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Caneca de Letras

Caneca de Letras

A Madrinha Do Professor Marcelo!

 

Nunca pensei escrever isto:

Não lhe admito, Professor Marcelo!

Era o que faltava que falasse em meu nome num assunto desta sensibilidade, num misto de gravidade intrínseca do Ser versus a incredibilidade do pensamento, que se arrepia ao ouvir tais palavras.

Estava eu tranquilo da vida, num apoio intenso ao meu Presidente da República, numa admiração quase perfeita, de um reencontro com aquela Direita a que pertenço, quando sou confrontado com este gigantesco insulto:

"Maria Cavaco Silva é há mais de vinte anos, a Madrinha de todos os Portugueses."

Palavras ditas pelo actual Presidente da República e que me provocam uma imensa vontade de gritar:

Não!

Minha madrinha não é!

Eu permito que o Professor Marcelo enquanto Presidente de República, fale por mim nos mais variadíssimos assuntos, sejam eles a Soberania da Nação, a União Europeia, a influência de Portugal no mundo, se devemos ou não sair do Euro, se deveremos ou não invadir Marrocos...

Aceito tudo isso com gosto mas neste caso, com esta gravidade, nem pensar.

Aquela parolice, própria da Senhora em questão, sempre me irritou, aquele género omnipresente abanando a cabeça atrás do seu legitimo Esposo...

Abomino a palavra Esposo, mas não resisti, pois considero a neste caso, bem apropriada.

É Esposo, sim senhor!

Tudo em Maria Cavaco Silva me causa uma certa irritação, por isso pela primeira vez, desde há muito tempo, discordo imensamente do Professor Marcelo...

A quem com tanto carinho, chamo:

O meu Presidente da República.

Por fim, de todas as anteriores Primeiras-Damas, eleger Maria Cavaco Silva como Madrinha dos Portugueses, é no mínimo ridículo, pois mesmo que o critério seja o facto de estar viva, graças a Deus, ainda temos outra Primeira-Dama entre nós:

Manuela Eanes.

E convenhamos, neste caso, seria um  privilégio.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Até Os Mortos Quiseram Ir À Web Summit!

 

A Web Summit marcou por estes dias, de maneira indelével, os discursos e as conversas, os media e as redes sociais, com uma agitação inerente a um evento desta dimensão.

Muitos resolveram cravar as suas parolas garras, não compreendendo um evento que através dos seus intervenientes, com palestras futuristas entre Humanos e Robôs ou através de temas importantes e decisivos, como as alterações climáticas ou as fake news, justificavam a tão destacada cobertura, assim como o excitamento sentido na Capital Portuguesa.

No entanto, como se isso não bastasse, até os mortos se quiseram juntar...

Não estamos a falar de mortos.

Estamos a falar de Mortos!

Mortos com letra grande, porque são os maiores da Nação, ou melhor alguns dos maiores, pois nem todos os maiores se encontram lá e nem todos os que por lá se encontram, são os maiores.

Bem...

Esta contestação boçalizada em torno de um jantar, é na minha modesta opinião, um certo egoísmo da parte de alguns hipócritas vivos, querendo retirar aos Mortos, mais uma vez com letra grande, o reencontro com alguns dos seus esquecidos gostos.

Eu se por acaso, tivesse o privilegio de ser um dos maiores, que não sou, nem serei, e estivesse ali no Panteão...

Esperem lá, para estar no Panteão, teria de morrer...

Lagarto, Lagarto, Lagarto!

Bem, se ali estivesse com Sophia, Garret, João de Deus, Carmona ou Aquilino, nada me faria mais sentido, do que este repasto, aos pés da minha tumba...

Ali perto.

Poder a minha triste alma,  sentir o rebuliço das gentes, apresentadas e aperaltadas, misturadas com o cheiro das carnes ou o tempero dos peixes, o cair do vinho, o evaporar de um copo de Whisky...

Como desejaria, mesmo tendo partido há muito, que me deixassem, de certa forma, participar nesta festa da Web Summit.

E atenção, que todos estes Mortos participaram como Voluntários, pois a renda do aluguer do espaço, vai certamente para os cofres do Estado, logo, para um sem fim de gastos Orçamentais.

Para terminar, meus caros amigos, dizer apenas que como é evidente estou a brincar um pouco com a situação, insólita e descabida, não venha por ai a Isabel Moreira aos saltos, gritando ao vento que aqui no Caneca de Letras, não se tem respeito pelos maiores da Nação.

Sou contra jantares no Panteão Nacional, pelo local em si, assim como sou contra qualquer tipo de aluguer deste espaço...

Considero que de todos os Monumentos Nacionais, que fazem parte dessa lista para aluguer e rentabilização, estes que servem de última morada,  para os nossos supostos Heróis, devem ser preservados a este tipo de negócio.

Posto isto, direi que tão culpado é o imbecil que se lembrou de incluir o Panteão Nacional nesta listagem, salvaguarde esta ou não, a possibilidade de rejeição por parte do Estado, como são incompetentes aqueles que após dois anos à frente de um Governo, ainda evocam a imbecilidade dos seus antecessores, para justificar a sua própria incompetência.

Os únicos que podem aqui ser ilibados, são os Mortos e o Paddy, sendo que este último até já pediu desculpa, por algo que na verdade, não tem culpa alguma.

E assim, até para o ano Web Summit, para mais um mundo de oportunidades e de criticas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Gal Costa...

 

Tenho a Gal Costa a cantar perto de mim, muito perto de mim...

Não consegui ir ao concerto desta cantora, que invade as minhas memorias, as memorias daqueles que um dia me pertenceram, as memorias daqueles que desconhecendo, um dia me pertencerão.

Gal é tudo isso e muito mais.

Gal é Brasil e Portugal, Lusofonia e tempestade, sonho e intemporalidade, harmonia e desafio...

É um pedaço de Caetano e Bethânia, é parte de Simone e Jobim, é Vinicius e Drummond.

Gal Costa é Cazuza se despedindo das areias de Copacabana, é favela no Leblon ou o  Maracanã no calçadão...

Gal Costa é aquela voz que abraça o Brasil e o liberta pelo mundo, é o vento que esvoaçando se recorda do Lusitano grito, de seus Avós.

Tem no sangue esse Brasil intemporal, esse eterno Portugal, esse mar, essa chuva, esse oceano sem fim.

Tenho a Gal Costa a cantar perto de mim, muito perto de mim...

E o meu coração, timidamente, não pára de suspirar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Tenham Lá Santa Paciência!

 

Tenham lá Santa Paciência...

É o que me apraz dizer, depois de ler esta polémica levantada pelas palavras do Líder da Juventude Popular, Francisco Rodrigues dos Santos.

As palavras que este jovem escreveu, nas suas redes sociais, foram:

" O karma vingou-se. Urban foi barrado de Lisboa, por um tipo moreno e de ascendência Indiana"

Convenhamos que não ferem ninguém, que a piada tem sentido, e que em momento algum, se pode daqui retirar algum tipo de racismo...

Antes pelo contrário, daqui aferimos alguma ironia para com o destino daqueles que durante anos tiveram fama de barrar a entrada de pessoas, das mais variadas etnias naquele espaço.

Gostei.

O que se passa a seguir, é que me deixa estupefacto. 

Parece que algumas pessoas invadiram a página do Facebook do Francisco Rodrigues dos Santos, para o acusar de racismo, entre elas a sempre irrequieta Isabel Moreira...

Aí que falta de sentido de humor, minha querida Isabel.

O Líder da Juventude Popular, viu-se obrigado a publicar um esclarecimento ou uma adenda ao seu anterior comentário, para explicar aos mais distraídos de que se tratava de uma graça, uma forma de humor para satirizar o encerramento daquele espaço, que há anos acumulava queixas de racismo e violência.

Por vezes o politicamente correcto, tolda a visão de algumas pessoas, não conseguindo destrinçar uma graça, com graça, de um comentário racista.

Uma coisa é racismo, outra é complexo de inferioridade...

Não é impossível brincar com a cor das pessoas, com a região onde nascem, com o clube a que pertencem ou com a religião que professam...

Desde que seja com inteligência e graça, não vejo mal algum.

O que o Francisco fez, foi algo deste género, sem maldade e num momento pertinente.

Por isso tenham Santa Paciência e deixem-se de moralismos bacocos.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Rei Patrício...

 

O Sporting ontem saiu de Vila do Conde com uma vitória ao invés de uma derrota, porque na sua baliza está um dos três melhores guarda-redes da actualidade...

Sempre gostei do Rui Patrício, muitas foram as discussões nas bancadas do Estádio José de Alvalade, por não aceitar o chorrilho de criticas e assobios, com que os Sportinguistas habitualmente brindavam o seu jovem guarda-redes.

Fico feliz de ver como se transformou aquele menino, forte mentalmente, capaz de ultrapassar as dores de crescimento de um jovem atleta, cheio de talento.

Ontem Patrício, como já vez muitas vezes, mudou o rumo de um jogo, reescreveu à sua maneira, a história de uma partida ganha com imensa dedicação.

É um privilégio ter um jogador assim na baliza, atingindo nesta altura da sua carreira, um patamar de excelência ao alcance de poucos.

Muitas vezes oiço dizer, que o Sporting muito deve a JJ ou a Bruno de Carvalho...

A sério?

Na minha opinião, é a jogadores como Rui Patrício, com a sua dedicação, qualidade, entrega e amor ao clube, que eu como adepto, muito devo.

Já agora, se o Rui está onde está, duas pessoas não poderão ser esquecidas:

Aurélio Pereira e Paulo Bento.

É apenas para se fazer justiça, não vá um dia destes, alguém se lembrar de dizer que se não fosse ele...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Ficaram Chocados?

 

A sério?

Ficaram chocados?

E o que temos nós, País, a ver com isso?

Vou passar a explicar o que, verdadeiramente, me chocou:

O número de mortos nos incêndios, deste País...

A falta de resposta de uma estrutura impreparada para combater e salvaguardar as pessoas...

O imenso desespero estampado no rosto, daqueles que desprotegidos viam as suas vidas ruir...

O sentimento de incapacidade dos nossos Bombeiros, desprovidos de armas, para esse combate tão desigual...

As palavras, absolutamente inenarráveis, do Senhor Primeiro-Ministro...

O tempo que decorreu entre Pedrógão e estes fogos, sem que nada tivesse sido feito...

Bem, estas são algumas das coisas que me deixaram mais do que chocado, absolutamente horrorizado...

Já as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, muito sinceramente, pareceram-me bem.

Muito bem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

O Regresso De Babush...

 

Babush está de volta, regressando com os seus sorrisos, depois da imensa tempestade, provocada pelo seu outro eu,  António Costa...

Babush estava então escondido, receando a chegada do sisudo António, seu lado impaciente, arrogantemente desagradado, zangado, e que a generalidade dos Portugueses, ainda, desconheciam.

O que o insensível Costa não esperava, era que a maioria dos Portugueses emocionados com a tragédia dos incêndios, se insurgissem com tamanha insensibilidade e que com a ajuda do afectuoso Presidente Marcelo, desfizessem num grito revoltado, as suas certezas.

Costa tremeu...

A Geringonça abanou...

E regressou Babush.

Babush é o termo carinhoso, segundo o próprio, como a Mãe, os Filhos, os Sobrinhos e alguns Amigos o tratam, e a quem, certamente, o desesperado António pediu ajuda.

Neste dia de entrega de casas em Pedrogão, juntamente com o Autarca da região, lá estava Babush, sorridente, tentando apagar a imagem, daquele homem frio, naquela fria madrugada, em que o António estarreceu o País.

Agora voltámos a ter o simpático Babush...

Porque será?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Filipe vaz Correia 

Ronaldo e Maradona Ou Hércules e Zeus...

 

Ver Cristiano Ronaldo receber o prémio de melhor jogador do mundo, FIFA, das mãos de "El Pibe", é para mim o divino encerrar de um destino, um reencontro no Olimpo do Futebol, dos seus mais dignos representantes:

Zeus e Hércules...

Maradona e Cristiano Ronaldo.

Nada nem ninguém me impressionou tanto dentro de um relvado, como Diego Maradona, iluminando o espanto do meu coração, apreendendo a minha imberbe alma, pelos esquecidos anos de 1986.

Foi nesse distante tempo, que pela primeira vez vi jogar Maradona, no Mundial do México, tinha eu 9 anos e a minha vida nunca mais foi a mesma...

Durante dias sonhei com aquele golo marcado contra a Inglaterra, o que fintou todos os adversários, com o golo contra a Itália ou a Bélgica, em qualquer um deles desafiando a gravidade, ou o livre magistral contra a Coreia do Sul.

Maradona vezes sem conta, ganhou este imenso amor que até aos dias de hoje tenho comigo, em Nápoles, no Itália 90, em 94, em tantos e tantos momentos.

Nunca mais existirá outro jogador que me aprisione, me surpreenda da mesma maneira, talvez porque a infância confere aos momentos um significado mágico, que a idade adulta relativiza, desmistifica...

Estava em Alvalade, no dia 6 de Agosto de 2003, no ùltimo jogo de Cristiano Ronaldo pelo meu Sporting, numa despedida que ainda magoa, se torna difícil, tendo em conta o mágico percurso do imenso atleta, no entanto, ao longo dos anos, a dimensão do seu jogo, a capacidade de ir mais além, desbravar o horizonte longínquo jamais imaginado, trazem CR7 para um patamar no meu coração, a que apenas Diego Maradona pode ambicionar.

Ronaldo tem a seu favor o ser Português, a alma leonina, e essa desmedida admiração pelo esforço colocado em prol do talento, o trabalho a elevar e potenciar o jeito intrínseco.

Essa capacidade diferencia Ronaldo dos demais e apenas deve servir para o dignificar.

Maradona é talento, apenas isso, Ronaldo é tudo o resto...

E os restantes craques, que tantos nomeiam, no meu coração não existem, pois apenas existe espaço para Ronaldo e "El Pibe".

Para Zeus e Hércules.

 

 

Filipe Vaz Correia

Rui Rio VS Menino Guerreiro...

 

Rui Rio rejeitou o desafio de Santana Lopes, ou seja, 20 debates por esse País a fora.

Rio tem de se manter firme, tem de se distanciar dessa espécie de Reality-Show, com o qual Santana está familiarizado, a essa espécie de superficialidade inerente ao eterno candidato.

Rui Rio é um homem habituado a um certo tipo de certezas, de convicções pouco coniventes com as ventosas emoções a que nos habituou, ao longo dos tempos, Santana Lopes.

Digo uma vez mais:

Santana Lopes foi o meu ídolo político da adolescência, um agitador irrequieto que preenchia a minha destemperada ambição pueril, no entanto, tantas foram as vezes, os locais, os lugares, os momentos, onde Santana foi Santana, onde a ilusão se tornou desilusão.

O maior trunfo de Rui Rio não é o Partido, é o País... 

Esse País que acredita na sua personagem política, sendo essa uma das razões para que o ex-Autarca do Porto, não se deixe arrastar para o campo sensacionalista, tipo CMTV, que já faz parte de Santana.

Rio é outro género, tem outro perfil, está habituado a outro tipo de padrão...

Como apoiante de Rui Rio, a única coisa que lhe peço é:

Não ceda ao circo mediático, do menino guerreiro. 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Mea Culpa...

 

Mea culpa, foi uma das primeiras expressões que aprendi em Latim:

Mea culpa, mea culpa, mea máxima culpa...

Frase que era obrigado a repetir, sempre que era apanhado em alguma traquinice.

Que saudades da minha querida Professora Jesuína.

Esta introdução serve para vos guiar, até ao sentimento que tomou conta da minha consciência, depois do jogo do meu querido Sporting...

Como todos os que andam aqui pelo Caneca sabem, não gosto do jovem Piccini, lateral direito fétiche de Jorge jesus, e que de elogio em elogio, continua coleccionando a minha imensa irritação.

Não conseguia compreender como poderia o Sporting ter contratado um lateral que raramente cruza, um jogador que constantemente erra no processo ofensivo, que facilmente desequilibra no processo defensivo, com erros sucessivos, sucessivamente desinspirado.

Explicada que fica a minha opinião sobre a personagem, tenho de aqui fazer o meu Mea Culpa, profundamente inebriado pelo deslumbramento sentido nas bancadas de Alvalade, pela surpresa indescritível de um lateral que desconhecia.

Teria razão, Jesus?

Ainda não estou convencido, no entanto, talvez embalado pela estrondosa vitória sobre o Desportivo de Chaves, quero aqui deixar estas palavras que jamais pensei escrever:

Piccini fez um grande jogo, irrequieto e desequilibrador ofensivamente, perfeito e determinante a defender, uma exibição de imensa qualidade.

Meu Deus...

O meu acto de contrição está feito, acompanhado por uma exibição de grande nível do SCP, regressando assim, a esperança leonina a Alvalade.

 

 

Filipe Vaz Correia