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Caneca de Letras

Caneca de Letras

O Chavismo Leonino

 

Uma equipa sem dinâmica, amorfa, ofensivamente incapaz, traduzindo desesperadamente a realidade inconsequente, de um Leão sem esperança.

O Sporting que entrou em campo para jogar contra o Steaua foi isto mesmo, um conjunto desgarrado, alertando os adeptos para o fracasso eminente da estrutura.

Estes adeptos sedentos de glória, a mesma que está inscrita no seu lema, acreditaram, acreditam neste projecto popular, por vezes popularucho, que lhes prometeu os tão ambicionados troféus, através da sapiência desse magnifico treinador, dono de uma verdade, cada vez mais difícil de ser justificada.

Os equívocos permanentes, contratações adiadas, rejeições anunciadas de meninos de Alcochete, se mistura com o discurso desconexo e até impreciso.

O Sporting entretém-se com o acessório, desprezando o essencial num caminho distorcido, impregnado de alucinantes erros de casting.

Depois deste jogo da pré-eliminatória da Liga dos Campeões, fico desesperançadamente esclarecido sobre o futuro desta equipa, que se amarra atrás na tentativa de defender bem, esquecendo-se que uma equipa grande necessita inevitavelmente de correr riscos, desequilibrar insistentemente na procura de ser melhor...

Este Sporting não encanta, nem poderia, pois carece de fantasia, não que ela não exista, no entanto, é impossível pedir fantasia quando se prende aqueles que a podem libertar.

Gelson sozinho num flanco, já que o jovem Piccini é do ponto de vista futebolístico inexistente, Podence encurralado entre os defesas adversários, ao lado de um ponta de lança pouco móvel, Adrien preso de movimentos ao lado de um seis que facilmente se desposiciona e por fim a inexistência de um extremo desequilibrador do lado esquerdo...

E o Sporting até o tem, chama-se Iuri Medeiros, só que passa os jogos sentado no banco e assim convenhamos é difícil desequilibrar.

Para terminar, neste texto em jeito de desabafo, fica a esperança de que algo mude, para que o futuro do meu querido clube, possa trazer com ele os sonhos que todos ambicionamos.

Assim como na política, as revoluções no futebol, trazem sempre uma esperança inicial que o tempo se encarrega de diluir na triste realidade da incompetência.

É assim que se encontra o meu Sporting, esperando que o seu reinado Chavista passe...

Para que um novo tempo chegue.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Começou A Premier League!

 

Começou a Premier League, com mais um jogo espectacular, impregnado de incerteza, de beleza, de uma fenomenal demonstração de qualidade.

Arsenal e Leicester, num estádio lotado, com milhões de pessoas em todo o mundo atentas, sedentas de futebol com esta dimensão...

E não foram defraudadas.

A beleza deste jogo, marcado por reviravoltas e ritmo, de uma vertigem pelo golo incompreensível mas que aporta a todos os instantes, uma magia não vista em mais nenhum campeonato.

Ali nas terras onde nasceu o futebol, se cruzam as verdadeiras emoções futebolísticas, os derradeiros apaixonados pelo romantismo pueril, que mantêm viva a chama de uma imensa poesia.

A classe de alguns dos melhores jogadores do mundo, Ozil ou Mahrez, a dimensão competitiva de outros e a busca insanável pela satisfação de cada um dos seus adeptos, levada ao limite da vertente táctica, da estética da técnica, da determinação impregnada em cada um dos intervenientes...

Ali o negócio do futebol, respeita a verdadeira natureza do mesmo, numa tentativa imprescindível para que não se destrua a credibilidade daqueles princípios que norteiam este desporto.

E assim, depois de alucinante hora e meia, de uma irreverente ansiedade, festejam mais do que uma vitoria, mais do que sete golos, mais até do que todas emoções que ali foram explanadas...

Festeja-se o regresso da Premier League e com ela o regresso do sonho intemporal, de um simples jogo de futebol.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

 

Os Milhões De Neymar

 

Quando Diego Maradona se mudou para Nápoles, vindo precisamente do Barça, muitos escreveram que o mundo estaria louco e que ninguém valeria aquele valor:

Perto de 7 milhões de Euros.

Nada nem ninguém, algum dia valera tanto dinheiro no mundo do futebol, deixando boquiabertos rivais e adeptos, com aquela tamanha mudança no panorama das transferências.

Pouco tempo depois, chegava o Holandês voador a Milão, de mão dada com o novo milionário do futebol italiano, Silvio Berlusconi, numa transferência a rondar os 12 milhões de Euros e novamente exclamaram todos:

Os Deuses estão loucos!

Daí para cá, já todos sabemos a história, que culminou no verão passado na transferência de Paul Pogba, por cerca de 125 milhões de Euros.

Podemos discutir estes montantes de dinheiro, no patamar da moral, dessa suposta moralidade que certamente torna infame este tipo de valores, em oposição com a tamanha miséria encontrada em tantos pontos deste mundo...

No entanto, poderemos ver este problema, por outro prisma:

Vejamos então a transferência de Maradona, que chega a Nápoles, um clube recém-chegado à Serie A italiana, sem pergaminhos e que se atreve a contratar o melhor jogador do mundo...

A partir desse momento vence provas europeias e vários Scudettos, como nunca o fizera na sua história, tornando-se por momentos uma das equipas mais temidas, um dos principais clubes a vencer qualquer prova mundial.

Quanto dinheiro realizaram em publicidade e merchandising, os napolitanos após a chegada de Diego Maradona?

Quantas vezes se pagou "El Pibe"?

De lá para cá, na era pós Maradona, nunca mais o Nápoles voltou a este patamar, nunca mais venceram algo similar.

E Cristiano Ronaldo?

O jogador Lusitano chegou a Madrid por mais de 90 Milhões de Euros, vencendo após esse momento três Ligas dos Campeões e duas Ligas Espanholas entre outros títulos...

Pouca coisa?

Melhor que isto só no tempo de Di Stefano, há muitas décadas atrás e sem o valor comercial inerente a este novo Real Madrid.

Ronaldo trouxe consigo também do ponto de vista de Merchandising e contratos publicitários um valor incalculável, valorizando a marca Real Madrid e as receitas do clube.

Quantas vezes se pagou CR7?

Cheguemos então a Neymar...

O que determinará o sucesso da sua transferência, serão os títulos que conquistará na cidade da Luz, os títulos Europeus, bem entendido.

Se conquistar para o PSG, duas Champions League, se conseguir a isso aliar um par de bolas de Ouro, certamente arrastará atrás de si, o entusiasmo necessário em mercados emergentes para que esta transferência daqui a algum tempo, seja vista como um golpe de asa, da estrutura desportiva Parisiense e do seu proprietário.

Caso contrário será o maior fiasco da história...

Do ponto de vista moral será sempre possível recriminar este tipo de negócios, no entanto, para os adeptos do PSG o que lhes importará verdadeiramente, é saber se depois de a bola começar a rolar, Neymar mostrará ou não, ser capaz de reclamar esse cognome de melhor do mundo e se os ajudará ou não, a vencer,  esses títulos de sonho que insistentemente procuram...

E aí, tudo será apoiado, percebido e o mundo se renderá a mais uma galáctica contratação.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Ronaldo E Os Abutres

 

Cristiano Ronaldo esteve hoje diante de uma Juíza, num tribunal de Madrid, dando as explicações que entendeu sobre este alegado caso de fraude fiscal.

Digo alegado pois num tempo em que todos beneficiam do alegadamente, mais faltava que para Ronaldo, essa premissa não fosse aplicada.

Mas não escrevo aqui para falar das suspeitas que impedem sobre Cristiano Ronaldo, as acusações que de tão complexas dividem até os funcionários do fisco Espanhol, que apresentam contraditórias conclusões para um caso como o de CR7...

Escrevo aqui para falar dos abutres de plantão, que quase sem pestanejarem aguardaram sedentos de sangue, na porta do tribunal, ansiando disparar mais uns flashes, aprisionar mais umas imagens, construirem mais umas histórias, enfim, criarem mais umas primeiras páginas sensacionalistas, à custa do melhor jogador do mundo.

Como se alimentam da coscuvilhice alheia?

Como vende a especulação?

No entanto, CR7 entrou neste jogo e por uma vez sorriu, deve ter sorrido...

Um púlpito foi montado, microfones instalados e anunciado que ali estaria Ronaldo no fim da audiência judicial, para falar aos abutres que se distraiam em diretos, cheios de certeza, impregnados de veredictos.

Ali esperaram às dezenas, com as objetivas apontadas, como armas, tentando imaginar como estaria o semblante do jogador Português e o que este diria...

Esperaram e esperaram.

No fim, um assessor apareceu e anunciou que Ronaldo já abandonara as instalações do tribunal e estava já a caminho de outro lugar, deixando para trás os abutres de plantão.

Que imensa vontade de sorrir, perante o espanto daqueles pseudo-jornalistas...

Uma vaia se fez ouvir no meio do rebuliço indescritível, uma revolta naqueles que se habituaram a infernizar, os tão apetecíveis alvos, deste tipo de imprensa.

Por um momento, Ronaldo deve ter sentido um pequeno contentamento, por naquele instante ter revertido o jogo, ter provocado aquele frenesim sem tamanho...

Os abutres vingar-se-ão numa próxima primeira página, numa história ainda por inventar, num qualquer escândalo por criar, no entanto, desta vez tiveram que vaiar, tiveram que se contentar com um púlpito vazio por entre um direto tristonho.

Muito bem, Cristiano Ronaldo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Vídeo-Árbitro...

 

A chegada do Vídeo-Árbitro ameaça mudar radicalmente o panorama do futebol Português...

Com a implementação deste novo tempo, deste novo modo de julgar o jogo, acrescenta-se verdade ao espetáculo, justiça em torno de deste nosso futebol.

Dir-me-ão que obriga a parar o jogo, que poderá se perder um pedaço da magia do golo e dos seus festejos, no entanto, mais importante do que tudo isso é a imensa sensação de verdade, inerente a esta alteração.

Vendo este último jogo em Alvalade com a Fiorentina, não posso deixar de imaginar a tremenda injustiça que seria a anulação de um golo limpo, como o golo de Bas Dost, apenas não validado devido à incompetência de um bandeirinha...

E como os bandeirinhas ditaram ao longo dos anos o resultado de jogos, o rumo de campeonatos, de muitos títulos.

Não posso deixar de me recordar daquela famigerada final da T. da Liga, no Algarve, onde a poucos minutos do fim, o Senhor Lucílio, aconselhado por um bandeirinha que estava a 40 metros do lance, transformou uma bola no peito, numa mão na bola...

Quanto tempo esteve aí, o jogo parado?

Quantos minutos foram necessários para prosseguir o jogo, acalmar a situação, expulsando injustamente um jogador e destruindo o trabalho de uma equipa que até àquele momento, controlava o seu destino?

Por todas estas razões, acredito que independentemente da equipa, que circunstancialmente saia beneficiada, a verdade será sempre benéfica para a credibilidade do espetáculo...

Será sempre melhor para todos, árbitros, jogadores, treinadores e adeptos, sendo que aqueles que não o desejam, é porque certamente estarão cómodos com o erro que deturpa a Verdade Desportiva.

E essa, Verdade Desportiva, é que verdadeiramente alimenta a magia deste jogo, que todos nós amamos.

 

 

Filipe Vaz Correia

Quantas Vezes Teria De Nascer O Jovem Mbappé?

 

Quantas vezes teria de nascer Mbappé, se tivesse crescido na escolinha de Alcochete e o destino o obrigasse a se cruzar com o mestre JJ?

Estaria certamente neste momento a renovar o seu contrato e provavelmente a rumar a um qualquer Desportivo de Chaves, para explanar o seu futebol a centenas de quilómetros de casa.

Esta transferência de 180 milhões do jovem fenómeno Francês é a evidência de que a idade no futebol não é contraditória do talento, da capacidade de ser determinante.

Aos dezoito anos, lançado pelo seu treinador, Mbappé deslumbrou o planeta da bola, desequilibrou em campo nos mais variados palcos e fez sonhar aqueles adeptos Monegascos que viram nele uma possibilidade de concretizarem esse distante sonho de vencerem...

Serem campeões.

O que seria de Dier, se em Alvalade ficasse?

Onde estaria Bernardo se continuasse subjugado à ditadura limitada de um treinador, que nunca conseguiu vislumbrar o seu imenso talento?

O que seria deste jogo, futebol, se o talento imaturo dos jovens génios fosse eternamente adiado?

Perturbam-me estas saídas que acontecem no meu Sporting, Chico, Matheus, Domingos Duarte ou até Palhinha em detrimento de Petrovic, Matheus Oliveira, Alan Ruiz ou mesmo Battaglia, sem que honestamente me pareça que em algum destes casos, os que ficam, sejam melhores do que estes pequenos meninos formados em Alvalade.

Se Mbappé valerá 180 milhões?

Não o sei, no entanto se Morata vale 80, se Lukaku vale 90 então o jovem Monegasco valerá pelo menos o dobro.

Porém, mais do que expressar a minha avaliação financeira do futebol actual, o que aqui importa é celebrar o atrevimento de um clube que não teve medo de escolher um dos seus, reconhecer-lhe o talento e apostar...

E ganhar!

Ainda bem que Mbappé, não nasceu em Almada, não começou a treinar pequenino nos campos de Alcochete, pois certamente teria de nascer pelo menos 100 vezes para ser suplente de Alan Ruiz e ter o privilégio de desfrutar de uma quantas palestras do Senhor Jesus.

Felizmente para ele, teve a oportunidade de voar.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

O Messi Do Quénia!

 

O Sporting aparentemente contratou, segundo alguns jornais, o Messi do Quénia, Mohamed Ramadhan...

Depois do Lampard dos Cárpatos, do Maradona do Egipto e do Messi da Escócia, o meu querido Sporting vai um pouco mais adiante e busca nesse belo País Africano, um jogador que fazendo jus ao nome será genial.

Infelizmente tenho a certeza que assim não será, pois convenhamos que nenhum Messi nasceria no Quénia, assim como, nenhum Paul Tergat nascerá na Argentina.

Ao ler esta noticia, de uma contratação Queniana, logo pensei num reforço para a equipa masculina de Atletismo, no entanto, logo me apercebi que aquele nome, Messi, não estaria ali por acaso...

Para um clube que já tem um Messi, neste caso Escocês, será prudente investir em mais um pequeno génio de tão longas paragens?

Talvez sim, caso o Scouting seja feito através de buscas homónimas, adivinhas singulares, enganos constantes...

Como me poderia esquecer do novo Riquelme, essa jóia chamada Alan Ruiz, jogador tão medíocre como os outros que aqui anteriormente referi, sendo neste caso, a cópia originária do mesmo país.

Pelo menos isso, se der uma entrevista e fecharmos os olhos podemos sempre imaginar que ouvimos o original Riquelme, coisa que não me parecerá possível com este novo rapaz que chegará ao reino do leão...

Pois das duas uma ou Messi aprendeu Queniano ou o jovem sabe falar castelhano.

Sobra-me a esperança de que este Scouting leonino, possa descobrir um Santiago Bernabéu ou um Abramovich qualquer, num qualquer canto do mundo e se apresse a contratá-lo...

Mas desta vez, para Presidente.

Pois a minha alma Sportinguista, já está por tudo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Cristiano Ronaldo: Um Estupor Moral?

 

Este é um assunto sobre o qual não me apetecia escrever, ou seja, para ser mais honesto queria evitar falar sobre ele...

Por variadíssimas razões, sendo a principal, a minha verdadeira admiração por esse filho da cantera leonina, de seu nome Cristiano Ronaldo.

Por vezes, tomar decisões que rompem a barreira do tempo, das tradições, do costume, tem o preço exorbitante dessa mesma condição, no entanto, Ronaldo ultrapassou tudo isso e decidiu afrontar sem delongas o patamar da moralidade...

Admito que me faz confusão, que penso ser contra-natura, alguém pagar para ser pai, retirando aos seus filhos o direito de terem uma Mãe, de se sentirem amados por aquela que certamente tem o papel mais importante na vida de todos nós.

Custa-me essa imoralidade, do meu ponto de vista, essa deturpação desse sentido da vida, destruição dos padrões que aceitamos como normais...

No entanto, dia após dia, artigo após artigo, entrevista atrás de entrevista, muitos representaram o meu ponto de vista, muitos até o ultrapassaram, outros até o deturparam.

Depois do fisco, dos bebés, da namorada, do cabelo e provavelmente de tudo o resto, chegámos à entrevista do Dr Gentil Martins ao Expresso, declarando inequivocamente o seu juízo sobre Ronaldo, a sua Mãe e a sua vida...

De forma cruel, destemperada, ofensiva.

Faço de antemão a minha declaração de interesse, tenho por Gentil Martins uma estima inesgotável, admiração inexorável, apreço sem limites e por isso mesmo, não consigo acreditar que tenha proferido tais palavras...

Estupor moral?

Não pode ser exemplo para ninguém?

A senhora sua Mãe não lhe deu educação nenhuma?

Existe um limite para expressarmos a nossa opinião, um limite educacional e essencialmente Humano...

Eu discordo da opção de Cristiano Ronaldo, discordo por principio, por educação, por crença profunda de que esta forma de criar uma família não é a correta mas não sou o dono da verdade, nessa essência Humana que permanece um enigma.

Tenho uma opinião mas não faço um julgamento.

Se de uma coisa tenho a certeza é que o menino Ronaldo será sempre um exemplo, saído de Alcochete para o mundo, de Alvalade para o Olimpo do futebol, onde estarão poucos e certamente nenhum Português...

E por muito que digam que não, o  pormenor de aí não estar mais nenhum Português,  nesse nível que o menino Ronaldo atingiu, cria muito ressabiamento.

Opine-se, discuta-se mas não façamos de Ronaldo, um estupor moral...

E mais do que isso não se diga, que não é exemplo para ninguém.

Pois isso, não aceito.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Ó Chico...

 

Meu caro Chico, Francisco Geraldes, é com tristeza que aqui escrevo estas linhas, depois de mais um jogo do nosso Sporting.

A primeira questão que me impele a escrever esta carta é a inquietude que me provoca o desperdício indescritível do teu talento, dessa magia com que em cada toque transformas o jogo, numa mistura de João Mário e Bernardo Silva.

Em segundo lugar temos a humilhação maior, ou seja, pior do que o Sporting te resgatar a meio de uma época, onde estavas a ser um dos jogadores revelação do campeonato, para que o atual treinador leonino te utilizasse em escassos minutos...

Pior do que insistirem em colocar-te a jogar espartilhado como um avançado, quando tens moldado o teu futebol para o lugar de oito, quanto muito, um médio ala potenciador de equilíbrios, mais grave do que tudo isso...

É colocarem-te em campo ao minuto 60 e substituírem-te ao minuto 80, numa tentativa de assassinar qualquer esperança que pudesses ter, de um dia, esse treinador menor, apostar em ti.

No entanto até isso seria menor, se por alguma razão, olhasses para o teu lado e não estivesse ali em campo, uma das maiores apostas de Jorge Jesus, um barril ambulante, gordo, lento, desinspirador mas que é Argentino e custou bastante dinheiro...

Substituir-te e deixar em campo o lento Ruiz é na verdade, a maior humilhação que se pode fazer ao teu talento, quase ao mesmo nível, de te colocar a jogar ao seu lado.

Por isso meu caro Chico, por mais que o teu coração Sportinguista te diga que não, pede para sair, busca noutro lado a felicidade que a genialidade do teu futebol merece, longe de casa mas com um futuro risonho pela frente.

O ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, que lias no banco de suplentes antes do jogo com o Valência, é o retrato perfeito sobre o treinador atual do nosso Sporting, no entanto meu caro, não existirão livros que possam fazer um burro velho aprender línguas...

Ou neste caso, entender o puro talento de um Leão.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

  

Os Primeiros Passos Do Leão!

 

O primeiro esboço do Leão de Jorge Jesus, que se prepara para tentar conquistar o campeonato em mais uma época de esperança...

As expectativas estavam portanto voltadas para este encontro, um primeiro jogo, com um reformulado onze, novas caras, novos nomes.

Gostei bastante do que vi, pois não estava à espera que a equipa conseguisse executar em constante pressão o plano de jogo, que na primeira parte em alguns momentos tentasse mesmo dominar de maneira categórica, uma equipa como a do Fenerbahçe..

Mesmo sem William ou Adrien, Patrício ou Gelson, o Sporting demonstrou com este seu 4x4x2 pressionante, uma espécie de regresso ao primeiro ano de Jesus...

Mathieu é um jogador feito,  mesmo que ainda busque o entendimento com Coates e restante defesa, no entanto, não engana pela maneira como distribui ou destrói, como se move e cabeceia.

Bruno Fernandes é indiscutivelmente um patrão, um pequeno Adrien que assume a batuta de carregar a equipa para a frente, dispondo de uma capacidade de passe absolutamente deslumbrante...

Coentrão pareceu renovado e caso as lesões não apareçam, o Sporting poderá contar com um excelente reforço.

Adorei Iuri, a maneira como toca na bola, como desmarca os seus colegas, como se move, lendo os lances muito antes dos restantes...

Iuri traz ainda consigo, a mais valia das bolas paradas, algo que faz eximiamente e que se antevê de muita utilidade para este novo Sporting.

Doumbia resgata para este estilo de jogo que Jorge Jesus tanto gosta, uma certa verticalidade, uma sorrateira matreirice própria dos grandes jogadores, algo que o clube havia perdido desde a partida de Teo Gutierrez...

Bastou um ou dois momentos, após ter entrado, para todos comprovarem que o Costa Marfinense, será um indiscutível nesta equipa.

Para mim, apenas dois jogadores estarão a mais neste modelo Leonino...

Petrovic e Alan Ruiz.

O primeiro é de uma lentidão indescritível, aliando a este facto, o importantíssimo pormenor de não conseguir fazer um passe em fase de construção...

Onde estará o menino Palhinha?

O segundo, é o maior mistério deste Sporting de Jesus...

Como pode um jogador que joga a passo, sem capacidade de pressão, incapaz de esticar o jogo em profundidade, aprisionado a uma espécie de futebol de rua em ritmo de passeio, ser insistentemente elogiado pelo mestre da tática?

Alan Ruiz pode ter o número dez mas nunca será um jogador de nível para jogar por um clube como o Sporting Clube de Portugal.

Onde estará o menino Geraldes?

De resto adorei Podence, como promete o pequeno grande jogador leonino e anseio ver melhor os Matheus, Pereira e Oliveira, o irreverente Bataglia, Piccini ou até o regressado Jonathan.

Se aqui juntarem os que faltam e um génio como Pity, então este Sporting poderá ser um equipa de grande qualidade.

E se for assim, atenção a este Leão na temporada do tudo ou nada, para Jesus e não só...

Para o Bruno também.

 

 

Filipe Vaz correia