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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Velhice!

 

 

 

Vejo o mundo através destes olhos envelhecidos;

Recordo o tempo que para trás ficou,

Questiono os sonhos esquecidos,

Que a minha memória não resgatou,

Se perderam, perdidos...

 

Vejo os rostos que partiram;

Os que ficando se escaparam,

Mágoas que feriram,

Que ardendo, ficaram...

 

Vejo a outrora juventude que se foi;

A velhice que então chegou,

Os carinhos que já não me pertencem,

A solidão que restou...

 

Vejo tanto;

Restando tão pouco,

Enquanto,

Serenamente deixo voar o tempo,

Desta minha velhice.

 

 

 

 

Amor...

 

 

 

Se o meu amor por ti; 

Não fosse essa imensidão,

Tão imenso e sufocante,

Se não sonhasse o coração,

Com esse sonho distante...

 

Se esse amor fosse descrito;

Se existissem palavras para o descrever,

Se não fosse interdito,

Essa vontade de o viver...

 

Se no meu olhar;

Fosse possível decifrar,

O indecifrável descodificar,

Sentido desse amar,

Que jamais poderei escrevinhar,

Num poema...

 

Porque não existem letras suficientes;

Capazes de soletrar,

Esse sentimento,

Que insiste em chegar,

A cada momento,

Eterno...

 

Porque a eternidade é pequena demais;

Diante de tamanho amor.

 

 

 

 

Encostas...

 

 

 

Nas encostas da escuridão;

Viajam os receios mundanos,

Os anseios da imaginação,

Contradizendo o puritano,

Medo ou negação,

Do futuro insano...

 

Nas encostas da solidão;

Espreita escondida,

Num esconderijo imaginado,

Fingindo desconhecida,

O rosto retratado,

No ardor de tamanha ferida,

Que fere o coração abandonado...

 

Naquelas encostas,

Neste poema,

Sobram dores e teoremas,

Dúvidas e dilemas,

Indecifráveis...

 

 

 

 

Na Minha Rua!

 

 

 

Na minha rua;

Desnudada aventura,

Desventurada ternura,

A cada chegada tua,

Partida minha,

Amargura nossa,

Ternurenta candura,

Endurenta lágrima,

Tão pura...

 

Na minha rua;

Tornada nossa,

Os destinos se encontraram,

Desencontrados aguardaram,

Num reencontro encontrado,

O beijo entrelaçado,

Entrelaçando emocionado,

Aquele tempo parado,

Como se o mundo,

Ali estivesse,

Eternizado...

 

Porque só naquela rua;

O sol brindava o anoitecer,

A lua reinava ao amanhecer,

E os sonhos se coloriam,

De todas as cores.

 

 

 

 

Valeu Sempre A Pena...

 

 

 

Sempre que olho para o céu,

Questiono o destino,

Se valeu a pena...

 

 E recordo perdido,

Por entre as angustias,

O desconhecido,

Questionamento da minha alma...

 

Dessa imberbe alma,

Que destemperada,

Ousou desassombrada,

Arriscar a desanimada,

Estrada de tamanho amor...

 

E assim,

Sabendo por fim,

Que acabou,

Voltaria atrás...

 

Para novamente,

Te voltar a amar!

 

 

Crianças No Daesh!

 

 

 

Quando te vejo criança;

Nesses campos desalmados,

Cede a esperança,

Por entre os malfadados,

Sofrimentos teus,

Que escondidos no passado,

São assim revelados,

Pelas imagens cruéis,

Que não cansam de a todos contar,

Esse horror...

 

Como se pode soletrar a palavra Deus;

Aterrorizando aquelas almas,

Meninas e meninos,

Sonhos roubados,

Imberbes destinos,

Que não tiveram o direito de viver...

 

Cada vez que recordo aqueles campos de refugiados,

Sinto em mim,

Cada lágrima vossa,

E rezo para que enfim,

Jamais se repita.

 

 

O Conselheiro...

 

 

 

Já lá vai o tempo;

Lá vai muito longe,

Um distante momento,

Onde no horizonte,

Parecia vislumbrar,

Por entre a penumbra discreta,

Dessa amargura avisada,

A secreta,

Lua...

 

A secreta noite;

Cheia de encantos,

Avisos e prantos,

Ruelas e desencantos,

Escondendo os recantos de tamanho amor...

 

Já lá vai o tempo;

Onde um mero sorriso,

Uma lágrima destemperada,

Mudaria tudo...

 

Porque o tempo é o mais cruel;

Conselheiro,

De um coração ferido.

 

 

Os Espinhos De Um Amor Despedaçado!

 

 

 

Os espinhos no caminho;

Cravejados nesta alma,

Vão espetando devagarinho,

E arrancando essa parte de mim,

Que de mansinho,

Vai desaparecendo...

 

Os espinhos bem escondidos;

Arrancando a saudade,

Despedaçando destemidos,

A imensa vontade,

De acreditar...

 

Os espinhos aqui descritos;

Aprisionaram os infinitos,

Sentimentos proscritos,

De um amor despedaçado.

 

 

Não Faz Sentido

 

 

 

Não faz sentido;

O sentido de fazer,

O fazer sentido,

Sem sentindo desfazer...

 

Não é sentido;

O sentido sentimento,

Sentido consentimento,

Para sentindo o vento,

Deixar o vento sentir...

 

Nada faz sentido;

Nem tem de fazer,

Porque apenas sentindo o tempo,

Poderá o tempo sentir,

O quão errado,

Estava o meu coração...

 

Pois continua a não fazer sentido...