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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Os Designios Secretos Do Amor

 

 

 

Por vezes basta um sorriso;

Um olhar incontido,

Um entendimento desentendido,

Um caminhar meio perdido,

Para se encontrar esse alguém...

 

Por vezes chega um silêncio;

Um ruidoso instante,

Sem voz, hesitante,

Para num piscar de olhos,

Tudo mudar...

 

Por vezes até;

Basta apenas calar,

Ou secretamente gritar,

O desentendimento;

Que o coração,

Insiste em querer...

 

Por vezes;

E só por vezes,

Se encontra assim,

Um grande amor.

 

 

Através Dos Teus Olhos!

 

 

 

Através dos teus olhos;

Revejo nesse espelho,

O contraditório sentir da vida,

Complexo enigma,

De uma aventura desconhecida,

Que desconheço...

 

Através dos teus olhos;

Anseio voar,

Descobrir as interrogações,

Desse imenso navegar,

Que nos aprisiona...

 

Através dos teus olhos;

Vejo as vidas que passaram,

As viagens que fizemos,

Que juntos nos escaparam,

Noutros lugares...

 

Através dos teus olhos;

Vejo o mundo,

Vislumbro sem receio,

Esse abraço profundo,

Que eternamente nos une.

 

 

A Contraditória Aventura Da Alma!

 

 

 

Escrevendo desalinhadamente;

Juntando as letras descompassadamente,

Agrupando as ideias desorganizadamente,

Libertando as lágrimas que intrinsecamente,

Me sufocam intermitentemente,

Por esse destino insistente,

Na ausência que eternamente,

Se faz sentir ausente...

 

Escrevendo desalmadamente;

Os anseios que reticentemente,

A minha alma descrente,

Ainda sente...

 

Sentindo desmesuradamente!

 

 

 

 

Carta Do Adeus!

 

 

 

É agridoce chorar por ti;

E ainda mais saber que te perdi,

Que se escapou e eu senti,

Que chegara a hora desse adeus...

 

É salgado o sabor das minhas lágrimas;

Como é salgado este destino que me rodeia,

É certamente destemperado,

Tal como esta dor que me cerceia...

 

Apenas me alegra saber;

Que até ao dia em que morrer,

Saberás sem dizer,

Que nunca te faltei.

 

 

 

Às Vezes Volto A Sorrir!

 

Por vezes ao anoitecer;

Ainda ouso navegar,

Deixando-me perder,

Nesses pensamentos que regressam sem parar...

 

Por vezes ainda oiço os teus passos;

Sabendo que já partiram,

Ainda vejo a espaços,

Esses abraços que me fugiram...

 

Por vezes ainda creio;

Mesmo sabendo que não é verdade,

Ainda receio,

Não sentir a tua saudade...

 

Por vezes e só por vezes;

Ainda regresso àquele berço,

Onde insistias em me embalar,

E em todas essas vezes,

Volto a sorrir.

 

Questões Eternas...

 

 

 

Se o tempo é conselheiro,

E tantas vidas se passaram,

Questiono o mundo inteiro,

Sobre essas dúvidas que me sobraram...

 

Se o vento é viajante,

E traz com ele a sabedoria,

Questiono a angustiante,

Ausência de melodia...

 

Porque nesses intervalos de ti,

Nesse distante interregno,

Sei que dói esse amor,

Que apesar de eterno,

Não me basta...

 

E por entre o viajar;

Ou constante navegar,

Nesse crispado mar,

Questiono esse lado lunar,

Da minha esperança...

 

Será a eternidade, suficiente para tamanho amor?

 

 

 

 

 

 

 

Um Sonho De Criança!

 

 

 

Era uma vez;

O sonho de uma criança,

Sempre preparada para voar,

Levando nos olhos a esperança,

De um dia o concretizar...

 

E foi crescendo a sonhar,

Com essa constante ilusão,

Por entre o eterno viajar,

No cockpit da sua imaginação...

 

E um dia ao acordar;

Já não era um menino,

E estava a realizar,

O sonho do seu destino...

 

E assim nesta esplanada;

Vive concretizada,

A ilusão imaginada,

Do que um dia,

Aquela criança sonhou.

 

 

 

 

A Estranha Beleza De Amar!

 

 

 

Estranhas as linhas da tua mão;

Que se cruzam para além do tempo,

Com o bater deste meu coração,

Inebriante sentimento...

 

Estranha vontade de voar;

Por entre a imensidão deste mundo,

Descobrindo sem parar,

Toda a beleza num segundo...

 

Estranha querença imperfeita;

Imperfeição verdadeira,

Uma lágrima desfeita,

Aguardando a inteira,

Esperança de viver...

 

Estranha incerteza;

Na gigantesca certeza,

Do meu amor,

Por ti!

 

 

 

Estranha Maneira De Amar!

 

Estranha maneira de sentir;

De correr e fugir,

De não enfrentar e partir,

Esse receio de ferir...

 

Temido ardor;

Que invade num torpor,

Num instante, temor,

Arrebata, arrebatador,

O nosso eterno amor...

 

Eternamente aconchegante;

Ilusão tão distante,

Do que um dia hesitante,

Ficou para sempre arrepiante...

 

Sem saber como escrever;

Deixei o tempo descrever,

Nos céus a chover,

As lágrimas a escorrer,

Pelo meu triste rosto...

 

E talvez um dia;

A tristeza vire alegria,

A solidão,

Como que por magia,

Se transforme novamente,

Nessa estranha maneira,

De amar...

A Viagem De Uma Vida!

 

 

 

Tantas as estrelas no céu;

No infindável mergulho da minha vida,

Nas histórias guardadas em mim,

Na memória esquecida,

Que acompanha sem fim,

A minha alma...

 

Tantas as lágrimas por contar;

As alegrias e as aventuras,

Os momentos a recordar,

De agruras ou ternuras,

Aprisionadas nesse passado...

 

Tantas as pessoas que perdi;

Neste caminho para a velhice,

Os que lembrando, esqueci,

Desde a minha meninice....

 

E neste trajeto de ilusão;

Por entre o amor e a desilusão,

Esperando chegar a esta conclusão,

Amarrada ao meu coração...

 

De que valeu a pena;

Esta viagem.