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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Loures: O André E Os Ciganos...

 

Durante estes últimos dias André Ventura tem se desdobrado em explicar as suas afirmações sobre a comunidade Cigana em vários canais de televisão, desde o popular Você na TV, na TVI, até aos telejornais da cabo...

A polémica lançada pelas suas palavras, para alguns xenófobas, atira para a crista da onda o pequeno André, a sua veia mediática, o seu apetite pelas luzes toscas da popularidade.

A indignação reinante dos muitos que resolveram atacar André Ventura neste caso, soa a hipocrisia, a aproveitamento bacoco de um sentimento fácil e pouco esclarecedor...

O que disse André Ventura sobre a Comunidade Cigana, é ou não o que muitas das pessoas pensam?

É ou não, aquilo que em muitos casos acontece?

Muitos dos que o criticam neste caso, aceitariam ou imaginariam viver num daqueles bairros?

Estariam preparados para lidar com as consequências de uma clara impunidade, que estes gozam?

E as denuncias que André ventura fez acerca da discriminação sofrida pelas mulheres Ciganas, sob o jugo da chamada tradição?

Terá mentido?

Neste blog escrevi a minha opinião sobre o senhor em causa, sobre a minha completa discordância com quase tudo o que este senhor diz, da forma como o diz, do que pensa, no entanto, neste caso julgo que mais do que as suas palavras, convêm avaliar o problema...

Existe na realidade um problema de segurança, convivência, em certos lugares deste nosso país, entre a população comum e a comunidade Cigana, protegida por uma espécie de impunidade disfarçada de Democracia.

Disse aqui e escrevi que o meu problema com André Ventura não foram as suas palavras em relação a esta polémica mas sim tudo o que desse senhor já ouvi, ao longo do tempo...

O que ele representa como cata-vento político, ou seja, um anárquico ideológico capaz de tudo para representar as massas e diluir o verdadeiro sentido da palavra, política.

É populista?

É demagogo?

Sem dúvida nenhuma mas até um relógio parado acerta nas horas, duas vezes por dia.

Por essa razão, discuta-se o problema, debata-se a polémica e não se escondam as questões que certamente preocuparão muitas das pessoas que votam no Município de Loures, pois foi assim que Donald Trump chegou ao poder...

Iludindo as gentes com soluções impossíveis para problemas existentes, problemas esses que nenhum dos candidatos do main stream, quis sequer falar.

Depois não vale a pena dizer:

Como é que as pessoas votaram num tipo destes?

Talvez porque mais ninguém se dignou a ouvi-las.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Os Fogos, O País E As Gentes...

 

Poderemos continuar a assistir à destruição de aldeias, vidas, sonhos?

Ano após ano continuamos a ver, in loco, nas televisões deste nosso país, dramas e agruras, mortos e vivos, alguns que escapando das chamas desses infernos de verão, morrem também, juntamente com aqueles que seus deixam de ali estar presentes.

Noticias e parangonas, comentários e discussões, primeiras páginas e aberturas de telejornais, tudo se repete de ano para ano, de década para década, continuando a não fazer sentido, se é que alguma desgraça desta dimensão, pudesse fazer...

E o que muda?

O que se faz para que não se repita?

Quem assume as culpas?

Nada!

Nada!

Ninguém!

Esta dor explanada em cada imagem, em cada lágrima vertida no meio de tamanho ardor, por cada palavra soltada de revolta desses infelizes escolhidos pelo destino para viverem tal amargura, se corroí a alma deste País, se queima a crença num futuro melhor.

Como explicar a alguém que perdeu um filho, as falhas do Siresp?

Ou explicar a alguém que viu o trabalho de uma vida ruir, que o Estado não conseguiu chegar a tempo para proteger os seus bens, os mesmos que são pagos através de impostos chorudos...

Como explicar?

E os políticos repetem-se, insistem no mediatismo medíocre da demissão, mudando os Ministros, rodando os Partidos, mantendo-se apenas a demagogia de uns e a hipocrisia de outros.

E o que esperam as gentes?

Coisas simples...

Que não morram os seus filhos numa qualquer estrada, que não lhes ardam as casas, que não lhes fustiguem os animais, que não lhes cortem os sonhos, por entre esse intrínseco direito de se sentir seguro.

Fogos sempre existirão, tragédias sempre acompanharão a existência humana, nessa condição de mortalidade que sempre estará marcada em nós...

No entanto, talvez seja a hora, de fazer diferente e de o fazer sem negociatas pelo meio.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

O Estranho Caso De André Ventura...

 

André ventura é um homem dos mil ofícios, comenta na televisão casos criminais, processos judiciais, futebolísticos e agora tornou-se a cara política do PSD/CDS, na campanha autárquica à Câmara Municipal de Loures...

Tudo isto e mais alguma coisa sempre assente numa verdade coerente:

A sua ignorante demagogia.

Trata assuntos leves com hipocrisia e populismo, a mesma premissa, que usa para assuntos sérios ou graves, sempre alicerçado numa gigantesca ignorância muito característica deste tipo de personalidades.

O facto de André Ventura ser apenas isto mesmo, não é por si relevante, nem mesmo o facto de ser comentador da CMTV, tendo em conta os critérios " jornalísticos " daquele canal, no entanto, o mesmo não se poderá dizer do facto, de ser este o escolhido pela coligação PSD/CDS nestas eleições Autárquicas...

O que se terá passado com os Partidos da Direita Portuguesa para não apenas um, mas os dois, terem decidido apoiar uma personagem destas?

Citando Francisco Mendes da Silva:

" Não há nada que André Ventura diga, que eu não considere profundamente errado, ligeiro, fruto da ignorância e de um populismo gratuito ou eleitoralista."

Não poderia estar mais de acordo, meu caro Francisco...

O receio de todos aqueles que representam uma certa direita em Portugal, Conservadores, Sociais Democratas, Liberais ou Democratas Cristãos é a colagem deste tipo de gente aos Partidos que supostamente nos representam e que cada vez mais, se encontram minados por uma espécie de Trumpistas acéfalos.

Por todas estas razões, tenho uma secreta esperança, que estas eleições e os seus resultados possa trazer uma imensa mudança na Direita Portuguesa, nas suas escolhas e na busca pelo mérito dos nossos representantes, que há muito deixou de ser critério para a escolha dos candidatos...

Pois se existisse esse critério, essa procura pela qualidade, não estaríamos a discutir este estranho caso de André Ventura.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

António Costa: O Camaleão...

 

Podemos discutir a governação do País, o rumo mais esquerdista da Geringonça, a surpresa ou deceção inerente a este novo destino político que nos governa há um ano e meio...

Podemos falar sobre tudo isso, no entanto, de uma coisa não poderemos fugir:

O estranho carácter de António Costa.

Há algum tempo que me interrogo sobre esse lado importante deste homem que dirige os destinos da Nação, desse pedaço fundamental de um Primeiro-Ministro...

O carácter.

Penso que ninguém negará que Pedro Passos Coelho é uma pessoa coerente com os seus princípios, apesar de politicamente ser constantemente infeliz, inapto do ponto de vista da liderança, do carisma...

António Costa, no entanto, é para mim uma interrogação, hábil politicamente, perspicaz na forma como passa por entre os perigos impopulares, que sempre envolvem quem sobrevive anos sem fim, na ribalta do panorama político Português.

Recordo bem quando José Sócrates esteve preso, durante aqueles longos dias de um ano e da única visita daquele amigo de uma vida, chamado António Costa...

Saindo do Estabelecimento Prisional de Évora, por volta do Ano Novo, a data ideal para que ninguém se apercebesse da sua visita, o atual Primeiro-Ministro expressou em parcas palavras o seu apoio àquele amigo:

- Ele, José Sócrates, está convicto da sua verdade!

Para expressar esta frase, mais valia não o ter visitado...

Numa espécie de encontro envergonhado, talvez uma tentativa de  não correr o risco de ser castigado nas eleições que se aproximavam...

Que belo amigo!

Tempos depois, a sorrateira maneira como após perder as eleições legislativas, chega ao poder, relegando para trás das costas a demissão digna, agarrando-se a uma aliança contra-natura para sobreviver.

E chegamos então a Pedrogão Grande, por onde passou algumas horas, deixando a Ministra Constança Urbano de Sousa entregue à sua sorte, demonstrando certamente fraquezas, soltando indiscutivelmente lágrimas, no entanto, tendo certamente a coragem de lá ter estado, políticamente sozinha, ininterruptamente, constantemente...

Não deveria o Senhor Primeiro-Ministro, ter ali estado ao seu lado?

António Costa é de facto um político experiente e talvez seja por isso mesmo que usa esta espécie de cobardia política, para por vezes se proteger...

Em Tancos esta evidência torna-se ainda mais flagrante, com o Primeiro Ministro, partindo de férias, ausente, distante da polémica, deixando a arder Ministro e Chefes Militares.

Salvam-se assim o deficit, o ambiente sorridente no País, os abraços e afagos Presidenciais...

Pelo meio sobra o camaleão Costa, escapando sempre por entre as dificuldades de cada crise, em cada momento difícil, com a sua imensa capacidade política mas com muito pouco carácter.

O pior é que do outro lado da barricada, PSD e CDS, as soluções são muito fraquinhas, pelo menos, por agora...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Outlet: Em Tancos É Mais Barato...

 

A sério?

Buracos na rede??????

Câmaras de vigilância avariadas há dois anos???????

Horas a fio, sem rondas efectuadas por militares aos paióis de armamento???????

Na realidade, este é talvez um dos acontecimentos mais graves que aconteceram nos últimos anos em Portugal, com repercussões absolutamente desconhecidas neste mundo atual em que hoje nos encontramos.

Como poderemos garantir que este material militar não possa cair em mãos terroristas e ser utilizado num atentado qualquer, por essa Europa a fora?

Ainda para mais quando jornais Espanhóis garantem que o número de armas roubadas em Tancos, ultrapassou em muito, aquele que foi inicialmente avançado pelas estruturas do exército...

O que fica desta história não é apenas a imensa vergonha inerente à incompetência espelhada pela dimensão deste roubo, é também a confirmação absoluta da incapacidade do Estado para gerir a segurança dos seus cidadãos.

Muitos dirão que este facto foi provocado pelos cortes efetuados nos últimos anos nas forças militares Portuguesas e eu até o posso aceitar, mas ao mesmo tempo, custa um pouco aceitar que com tamanhos cortes de sucessivos Governos, ninguém na hierarquia militar tenha sentido a necessidade de alertar para o estado em que se encontrava o nosso exército, ou seja, sem condições para garantir a segurança do seu próprio armamento.

Se não conseguimos guardar uns paióis de armas, o que dizer do resto.

Os políticos continuarão o seu trabalho, cavalgando noticias mediáticas, abrindo os telejornais e rasgando as suas vestes diante dos espetadores, numa tentativa de conquistar a opinião pública, no entanto, antevejo o mesmo resultado de sempre...

Nada!

Assim ficamos todos a saber que em Tancos, o quilo de armamento é o mais barato da Europa...

É de borla!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Pity Martinez: Um Poeta No Futebol...

 

Esta noite a comunicação social Argentina e também alguns media Portugueses estão a dar como certa a contratação de Pity pelo Sporting, pagando o clube leonino, o valor mais elevado da sua história por um jogador de futebol:

16 milhões de euros...

Talvez se venha a revelar uma compra barata, pois estamos perante um jogador genial, um dos que mais me surpreendeu nos últimos anos no futebol Sul Americano.

Recordo-me bem da primeira vez que vi o pequeno Pity campo, num tridente ofensivo com outros dois jovens jogadores do River Plate, de seu nome Lucas Alarios e o endiabrado Driussi, apoiados por um oito impressionante, Ignácio Fernandez...

Pity Martinez é na sua alma um dez canhoto, um pequeno poeta que pode e deve jogar descaído pela esquerda, liberto, buscando através de diagonais os desequilíbrios que apenas um novo Ariel Ortega poderia conseguir.

Recordo-me a primeira revienga que lhe vi fazer, a primeira finta que me espantou, o primeiro deslumbramento que me provocou...

No meio de tantos possíveis reforços, este nome a ser verdade, resgata o Sporting para tempos que apesar de distantes me continuam a fazer sorrir, regressando às bancadas do velhinho Estádio de Alvalade.

Pity é um Balakov, com mais velocidade, com o mesmo encanto pela bola e o mesmo encantamento desta por ele, sempre entrelaçado por uma espécie de romantismo, poético, num verso acelerado, correndo sozinho numa vontade de destronar o mundo, com o seu atrevido talento puro.

Posso aqui cometer um erro tremendo mas arriscaria dizer que nunca o Futebol Português, nos último anos, conheceu um jogador desta qualidade, com esta magia aprisionada aos seus pés...

Inerente à sua alma.

Talvez Deco pudesse ser comparado, mas perdoem-me o sacrilégio...

Deco era muito lento, para ser comparado ao talento do menino Martinez.

Que sejas bem-vindo, Gonzalo Pity Martinez...

O Ariel Ortega dos tempos modernos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Os Traficantes, Os Ex-Corruptos, Os Bruxos e O Boçal! Alegadamente...

 

O futebol Português continua amarrado a esta mistura de polémica desencontrada e boçalidade despudorada...

Nestes tempos marcados por emails e bruxarias, vemos em todas as televisões as virgens ofendidas de outrora transformadas em defensores amorais das recentes revelações e os antigos corruptos do apito dourado transformados em inquisidores dos tempos modernos...

Pelo meio encontramos a boçalidade verbalizada pela voz do líder Leonino, em cada afirmação, a cada aparição, em cada ironia lançada por este, sempre roçando a inerente deselegância.

É nisto que está transformado o futebol Português.

Como pode um adepto confiar que o jogo se resolve dentro das quatro linhas?

Como poderemos crer que o apito quando soa, traz consigo o juízo independente daquele que ali está, pago, para trazer credibilidade ao jogo?

As palavras de Luís Filipe Vieira num jantar com Deputados da República, numa espécie de cortina de fumo, demonstram uma certa impunidade ou alucinação que parece ter invadido os dirigentes encarnados, talvez acreditando que mesmo com estas revelações nada lhes acontecerá...

Talvez possam ter razão do ponto de vista Jurídico, até do ponto de vista desportivo, no entanto, do ponto de vista da perceção pública, dos adeptos e agentes que gravitam à volta deste negócio, nada poderá mudar a imagem enlameada que neste momento envolve o Benfica.

Esta verdade, por muito que a queiram negar, é indesmentível e trará de uma maneira ou de outra consequências para o SLB...

Nada nem ninguém os irá ver da mesma forma, nem adeptos, nem árbitros, nem mesmo os próprios, sem que por um instante, a cada vitória, a cada penalty marcado, essa dúvida se instale:

Será que este recebeu um email?

Um voucher?

Ou será que foi o bruxo?

Do outro lado permanecerá Jorge Nuno Pinto da Costa sorrindo, calado, enviando o seu Diretor de Comunicação, para depenar o rival na praça pública, braseando a Águia com os seus próprios pecados e trafulhices.

E no fim para a parte brejeira, lá poderemos sempre contar com o Presidente do Sporting, por entre um casamento ou um discurso, por entre uma asneirola ou uma baforada de fumo...

Sempre truculento e acima de tudo boçal.

Assim vai ALEGADAMENTE o futebol Português...

 

No final, por favor, apaguem tudo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

E Por Falar Em Suicídio...

 

A decadência de um político é muitas vezes confrangedora, muito mais nesta época mediática em que nos encontramos, no entanto, aquilo que ontem se passou com Pedro Passos Coelho, líder do PSD, vai muito para além deste nível...

O que fez o actual líder do PSD é nada mais do que o ultrapassar de todos os parâmetros da indigência humana, numa flagrante utilização de uma catástrofe para disputa política, comportando-se de maneira reles e deplorável.

Mesmo que na verdade, algumas pessoas tivessem se suicidado em consequência desta tragédia, muitas delas familiares, decorrente do incêndio de Pedrogão Grande, seria mesmo assim muito discutível, a utilização deste drama no contexto do combate político e na busca de obtenção de dividendos públicos com isso, no entanto, tendo em conta que o anterior Primeiro Ministro nem sequer se deu ao trabalho de verificar a informação, o seu gesto tornou-se ainda mais irresponsável...

O facto de a noticia ser falsa e baseada num rumor contada por um verme qualquer, por sinal seu correligionário, demonstra apenas o desnorte e o desespero em que se encontra o actual líder da oposição, mostrando também a falta de dignidade e de carácter que norteiam o seu pensamento.

Como pode alguém trazer para a praça publica este tipo de argumentação, sem que esta tenha de ser analisada com os critérios de um oportunista medíocre?

O pedido de desculpas que Passos Coelho mais tarde se viu obrigado a fazer, é curto, pequeno demais para o acto abjecto que cometeu, sendo também um sinal de que no meio de toda esta história, existiu mesmo um suicídio...

O seu.

Se porventura alguém tinha dúvidas, deixou de ter...

Pedro Passos Coelho, morreu politicamente.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Pedrógão: As Lágrimas De Portugal...

 

 

 

Chovem lágrimas em forma de labaredas,

Gritos que ardem silenciados,

Rostos carregando as tristezas,

De pesadelos amargurados...

 

Nuvens impregnadas de terror,

Fumo que envolve sem parar,

Vidas que se escapam num ardor,

Num instante a flagelar...

 

Poeirentos pedaços de história,

Esvoaçando através do vento,

Trazendo na memória,

Tantas mortes e sofrimento...

 

E nas ruas de Pedrógão,

Nesses caminhos de Portugal,

Vai chorando o coração,

Deste povo sem igual...

 

Vai chorando,

Vai rezando,

Vai continuando a lutar.

 

 

Isto Às Vezes, Não Faz mesmo Sentido...

 

Ainda não consigo compreender como foi possível tamanha tragédia, como num instante tantas vidas foram roubadas, tantas famílias foram destruídas, tamanha tristeza tomou conta deste nosso País...

Ao ver as imagens que nos chegam através das televisões, em reportagens algumas delas a roçar a invasão da dor e privacidade daqueles que neste instante sofrem, não consigo parar de me questionar:

Poderá isto fazer sentido?

Que ensinamento poderemos nós retirar, de tamanha tragédia?

As histórias ali contadas, o desespero incutido nelas e nos rostos daqueles que ali encontram a dúvida e a incerteza do que perderam, é deveras demolidor para quem como eu assiste atónito, sem saber o que  escrever ou como imaginar aquele maldito inferno...

As emoções descontroladas, os silêncios diante da grandeza daquelas labaredas, daquele vermelhão que irrompe noite dentro, ceifando vidas, almas, recolhendo por entre os gritos os sonhos que certamente muitos ansiavam ainda cumprir.

Tanta imponência, incontrolada demência num quadro de terror...

É por isso que por vezes parece não fazer sentido.

É por isso que às vezes temos que procurar bem fundo, no interior da nossa alma para poder acreditar que em algum momento, fará sentido tamanha crueldade, tamanha dor num destino incompreensível.

Infelizmente o nome de Pedrogão jamais será esquecido por todos nós e com ele esta maldita recordação dos muitos que desapareceram.

 

 

Filipe Vaz Correia