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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Um Sonho De Criança!

 

 

 

Era uma vez;

O sonho de uma criança,

Sempre preparada para voar,

Levando nos olhos a esperança,

De um dia o concretizar...

 

E foi crescendo a sonhar,

Com essa constante ilusão,

Por entre o eterno viajar,

No cockpit da sua imaginação...

 

E um dia ao acordar;

Já não era um menino,

E estava a realizar,

O sonho do seu destino...

 

E assim nesta esplanada;

Vive concretizada,

A ilusão imaginada,

Do que um dia,

Aquela criança sonhou.

 

 

 

 

O Menino Dos olhos Tristes...

 

O menino dos olhos tristes;

Não sabia bem esconder,

Aquela chuva no olhar,

Meio tristeza a chover,

Insistindo em chegar,

Sempre que via reaparecer,

Aquele triste recordar,

Ausente reviver...

 

O menino dos olhos tristes,

Tristonhos e entristecidos,

Carregando um passado,

Coração bem ferido,

Dolorido, amargurado,

Por esse amor esquecido,

Nunca antes encontrado...

 

E nessa ausente infância,

 No aconchego que nunca chegou,

Perdido nessa distância,

Naquela dor que carregou,

Solitário...

 

E assim continuou;

O menino dos olhos tristes!

 

 

 

Um Abraço Maior Do Que A Vida!

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O mundo carregado de ódios, de problemas, desigualdades, ameaçado por ensaios nucleares, por palavras fracturantes, por olhares temerosos...

E então chega, um retrato, uma imagem que nos faz compreender que nada disto faz sentido!

Bradley Lowery é um menino Britânico, de cinco anos, que tem uma doença terminal, uma rara forma de cancro ( Neuroblastoma ) e que vive apaixonado pelo seu Sunderland, clube inglês de futebol.

O jovem Bradley que se encontra internado num hospital, sujeito aos tratamentos que lhe garantem mais algum tempo de vida, recebeu extasiado a visita de alguns jogadores, do seu Sunderland, dando-lhe assim uns raros momentos de alegria, num caminho pejado de sacrifícios.

Mas um desses jogadores, representava mais do que qualquer outro, do que qualquer visita, do que qualquer brinquedo...

Jermain Defoe, avançado inglês que estando no ocaso da sua carreira, deve nesse dia ter recebido o maior troféu, que alguma vez imaginara...

O amor incondicional daquela criança.

O jovem Bradley, brincou até mais não conseguir, deleitou-se com aqueles ilustres convidados que só conhecera nos seus mais ambiciosos sonhos e quando a visita chegou ao fim, agarrou-se a Defoe não o deixando ir embora...

O que fica é a imagem desse famoso jogador, naquele momento apenas humano, deitado na cama daquele menino, naquele hospital, com os braços de Bradley envolvendo o seu ídolo e adormecendo, provavelmente sonhando, com um golo magistral marcado por si, a passe do soberbo Jermain Defoe.

E que golo deverá ter sido, no coração cansado daquele menino.

Ao ver esta fotografia, de facto tudo perde importância, nada de facto é mais importante do que estes valores da fé, do amor, do fraterno abraço com o outro...

Imagens como esta, despem-nos e despedaçam as incertas certezas mundanas que por vezes tomam conta do nosso quotidiano.

Assim uma singela bola de futebol, pode mover vontades, num simples gesto arrebatador que valerá muito mais, do que  mil decretos, fatwas ou discursos...

Porque nada terá mais valor, do que a fraternal leveza do ser!

Que Deus te proteja, meu querido Bradley!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Quem disse que o Pai Natal não existe?

 

Há mais de 30 anos que deixei de acreditar no Pai Natal...

Deixei de crer nessa fábula cheia de magia, nesse homem de barbas brancas, barrigudo, que durante a noite de Natal, percorre o mundo no seu trenó, puxado por renas trabalhadoras, descendo chaminés, para que nenhum menino fique sem os presentes por que tanto haviam sonhado, durante o ano.

Acreditava tanto nesse mágico mundo, que ficava acordado tentando espreitar pela porta da cozinha, na casa da minha Tia em Santa Luzia, na esperança de poder vislumbrar esse herói que povoava a minha tenra mente.

Nada era mais encantador que este pensamento, deste velhinho barbudo e os seus Duendes, trabalhando todo o ano para que naquela noite, todos os meninos do mundo tivessem direito à sua pequena parte de felicidade.

Como qualquer criança, existe um dia em que somos confrontados com essa imensa desilusão, com essa realidade que esventra o sonho e nos desperta para a racionalidade que povoa o mundo dos crescidos...

Dos adultos.

O Pai Natal não existe!

Frase chocante porém verdadeira e que nos faz deixar de sonhar...

Assim cresci, senti-me adulto, já não uma criança, pois havia ultrapassado aquele conto para meninos pequenos.

Assim se passaram trinta anos, a contar a mesma história a sobrinhos, a ver crianças a passar pelo mesmo sonho irrealista...

Mas a serem felizes.

Até que um destes dias, na minha televisão o Pai Natal apareceu...

Um homem de barbas longas e brancas, despido do seu fato encarnado, de lágrimas nos olhos e com uma história para contar:

Morrera o seu Duende mais querido...

O número um.

Um menino de cinco anos, que agonizava na cama de uma unidade hospitalar, pedindo a presença do Pai Natal...

E ele chegou.

Eric Schmitt-Matzen, o nome do Octogenário que se abeirou da cama daquela pequena criança, moribunda e que através daquela imagem sentada na beirinha do seu leito, voltava a sorrir.

O medo de não saber para onde iria, passara, o receio dessa famigerada morte que certamente inquietava o seu coraçãozinho, amenizava, a esperança de um encontro há muito desejado ganhava vida.

Num último abraço, aquele Pai Natal acolhia no seu regaço toda uma vida, curta, passageira, mas a esperança e alegria que este mesmo abraço representava era maior do que os medos, o tempo, o sonho...

Era maior que tudo!

Naquele instante o menino soube, através dos seus olhos e do seu coração que o Pai Natal existia, era real, estava ali com ele.

Assim morreu, acochegado por aquelas longas barbas brancas, daquele homem que muitos dizem não existir.

Para trás, ficavam as lágrimas que escorriam pelo rosto daquele velho homem, que descera a chaminé daquele hospital, para trazer um pouco de magia a um cenário carregado de tristeza.

Através destas imagens, das palavras de Eric, também eu voltei a acreditar, a ter essa certeza...

O Pai Natal existe e estava ali diante dos meus olhos.

Pois só o Pai Natal poderia ter uma história destas para contar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Debaixo da minha cama...

Era uma vez um menino, que tinha medo dos pesadelos que se escondiam debaixo da sua cama, à noite, no seu quarto, naquela escuridão imensa que assombrava a imensidão da sua pequena alma.

Aquele quarto pequeno, aquele tecto trabalhado, aquelas sombras meio perdidas, escondidas que ameaçavam polvilhar aquela tenra imaginação...

Tinha medo que o levassem, que o aprisionassem nesse mundo obscuro escondido debaixo da sua cama e de onde era possível sairem os monstros mais terríveis alguma vez imaginados.

Nem a luz de presença o tranquilizava, nem os passos dos adultos o reconfortavam, nem a esperança sem fim de que a sua mãe o viesse tapar o deixava tranquilo, menos nervoso...

Tanto medo num pequeno coração, num menino que se escondia debaixo dos lençois.

A coragem que ele queria ter, por vezes parecia se apróximar, encher a sua alma e numa força sem fim, dar-lhe aquele pedaço de determinação para sorrateiramente espreitar para debaixo daquela cama, às vezes navio, buscando corajosamente encontrar o vazio que racionalmente ali teria de estar...

Mas essa determinação passava, esse medo regressava, voltava, vindo do nada, preenchendo novamente esse receio imenso que teimosamente insistia em não se calar.

Esse menino cresceu, esse quarto já não lhe pertence, essa cama já não existe, esse medo desapareceu...

Esse menino guardado no fundo da minha alma, já não chora com medo dos monstros que se escondem debaixo da sua cama, já não receia a escuridão que se instalava no seu quarto...

O menino que um dia fui, apenas sente saudades, desse tempo, desses medos próprios de uma irrequieta imaginação, dessa imensa angústia de perder aquilo que tanto estimava...

A infância que não regressa.

 

Filipe Vaz Correia

Ruas do Tempo

 

Estas mesmas ruas, tão diferentes;

Os mesmos caminhos que não esqueci,

As mesmas esquinas, agora ausentes,

De uma vida que vivi,

Foi minha,

Mas já perdi...

 

As mesmas casas;

Os mesmos rostos envelhecidos,

O mesmo tempo sem asas,

Percorrendo esse destino,

Que um dia foi o meu...

 

Crianças como um dia fui;

Velhos como ainda não sou,

Pessoas e gentes,

Nesse percurso que não mente,

Trazendo com ele o tempo que me escapou...

 

Procuro os caminhos da minha vida de menino;

Esse que ainda se esconde em mim,

Procurando eternamente,

Esse labirinto sem fim,

Que deixei para trás,

Nas ruas da minha perdida infância.