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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Poderei...

 

 

 

Poderei eu sonhar;

Ou sonhando devagar,

Devagarinho sem parar,

Trauteando esse amar,

Que escapou...

 

Poderei lentamente;

Observando atentamente,

Questionar ardentemente,

Essa parte de  mim,

Que te ama...

 

Poderei compulsivamente escrever;

Vezes sem conta ao entardecer,

O teu nome sem esquecer,

Tamanho amor...

 

Poderei tantas e tantas coisas;

Tantas que não as consigo soletrar,

Despedaçadamente perdido,

Por entre as pedras,

Desse caminho.

 

Poderei?

 

 

 

Acreditei...

 

 

 

Há muito que perdi;

O outro lado de mim,

Secretamente desisti,

De te reencontrar...

 

Já não se expressa no olhar;

Já não trauteio a velha canção,

Já me esqueci de recordar,

A esperançada ilusão...

 

Deixei-te partir;

Para esse amargurado passado,

Deixando de sorrir,

Como antes havia sonhado...

 

Há muito arranquei esse pedaço,

Essa parte do meu coração,

Abandonado abraço,

Arrependida desilusão...

 

Há muito;

Muito tempo atrás,

Acreditei em ti.

 

 

Sobram!

 

 

 

Sobra a parte de mim;

Que em ti habita;

Nesse vazio sem fim,

Quando não estás...

 

Sobra o sorriso perdido;

Reflectido desmedidamente,

Sempre que ferido,

Te busco intensamente...

 

Sobra a palavra não dita;

O abraço esquecido,

A dor maldita,

Desse tempo interdito...

 

Sobram tantas coisas;

Que não consigo explicar,

As mesmas coisas,

Que um dia me levaram,

A te amar.

 

 

Melodia De Um Amor!

 

 

 

Quereria eu descrever;

Com tamanha sensibilidade,

Esse grito a perder,

Na insistente vontade,

De fugir ou correr,

Desta gigantesca saudade,

Que insiste em bater,

No meu coração...

 

Quereria eu soletrar;

Esta estranha forma de sentir,

Pequeno traço a desenhar,

Num desenho a medir,

Um imenso amar,

Desmedido existir...

 

Existência pautada;

Numa melodia harmoniosa,

Sabedoria envergonhada,

Graciosidade melodiosa,

Que me envolve...

 

Envolvendo;

Cada pedaço de ti,

Numa singela nota,

De amor.

 

 

Questões Filosóficas...

 

Corre o tempo sem parar, sem deixar sons e silêncios suspensos através dos dias e noites amontoados em cada rosto, por cada alma, em cada pedaço de gente.

Nessa mistura de histórias, de contos, amarrados às linhas de um destino, encontram-se mágoas e risos soletrados pacientemente, impacientemente  desencontrados com tantos outros momentos segredados apenas ao coração...

Vejo gentes nas esquinas, atravessando ruas, saltitando por entre as poças de chuva que teimam  em se esconder nas pedras da calçada, almas apressadas em viver, esta vida, sem freio.

Uma agitação constante, corrupio desalmado que absorve a parte de nós que se esquece que um dia, o pôr do sol se extinguirá, a noite chegará eternamente...

Num sombrio amanhã, que se repetirá silencioso.

E o amor?

Onde se esconderá esse desbravado sentimento, explanado em tantas linhas de Shakespeare, em tantos poemas de Vinicius, em tantas canções de Caetano, na voz de Nat...

Onde se esconde esse sentimento, intenso, maior, sufocantemente abrasador?

Nos rostos dessas gentes, apressadamente correndo para mais um dia, para mais uma obrigação, se dilui no olhar o bater do coração...

Essa pressa de viver tudo intensamente, em cada beijo, em cada abraço, a cada cheiro, por inteiro, sem arrependimento.

Só existe tempo para num piscar de olhos, deixar a vida passar, passando com ela, um imenso mar de sentimentos, perdidos por entre o frenesim sem fim...

De tantos destinos.

Poetizando em prosa, sobre os rostos que passam por mim na rua, pergunto-me, se ao receber de volta aqueles olhares que insistentemente questiono, não serei eu também alvo, das mesmas questões que me assolam.

Neste cruzamento de vidas, destinadamente desencontradas, vidas passadas e presentes, misturadas em nós, busco reencontrar, aquele desencontro que há muito desencontrei...

Ou perder-me eternamente por entre estas linhas.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Oceano...

 

 

 

Reflexo de ti;

Desmedidamente enternecedor,

Esta crença maior,

Sufocante ardor,

Misto de esperança,

Batimento sofredor,

Eterna querença,

Deste singelo amor...

 

Reflexo de mim;

Em cada pedaço de vento,

Sorriso sem fim,

Instante, momento,

Frenético frenesim,

De tão valioso sentimento...

 

Porque não se encontram palavras;

Letras ou versos,

Escasseiam poemas,

Outrora submersos,

Neste imenso oceano,

Intemporal amor...

 

 

Simplesmente Amor...

 

 

 

Soa baixo o palpitar;

Do meu coração,

Tão baixinho,

Baixinho ao serão...

 

Soa baixo a tamanha emoção,

Perdida em cada sorriso teu,

Desmesurada sensação,

De amor...

 

Soa baixo sem partir;

Ao de leve no olhar,

Verdadeiro sentir,

Desmedido amar...

 

E vai se perdendo devagarinho;

Em cada destino entrelaçado,

Amarrando este destino,

Este amor encantado...

 

Soa baixo;

E vai soando,

Por entre as linhas desta poesia...

 

Vai soando;

Bem baixinho,

Cada pedaço,

Deste tamanho amor.

 

 

 

Chove Sem Parar!

 

 

 

Chove sem parar;

Sem parar de chover,

E eu sentado...

 

Sentado na mesa de um café;

Nesse misto de admiração,

Misto de fé,

Mistura de emoção...

 

Chove sem parar;

Sem parar de chover,

Lágrimas a chegar,

Desse céu a sofrer...

 

Sofrimento bem escondido;

De tantas vidas passadas,

Entes queridos,

Memórias encerradas...

 

Chove sem parar;

Sem parar de chover,

E eu sentado...

 

Chove sem parar;

Sem parar de chover.

 

 

Derby...

 

 

 

Lá fui eu;

Pequeno pela mão,

Buscando em cada traço,

Da desmedida imaginação,

Sonhar com o golo,

Que gritava a emoção,

Essa desejada vitória,

Escondida na ilusão,

Desse grito leonino,

Rugido de leão,

Que desde pequenino,

Soltava o meu coração...

 

Lá fui eu;

Pequeno pela mão,

De meu pai,

Sonhando com o meu...

 

Sporting.

 

 

Palavras...

 

 

 

Tantas palavras Pai;

Que ficaram por dizer,

Que ainda podem ser ditas,

Que caladas querem gritar,

Gritando estão fechadas,

Em nós,

Certamente nossas...

 

Tantos gestos guardados;

Recordações escondidas,

Pedaços de nada,

Amargas feridas,

Mágoas passadas,

Que se elevam...

 

Tantos olhares e pensamentos;

Lágrimas que se contradizem,

Sorrisos e tormentos,

Fugidos instantes,

De antigos sentimentos,

Singelos sofrimentos....

 

Tantas palavras;

Pai...

 

Tantas palavras;

Deste amor,

Que não soubemos,

Decifrar.