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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Sete Anos, Sem Ti!

 

Passaram sete anos...

Sete longos anos, carregados de nostálgicos momentos, de ausentes conversas, de longínquas recordações de um tempo perdido.

Faz hoje sete anos desde aquele dia sombrio, entardecer maldito, violenta despedida despedaçada...

Sete anos que voaram apertando, vezes sem conta, este coração, que muitas vezes insisto em esconder, escondendo da própria alma, as marcas imensas que nele ficaram cravadas, cicatrizes intemporais, tão eternas, como eterna será a dor deste desencontro sem fim.

Gostava de acreditar que estás aí, sentada no céu, olhando para baixo, acompanhando passo a passo, cada pedaço de mim, que é teu...

Há dias que sim...

Tem outros que não.

Sinto saudades, minha Mãe, sete anos de saudades, sentida forma de amor maior, que a morte não conseguiu desbravar, que a distância não conseguiu diminuir, que a insistente dor dessa tua ausência, jamais conseguirá roubar.

Sete anos...

Sete anos de cada dia, cada instante pequeno ou maior, cada pedaço de chuva, cada olhar meu, que te fugiu pelo tempo, maldito tempo que teima em passar, sem ti.

E sem ti é o que mais custa escrever, o que mais exaspera a alma que é minha e te pertencerá eternamente, sem saber esquecer o inesquecível amor da minha vida.

Foi por ti que aprendi a caminhar, dando-te a mão, essa que me amparou em cada dia, por cada dia desta vida tão nossa, foi com a tua voz que aprendi a soletrar, juntando as letras que agora aqui escrevo:

Mãe!

Foi com o teu abraço que aprendi a amar, sentindo através do teu olhar o conforto desmedido, incondicional que somente ali fazia sentido...

Foi com o teu beijo que sempre, mas sempre voltei a ser o menino de outrora.

Já não sou Mãe esse menino...

Menino esse que ali ficou também, há sete anos, aprisionado às tuas últimas palavras, refém das cicatrizes que regressam em cada momento, a cada doloroso momento.

Mas nos teus sorrisos que ainda guardo em mim, nas memórias que nos pertencem, reencontro sempre o antídoto para tamanha tristeza, e a certeza imensa de que todos os anos deste amor maior, ficarão para sempre guardados, na pequena alma, deste menino teu.

Amo-te.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Já Foste Feliz?

 

Tantas vezes me questiono...

Onde será que fui feliz?

Verdadeiramente feliz...

Sentimento esse que mistura mistério, com a interrogação constante ou a busca insana pelo desejo impossível.

Tantas palavras, segredos presos à alma, momentos e instantes que se somam, sem que o tempo pare, sem que nos seja permitido voltar atrás, e novamente pintar esse quadro que eternamente fará parte de nós...

Será o nosso infinito destino.

Essa palavra, felicidade, que estranhamente rima com saudade, lugar imenso mas distante, onde ao longe, num mirifico horizonte, o tempo se encarrega de embelezar a memória.

Por vezes fica um bater mais acelerado do coração, um respirar mais ofegante por entre uma errante lágrima, por outras vezes, apenas um solitário reencontro com a perdida alma que nos completa.

É tão difícil explicar à infeliz felicidade, felicidade presente, o quão feliz estou neste instante...

Ou o quão triste estarei, por o tempo insistir em não parar...

Não ter parado.

Por vezes seria imensamente belo, parar por segundos o presente, degustando cada cor, cada cheiro, cada pedaço de nós, misturado com o contentamento maior que nos sufoca...

Seria tão bom, pedir ao futuro que aguardasse por um momento, para regressando ao passado, beijar alguém ausente nesta viagem finita.

Tantas coisas boas...

A mão segura de minha Mãe, o seu cheiro, o seu ternurento olhar...

A voz austera mas aconchegante de meu Pai, perdendo-se por entre as infindáveis histórias, que ainda hoje me moldam.

As saudades que eu tenho dos natais, em casa de meus Pais.

A praia de Odeceixe, onde passei maravilhosas férias de verão, onde me apaixonei e sorri, chorei e fugi..

Odeceixe.

Tantas e tantas vezes, tantas e tantas pessoas, tantos e tantos momentos, entrelaçados com essa palavra dificil de decifrar...

Felicidade.

Uma música a tocar, o abraço de um amigo, o beijo da pessoa amada, o olhar escondido e reflectido no espelho, só teu...

Somente teu.

Tantas e tantas vezes pensei ser feliz...

Tantas e tantas vezes me esforço por recordar que fui feliz, nestes pedaços de história, que fazem parte de mim.

Tantas e tantas vezes fui feliz...

Mas sempre passou.

Viva o futuro...

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Tem dias...

 

A vida é misteriosa, assim como, misteriosa é por vezes esta imensa vontade, de aqui escrever.

Em desabafar palavras que se seguram, sentimentos que ouso guardar em mim, para mim...

Enfim, só em mim.

Tenho dias em que penso mais nas despedidas que tive com aqueles que mais me marcaram...

Tem dias assim.

Por razões e desatinos, recordo vezes sem conta Minha Mãe e  aquele sorriso que me acalentava, aquecia, trazia esse imenso amor que só ela me sabia dar.

Nada se compara a essa expressão maior...

Nada!

Um amor maior do que a extensa dimensão de um texto, do que a densidade descrita numa singela poesia, do que a incessante  busca por um encontro, entre o pensamento e a palavra.

Foi através de minha Mãe que herdei este gosto pela escrita, pela forma poética de expressar o que dentro da alma habita, seja em grito, em sussurro ou simplesmente em silêncio...

Num silencioso desejo de desabafar.

Tem dias em que a tristeza é maior, tem dias que não...

Tem dias em que me recordo mais desse instante final, outros dias em que tudo me traz o brilho, que sempre subsistiu em seu olhar.

Tem dias em que se esconde  a um canto, essa tristeza, sempre presente mas que se fingindo ausente, vai deixando a alegria voltar, o sorriso permanecer maior...

Tem dias que não, que essa tristeza se agiganta, volta a ser maior do que o bater da alma, regressando a dor, a invasiva e esmagadora dor.

Tem dias assim...

Mas no meio desses dias, pego numa caneta ou ligo o computador e aqui desabafo umas linhas, perco-me neste pedaço de mim.

Tem dias que sim...

Tem dias que não.

Mas essencialmente sobra a memória, a recordação constante de tantos e tantos dias passados, indescritíveis dias, que trazem consigo a imensa certeza...

De que valeu a pena.

Valeu sempre a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia 

Legionella: Um Curto Desabafo...

 

Nem sou muito de escrever sobre este tipo de noticias, não gosto, não faz parte de mim...

No entanto, ao ver esta noticia de que a PSP tinha invadido o velório das pessoas que morreram vitimas deste surto de Legionella, não consegui deixar de pensar:

E se fosse comigo?

Se fosse a minha Mãe, que ali estivesse?

Uma vergonha, uma verdadeira vergonha de um Estado que expõe os seus cidadãos, num Hospital público ao risco de vida, e que mesmo após uma tragédia destas ocorrer, não tem o cuidado de garantir que este último instante é respeitado...

Pelo menos dignificado.

E se o fizessem com a minha Mãe...

Se sugerissem a retirar dali num saco plástico?

Meus caros amigos, nem consigo imaginar...

Nem quero imaginar.

Haja vergonha.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Cartas Do Meu Passado.....

 

Através dos olhares de outros, viajo vezes sem conta por entre as realidades esquecidas, por entre vidas esvaziadas de presença, mas imensas no sentido, naquele sentir eterno.

Descobri cartas e mais cartas de um passado distante, com mais de 100 anos...

Cartas e postais, palavras soltas e apertadas, saudades distantes e lágrimas disfarçadas, em cada uma das suas letras esborratadas, de uma qualquer linha, daquele postal.

Naquelas cartas encontrei a minha Avó, minha Bisavó, amigas e sonhos, desilusões imprecisas, numa mistura de vida, cumprido destino.

Encontrei as saudades imensas de minha Mãe, uma menina que desconhecia que de si viria, aquele que nesse instante lia, palavras e sentimentos explanados em tão antiga carta...

Presente carta...

Voz que tanto amo.

Cartas e mais cartas, impregnadas dos meus, cheias de mim.

Porque o que somos nós senão esse pedaço, demasiados pedaços, daqueles que um dia, ao longo de vários destinos, nos pertenceram...

Serão eternamente parte de nós.

Assim continuo aprisionado, às letras, aos desabafos, à formalidade inerente a tempos que já passaram...

Continuo buscando partes de mim, que ainda não conheço.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Memórias...

 

 

 

Um olhar prisioneiro;

De um desgosto pistoleiro,

Divida por inteiro,

De um destino traiçoeiro,

Roubando sem receio,

O sonho derradeiro...

 

Uma despedida apressada;

Palavras desesperadas,

De amor carregadas,

Tristezas bem guardadas,

Na alma magoada,

Calada...

 

Silenciosa vontade;

Desgraçada verdade,

Maldita saudade,

Que regressa sem idade,

Ao momento, eternidade,

Em que te perdi...

 

E nesse olhar;

Volto a guardar,

As memórias a recordar,

Desse teu eterno amar,

Em mim...

 

E por ti;

Fica em cada lágrima minha,

Uma devoção imensa,

Um segredado desabafo,

Deste meu coração,

Para sempre teu.

 

 

 

 

 

 

O Lado Poético Da Minha Alma...

 

O lado poético da minha alma ou a inenarrável vontade de poetizar, as imensas coisas que vejo...

As coisas que imensamente sinto.

Adoro escrever, é algo que faço de forma compulsiva, que está inerente a mim mesmo, no entanto, nada me faz mais feliz do que desabafar em verso, aproveitando o tempo para me perder por entre rimas, indecifráveis interrogações que ganham vida no papel, no computador, na infinita memória.

A poesia, esse gosto herdado de minha Mãe, também ela uma escrevinhadora compulsiva, que insistentemente desabafava no papel, alegrias e tristezas, memórias e esquecimentos, desgostos e amargas contradições de uma vida...

A sua vida.

Sempre de maneira poética, rima após rima, verso atrás de verso, como se tudo ficasse mais belo em cada poesia, por força da expressão harmoniosamente poética, deste mistério que é a vida.

Por vezes sinto, de olhos bem fechados, que as palavras se formam descontraidamente, num gigantesco mundo, ruidoso momento libertário, conjugando ideias, buscando trilhos para as imagens que se querem abraçar, numa construção de emoções, de medos e anseios, reflexos ou desejos, explanados disfarçadamente...

Delicadamente.

Para mim, um poema é essencialmente a entrega absoluta da alma, da nossa ou daqueles que através da nossa imaginação, parecemos saber descodificar...

Em cada poesia, através de cada uma, parece num instante que a tristeza pode ser bela, a dor adormecida, a mágoa entrelaçada, e a magia...

A magia de unir todas as pontas de uma canção, numa folha de papel, em quadra, em verso, em descompassados instantes de um coração.

Viva a poesia.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Sotaques...

 

É impressionante como certas coisas mexem com o nosso imaginário, com as nossas memórias, as mais felizes, as mais escondidas dentro de nós.

Como já aqui escrevi passei férias em Monte Gordo, local aonde volto ano após ano, há décadas, onde me sinto feliz repetindo os mesmos sitios, jantando nos mesmos restaurantes, reencontrado caras familiares...

Os mesmos toldos de praia, as mesmas vozes, os mesmos rituais.

No meio de tamanhas recordações, resgato sempre ali em terras Algarvias, uma parte do meu Alentejo, deste Alentejano, desta criança que um dia fui, sendo eternamente o mesmo...

A praia de Monte Gordo, nesta altura do ano, é invadida por famílias Alentejanas, gente boa como tantas vezes ouvi à mesa de jantar, meus Pais e Tios afirmarem, gente nossa como em tantas e tantas ocasiões, senti na vida.

É ali nesta mistura de raízes, que este Alfacinha se mistura com a alma Alentejana que sempre em mim morou, parecendo por momentos, regressar aos tempos onde corria no Monte de meus Avós, de capote e botas alentejanas, por entre o sonho de uma bela popia caiada...

Nem posso falar de popias caiadas, sem que uma lágrima me invada, nessa saudade, intrinsecamente pessoal.

Num dos meus regressos a Lisboa, há anos atrás, num café na Mimosa, encontrei abandonadas, numa prateleira empoeirada as minha popias caiadas, tradicionais, feitas em Panoias, comprei todas, amarrando-as a essas imagens que infelizmente já não existem.

No entanto, voltando a Monte Gordo e à sua deslumbrante praia, reencontro sempre naqueles toldos, por entre aqueles rostos, aquele sotaque que também é meu...

Também me pertence!

E num instante, num segundo intemporal, ano após ano, recupero o meu sotaque Alentejano, serrado, orgulhosamente assente nos antepassados que fazem de mim aquilo que sou...

Neste meu lado Alentejano recupero o rosto de minha Mãe, os desejos de meus Avós e de tantos mais, que no meu sobrenome sobrevivem.

Sinto-me Alentejano novamente, sem nunca ter deixado de o sentir, de o recordar, mas verdadeiramente, ali recupero uma parte de mim, que certamente sorri...

Através de uma felicidade inesquecível, de uma época, infância, que felizmente vivi.

Foi minha! 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Mar

 

Os rituais repetem-se como um jogo de imagens que frequentemente reaparecem, num misto de recordações que ao sol me parecem preencher.

Os mesmos cheiros, as mesmas vozes, o mesmo rebuliço de verão.

Sinto-me outra vez criança, se é que algum dia o deixei de ser...

O sabor do verão sempre teve em mim essa espécie de nostalgia de algo que por vezes me inquieta, noutras vezes me serena e outras ainda me agita como se estivesse permanentemente a navegar.

O mar exerce em mim essa expressão maior da alma, uma agitação intrínseca que não consigo descrever.

Faz parte de mim, pertence-me, assim como, a ele pertenço.

Esta atracção que me acompanha desde a meninice, reporta-me ao olhar ternurento de minha mãe, aos ensinamentos de meu pai e a essa saudade infindável de tempos que fugiram.

No meio do mar, entrelaçado com a água salgada desse mar imenso que me aguarda, voo na imensa viagem da minha vida.

E com ela, de todos aqueles que guardo na alma.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Diana: Pelo Olhar De William And Harry!

 

A SIC exibiu no Jornal da Noite o documentário, Diana: A Nossa Mãe,  20 anos após a morte da Princesa do Povo...

Pelos olhos dos que lhe eram mais queridos, este documentário impressionou pela participação dos seus filhos, William e Harry, que jamais se haviam demonstrado disponíveis para este tipo de partilha intimista com o público.

Este gesto dos seus filhos, representa um tributo à memória de sua Mãe, ao significado desta na vida de tantas pessoas e essencialmente contribuir para mostrar um lado da Princesa, que lamentavelmente se viu constantemente subalternizado, perante a busca de alguns, por sensacionalismos cruéis que insistentemente a perseguiram...

Esse lado espelhado nas palavras e no olhar daqueles dois homens, um dia meninos, comoveu, envolveu e certamente deixou Diana orgulhosa daqueles rapazes que ali a recordavam.

William e Harry, quebraram regras e tradições, folhearam memórias e retratos, libertaram dores e até rancores, dando um lado honesto e real sobre si mesmos e consequentemente sobre sua Mãe.

Talvez pela primeira vez, ao fim de 20 anos, se possa dizer que ali se falou de Diana sem buscar a sensação, a intriga, a coscuvilhice...

Apenas encontrar o olhar dos muitos a quem tocou, em Angola, em Inglaterra, na Bósnia, num combate sem medos contra a descriminação ou no apoio aos sem-abrigo, na luta contra as minas ou resgatando jovens amputados em viagens que ninguém ousava fazer. 

Apenas encontrar o olhar das pessoas que a amavam...

E quem melhor para falar de uma Mãe?

Do que os filhos que tanto amou.

 

 

Filipe Vaz Correia