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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Nove Andares De Um Milagre!

 

São estes os momentos em que reencontro a minha crença interior, a mesma, que por vezes ouso questionar...

Este terrível desastre que aconteceu em Londres, naquele prédio transformado em inferno, mar de chamas que insistiu em devastar vidas e mais vidas, que ali em suas casas buscavam apenas mais um momento de conforto entre os seus, fez me suster a respiração e voltar a suster.

Como é possível?

Nestes momentos olho para o céu e pergunto-me vezes sem conta:

Como foi possível?

E depois ouve-se uma história, escuta-se o espanto transformado em realidade daquela Mãe triste e desesperada, que atira o seu filho de um nono andar, embrulhado em lençóis na esperança de pelo menos esse pedaço de si, poder sobreviver...

Descendo pelos céus, através da gravidade descontrolada, ali vem uma criança tal e qual como um pássaro sem asas, descendo por entre a estrada do seu destino, amparada pelo amor de sua mãe e certamente...

Pela intervenção divina.

É aqui, nestes momentos que a minha alma regressa ao que intrinsecamente acredita, àquele reencontro com a fé.

E num milagre sem explicação, um homem, nove andares depois, segura com as suas mãos aquela criança que lhe fora entregue pelo desespero daquela mãe, viajando através do amparo de Deus...

Pois só Deus poderá garantir que tal viagem corra bem.

Assim, pensando naquela Mãe, imaginando aquela criança, recordando esta história, escolho sempre o milagre pois existe sempre nele incluído, uma espécie de esperança em que vale a pena crer.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Infames Kamikazes...

 

 

 

Porque insistes em nos roubar a tranquilidade;

Numa intranquila vontade de matar,

Desejo ou insanidade,

Que nos chega a arrepiar,

Insana maldade.

 

Vidas desperdiçadas num segundo;

Vergonhoso instante,

Num ardor profundo,

Horror desesperante,

Terror vagabundo,

Que nos aprisiona.

 

Em cada explosão;

Esse aperto a temer,

Ouvindo o coração,

Acelerado e a bater,

Numa desesperada oração,

Temendo rever,

A repetida devastação.

 

  E lá vão caminhando;

Os Kamikazes infames,

Explodindo, roubando,

As vidas surpreendidas,

Daqueles que como nós,

Apenas desejam...

 

Viver. 

 

 

Os Lobos Que Se Escondem Na Europa...

 

Os atentados de ontem em Londres e os que em Antuépia se preparavam para efectuar, trazem-nos uma realidade, cada vez mais insistente e que urge ponderar:

Um novo tipo de terrorismo, que enfrentamos na actualidade.

Para trás no tempo parecem estar, as grandes conspirações, maquinadas anos a fio e engendradas por células estruturadas, comandadas a partir das sedes das organizações terroristas...

O combate ao terrorismo, trouxe para esta imensa batalha, novas versões de terror, novos enquadramentos, com que todos nós temos de nos preocupar.

Os atentados que ultimamente invadiram a Europa, tem características menos evoluídas, menos elaboradas, incapazes de envolverem bombas ou explosões, no entanto, não deixam de ser mortíferos e em certa medida, até mais assustadores...

E porquê?

Precisamente, porque ao se tornarem menos elaborados, precisando apenas de facas e automóveis, deixam de ser percetíveis, a quem deseja controlar este terror desorganizado e porque também faz de qualquer pessoa, um potencial terrorista.

Esta insegurança acaba na verdade, por ser a arma mais poderosa que estes radicais possuem.

Mais, estes lobos solitários como são intitulados estes extremistas, auto-instrumentalizados, através da Internet, com os demagogos discursos de Imãs radicais, vivem e nascem intra-muros nesta Europa, que vê nestes seus filhos, um perigo maior do que alguma vez imaginara.

Perdidos por entre discursos retóricos, que acabam por os seduzir de maneira incompreensível, o desafio que agora se coloca cada vez mais, é descobrir uma maneira de neutralizar, mais do que estes extremistas, a sua forma de pensamento, para que a sua ideologia não possa recrutar entre nós, estes kamikazes, sem pátria.

Assim com estas dúvidas, estes receios, a Europa e o Mundo Ocidental, tem de encontrar um caminho que nos permita libertar, as sociedades desta constante ameaça, sem oprimir as liberdades, que tanto contrastam com os ideais extremistas, de quem nos ameaça.

 

 

Filipe Vaz Correia