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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Os Designios Secretos Do Amor

 

 

 

Por vezes basta um sorriso;

Um olhar incontido,

Um entendimento desentendido,

Um caminhar meio perdido,

Para se encontrar esse alguém...

 

Por vezes chega um silêncio;

Um ruidoso instante,

Sem voz, hesitante,

Para num piscar de olhos,

Tudo mudar...

 

Por vezes até;

Basta apenas calar,

Ou secretamente gritar,

O desentendimento;

Que o coração,

Insiste em querer...

 

Por vezes;

E só por vezes,

Se encontra assim,

Um grande amor.

 

 

Quisera Eu...

 

 

 

Quisera eu esquecer o teu olhar,

Para que o meu coração viesse reclamar,

Quisera eu desistir desse eterno amar,

Para que a minha alma demonstrasse o seu desassossegar,

Quisera eu de ti me afastar,

E deixaria de respirar,

A imensa parte de mim que te pertence...

 

Quisera eu que fosse diferente,

E o mundo se tornaria ausente,

Na tua ausência, desistente,

Perdido eternamente,

Desvanecendo impotente,

Descrente...

 

E assim;

Diante de tamanho amor,

Não existe querer,

Somente a intensa vontade,

De o viver.

 

 

 

Pedrógão: As Lágrimas De Portugal...

 

 

 

Chovem lágrimas em forma de labaredas,

Gritos que ardem silenciados,

Rostos carregando as tristezas,

De pesadelos amargurados...

 

Nuvens impregnadas de terror,

Fumo que envolve sem parar,

Vidas que se escapam num ardor,

Num instante a flagelar...

 

Poeirentos pedaços de história,

Esvoaçando através do vento,

Trazendo na memória,

Tantas mortes e sofrimento...

 

E nas ruas de Pedrógão,

Nesses caminhos de Portugal,

Vai chorando o coração,

Deste povo sem igual...

 

Vai chorando,

Vai rezando,

Vai continuando a lutar.

 

 

Verões Da Minha Infância!

 

 

 

Um mergulho tão fundo;

No despertar do verão,

Um prazer vagabundo,

Vagueando pela ilusão,

Reencontro profundo,

Com a distante recordação,

Da minha infância...

 

Este ar quente;

Este sol abrasador,

Reflexo de um tempo já ausente,

Passado acolhedor,

Por entre as memórias da minha mente...

 

E em cada pedaço deste mar;

Onde me pareço perder,

Perdendo-me nesse reencontrar,

Intenso reviver,

Desses verões que já não voltam...

 

A esse tempo,

Onde fui criança.

 

 

Através Dos Teus Olhos!

 

 

 

Através dos teus olhos;

Revejo nesse espelho,

O contraditório sentir da vida,

Complexo enigma,

De uma aventura desconhecida,

Que desconheço...

 

Através dos teus olhos;

Anseio voar,

Descobrir as interrogações,

Desse imenso navegar,

Que nos aprisiona...

 

Através dos teus olhos;

Vejo as vidas que passaram,

As viagens que fizemos,

Que juntos nos escaparam,

Noutros lugares...

 

Através dos teus olhos;

Vejo o mundo,

Vislumbro sem receio,

Esse abraço profundo,

Que eternamente nos une.

 

 

A Contraditória Aventura Da Alma!

 

 

 

Escrevendo desalinhadamente;

Juntando as letras descompassadamente,

Agrupando as ideias desorganizadamente,

Libertando as lágrimas que intrinsecamente,

Me sufocam intermitentemente,

Por esse destino insistente,

Na ausência que eternamente,

Se faz sentir ausente...

 

Escrevendo desalmadamente;

Os anseios que reticentemente,

A minha alma descrente,

Ainda sente...

 

Sentindo desmesuradamente!

 

 

 

 

Carta Do Adeus!

 

 

 

É agridoce chorar por ti;

E ainda mais saber que te perdi,

Que se escapou e eu senti,

Que chegara a hora desse adeus...

 

É salgado o sabor das minhas lágrimas;

Como é salgado este destino que me rodeia,

É certamente destemperado,

Tal como esta dor que me cerceia...

 

Apenas me alegra saber;

Que até ao dia em que morrer,

Saberás sem dizer,

Que nunca te faltei.

 

 

 

Às Vezes Volto A Sorrir!

 

Por vezes ao anoitecer;

Ainda ouso navegar,

Deixando-me perder,

Nesses pensamentos que regressam sem parar...

 

Por vezes ainda oiço os teus passos;

Sabendo que já partiram,

Ainda vejo a espaços,

Esses abraços que me fugiram...

 

Por vezes ainda creio;

Mesmo sabendo que não é verdade,

Ainda receio,

Não sentir a tua saudade...

 

Por vezes e só por vezes;

Ainda regresso àquele berço,

Onde insistias em me embalar,

E em todas essas vezes,

Volto a sorrir.

 

Triste Alma A Tua!

 

 

 

Se odiar;

Te ocupa um lugar,

Nesse viver, desesperar,

Pelo eterno desencontrar,

Dessas fantasias por realizar,

Sem ninguém para responsabilizar...

 

Se em cada singelo lugar;

Encontras no espelho esse luar,

Que te indica o definhar,

Onde escolheste pernoitar....

 

Se assim te irás ocupar;

Eternamente a enfadar,

Ou simplesmente desperdiçar,

O tempo que te irá restar,

Para da vida desfrutar....

 

Se nada mais te restar;

Então...

 

Que triste alma;

A tua.

 

 

 

 

Pelo Mar Adentro!

 

 

 

Pelo mar adentro;

Com o bolso cheio de lágrimas,

O coração salgado,

Impregnado de solidão...

 

Pelo mar adentro;

Com a alma entristecida;

Buscando em cada onda,

A ilusão então perdida...

 

Pelo mar adentro;

Esvaziada imaginação,

Dos rostos desaparecidos,

No meio da minha desilusão...

 

Pelo mar adentro;

Decidido e sem parar,

Recordando e esquecendo,

A tristeza que irá ficar...

 

Pelo mar adentro;

E sem olhar para trás.