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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Verões Da Minha Infância!

 

 

 

Um mergulho tão fundo;

No despertar do verão,

Um prazer vagabundo,

Vagueando pela ilusão,

Reencontro profundo,

Com a distante recordação,

Da minha infância...

 

Este ar quente;

Este sol abrasador,

Reflexo de um tempo já ausente,

Passado acolhedor,

Por entre as memórias da minha mente...

 

E em cada pedaço deste mar;

Onde me pareço perder,

Perdendo-me nesse reencontrar,

Intenso reviver,

Desses verões que já não voltam...

 

A esse tempo,

Onde fui criança.

 

 

Às Vezes Volto A Sorrir!

 

Por vezes ao anoitecer;

Ainda ouso navegar,

Deixando-me perder,

Nesses pensamentos que regressam sem parar...

 

Por vezes ainda oiço os teus passos;

Sabendo que já partiram,

Ainda vejo a espaços,

Esses abraços que me fugiram...

 

Por vezes ainda creio;

Mesmo sabendo que não é verdade,

Ainda receio,

Não sentir a tua saudade...

 

Por vezes e só por vezes;

Ainda regresso àquele berço,

Onde insistias em me embalar,

E em todas essas vezes,

Volto a sorrir.

 

Parabéns, Minha Mãe!

 

 

 

Como disfarço esta tristeza;

Neste dia que era o teu,

Como disfarço a certeza,

Deste eterno adeus...

 

Como digo ao tempo;

Que passou sem parar,

Para regressar por um momento,

Para eu novamente te abraçar...

 

Como disfarço este chorar;

Que invade o meu coração,

Quando esta saudade retornar,

E eu não te encontrar ao serão...

 

Quantas perguntas sem resposta;

Dúvidas e emoções,

Através desta despedida imposta,

Sem direito a exceções...

 

Ficam então as recordações;

Do teu infindável amor,

Que permanecem em mim,

Disfarçando esta tamanha dor...

 

A dor da tua ausência.

 

 

Regaço Perdido...

 

 

 

Era uma vez um menino;

Que não sabia chorar,

Era triste e franzino,

Com a tristeza no olhar...

 

Era uma vez uma história;

Cheia de dor e sem fim,

Com lágrimas presas à memória,

Guardadas dentro de mim...

 

Era uma vez um adolescente;

Que sozinho enfrentou o mundo;

Tinha um silêncio pela frente,

E um desgosto profundo...

 

E por vezes ao deitar;

Ao adormecer de cansaço,

Ouvia aquela canção a recordar,

O embalar daquele regaço...

 

O regaço perdido;

Da mãe que nunca encontrou!

 

 

Dia da Mãe!

 

 

 

Dia da Mãe;

Que tive e perdi,

Que guardo dentro de mim,

Em cada memória,

Passado sem fim...

 

Desse amor sem igual;

De tantos beijos eternos,

Carinho maternal,

Momentos fraternos,

Saudade imortal...

 

Das nossas palavras, da tua voz;

De cada chegada ou adeus,

Desse imenso nós,

Meu e teu...

 

Do teu olhar;

Embevecido,

Caloroso aconchegar,

Algures perdido,

Na vontade de te abraçar,

Abraço desmedido...

 

Na partida;

Que te levou ao entardecer,

Na ferida,

Que ficou sem esquecer,

Na despedida,

Que não desejei acontecer,

Na sentida,

Vontade de te rever...

 

E doendo sem parar;

Vou escrevendo este poema,

Apenas para declamar,

O quanto te amo!

 

 

 

 

Medo...

 

Esse medo que tinha de te perder;

Chegou...

Essa ausência a temer,

Ficou...

O receio a crescer,

Recordou...

Aquele pesadelo que sem saber,

Me levou,

Até à minha feliz infância...

 

Como me libertar desta dor;

Que ilude a minha expressão...

Asfixiado por tamanho temor,

Que regressa ao meu coração...

Recordando o horror,

Naquele serão...

Que não cala o amor,

Calada imaginação...

 

Sobra este medo;

As sombras desse dia...

Sobra o segredo;

Por entre a solidão que arrepia...

A intensa tristeza,

Que habita em mim...

 

Porque ainda te vejo;

Presa naquele olhar,

Que tanto me queria falar...

 E que tanto,

Eu queria abraçar!

 

 

Noémia...

 

Tenho-te do outro lado do mundo;

Um oceano que nos separa,

E que guarda este desgosto profundo,

Esta dor que ninguém pára...

 

Tantas vezes sem te ver;

Sem poder contigo falar,

Sem de ti poder saber,

E esta dor partilhar...

 

Sinto-me só, desamparada;

Muitas vezes, até perdida,

Grito só e angustiada,

Nesta minha, triste vida...

 

Triste sim, desesperada;

Vendo a vida, a partir,

Muito tempo aqui sentada,

Sem saber como reagir...

 

Fazes-me falta, minha filha;

Escondida nessa distância,

Encarcerada nessa ilha,

Cheia de cor e de fragrância...

 

Assim te tenho aguardado;

Ternura minha,

Meu amor,

Nesta terra, neste fado,

À espera que o nosso desencontro,

Seja apenas encontrado!

 

Mãe...

 

Poesia na ponta de uma pena;

Onde recordo esses sonhos,

Soltando-se em mais uma cena,

Guardada na minha memória...

 

Uma vida de sorrisos e alegria;

Recordações repletas de amor,

Dessas noites e desses dias,

Em que choro sem pudor...

 

Queira o divino e a sorte;

Que jamais tal tristeza sinta,

Que nunca mais presencie a morte,

Nem que a vida me minta...

 

Não podia permitir;

Que tal perda fosse verdade,

Mas o que poderia eu sentir,

A não ser tamanha saudade...

 

Ó triste partida;

Ó fim maldito,

Que puseste um ponto à vida,

Àquele amor infinito...

 

Ainda hoje, te vejo;

Ó minha Mãe, querida,

Ainda hoje, te beijo,

Nesse sonho, ferida...

 

Até sempre, com amor;

Mãe, com carinho,

Ninguém calará esta dor,

Do teu filho, Pipinho!

 

 

Carinho de Mãe...

 

Vejo agora, as faces da minha meninice;

O olhar, a ternura, a expressão,

O cantinho de cada traquinice,

Própria de um livre coração...

 

Nada me escurecia a alma;

Esplendorosa parecia a minha mente,

Pois apenas o carinho e a calma,

Recebi desde o ventre...

 

Lugar esse que busquei toda a vida;

Por preguiça ou segurança,

Mas sempre de forma sentida,

Sentindo essa perdida esperança...

 

O menino de sua mãe;

Perdeu o seu abrigo,

Escapou-lhe aquela lágrima,

Sobrou-lhe o medo antigo...

 

Ninguém poderá pedir;

Que o meu coração pare de chorar,

E que deixe de sentir,

A falta do teu lugar...

 

Todas as noites olho para o céu;

À procura de um sinal,

Que por detrás daquele véu,

Descubra um teu postal...

 

Que perdido me senti;

Ao ver-te desaparecer,

Restando-me te descrever,

Até esse dia em que morrer...

 

Assim irei continuar;

Poema atrás de poema,

A celebrar o teu amar,

A decifrar o teu teorema...

 

Obrigado com ternura;

É o que sempre te irei dizer,

Por me guiares nesta aventura,

Que sem ti, é viver!

 

Sinto a tua falta...

 

Mãe, que saudade;

De te ver, tocar, ouvir,

Desse sentimento cobarde,

De não te deixar partir...

 

Queria que o mundo me ouvisse;

Naquele grito que quero gritar,

E que nunca me fugisse,

Esse teu abraçar...

 

Aquele beijo ao adormecer;

Aquele aconchego ao chegar,

Aquele sorriso ao amanhecer,

Aquele Amor a falar...

 

Aquelas palavras que me acalentavam;

Aquele olhar de ternura,

Aqueles sonhos que sonhavam,

Sem medo ou amargura...

 

Perdi-te num instante;

Nesse segundo sempre eterno,

Nessa mágoa nunca distante,

Nesse dia, esse inferno...

 

Nunca me abandona o pensamento;

A tua morte, a tua vida,

A dor ou o sofrimento,

Dessa tua partida...

 

Chega então um sorriso;

Um eterno contentamento,

De ter contigo vivido,

Mesmo que por um breve momento...

 

Um momento para sempre nosso!