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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Ruas...

 

 

 

Ruas estreitas;

De estreitos destinos,

Caminhadas imperfeitas,

Imperfeições e desatinos...

 

Ruas perdidas;

Perdidos receios,

Becos e feridas,

Escondendo anseios...

 

Ruas de dor,

Viagem imortal,

Mágoas de amor,

Desejo infernal...

 

Ruas e ruelas,

Com cheiros de jasmim,

Sonhos de canela,

Agruras sem fim...

 

Ruas e mais ruas,

Alma desnudada,

Verdades nuas,

Palavras tuas,

Silêncios meus...

 

Eternamente meus!

 

 

Poético Coração...

 

 

 

Caminhei por entre a vida;

Pela infinitude de sentimentos,

Carreguei tamanhas feridas,

Inquietudes e tormentos...

 

Naveguei em alto mar,

Nadei na imensidão de um rio,

Desejei sem renegar,

O teu toque, meu arrepio...

 

Voei sem sobrevoar;

Minhas lágrimas recolhidas,

Mágoas a disfarçar,

Palavras fingidas...

 

Caminhei por entre o destino;

Eternidade temporal,

Por esse imenso desatino,

Meu desejo infernal...

 

E foi passando demasiado tempo;

Na cantada vontade da minha solidão,

Solidão trazida pelo vento,

Voz de uma emoção,

Recordado sofrimento,

Deste poético coração.

 

 

Vale Encantado...

 

 

 

Um vale encantado;

Cheio de luzes e cores,

Querer disfarçado,

Por entre as dores,

Num céu pincelado,

De desgostos e amores...

 

Oiço os sons do silencio;

Ruídos de ilusão,

Num distante lugar,

Onde mora a emoção,

O secreto olhar,

Deste triste coração...

 

E segredando ao vento;

A ausente companhia,

O presente tormento,

A entrelaçada nostalgia...

 

Num vale encantado;

Onde verdadeiramente,

Aquele menino,

Torna a ser feliz.

 

 

 

 

Só Se Ama Uma Vez....

 

 

 

Raios de sol;

Ventos de mudança,

Clave de sol,

Sons de esperança,

Cheiros de mentol,

Antiga herança...

 

Memórias temperadas;

De faces e rostos,

Lágrimas salgadas,

Tristezas e desgostos...

 

Beijos e abraços;

Afagos perdidos,

Imagens a espaços,

De tempos antigos...

 

Não volta atrás o tempo;

Não regressa o imenso olhar,

Não me pertencerá o infinito,

Desse eterno amar...

 

Porque só se ama;

Uma vez.

 

 

Composição De Amor

 

 

 

Não sei explicar;

Esse ardor que sinto,

Esta forma de amar,

Amor, não minto...

 

Certa grandeza do ser;

Grandeza que consome,

Vontade de descrever,

Esse olhar que absorve...

 

Olhar escondido;

Vergonha interdita,

Coração ferido,
Numa ilha perdida...

 

E distante;

Bem ao longe,

Miragem hesitante,

De um imenso amor...

 

Tão imenso;

Sentimento gigante,

Desejo intenso,

Eterno e asfixiante...

 

Já não grita a singela vontade;

Já não sobra a antiga surpresa,

Já não resta a ausente saudade,

Incerta, incerteza...

 

E sobra a maldita ilusão;

Uma espécie contraditória de dor,

Indolor contradição,

Do que um dia,

Foi amor.

 

 

 

 

 

Aventurada Desventura...

 

 

 

Solitária vontade;

Impregnada ventania,

Desesperante saudade,

Das canções que um dia,

Ousaram tocar...

 

Destemperado querer;

Quisera o tempo saber,

Sabendo o leve bater,

Deste destinado viver,

Tão meu...

 

Desventurada aventura;

Olhar pejado de ternura,

Desembarcada candura,

Entrelaçada loucura,

Que nos abraça...

 

Desalinhada escrita,

De uma lágrima descrita,

Descrevendo a inaudita,

Viagem...

 

Viajando;

Por entre  as palavras,

Da solidão.

 

 

A efémera intemporalidade!

 

 

 

Quantas vezes imaginei,

Que era eterno o que sentia,

Quantas vezes me enganei,

Sem imaginar que doeria

 

Acreditando na eternidade,

Nessa efémera forma de querer,

Vai chorando essa saudade,

De um tempo a esquecer

 

Sem que possa descrever,

Como  desvaneceu o sentimento,

Essa estranha forma de morrer,

No bater do sofrimento

 

E depois de muitas linhas,

De tantas palavras prometidas,

Escapou se o tamanho amor,

Por entre as feridas,

Da minha triste alma.

 

 

Livre!

 

Sou livre;

Posso voar,

Não tenho amarras,

Nada me prende, me segura,

Nada me impede de correr...

 

Sinto-me livre, sem medos;

Posso respirar o mundo inteiro,

Correr riscos, sofrimentos,

Viajar por entre o vento...

 

Livre e liberto;

Só por mim e por mais nada,

Não me importa qual seja o fim,

Desta vida desencantada...

 

Vejo cores e movimentos;

Vejo o sol e a lua,

Sinto os meus sentimentos,

Nesses caminhos, por essas ruas...

 

Sou do mundo, deste planeta;

Sou mais um na solidão,

Nesta vida de cometa,

No meio da multidão...

 

Aproveito cada instante;

Para viver, para sentir,

Nesta terra às vezes distante,

De onde, por vezes, me apetece fugir...

 

Sou livre, livremente;

Procurando observar,

Aproveitando constantemente,

Este eterno viajar...

 

Sendo assim, vivo livre;

Por desejo e vontade,

Livre vivo, livre morro,

Caminhando pela eternidade!

 

 

A Bailarina...

 

Era uma vez uma menina, que sonhava poder voar, repetindo nos seus sonhos, essa crença a soletrar, através das palavras que cresciam alegremente no olhar, cada vez, que via aquele recital...

Todas as noites ao adormecer, fechava os seus olhos, esperando poder sentir esse vento a chegar, como os pássaros, esvoaçando sem fugir, desse destino que tanto ambicionava.

Noite após noite, intocáveis pensamentos, que tomavam conta desses desejos impossíveis, difíceis de realizar...

No seu olhar encantado, uma esperança que não cabia dentro da sua alma, alvoraçando inquieta as angústias insistentes, guardadas secretamente, na expressão daquela imagem, sempre presente.

Tantos anos se passaram, desde que aquela menina, com os braços abertos, julgava poder cobrir os céus, na imensidão da sua dor, que alimentava os sonhos imaginados...

E nesse dia, naquela história, no cimo daquele palco, em cima daquelas tábuas de madeira, o passado regressava, para se fundir com o seu coração.

Abriam-se finalmente as cortinas, deparava-se com aqueles olhares indiscretos, das gentes sentadas, naquele teatro lotado da sua infância...

E ali de pé, com aquela música como pano de fundo, abria novamente os seus braços, a menina, agora mulher, saltando eternamente diante do infinito, enquanto abraçava esse destino, que tanto desejara tocar.

Voando por entre as nuvens e os desejos da sua terna infância, encontrava-se submersa, no imenso contentamento da sua alma.

E assim, uma bailarina, menina, mulher, ganhava naquele momento, naquela vontade, as asas com que sempre sonhara...

Bravo!

 

 

Filipe Vaz Correia