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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Christopher Hitchens: O Segredo Da Estimulante Discordância!

 

Escrever este post sobre Christopher Hitchens é um privilégio para mim, pois apesar de dele discordar demasiadas vezes, é sempre estimulante ouvir pessoas fascinantemente inteligentes.

Em primeiro lugar agradecer a um irmão, JB, pois mais uma vez através dele vejo-me confrontado com essa obrigação de raciocinar, voando pelas palavras inquietantes e desconcertantes deste conselho seu...

Ora bem, falemos então de Mister Hitchens, esse pedaço de intelecto interrogativo, incapaz de adormecer diante da inevitabilidade do onanismo e questionando com a sua inquietude de pensamento os dogmas, a fé, os tabus e até a mortalidade.

Aquela maneira chocante como trespassava, verbalmente, os seus oponentes num duelo, perdão debate, como abalava através das suas palavras as ideias pré-concebidas que por vezes nos condicionam desde o berço, tornavam-se na verdade, estimulantes para aqueles que dispostos a pensar se questionam e procuram em cada ideia um sentido para no mínimo, entender a base argumentativa com que nos contrariava.

E nada melhor do que debater, trocar ideias de forma descomplexada e por vezes até violenta, respeitando as opiniões mas não tendo medo de pensar pela própria cabeça.

Admito que a primeira vez que o meu caro amigo JB, me mostrou um dos famosos debates de Christopher Hitchens, achei tudo aquilo um pouco brutal, agressivo e até chocante pois mexia verdadeiramente com os valores mais intrínsecos em que acredito, no entanto, foi esse mesmo choque transformado em fascínio que me fez questionar esses mesmos valores, para no fim poder crer neles com maior profundidade.

Cada vez mais acredito que é importante ter dúvidas e questiona-las, pois só assim, ouvindo muitas vezes os argumentos daqueles com quem discordamos, poderemos evoluir...

Por tudo isto, muito obrigado Mister Hitchens e um obrigado maior ainda meu caro Jaime, por mais um desafio ao meu humilde intelecto.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Intolerantes!

 

 

 

Mas para onde caminha o mundo;

Qual o destino a percorrer,

No meio de um ódio profundo,

Que não pára de crescer...

 

Vocifera o Sunita;

Odiando Infiéis,

Detestando o Xiita,

Ou invertendo-se os papéis...

 

Erguem-se muros asfixiantes;

Aparecem os terroristas dilacerantes,

Morrem inocentes às mãos desses ignorantes,

Perde-se a esperança, já distante...

 

E venham então os Muçulmanos;

Odiando um Cristão,

Ou um Cristão detestando,

Esses hereges Irmãos...

 

O que importa recordar;

Ou se preferirem rezar,

É que vale a pena acreditar,

Que um dia iremos acordar,

E talvez os intolerantes,

Possam ter aprendido a tolerar...

 

A tolerar,
As nossas diferenças!

 

 

Francisco, O Peregrino!

 

O Papa Francisco já chegou a Portugal, trazendo com ele essa vontade imensa de ser mais um, aos pés da Virgem Santíssima...

Ser mais um peregrino entre muitos, na nossa intemporal, Fátima.

A simplicidade e afeto que marcam o seu pontificado, têm permitido o aproximar das pessoas à Igreja Católica, resgatando fiéis perdidos neste mundo agitado, sem tempo para reflexões, assim como, as suas palavras e actos têm tocado Ateus e Agnósticos que descobrem em Francisco uma janela para a Fé cristã, mesmo que dela não partilhem...

É através dessa singularidade que o Santo Padre nos deslumbra, desarmando mesmo aqueles que sempre se afastaram das religiões,  centrando muitas vezes o seu discurso na essência humana, na verdadeira partilha e solidariedade tão escassa por entre os dias que correm.

Esta visita relâmpago a Fátima e só a Fátima, exemplifica uma vez mais, o que para Francisco importa, ou seja, a proximidade com as pessoas, com os seus pensamentos, as suas dores, as suas incertezas, dúvidas...

Ao demonstrar quotidianamente esse caminho, ao demonstrar que essas encruzilhadas fazem parte dessa descoberta que é a Fé, não punitiva mas acolhedora, o Peregrino de Branco, junta-se a esta comunhão de gente que celebra em Fátima, o verdadeiro sentido da condição Humana...

E assim chegou Francisco, o Peregrino de Roma, mais um entre nós.

 

 

Filipe Vaz Correia