Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Dilemas De Um Sportinguista...

 

Meus caros amigos....

Queria escrever sobre o 37º Congresso do PPD/ PSD, no entanto, devido ao facto de desde ontem não ver televisão, não ler jornais, essa análise tornou-se impossível.

Como sabem sou Sportinguista e por essa razão estou vinculado às ordens de Herr Bruno de Carvalho, num misto de mandamentos do género "Seita".

Herr Saraiva, o Ministro da Propaganda do Regime, veio incluir também as rádios, esse meio de comunicação esquecido pelo seu patrão...

"Nosso" líder.

Por todas estas razões, não posso escrever sobre o PSD e o seu Congresso, apesar de ter exaustivamente tentado encontrar referências sobre este assunto, em vários canais estrangeiros, os únicos a que podemos ter acesso, mas infelizmente não o consegui.

Estou muito feliz, com a tamanha oportunidade de poder ver ininterruptamente a Sporting TV, pela pluralidade de opiniões, debates acesos e ideias estruturadas, repleta de vozes independentes e livres.

Um imenso orgulho...

Tenho a certeza de que este rumo, escolhido por Herr Bruno, é o certo, iluminadamente delineado por alguém que está acima do comum Sportinguista e que liderará este Clube até à "vitória final".

Não posso deixar de referir que este boicote a noticias, televisões, jornais e rádios, traz-me à memória um outro boicote...

O da IURD, no auge do caso das adopções, onde também um canal de televisão estava liberado...

A TV Record.

Coincidências...

Edir Macedo e Herr Bruno.

Sei que estou a infringir as regras, tendo em conta que apesar de tudo estou a escrever nas redes sociais, ainda por cima, interagindo com muitos que não pertencem ao Universo Sportinguista, o que certamente poderá pôr em causa, todo o esforço que estou a fazer para cumprir as ordens precisas de tão amado Presidente.

No meio de tamanha liberdade Leonina, recordei-me de uma frase de Claus Von Stauffenberg, aquando da execução da operação Valquíria:

" Se falharmos, ao menos o mundo saberá que nem todos somos como ele!"

Por vezes, mesmo que o rebanho seja imenso e que pareça estarmos isolados, importa manter a espinha, seguir os  nossos valores e saber dizer que não...

Nem que seja para que o mundo saiba que nem todos somos como ele.

E amanhã?

Onde vão os Sportinguistas ver o jogo?

A Sport Tv é uma televisão Portuguesa?

Aqui fica o dilema...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Sporting: Venceu O Populismo!

 

Bruno de Carvalho venceu, em toda a linha, a Assembleia Geral do Sporting, tendo conseguido a aprovação dos três pontos por ele exigidos, com números a rondar os 90%...

Uma vitória inegável.

Os Sócios Leoninos que se deslocaram ao Pavilhão João Rocha, decidiram aprovar a forma e o estilo, a governação e o seus desmandos.

Aprovaram tudo, não se podendo mais desresponsabilizar deste caminho.

Numa Era Brunista, assistimos hoje a um repetir de outras intervenções, por parte do Presidente, incendiando o ambiente, acentuando clivagens, buscando inimigos para ostracizar...

Desde Carlos Severino a Rogério Alves, passando pela família Rocha, os filhos deste, com particular atenção para Maggie Rocha.

Não só, este discurso, me pareceu estúpido como até incompreensível, porém nada surpreendente para a personagem paranóica do Presidente do Sporting.

O que Bruno Carvalho tentou e conseguiu fazer, foi criar um cenário de perseguição, aliás visível na tentativa de agressão a Carlos Severino, que teve de sair escoltado pela PSP, perseguido por Sócios Leoninos.

Uma tristeza...

Uma vergonha.

Mas é frequente nestes regimes absolutistas, dirigidos por ditadores bacocos, centrados no seu umbigo e acompanhado ordenadamente por um rebanho de seguidores.

O Sporting e a maioria dos seus Sócios, aprovaram todos os pontos exigidos pelo seu "Querido Líder", afunilando a alma democrática e entregando-se aos desmandos de um singelo demagogo.

Bruno definiu-se como um populista, talvez a única vez em que estive de acordo com ele, apenas divergindo no interpretativo significado que decidiu dar à palavra.

Bruno é populista e isso para mim não é um elogio.

Estou triste...

Tristemente preocupado com o futuro do Sporting, deste meu Sporting perdido, por entre estes tiques autoritários carregados de brejeirice.

As tentativas de agressão a Carlos Severino e aos Jornalistas que cobriam a A.G., não podem ser dissociadas das palavras incendiárias de Bruno de Carvalho...

Das constantes palavras de confronto.

O futuro será assim, certamente, mais difícil para aqueles que corajosamente fazem o favor de pensar pela sua cabeça, de se levantar sem temer, de dizer sem pedir licença.

Nunca gostei particularmente de Carlos Severino, nunca o considerei com perfil para Presidente, no entanto, a coragem demonstrada nesta A.G., tendo comparecido, mesmo sabendo o que lhe esperava, merece de mim uma sincera admiração.

O Sporting está transformado numa pequena ditadura, com votações condizentes com esses Países e Regimes, repletos de uivos ensurdecedores em honra do seu iluminado Líder.

Bruno venceu, para regozijo do seu ego...

Mas talvez tenha perdido o Sporting e a sua nobre História.

E agora todos a sair das televisões...

E nós, Adeptos e Sócios, nada de jornais desportivos ou Correio Da Manhã, apenas a Sporting TV.

Como sabe bem, a nova "Liberdade" Leonina! 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Nem Sempre...

 

Nem sempre a incondicionalidade é incondicional, assim como, nem sempre a nobreza é nobre, a cobardia medonha, a coragem heróica, a verdade sincera.

Nem sempre o orgulho é essencial, nem sempre a esperança é verdadeira, nem sempre a certeza é certa, assim como, nem sempre a incerteza é constante.

Nem sempre o olhar diz tudo, nem sempre as palavras traduzem o olhar, nem sempre...

Nem sempre a eternidade é longínqua, nem sempre é longínqua a temporalidade dos afectos, nem sempre o abraço reconfortante, conforta.

Nem sempre é existencial, a ternura imensa que resiste e nem sempre é possível acreditar...

Nem sempre...

Nem sempre!

Nem sempre é forte o suficiente, esse desmedido amor que insiste em permanecer...

Nem sempre...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Sporting: A Grande Decisão...

 

É dia de Assembleia Geral do Sporting Clube de Portugal...

Uma Assembleia Geral carregada de dramatismo, de desconfiança e de ardor.

Bruno de Carvalho trouxe o Clube para esta incerta agitação, depois de gritos e acenos, de demagogos pedidos de gratidão.

O Sporting encontrará neste dia um de dois cenários, nenhum deles de grande satisfação ou de plena satisfação...

Por um lado se Bruno de Carvalho conseguir os seus intentos, isso quererá dizer que os Associados do Sporting terão claudicado perante os desejos absolutistas do seu Presidente, dando-lhe um poder desmedido e que poderá tornar o Clube, num espaço ainda mais Venezuelano do que actualmente já é.

Se por outro lado, o cenário for o de Bruno de Carvalho não conseguir aprovar algum dos três pontos por ele exigidos, teremos então, caso se cumpra a palavra, a demissão de todos os que constituem a Direcção do Sporting, começando pelo seu Presidente...

Se Bruno se demitir, após a votação, espero que tenha o bom-senso de aguardar pelo final da época, para realizar as eleições, permitindo que a equipa que ainda luta pela Taça de Portugal, Liga Europa e Campeonato, sofra o menos possível com a inerente instabilidade.

No entanto, pesando os dois cenários, sei bem o que desejo...

Que se chumbem os pontos a votação, os dois primeiros, pois são esses que para mim importam, que são a génese democrática da Alma Leonina.

Apesar de tudo, de todo o drama, gratidão, chantagem e afins, que Bruno de Carvalho quis aportar a este momento, o que me parece relevante não esquecer, é que acima de qualquer liderança, está a História e o Futuro do Sporting Clube de Portugal.

E esse futuro não poderá estar amarrado ou dependente de um homem instável, persecutório e birrento.

Viva o Sporting.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Um Passado De Passos E O Futuro De Um Rio...

 

O 37º Congresso do PPD/PSD marca a despedida de Pedro Passos Coelho e a tomada de posse de Rui Rio...

Há muito que não tinha tanto interesse num Congresso Social-Democrata, esse partido que sempre foi o meu, e do qual me fui afastando ao longo dos anos.

Neste momento tão importante, num certo resgatar da Social-Democracia, será necessário a Rui Rio saber liderar, destrinçar entre aqueles que estão disponíveis para o combate e aqueles que se acantonarão esperando as suas derrotas para aparecer.

Nesta difícil equação, importará não se perder por entre palavras amáveis, sorrisos disfarçados ou promessas vãs.

Pedro Passos Coelho,  por uma vez terei de o elogiar, com gosto o faço, soube sair, soube com dignidade percorrer este tempo, entre as eleições internas e o Congresso, sem mácula, com imensa honra.

Sempre divergi de Passos Coelho, não no aspecto humano, como pessoa, pois jamais combato aqueles de divirjo pelo lado pessoal, mas sempre através das ideias, com as ideias, pelas ideias.

Foi por elas que sempre critiquei e criticarei Pedro Passos Coelho, o rumo que escolheu seguir e essencialmente a descaracterização que a sua liderança trouxe ao partido.

O seu discurso de despedida, será também um momento de oportunidade, para reerguer e resgatar tantos e tantos que do partido se afastaram.

Depois da despedida de Passos, o discurso de Rui Rio...

Rio fez um grande discurso, o seu primeiro neste Congresso, carregado de ideias, das suas ideias, ideologicamente resgatando os valores Sociais-Democratas, fazendo lembrar um outro tempo, outros Congressos, sem medo de analisar o Partido e o País.

Rio falou das reformas do Sistema de Justiça, de pactos importantes de Regime, da Democracia e do descrédito que a ameaça, da demagogia e populismo crescente, enfim, da distância entre o Partido e as pessoas...

Falou da necessidade de reformar e reformular, de aproximar e manter, de acreditar e fazer.

Rio esteve muito melhor do que se esperava, do que eu que sempre o defendi, esperaria.

Rui Rio conseguiu empolgar a plateia, mesmo aqueles que ali se encontravam com um ar de frete, mais preocupados em disfarçar a azia da despedida de Passos, do que preocupados com o futuro...

O futuro do Partido e do País.

Citando Sá Carneiro:

" Primeiro o País, depois o partido e só depois as nossas circunstâncias."

Esperemos que neste futuro que se aproxima, todos no PSD se recordem destas palavras e as saibam entender.

Quanto a Rio...

Boa sorte!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Sussurrando...

 

 

 

Sussurrando no meio da estrada;

Encontrei o meu coração,

Confuso gritava,

A embargada emoção,

De se ter perdido...

 

Desistido de tamanho destino;

Dessa imensa contradição,

Pedaço de desatino,

Gigantesca desilusão...

 

E desiludido trauteava;

Trauteando esses versos renegados,

Enquanto sozinho caminhava,

Por entre ventos desnorteados...

 

Sussurrando no meio da estrada;

Lá continuava,

Aquela que um dia,

Foi a minha alma.

 

 

Levantei-me...

 

 

 

Levantei-me tantas vezes;

Sozinho,

Desconhecendo a imensa escuridão,

O medo presente desse desconhecido...

 

Porque em mim,

Existia essa fé em ti,

Que abraçava a cobardia,

Emergente coragem,

Encapotada,

Da alma...

 

Levantei-me tantas vezes;

Apesar de não existir,

O que existindo se calava,

Embargando o coração...

 

Levantei-me tantas e tantas vezes;

E de cada uma delas,

Valeu a pena,

Sempre valeu...

 

Mas agora...

 

Deixemos o tempo correr;

A viagem continuar,

A memória esquecer,

Que um dia...

 

Existiu tamanho amar.

 

 

 

 

 

A Minha "Antiga" Casa!

 

Do lado de fora de casa, tudo parece igual...

Tantos anos depois e tudo parece igual.

Apenas parece...

As persianas corridas, as mesmas persianas, o mesmo branco nas paredes do prédio, a mesma porta de ferro verde.

Do lado de fora de minha casa, que não me pertence mais, até aquele cheiro que insisto em recordar, parece querer se reencontrar comigo.

Mas nada está igual...

Nada mais será igual.

Aquelas janelas estão vazias de mim, dos meus, aquelas paredes que talvez ainda me reconheçam, têm agora outros olhares, outras vozes, outras vidas como companhia.

E eu ali parado...

Expectante por amarrar em mim, aquele instante em que penso voltar no tempo, para esse momento, para tantos e tantos momentos onde fui feliz.

Mais de 30 anos, por entre aquelas escadas de madeira, por entre o barulho constante dos eléctricos que à minha porta passavam.

As minhas primeiras interrogações ali surgiram e ali morreram, os primeiros medos ali nasceram e por lá ficaram, os primeiros sorrisos que ali me surpreenderam e ainda ali devem ecoar...

Naquelas paredes estão cravadas as minhas primeiras lágrimas e em lágrimas dali me despedi.

Ainda ali estou, apesar de não estar, ainda ali estão sonhos e desilusões, conversas e desesperos, abraços e beijos, perdidos eternamente...

Sempre eternamente, assim como eterna, é esta memória que me envolve.

Do lado de fora desta casa que sempre será a minha, parto, despedaçadamente infeliz, buscando nessas memórias, o contentamento que tantas vezes senti.

Pois ali nasci, cresci...

E ali sempre ficará parte de mim.

Até um dia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Houve Um Tempo Que Findou...

 

 

 

Tinha escrito numa folha de papel;

Há muito tempo atrás...

 

Há tanto tempo;

Que escrevera tais palavras;

Enganadoras palavras,

Que trazidas pelo vento,

Amarravam à esperança,

A inquietude...

 

Mas o tempo passou;

E com ele esvoaçaram as palavras,

Para um longínquo destino,

Onde esmoreceram abandonadas...

 

Abandonadas e esquecidas;

Solitários quadros,

De antigas feridas,

Que jamais sararão...

 

Houve um tempo;

Bem distante,

E ao mesmo tempo presente,

Onde a minha voz hesitante,

Queria gritar...

 

Houve um tempo;

Que findou.

 

 

 

As Grades Da Minha Cela...

 

As grades na janela, a escuridão meio encoberta que daqui vislumbro...

Encarcerado, aprisionado a este desgosto, destemperado gosto, de um passado que aqui me amarrou.

Não sou dono de mim...

Não me pertence este destino, dentro da alma que vive com os erros desmedidos, que desmedidamente tenho de abraçar.

As grades desta janela, que me separa do mundo e que ao mesmo tempo é a minha porta para ele...

É através dela que consigo respirar lentamente, vendo os pássaros no céu, livres, esvoaçando como se nada mais existisse.

Como tenho saudades...

Saudades de mim, dessa parte de mim mesmo que ainda é senhora de si, dessa liberta vontade de gritar.

Gritar loucamente, sem nada sufocando o sonho, que eu mesmo tratei de matar.

Sozinho...

Na madrugada gélida, silenciosamente ternurenta, sem grilhos, sem cárcere, sem algozes.

Nesse momento, levanto-me desta maltrapilha cama e aproximo-me dessa mirífica janela, ignorando as mesmas grades, sempre elas, que me impedem de voar...

Nesse momento volto a ser livre, volto a querer ser livre novamente.

Mas só nesse instante, pequeno instante em que pareço esquecer o que jamais poderá ser esquecido, por entre as lágrimas que me invadem, esmagam essa finita crença impossível.

As estrelas que brilham na noite fria, as vozes caladas que parecem saber o quão importante é para mim, aquele singelo segundo, onde me encontro desencontrado...

As grades da minha janela voltam a cintilar, a brilhar em contraste com o meu perdido olhar, recordando-me de que não passo de um número.

Um número sem vida, sem alma, sem nada.

Apenas a soma desses pecados que eternamente expiarei...

Que eternamente tentarei expiar, desde a janela, desta cela que me pertence.

 

 

Filipe Vaz Correia