Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Fait Attention, Macron!

 

As eleições Francesas, presidenciais e legislativas, deixaram no ar uma sensação de euforia, de esperança, nesse tornado político que se abateu sobre França, de seu nome Emmanuel Macron.

Essa esperança foi desde a primeira hora, uma derradeira oportunidade dada pelos Franceses a um político que ameaçava reajustar o panorama democrático Francês...

Ajustar pelo lado Humano da coisa, dando esperança ao invés de agressividade, dando luz ao invés da penumbra ameaçadora, fazendo acreditar ao invés de odiar.

Esse lado de Macron uniu os cidadãos, deu-lhes aquela vontade de votar em alguém novo, que trazia consigo essa inevitável expectativa por um futuro melhor.

No entanto passados estes meses, as sondagens atribuem a Emmanuel Macron taxas de popularidade abaixo daquelas que tinha François Hollande...

Incroyable!

É aqui que se deve concentrar o Presidente Francês, neste sinal que ameaça reduzir o projecto que tanta esperança alimentou por toda a Europa, numa triste recordação de um estrondoso fracasso.

Esse receio que chega, com Macron perdido em debates estéreis e de pouca importância, como por exemplo o lugar que deve ocupar a sua mulher no Eliseu, ao invés de olhar genuinamente, como aliás prometeu, para aquilo que tanto perturba a vida de cada um dos seus cidadãos.

Macron deve intervir na Europa, deve preocupar-se em reestruturar o sistema fiscal e económico Francês, deve revolucionar o papel da industria Francesa, deve de forma inadiavel olhar para os níveis de desemprego que esventram o âmago da sociedade Gaulesa...

Deve enfim, procurar respostas para as tamanhas dúvidas e inseguranças que atormentam os jovens do seu País.

Só assim, cumprindo o que prometeu, sem deslizes ou hipocrisias, é que Emmanuel Macron não decepcionará aqueles que lhe entregaram tamanho poder, no Eliseu e no parlamento, para que daqui a quatro anos não estejamos todos a dizer, que Le Pen venceu mesmo.

Por essa razão, escrevo:

Fait Attention, Monsieur Emmanuel Macron!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Maduro E Ceausescu: A Repetição Da História?

 

Continuo a escrever sobre a Venezuela, sobre o drama indescritível vivido por aquelas gentes, que se encontram ali aprisionadas, num misto de desespero aglutinador e de estupidez humana.

Olhando para esta realidade não é possível retirar deste contexto, o papel decisivo de um homem menor, o Presidente Nicolas Maduro.

Sempre que vejo noticias desse longínquo País, por tradição repleto de descendentes Lusitanos, não consigo deixar de me lembrar de Nicolae Ceausescu...

As semelhanças entre ambos são imensas, intelectualmente e até ideologicamente, sendo que acredito que o desfecho desta história poderá ser, também ele, igual.

A América Latina e o Mundo têm um vasto historial de ditadores, de regimes totalitários, durante longos anos, no anterior século e no atual, no entanto,  ditadores como Maduro e Ceauscescu, são unidos e legitimados pela sua própria ignorância, assim como, pela esperança daqueles que fazendo parte dos excluídos, em algum momento, acreditaram que essa ausência de cultura poderia significar simplicidade.

A Roménia Comunista era um País entregue a um homem, num regime desconexo e dependente desta família dominante, que moldou a vida e os comportamentos de tantas e tantas gerações.

Com os militares do seu lado, o Regime de Ceausescu ditou durante décadas as linhas com que se escreveria a História daquele povo, subjugados às experiências inacreditáveis de Nicolae e Helena, sua mulher...

Helena Ceausescu, praticamente analfabeta, teve em suas mãos durante anos a parte educacional e cientifica daquele País, sendo galardoada com louvores universitários e galões literários, em virtude de teses escritas por outros mas assinadas por si.

É aqui que me recordo de Nicolas Maduro, com o seu papel de Comandante, de líder supremo, meio entrelaçado com aquela genuína boçalidade com que expressa a loucura, que mora no seu miserabilista cérebro...

Mora sozinho no meio daquele palanque de onde discursa, naqueles monólogos ziguezagueantes, num desespero desconcertado que levará a Venezuela para um abismo, cada vez mais real.

Ceausescu tombou num dia de festa, num regresso a casa depois de uma visita de estado, na varanda de um dos seus palácios, diante de uma multidão...

As gentes vaiaram-no pela primeira vez, provocando espanto, estampado naquele seu olhar vazio, avançaram ao seu encontro e os militares que sempre o haviam apoiado, afastaram-se, abandonaram o pequeno ditador à sua sorte.

Ainda tentou fugir mas foi capturado ao lado da sua mulher, numa estrada perdida no meio de uma zona rural, onde pouco tempo depois foram executados, por entre gritos dilacerantes de Helena Ceausescu, não acreditando que aqueles homens seriam capazes de assassinar a sua "Mãe".

Era assim que se via...

Era desta maneira que a sua tortuosa mente acreditava ser vista, por todos os Romenos.

Nicolas Maduro, posso estar enganado, encontrará no meio de um discurso, no auge de um delírio, o julgamento popular que ele julgará impossível.

E assim, no meio destas semelhanças, por entre a loucura iletrada ou através da alucinação ignorante encontrada nestes dois homens, que talvez se possa vislumbrar a repetição de uma história...

E o fim do martírio de um povo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

América: A Implosão de Donald Trump!

 

Donald Trump chegou à Casa Branca anunciando um tempo novo, carregado de felicidade, de mirificas ilusões que transformariam, eternamente, o futuro da América.

Milhares de tweets depois, fica apenas esse chorrilho de afirmações, vagas, incompletas, imprecisas, na imprecisão característica dos incapazes, buscando inimigos, culpados para os seus sucessivos fracassos...

Desde a primeira hora se percebeu o inconstante caminho desta Administração, o errante pensamento sobre o País e o Mundo, sobre a geopolítica e os seus principais intervenientes, acima de tudo, sobre o papel que os Estados Unidos detinham na História.

A polémica com os Russos, o envolvimento destes na campanha Trump, desgastou e desgasta a Administração Americana, principalmente o seu Presidente, continuando este a negar as consequências que certamente acabarão por chegar, a todos os níveis do País:

Militar, económico, industrial e até ambiental.

Em todos estes planos, o papel de Trump é catastrófico, desastroso, impelindo o rumo dos Estrados Unidos para um abismo sem precedentes, denunciado pela sua baixa taxa de popularidade, reveladora do espírito com que muitos Norte-Americanos, olham para este erro de casting Presidencial.

Donald Trump vira-se agora para os seus, para aqueles que constituem o seu Staff, perdendo-se em demissões, em explicações, em deserções...

As novas escolhas tornam-se repelentes à primeira entrevista, à primeira gaffe, aos primeiros sinais de inadaptação, para os cargos por ele indicados.

É um caos descontrolado aquele que se vive, no interior da Casa Branca, nesta Administração perdida por entre os seus segredos, os seus degredos, as suas próprias ignorâncias...

E como são muitas.

Assim se assiste à degradação inevitável de uma personagem que sempre demonstrou a sua fraca qualificação para o cargo, apenas não se sabia, a dimensão da palavra inqualificado...

Esperemos então, que os Republicanos compreendam que depende deles a normalização da vida política Americana, resgatando os seus valores e princípios.

John Mccain, é um bom exemplo disso mesmo.

Para bem de todos nós.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Loures: O André E Os Ciganos...

 

Durante estes últimos dias André Ventura tem se desdobrado em explicar as suas afirmações sobre a comunidade Cigana em vários canais de televisão, desde o popular Você na TV, na TVI, até aos telejornais da cabo...

A polémica lançada pelas suas palavras, para alguns xenófobas, atira para a crista da onda o pequeno André, a sua veia mediática, o seu apetite pelas luzes toscas da popularidade.

A indignação reinante dos muitos que resolveram atacar André Ventura neste caso, soa a hipocrisia, a aproveitamento bacoco de um sentimento fácil e pouco esclarecedor...

O que disse André Ventura sobre a Comunidade Cigana, é ou não o que muitas das pessoas pensam?

É ou não, aquilo que em muitos casos acontece?

Muitos dos que o criticam neste caso, aceitariam ou imaginariam viver num daqueles bairros?

Estariam preparados para lidar com as consequências de uma clara impunidade, que estes gozam?

E as denuncias que André ventura fez acerca da discriminação sofrida pelas mulheres Ciganas, sob o jugo da chamada tradição?

Terá mentido?

Neste blog escrevi a minha opinião sobre o senhor em causa, sobre a minha completa discordância com quase tudo o que este senhor diz, da forma como o diz, do que pensa, no entanto, neste caso julgo que mais do que as suas palavras, convêm avaliar o problema...

Existe na realidade um problema de segurança, convivência, em certos lugares deste nosso país, entre a população comum e a comunidade Cigana, protegida por uma espécie de impunidade disfarçada de Democracia.

Disse aqui e escrevi que o meu problema com André Ventura não foram as suas palavras em relação a esta polémica mas sim tudo o que desse senhor já ouvi, ao longo do tempo...

O que ele representa como cata-vento político, ou seja, um anárquico ideológico capaz de tudo para representar as massas e diluir o verdadeiro sentido da palavra, política.

É populista?

É demagogo?

Sem dúvida nenhuma mas até um relógio parado acerta nas horas, duas vezes por dia.

Por essa razão, discuta-se o problema, debata-se a polémica e não se escondam as questões que certamente preocuparão muitas das pessoas que votam no Município de Loures, pois foi assim que Donald Trump chegou ao poder...

Iludindo as gentes com soluções impossíveis para problemas existentes, problemas esses que nenhum dos candidatos do main stream, quis sequer falar.

Depois não vale a pena dizer:

Como é que as pessoas votaram num tipo destes?

Talvez porque mais ninguém se dignou a ouvi-las.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

CDS E A Vergonha Alheia!

 

Não sou grande apreciador das características políticas de Assunção Cristas, nem sequer do Partido Popular de Paulo Portas, sempre me senti mais ligado ao CDS de Adelino Amaro da Costa ou daquele político que na minha opinião é o Príncipe da política portuguesa:

Adriano Moreira.

No entanto a verdade tem de ser dita, escrita, evidenciada...

A atitude do CDS em relação à candidatura de André Ventura resgata por fim, um pouco da dignidade de uma certa Direita, não só a derradeira escolha, como também no critério, nas premissas necessárias para se ser candidato.

O CDS não teve pejo em retirar o seu apoio a esse hediondo candidato, esvoaçante personagem, que certamente envergonhava os tradicionais votantes deste lado partidário...

O que me espanta ou infelizmente não, é a serenidade, a indiferença com que o PSD se mantêm ao lado desta desventura chamada de André, deste candidato que jamais o deveria ser.

Se pensarmos bem, qual é a diferença entre este Senhor e os Abreus Amorim da vida, os Hugos Soares, os Pedros Pintos ou mesmo os Doutorados Relvas?

Nenhuma...

Pedro Passos Coelho e o seu PSD é isto mesmo, um conjunto desregrado de populistas, sem raízes, sem ideologia, sem carácter, valendo tudo para nos seus estilos demagogos, rivalizarem com o ridículo na busca de uma mirifica vitoria eleitoral.

Admito que discordem desta minha opinião, no entanto, André Ventura personifica uma infeliz característica da nossa sociedade:

A mediatização da ignorância.

E neste momento, com esta atitude, o CDS pelo menos desta vez, disse não...

Não à vulgarização da sua história, do seu legado...

Já o PSD?

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Os Fogos, O País E As Gentes...

 

Poderemos continuar a assistir à destruição de aldeias, vidas, sonhos?

Ano após ano continuamos a ver, in loco, nas televisões deste nosso país, dramas e agruras, mortos e vivos, alguns que escapando das chamas desses infernos de verão, morrem também, juntamente com aqueles que seus deixam de ali estar presentes.

Noticias e parangonas, comentários e discussões, primeiras páginas e aberturas de telejornais, tudo se repete de ano para ano, de década para década, continuando a não fazer sentido, se é que alguma desgraça desta dimensão, pudesse fazer...

E o que muda?

O que se faz para que não se repita?

Quem assume as culpas?

Nada!

Nada!

Ninguém!

Esta dor explanada em cada imagem, em cada lágrima vertida no meio de tamanho ardor, por cada palavra soltada de revolta desses infelizes escolhidos pelo destino para viverem tal amargura, se corroí a alma deste País, se queima a crença num futuro melhor.

Como explicar a alguém que perdeu um filho, as falhas do Siresp?

Ou explicar a alguém que viu o trabalho de uma vida ruir, que o Estado não conseguiu chegar a tempo para proteger os seus bens, os mesmos que são pagos através de impostos chorudos...

Como explicar?

E os políticos repetem-se, insistem no mediatismo medíocre da demissão, mudando os Ministros, rodando os Partidos, mantendo-se apenas a demagogia de uns e a hipocrisia de outros.

E o que esperam as gentes?

Coisas simples...

Que não morram os seus filhos numa qualquer estrada, que não lhes ardam as casas, que não lhes fustiguem os animais, que não lhes cortem os sonhos, por entre esse intrínseco direito de se sentir seguro.

Fogos sempre existirão, tragédias sempre acompanharão a existência humana, nessa condição de mortalidade que sempre estará marcada em nós...

No entanto, talvez seja a hora, de fazer diferente e de o fazer sem negociatas pelo meio.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

PCP: A Hipocrisia Indisfarçável!

 

O comunicado do PCP de apoio à Revolução Bolivariana e consequentemente a Nicolas Maduro, seria apenas vergonhoso, senão fosse também ele, um punhado de hipocrisia e cinismo...

Pensemos o que diria este mesmo Partido se o regime de Maduro, fosse um regime de Direita, com a mesma repressão, ausência democrática ou até o mesmo desrespeito pelas regras básicas Internacionais?

Imaginem...

Sob a capa da modernidade ou o lado cool da coisa, envolvidos até na outrora inacreditável Geringonça, o PCP tende por vezes em disfarçar a sua verdadeira face, dando um ar humanista à palavra política, ao aparente desenvolvimento das suas ideias, no entanto, é em momentos como este que o disfarce cai, a palavra volta a ganhar importância e o cariz ditatorial volta a reaparecer por debaixo da foice vermelha comunista.

O PCP é isto e sempre o será.

Os Comunistas alegam neste infame comunicado que o povo Venezuelano está a sofrer às mãos de um plano externo e golpista, que ameaça o povo daquele País, assim como, os emigrantes Portugueses...

A sério?

Dizem ainda que:

Se trata de uma contra ofensiva imperialista para travar os avanços e conquistas progressistas, que os Governos como o de Maduro conquistaram em toda a América Latina...

Conquistaram?

Reafirmam ainda, PCP, a sua solidariedade para com o povo Venezuelano e o Governo de Nicolas Maduro...

Bem aqui a coisa parece mais grave, pois nesta confusa expressão, efetivamente o PCP tem de escolher um lado:

Ou o lado do Governo de Maduro ou o do povo Venezuelano, pois torna-se bem evidente que não se encontram no mesmo lado da barricada, nesta luta onde apenas a oposição busca a democracia.

Estes pequenos pormenores revelam a verdadeira essência comunista, aquele ressentimento disfarçado mas intensamente presente, desde que o colapso Soviético os deixou perdidos no novo mapa mundial...

Por vezes, esquecem-se deste pormenor ou pormaior e regressam aos tempos em que calar, silenciar, amordaçar, prender, reduzir o povo à sua dimensão menor, se chamava revolução progressista.

Felizmente para todos nós, a informação voa nos dias que correm e todos sabemos sem margem para dúvidas que aquilo que este comunicado Comunista apoia, é apenas um pequeno ditador, um demagogo sanguinário, um regime que certamente lhes deixa saudades de um tempo, de um muro, de um vermelho mundo que já ruiu...

Mais uma vez escrevo:

Felizmente!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

  

O Estado Da Nação!

 

 

 

O Estado da Nação;

Vociferado por deputados,

Carregado de excelências,

De discursos emproados,

Libertando excrescências,

Uns descrevendo o País encantado,

E outros inventando negligencias...

 

O Estado da Nação;

Ou o Estado do Parlamento,

Numa discussão de ilusão,

Impregnada de fingimento,

Desesperada desilusão,

Por entre a voz de alguns jumentos...

 

E continua a corneta a tocar;

As luzes a acender,

E continua a banda a passar,

E os palhaços a entreter...

 

E entretido exclama o povo;

Olha o belo Estado da Nação.

 

 

 

 

António Costa: O Camaleão...

 

Podemos discutir a governação do País, o rumo mais esquerdista da Geringonça, a surpresa ou deceção inerente a este novo destino político que nos governa há um ano e meio...

Podemos falar sobre tudo isso, no entanto, de uma coisa não poderemos fugir:

O estranho carácter de António Costa.

Há algum tempo que me interrogo sobre esse lado importante deste homem que dirige os destinos da Nação, desse pedaço fundamental de um Primeiro-Ministro...

O carácter.

Penso que ninguém negará que Pedro Passos Coelho é uma pessoa coerente com os seus princípios, apesar de politicamente ser constantemente infeliz, inapto do ponto de vista da liderança, do carisma...

António Costa, no entanto, é para mim uma interrogação, hábil politicamente, perspicaz na forma como passa por entre os perigos impopulares, que sempre envolvem quem sobrevive anos sem fim, na ribalta do panorama político Português.

Recordo bem quando José Sócrates esteve preso, durante aqueles longos dias de um ano e da única visita daquele amigo de uma vida, chamado António Costa...

Saindo do Estabelecimento Prisional de Évora, por volta do Ano Novo, a data ideal para que ninguém se apercebesse da sua visita, o atual Primeiro-Ministro expressou em parcas palavras o seu apoio àquele amigo:

- Ele, José Sócrates, está convicto da sua verdade!

Para expressar esta frase, mais valia não o ter visitado...

Numa espécie de encontro envergonhado, talvez uma tentativa de  não correr o risco de ser castigado nas eleições que se aproximavam...

Que belo amigo!

Tempos depois, a sorrateira maneira como após perder as eleições legislativas, chega ao poder, relegando para trás das costas a demissão digna, agarrando-se a uma aliança contra-natura para sobreviver.

E chegamos então a Pedrogão Grande, por onde passou algumas horas, deixando a Ministra Constança Urbano de Sousa entregue à sua sorte, demonstrando certamente fraquezas, soltando indiscutivelmente lágrimas, no entanto, tendo certamente a coragem de lá ter estado, políticamente sozinha, ininterruptamente, constantemente...

Não deveria o Senhor Primeiro-Ministro, ter ali estado ao seu lado?

António Costa é de facto um político experiente e talvez seja por isso mesmo que usa esta espécie de cobardia política, para por vezes se proteger...

Em Tancos esta evidência torna-se ainda mais flagrante, com o Primeiro Ministro, partindo de férias, ausente, distante da polémica, deixando a arder Ministro e Chefes Militares.

Salvam-se assim o deficit, o ambiente sorridente no País, os abraços e afagos Presidenciais...

Pelo meio sobra o camaleão Costa, escapando sempre por entre as dificuldades de cada crise, em cada momento difícil, com a sua imensa capacidade política mas com muito pouco carácter.

O pior é que do outro lado da barricada, PSD e CDS, as soluções são muito fraquinhas, pelo menos, por agora...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

E Por Falar Em Suicídio...

 

A decadência de um político é muitas vezes confrangedora, muito mais nesta época mediática em que nos encontramos, no entanto, aquilo que ontem se passou com Pedro Passos Coelho, líder do PSD, vai muito para além deste nível...

O que fez o actual líder do PSD é nada mais do que o ultrapassar de todos os parâmetros da indigência humana, numa flagrante utilização de uma catástrofe para disputa política, comportando-se de maneira reles e deplorável.

Mesmo que na verdade, algumas pessoas tivessem se suicidado em consequência desta tragédia, muitas delas familiares, decorrente do incêndio de Pedrogão Grande, seria mesmo assim muito discutível, a utilização deste drama no contexto do combate político e na busca de obtenção de dividendos públicos com isso, no entanto, tendo em conta que o anterior Primeiro Ministro nem sequer se deu ao trabalho de verificar a informação, o seu gesto tornou-se ainda mais irresponsável...

O facto de a noticia ser falsa e baseada num rumor contada por um verme qualquer, por sinal seu correligionário, demonstra apenas o desnorte e o desespero em que se encontra o actual líder da oposição, mostrando também a falta de dignidade e de carácter que norteiam o seu pensamento.

Como pode alguém trazer para a praça publica este tipo de argumentação, sem que esta tenha de ser analisada com os critérios de um oportunista medíocre?

O pedido de desculpas que Passos Coelho mais tarde se viu obrigado a fazer, é curto, pequeno demais para o acto abjecto que cometeu, sendo também um sinal de que no meio de toda esta história, existiu mesmo um suicídio...

O seu.

Se porventura alguém tinha dúvidas, deixou de ter...

Pedro Passos Coelho, morreu politicamente.

 

 

Filipe Vaz Correia