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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Triste Destino Meu!

 

 

 

Não me persegue a velha chama;

Chamando por quem costumava chamar,

Desapegado chamamento,

Que ousava clamar,

Dentro de mim...

 

Não existe mais aqui dentro;

Aquele bater,

Que crescia por um momento,

Desejando viver,

A teu lado...

 

Não respira mais aquela dor;

Mistura de sabores,

Sedutor odor,

Perdido por entre amores,

Despedaçados...

 

E no centro da velha tela;

No meio daquelas lágrimas,

Se escondem as aguarelas,

Com que foi pintado,

O triste destino meu.

 

 

Eternamente Em Mim!

 

 

 

A noite volta a cair;

Depois do dia passar;

E volto eu a sentir,

O que há muito tento negar...

 

Voltam as paredes frias;

O silêncio ruidoso,

Voltam as mágoas vazias,

Passado doloroso...

 

Passado tão presente;

Que não consegue esconder,

O teu sorriso ausente,

Por entre este imenso doer...

 

E porque dói;

O que tantas vezes renego,

Porque corrói,

Este amor cego...

 

E porque cega;

Cegamente,

O que arde,

Ardentemente,

O que se perde,

Eternamente...

 

Eternamente;

Em mim.

 

 

 

 

 

Amor Teu...

 

 

 

Já amei;

E já perdi,

Já desconversei,

E sorri,

Já desmaiei;

Enquanto fugi,

Soletrei,

Parte de mim...

 

Já esqueci;

O que antes havia pressentido,

Já perdoei

O que havia perdido,

Libertei,

O que em mim havia doido...

 

Já escrevi vezes sem conta;

O que conta o meu coração,

Essa voz que se esconde,

Escondendo a ilusão,

Desse amor teu,

Por mim...

 

Desse amor teu;

Por mim.

 

 

Consigo...

 

 

 

Consigo sentir-te;

Discretamente distante,

Nas asas do vento,

Contando a história,

Que há muito,

Nos uniu...

 

Consigo vislumbrar,

Esses dias,

Ausentes pinturas,

De um tempo,

Perdido...

 

Consigo descrever;

Em cada palavra,

A dor e mágoa,

Que sobreviveu,

Por nós...

 

Consigo sorrir;

Mesmo querendo gritar,

Consigo fugir,

Querendo esperar,

Por ti...

 

Consigo tanta coisa;

Que não pensava conseguir,

Guardar dentro de mim,

Todas aquelas letras,

Que outrora,

Foram nossas...

 

Consigo;

Contigo!

 

 

 

 

Ruas...

 

 

 

Ruas estreitas;

De estreitos destinos,

Caminhadas imperfeitas,

Imperfeições e desatinos...

 

Ruas perdidas;

Perdidos receios,

Becos e feridas,

Escondendo anseios...

 

Ruas de dor,

Viagem imortal,

Mágoas de amor,

Desejo infernal...

 

Ruas e ruelas,

Com cheiros de jasmim,

Sonhos de canela,

Agruras sem fim...

 

Ruas e mais ruas,

Alma desnudada,

Verdades nuas,

Palavras tuas,

Silêncios meus...

 

Eternamente meus!

 

 

Vidas A Correr!

 

 

 

As bombas ensurdeceram o meu sentir;

A dor emudeceu o meu carpir,

A mágoa escureceu esse intenso colorir,

Fugindo sem fugir...

 

O sangue pintou cada morte,

Cada desaparecer ensurdecedor,

Destino sem sorte,

Fétido fedor...

 

Cada olhar,

De uma vida vazia,

Intenso desesperar,

Dia após dia...

 

Ainda não fiz doze anos;

Nem sei se os farei,

Por entre feridas e danos,

Perdendo tantos que amei...

 

E continua a vida a correr;

A vida a correr,

E eu parado,

No meio deste meu eterno sofrimento.

 

 

 

Sou...

 

 

 

Sou prisioneiro dos meus sentimentos;

Das vozes e sonhos que gritam,

Cartas trazidas pelo vento,

Palavras que se eternizam...

 

Sou refém de mim mesmo;

Das algemas e dos grilhos,

Dos pesadelos bem trancados,

Lágrimas sem trilhos...

 

Sou um enigma presente;

Na penumbra adormecida,

Memória ausente,

Da insistente ferida...

 

Sou esse pedaço de nada;

Tão vazio, tão vazio,

Pedaço de nada,

Nadando num rio...

 

Sou esse pedaço de nada...

De nada..

Nada!

 

 

Caneca de Letras: Um Ano Depois!

 

Um ano depois...

Precisamente há um ano, comecei esta aventura a que chamei de Caneca de Letras, um pedaço de mim em forma de blog, mistura de opiniões e desabafos, de contos e poemas, de lágrimas e alma.

Um ano de linhas e palavras, post diários, quase sem falhas, sem obrigação apenas dedicação, vontade intrínseca ou compulsiva de escrever e partilhar.

Escrever é uma parte significativa de mim, uma espécie de lado lunar da alma, de bater descompassado do pensamento.

Comecei a medo, sem saber como fazer ou o que escrever...

Em primeiro lugar, quero agradecer a toda a equipa do Sapo, pelo carinho e atenção que sempre deles senti, pelos destaques, pela experiência única de me sentir apreciado, acarinhado.

Ao longo deste ano, muitas foram as pessoas que marcaram este espaço, muitas aquelas que não conhecendo as senti como minhas...

O primeiro favorito, Does a Name Matter, os primeiros comentários da minha querida Roxie, do meu querido Anjinho ou do sempre presente Anónimo em Lisboa. 

O tempo passou e a família do Caneca de Letras foi crescendo, foram chegando novas pessoas, refrescantes opiniões, repetidas visitas:

O Último Fecha a Porta, Robinson Kanes, Ventania, A Desconhecida, Mami, Cheia, Beia Folques, A Rapariga Do Autocarro, Sérgio Ambrósio, David Marinho, MJ, Andreia, Terminatora, A Lady, Travellight World, Pedro Rodrigues, Malik e tantos outros.

Um ano de encontros e reencontros, de gentes e gestos, de memórias e desejos.

Sempre guardei para mim o que me ditava a alma, envergonhada maneira de me expressar...

Ao expor a minha escrita nesta Caneca, acabei por desnudar essa vergonha que asfixiava a minha inquieta vontade de dar asas à imaginação.

Um ano...

Um ano de amizade, velhos reencontros, histórias perdidas, pedaços de vidas que já me havia esquecido.

Um agradecimento especial  a um dos meus mais fiéis leitores:

O meu Tio Jaime.

Por fim, mas certamente a parte mais importante, agradecer a infinita paciência da minha querida mulher, que vezes sem conta, ouve atentamente poesias ou prosas, antes de as publicar...

Repetidamente, vezes sem conta.

Obrigado a todos e que venha mais um ano desta Caneca, impregnada de sonhos e Letras.

 

 

Filipe Vaz Correia