Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

As Rosas Do Meu Quintal!

 

 

 

As roseiras do meu quintal;

Já não brilham como dantes,

Já partiram do roseiral,

Levando os alegres instantes,

Misturados com a intemporal,

Idade viajante...

 

As rosas outrora viçosas;

Murcharam entristecidas,

Aprisionadas à desgostosa,

Sensação perdida,

Da minha juventude...

 

Sobraram as folhas caídas pelo chão;

Como lágrimas escorrendo pelo meu rosto,

Sobraram recordações no coração,

Saudades e desgostos,

Daqueles que um dia partiram...

 

 Restaram no meu quintal;

Estas minhas velhas lembranças,

Guardadas num singelo postal,

Guardando a fugidia esperança...

 

E as rosas vão murchando;

Cada pétala se despedindo,

Vão discretamente tombando,

E desta vida partindo...

 

E como elas;

Também eu,

Vou-me despedindo deste quintal,

Que muitos chamarão,

De vida.

 

 

 

A Estrada Da Vida!

 

 

 

Nascemos sós;

Morremos sós...

 

E nesse entretanto;

Que chamamos de vida,

Buscamos encontrar,

A fórmula perdida,

Para a desejada felicidade...

 

Por vezes chorando,

Outras vezes sorrindo,

Vai a alma caminhando,

Pela mais bela viagem,

Que um dia existiu...

 

Viajando no complexo;

Destino,

De cada um de nós...

 

Pois nascemos sós,

E morremos sós.

 

 

 

 

Vai Desvanecendo...

 

 

 

Vai apagando a memória;

Os sorrisos de outrora,

Vai desvanecendo esta história,

Por entre a dor de agora...

 

Vai toldando a emoção;

Impregnada de ardor,

Vai deixando o coração,

Aquele eterno amor...

 

Vai doendo sem parar;

Sem saber como dizer,

O que um dia foi amar,

E se tornou desvanecer...

 

E assim devagarinho;

Suavemente arrancando,

Esse eterno carinho,

Que para sempre irei guardando...

 

Bem escondido;

No ausente pedaço,

Daquele amor maior.

 

 

O Coração Abandonado De Um Poeta...

 

 

 

As águas deste rio;

Tranquilas e adormecidas,

Acompanham os meus pensamentos,

Juntando as palavras perdidas,

Que foram minhas por um momento...

 

As águas deste rio;

Soletram a minha dor,

Recuperando as lágrimas,

Que nesta ânsia sem pudor,

Por vezes me invadem...

 

As águas deste rio;

Vão fingindo ainda sorrir,

Para num singelo arrepio,

Tocarem a minha triste alma...

 

 E sentindo sem parar;

Caminhando o pensamento por essas livres águas,

Vai continuando a sonhar,

O coração abandonado,

De um poeta.

 

 

 

 

 

O Meu Mundo É A Preto E Branco!

 

 

 

Já a vida me escapou;

Se perdeu nos meu pensamentos,

O destino que me falhou,

Por entre os caminhos deste tormento...

 

Sinto a imensa solidão;

Aprisionada na minha mente,

O vazio no coração,

E no meu olhar descrente...

 

Vejo tudo a preto e branco;

Despedi-me de todas as cores,

Isolei-me neste pranto,

De agruras e dores...

 

E sonhando com a tristeza;

Com a minha triste amargura,

Vou sentindo a incerteza,

Que me invade na loucura...

 

E sobrando-me a infelicidade;

Como forma de viver,

É imensa a saudade,

De ter vontade de querer...

 

Ou de pelo menos ver o mundo;

Com todas as suas cores.

 

 

As Noites E As Minhas Eternas Saudades!

 

Muitas vezes me aproximo da janela, à noite, esperando reconhecer nas estrelas que brilham intensamente, um rosto conhecido por entre o desconhecido enigma deste destino que nos envolve...

Tantas e tantas vezes procuro naquela escuridão impregnada de cristais cintilantes, um pedaço de mim mesmo, desse passado e das pessoas que já partindo, eternamente fazem parte da minha alma.

Procuro assim atenuar as saudades que insistem em sobreviver, acorrem vezes sem conta à minha mente para recordar a falta que ainda sinto, de cada um...

Por vezes nesse constante reencontro com os momentos que já fugiram, relembro sorrisos e lágrimas, resgato tristezas e alegrias, tentando preencher um vazio que sempre acaba por reaparecer.

Nessas noites, tendo a lua como testemunha, converso com o misterioso desconhecido que insisto em crer será repleto de reencontros ansiados...

E se assim não for?

As dúvidas e anseios próprios desta imensa incerteza que por vezes me invade, fazendo-me olhar novamente para aquelas estrelas, para aquele brilho e através dele voltar a perder-me na crença de que me ouçam.

A noite permanece, as estrelas ali continuam e eu volto a esconder as intensas saudades guardadas em mim, daqueles que para sempre meus, infelizmente, partiram para longe.

Mais uma noite, nesta eternidade pejada de enigmas...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

A efémera intemporalidade!

 

 

 

Quantas vezes imaginei,

Que era eterno o que sentia,

Quantas vezes me enganei,

Sem imaginar que doeria

 

Acreditando na eternidade,

Nessa efémera forma de querer,

Vai chorando essa saudade,

De um tempo a esquecer

 

Sem que possa descrever,

Como  desvaneceu o sentimento,

Essa estranha forma de morrer,

No bater do sofrimento

 

E depois de muitas linhas,

De tantas palavras prometidas,

Escapou se o tamanho amor,

Por entre as feridas,

Da minha triste alma.

 

 

Os Designios Secretos Do Amor

 

 

 

Por vezes basta um sorriso;

Um olhar incontido,

Um entendimento desentendido,

Um caminhar meio perdido,

Para se encontrar esse alguém...

 

Por vezes chega um silêncio;

Um ruidoso instante,

Sem voz, hesitante,

Para num piscar de olhos,

Tudo mudar...

 

Por vezes até;

Basta apenas calar,

Ou secretamente gritar,

O desentendimento;

Que o coração,

Insiste em querer...

 

Por vezes;

E só por vezes,

Se encontra assim,

Um grande amor.

 

 

Através Dos Teus Olhos!

 

 

 

Através dos teus olhos;

Revejo nesse espelho,

O contraditório sentir da vida,

Complexo enigma,

De uma aventura desconhecida,

Que desconheço...

 

Através dos teus olhos;

Anseio voar,

Descobrir as interrogações,

Desse imenso navegar,

Que nos aprisiona...

 

Através dos teus olhos;

Vejo as vidas que passaram,

As viagens que fizemos,

Que juntos nos escaparam,

Noutros lugares...

 

Através dos teus olhos;

Vejo o mundo,

Vislumbro sem receio,

Esse abraço profundo,

Que eternamente nos une.

 

 

A Contraditória Aventura Da Alma!

 

 

 

Escrevendo desalinhadamente;

Juntando as letras descompassadamente,

Agrupando as ideias desorganizadamente,

Libertando as lágrimas que intrinsecamente,

Me sufocam intermitentemente,

Por esse destino insistente,

Na ausência que eternamente,

Se faz sentir ausente...

 

Escrevendo desalmadamente;

Os anseios que reticentemente,

A minha alma descrente,

Ainda sente...

 

Sentindo desmesuradamente!