para fazer sentir a uma certa parte da sociedade Portuguesa, como por exemplo, empresários ou reformados, que se poderia construir uma alternativa.

Verdadeiro ou não, esse sentimento existe e situa-se em grande medida em antigos votantes do chamado centrão que habitualmente confiavam no antigo Partido reformista, laranja.

Agora resta esperar, que estas eleições Autárquicas expurguem Passos Coelho e aqueles que formam a sua entourage, para que se possa primeiro reformar o PSD, para depois pensar no País...

Até lá, é ver a geringonça a esvoaçar através do sopro deste inexistente PSD.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Amor...

 

 

 

Se o meu amor por ti; 

Não fosse essa imensidão,

Tão imenso e sufocante,

Se não sonhasse o coração,

Com esse sonho distante...

 

Se esse amor fosse descrito;

Se existissem palavras para o descrever,

Se não fosse interdito,

Essa vontade de o viver...

 

Se no meu olhar;

Fosse possível decifrar,

O indecifrável descodificar,

Sentido desse amar,

Que jamais poderei escrevinhar,

Num poema...

 

Porque não existem letras suficientes;

Capazes de soletrar,

Esse sentimento,

Que insiste em chegar,

A cada momento,

Eterno...

 

Porque a eternidade é pequena demais;

Diante de tamanho amor.

 

 

 

 

Eternamente Criança...

 

A imaginação sempre me aproximou de um mundo só meu, guardado por entre os monstros que me acompanham desde criança, dos amigos imaginários que sempre estiveram presentes, nas milhares de aventuras que percorri no recato do meu quarto ou nas correrias por aquelas ruas de Santa Luzia...

Ainda hoje quando fecho os olhos facilmente me transporto para uma sala escura, pejada de cortinados feitos de asas de morcegos, com as paredes cravejadas de olhos, atentos, que parecem me observar, enquanto eu aguardo...

Esperando que o mistério se desfaça e possa finalmente me bater num duelo com um qualquer rival.

Ou mesmo, um campo florido a perder de vista onde cavalgo no meu cavalo branco, de crina castanha e com as asas recolhidas, preparadas para voar se necessário for.

Como regressar por instantes a tempos onde podemos ser quem queremos, como queremos, sempre que queremos...

Momentos onde a vida não esmagava essa criança interior que por vezes insiste em permanecer, insistindo em ficar, nesse estranho direito que temos de não deixar de brincar.

Como pode ser estranho neste mundo tão sério e enfadonho, deixar que dentro de nós, ainda viva uma criança?

Aquela criança que um dia fomos?

Por vezes sinto-me assim...

Ou melhor, recordo como me sentia, nesses tempos distantes.

Será que assim permanecerei, se chegar aos 90 anos?

Ou será que acharão que se tratará de uma qualquer loucura, própria da idade?

Pois bem, até lá, prefiro percorrer os trilhos da minha imaginação, sonhar acordado, buscando através destas linhas o reencontro com esse pedaço de mim, que se nega a deixar de ser criança.

 

 

Filipe Vaz Correia