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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Assédio Ou A Brincar?

 

Despediram Charlie Rose?

A sério...

Sinceramente acho que se está a confundir tudo, num misto de histeria colectiva e de reacção impulsiva que se transforma na mais pura e animalesca justiça popular.

Misturar casos como os de Kevin Spacey ou Harvey Weinstein, por exemplo, com os de Joseph Blatter ou de Dustin Hoffman, são em primeira instância uma ofensa para aquelas pessoas que foram verdadeiramente vitimas de violações e abusos sexuais...

Neste terreno frágil e sensível, não se deve misturar um crime condenável e repugnante, como aconteceu nos dois primeiros casos, com uma atitude moralmente condenável, mas a anos luz de ser um acto criminoso.

Não se confundam as coisas.

Reparemos o que se passa com Charlie Rose, jornalista de quem gosto há muitos anos e que aqui aparece acusado de vários actos, todos eles absolutamente brejeiros, estúpidos, ridículos, se assim quiserem...

Mas muito longe de serem crime, sendo que o próprio admitiu alguns daqueles actos mas jamais confirmou a autenticidade de todos eles.

E o que se fez?

O que fez a CBS?

Despediu um dos mais conceituados jornalistas da sua geração...

Esta espécie de histerismo a que todos os dias assistimos, descredibiliza os verdadeiros casos, onde mulheres e homens se tornam vitimas de violência sexual, com a conivência de uma sociedade que se presta ao papel de condenar veementemente tudo o que lhe aparece pela frente, sem ouvir, sem confirmar, sem verdadeiramente saber.

Hoje em dia, neste mundo mediático, um "Famoso", (parece-me essencial nestes casos esta condição) que tente seduzir alguém tem de ter muito cuidado, pois a linha entre o galanteio brejeiro e a violação tornou-se absolutamente ténue.

Convém aqui referir que não estou a querer defender os galanteios brejeiros, ou comentários impróprios, ou mesmo, um insinuante piscar de olhos...

Não!

Mas por favor, não me venham com a conversa de que tudo isto é crime...

Não, não é!

Misturar tudo é tão injusto para as vitimas, todas elas, as que sofreram violência sexual às mãos deste tipo de animais, assim como, aqueles que não tendo feito nada disso, são hipocritamente comparados, a esses mesmos animais.

Bem...

Vamos ver quem é acusado amanhã...

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Tem dias...

 

A vida é misteriosa, assim como, misteriosa é por vezes esta imensa vontade, de aqui escrever.

Em desabafar palavras que se seguram, sentimentos que ouso guardar em mim, para mim...

Enfim, só em mim.

Tenho dias em que penso mais nas despedidas que tive com aqueles que mais me marcaram...

Tem dias assim.

Por razões e desatinos, recordo vezes sem conta Minha Mãe e  aquele sorriso que me acalentava, aquecia, trazia esse imenso amor que só ela me sabia dar.

Nada se compara a essa expressão maior...

Nada!

Um amor maior do que a extensa dimensão de um texto, do que a densidade descrita numa singela poesia, do que a incessante  busca por um encontro, entre o pensamento e a palavra.

Foi através de minha Mãe que herdei este gosto pela escrita, pela forma poética de expressar o que dentro da alma habita, seja em grito, em sussurro ou simplesmente em silêncio...

Num silencioso desejo de desabafar.

Tem dias em que a tristeza é maior, tem dias que não...

Tem dias em que me recordo mais desse instante final, outros dias em que tudo me traz o brilho, que sempre subsistiu em seu olhar.

Tem dias em que se esconde  a um canto, essa tristeza, sempre presente mas que se fingindo ausente, vai deixando a alegria voltar, o sorriso permanecer maior...

Tem dias que não, que essa tristeza se agiganta, volta a ser maior do que o bater da alma, regressando a dor, a invasiva e esmagadora dor.

Tem dias assim...

Mas no meio desses dias, pego numa caneta ou ligo o computador e aqui desabafo umas linhas, perco-me neste pedaço de mim.

Tem dias que sim...

Tem dias que não.

Mas essencialmente sobra a memória, a recordação constante de tantos e tantos dias passados, indescritíveis dias, que trazem consigo a imensa certeza...

De que valeu a pena.

Valeu sempre a pena.

 

 

Filipe Vaz Correia 

Triste Destino Meu!

 

 

 

Não me persegue a velha chama;

Chamando por quem costumava chamar,

Desapegado chamamento,

Que ousava clamar,

Dentro de mim...

 

Não existe mais aqui dentro;

Aquele bater,

Que crescia por um momento,

Desejando viver,

A teu lado...

 

Não respira mais aquela dor;

Mistura de sabores,

Sedutor odor,

Perdido por entre amores,

Despedaçados...

 

E no centro da velha tela;

No meio daquelas lágrimas,

Se escondem as aguarelas,

Com que foi pintado,

O triste destino meu.

 

 

Um Rapazote Deslumbrado!

 

Nunca fui um grande admirador do Rui Santos e do seu programa "Tempo Extra", SIC Noticias...

Mais, recordo os tempos em que o jornalista em questão usava o seu programa, para atacar de maneira constante o Sporting Clube de Portugal e o seu treinador Paulo Bento, numa batalha sem quartel, o que vezes sem conta, me exasperava e irritava.

Tempos distantes e que por estes dias pouco reflectem, o que aqui irei escrever:

Nesta polémica, que corre por entre Facebook ou programas televisivos, entre o actual Presidente do Sporting e o Apresentador em questão, vejo-me tristemente envergonhado, pela maneira como uma vez mais se comporta, aquele que representa a História Leonina.

O comunicado de Bruno de Carvalho no seu Facebook, já não surpreende, nem no estilo, nem no linguajar, muito menos no aspecto truculento, empregado em cada virgula, a cada pedaço do seu desgarrado texto.

Rui Santos, que inicialmente até demonstrava apreço pela personagem, apelidou-o desta vez, de Rapazote Deslumbrado...

Ao contrário de outros, considero que foi simpático.

Bruno de Carvalho demonstra ser imensas coisas, na forma como trata o Clube, que parece actualmente ser sua propriedade, na maneira como se refere aos fantasmas, que em cada esquina o parecem perseguir...

Neste momento o Sporting encontra-se num dos períodos mais delicados da sua História, por muito que o queiram negar, pois o clube é refém de um regime Autocrático, submerso num gigantesco culto da personalidade, alimentado por um Rapazote Deslumbrado e por aqueles que fanaticamente o apoiam, tentando transformar qualquer voz que se lhe oponha, num representante de outro tempo, defensor daqueles que anteriormente representaram o Clube.

Este tipo de discurso, castrador do debate público, é encontrado sistematicamente em regimes ditatoriais, comandados repetidamente por Populistas e Demagogos, que acabam por defender as suas lideranças, no conceito primitivo do "Nós Versus Os Outros".

Na Venezuela, Nicolas Maduro utiliza o mesmo tipo de linguagem, da trauliteira verborreia para catalogar de Fascistas, aqueles que o contestam...

Deixo o legado Histórico da Venezuela para os Historiadores, sendo que desconheço qualquer influência do Regime de Mussolini, na política daquele País.

No entanto, vezes sem conta, repetem-se nesse tipo de liderança, os tiques de personalidade, de um imenso desencontro com a realidade, na busca por uma justificação que comprove a sua divina razão...

Nunca chegará, pois a realidade acaba sempre por esmagar, aqueles que por instantes pretendem reescrever a História, ou transforma-la no seu pedaço de auto-elogio.

Bruno de Carvalho vai tombando, sem ainda se aperceber, que porventura chegará o momento, em que lhe irão cobrar as torpes palavras, os insultos intra e fora de muros, os empregos dentro do clube que custam a compreender.

Assim, não vislumbro razão para tamanha contestação, às palavras de Rui Santos...

Rapazote Deslumbrado, foi um imenso elogio.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Um Livro Chamado Angola!

 

Se eu estivesse a ler um livro chamado Angola?

Um livro de ficção...

Sempre de ficção.

Um livro repleto de noticias que todos os dias chegam de Luanda, com consecutivas exonerações, executadas por um novo Presidente Angolano...

Noticias essas, mais do que surpreendentes, deixavam no ar receios e interrogações, sonhos e esperanças, enfim ventos de mudança.

No entanto, imaginemos que nos seus primeiros 50 dias de mandato, esse novo Presidente desafia o legado recebido, mudando quase todas as chefias herdadas de um tal de José Eduardo dos Santos, inclusivamente os cargos onde se encontravam, os filhos deste...

Imaginem!

Cresce uma incógnita na história, que se adensa no capitulo em que nos encontramos:

O que fará o anterior detentor do poder, ou aqueles que estavam habituados a desfrutar desse poder?

Conhecendo as personagens, as características, as atitudes a que nos habituaram, ao longo do tempo, correrá perigo o novo protagonista?

Será que chegará ao fim da história, esta corajosa personagem?

Neste livro que estou ler, um homem improvável, um líder carregado de uma inesperada coragem, tenta resgatar o seu País de um longo e tenebroso sono, de um silencioso lamaçal corrupto e castrador...

Um homem que olha nos olhos dos seus e tenta que estes acreditem num novo caminho, numa nova esperança.

No entanto, temo que as próximas páginas, me tragam a reacção daquele que apesar de frágil, ainda deve ter poder suficiente, para tentar fazer desaparecer aquele que corajosamente foi capaz de limpar a podridão, há muito tempo, acumulada.

Temo tantas coisas...

Mas quanto mais leio, mais gosto do protagonista desta história:

João Lourenço.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Eternamente Em Mim!

 

 

 

A noite volta a cair;

Depois do dia passar;

E volto eu a sentir,

O que há muito tento negar...

 

Voltam as paredes frias;

O silêncio ruidoso,

Voltam as mágoas vazias,

Passado doloroso...

 

Passado tão presente;

Que não consegue esconder,

O teu sorriso ausente,

Por entre este imenso doer...

 

E porque dói;

O que tantas vezes renego,

Porque corrói,

Este amor cego...

 

E porque cega;

Cegamente,

O que arde,

Ardentemente,

O que se perde,

Eternamente...

 

Eternamente;

Em mim.

 

 

 

 

 

Lixo Jornalístico...

 

Esta polémica envolvendo o actor Diogo Morgado, levou-me a querer escrever estas palavras em forma de desabafo, numa mistura de indignação e revolta...

Não é a primeira vez que me apetece escrever sobre esta espécie de Industria do ódio e da morte, que cresce por entre a Imprensa, numa corrida desenfreada por tiragens, por vendas, a qualquer preço, a qualquer custo.

As capas de certas revistas, de certos pseudo-jornais, sobre o estado de saúde do Salvador Sobral ou mais recentemente, sobre a doença do actor João Ricardo, envolvendo até o seu filho, deixaram-me imensamente chocado, demonstrando também, até onde estão dispostos a ir estes pasquins.

Os princípios e valores, estão completamente subjugados, em detrimento desta busca incessante pelas audiências ou tiragens, atingindo qualquer um, escrevendo o que for preciso, seja verdade ou mentira, seja vida ou morte.

São capazes de tudo, sem remorsos...

Sem olharem para trás.

Esta vergonha relacionada com a morte do Avô do Diogo Morgado, canalhice da autoria da Nova Gente, demonstra a imoralidade vigente, por entre certo tipo de "jornalistas" que se dispõem a tudo e que beneficiam da conivência daqueles, que continuadamente compram os seus "trabalhos".

Estas noticias alimentadas pelo lado negro da coscuvilhice alheia, são na génese a fonte que alimenta esses que buscam na lama, a chafurdice certa, visando a gratuita desgraça de outros.

Nunca mais me esquecerei de uma capa do National Enquirer com o actor Patrick Swayze, pouco tempo antes de este morrer, na parte de fora de uma loja de conveniência, denotando a fraqueza que já dele se apoderara.

Nessa capa, acompanhava a fotografia, um conjunto de letras, duas palavras:

The End.

Nunca mais me esqueci daquela barbárie, dessa espécie de ausência de consciência, da imensa vergonha por nada de Humano, ali estar presente.

Aquela capa, como tantas e tantas que vemos por aí, demonstram que estamos num tempo diferente, numa verdadeira anarquia selvática...

E nesta selva, reina o lixo jornalístico, capaz de tudo, para continuar a vender.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

Amor Teu...

 

 

 

Já amei;

E já perdi,

Já desconversei,

E sorri,

Já desmaiei;

Enquanto fugi,

Soletrei,

Parte de mim...

 

Já esqueci;

O que antes havia pressentido,

Já perdoei

O que havia perdido,

Libertei,

O que em mim havia doido...

 

Já escrevi vezes sem conta;

O que conta o meu coração,

Essa voz que se esconde,

Escondendo a ilusão,

Desse amor teu,

Por mim...

 

Desse amor teu;

Por mim.

 

 

As Ruínas Do Rainha Dona Amélia...

 

Sempre que passo na Junqueira, sempre que ando por ali, deparo-me com uma parte desta tristeza, que intensamente me invade...

Andei no Rainha D. Amélia, em tempos distantes, longínquos e frenéticos, onde a porta daquele liceu parecia a entrada para um mundo sedutor que nos preenchia, fazia parte do nosso imaginário juvenil.

O Sr. Eusébio, sempre à porta, no meio de um rebuliço constante, por entre adolescentes sentados nos gradeamentos que ali se dispunham, por entre cigarros, namoros, conversas.

Admito que passei mais tempo no café Matinal, do que nas aulas com a Professora Lina da Paz ou o Professor Fiães...

Não me orgulho, mas não me arrependo.

O Rainha D. Amélia teve uma imensa importância em mim, na minha formação como pessoa, na maneira como vejo o mundo e como esse mundo que desconhecia, me tornou parte de si.

Nunca pensei que ao entrar para o Rainha, isso pudesse ser tão relevante no meu futuro, pois algumas das pessoas mais importantes que conheci na minha vida, devo-as ao facto de por ali ter passado, directa ou indirectamente, marcando assim, de maneira indiscutível, o meu percurso, o meu desencontrado destino.

Ao passar por aquelas portas, olhando para o ar abandonado com que actualmente se encontra, reencontro naquelas ruínas parte daqueles com quem privei, pequenas partes de mim.

Naquelas janelas fechadas, naquelas paredes a cair, vejo tristezas e sorrisos, memórias e histórias, conversas que ficaram perdidas num tempo, que já não volta...

Não se recupera.

O meu Rainha morreu, por entre a burocracia de um Estado negligente, sobrando a tristeza que insiste em me amarrar, sempre que pelas ruínas do Liceu passo, temendo também o dia em por lá veja, mais um qualquer Hotel...

Um outro espaço.

Um novo lugar, que esventre a memória, se imponha ao passado de milhares de almas, que durante décadas ali cresceram, sonharam, tentaram acreditar que era possível voar.

No meio dessas ruínas, encontra-se o meu obrigado, a todos aqueles que ajudaram a moldar o homem que hoje sou...

Professores, Continuas, Porteiros, Colegas, Amigos.

Tantas e tantas pessoas, que fizeram parte daquele mundo...

Um mundo em ruínas, mas que para sempre me pertencerá.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Consigo...

 

 

 

Consigo sentir-te;

Discretamente distante,

Nas asas do vento,

Contando a história,

Que há muito,

Nos uniu...

 

Consigo vislumbrar,

Esses dias,

Ausentes pinturas,

De um tempo,

Perdido...

 

Consigo descrever;

Em cada palavra,

A dor e mágoa,

Que sobreviveu,

Por nós...

 

Consigo sorrir;

Mesmo querendo gritar,

Consigo fugir,

Querendo esperar,

Por ti...

 

Consigo tanta coisa;

Que não pensava conseguir,

Guardar dentro de mim,

Todas aquelas letras,

Que outrora,

Foram nossas...

 

Consigo;

Contigo!