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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Ficaram Chocados?

 

A sério?

Ficaram chocados?

E o que temos nós, País, a ver com isso?

Vou passar a explicar o que, verdadeiramente, me chocou:

O número de mortos nos incêndios, deste País...

A falta de resposta de uma estrutura impreparada para combater e salvaguardar as pessoas...

O imenso desespero estampado no rosto, daqueles que desprotegidos viam as suas vidas ruir...

O sentimento de incapacidade dos nossos Bombeiros, desprovidos de armas, para esse combate tão desigual...

As palavras, absolutamente inenarráveis, do Senhor Primeiro-Ministro...

O tempo que decorreu entre Pedrógão e estes fogos, sem que nada tivesse sido feito...

Bem, estas são algumas das coisas que me deixaram mais do que chocado, absolutamente horrorizado...

Já as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa, muito sinceramente, pareceram-me bem.

Muito bem.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Só Se Ama Uma Vez....

 

 

 

Raios de sol;

Ventos de mudança,

Clave de sol,

Sons de esperança,

Cheiros de mentol,

Antiga herança...

 

Memórias temperadas;

De faces e rostos,

Lágrimas salgadas,

Tristezas e desgostos...

 

Beijos e abraços;

Afagos perdidos,

Imagens a espaços,

De tempos antigos...

 

Não volta atrás o tempo;

Não regressa o imenso olhar,

Não me pertencerá o infinito,

Desse eterno amar...

 

Porque só se ama;

Uma vez.

 

 

Por Ti...

 

Procuro em mim;

Essa voz perdida,

Desafinação sem fim,

Que não cala a ferida,

De tamanha mágoa...

 

Busco em cada olhar;

Em cada desafinada interrogação,

O espanto desse amar,

Que invade o coração...

 

Repetindo;
O desassossego,

Repetidamente

Desatinado,

Que alegra,

O tristemente,

Destino,

Desassombrado...

 

E escrevinhando,

O desassombramento,

Com que o desejo,

Virou tormento,

A dor,

Adormecimento,

E alma...

 

Sempre a alma;

Permaneceu suspirando,

Perdidamente,

Por ti!

 

 

Questões Eternas...

 

 

 

Se o tempo é conselheiro,

E tantas vidas se passaram,

Questiono o mundo inteiro,

Sobre essas dúvidas que me sobraram...

 

Se o vento é viajante,

E traz com ele a sabedoria,

Questiono a angustiante,

Ausência de melodia...

 

Porque nesses intervalos de ti,

Nesse distante interregno,

Sei que dói esse amor,

Que apesar de eterno,

Não me basta...

 

E por entre o viajar;

Ou constante navegar,

Nesse crispado mar,

Questiono esse lado lunar,

Da minha esperança...

 

Será a eternidade, suficiente para tamanho amor?

 

 

 

 

 

 

 

A inocência do primeiro beijo

 

Pela primeira vez;

Sempre primeira,

Para sempre inteira...

 

O primeiro embaraço;

Pequeno desenho,

Pequeno traço...

 

Um instante, senão;

De um calor que então,

Me fazia tremer...

 

Queria ceder, responder;

Parar de estremecer,

Poder saber o que fazer...

 

Pela primeira vez;

Fechei os olhos e acreditei,

Nessa imagem, que imaginei,

Nesse beijo, que guardei...

 

Entreguei-me finalmente;

Numa travessura jovial,

Desejando inocentemente,

Esse momento intemporal...

 

Assim foi o meu primeiro beijo;

Nesse canto do meu quarto,

Onde ainda hoje me vejo,

Inocente.