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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Turpin: Nem Todos Merecem Ser Pais!

 

Resisti imenso em escrever sobre este caso nos Estados Unidos, em que os Pais fizeram durante décadas os filhos reféns, aprisionados em casa, subnutridos, torturados, massacrados sem dó...

Resisti por não compreender como foi possível, como é possível, como terá sido possível isto acontecer.

Ao ver as noticias sobre este caso, as imagens repetidas vezes sem conta, busquei através dos olhos daqueles Pais uma explicação, uma desperançada explicação...

Mas o vazio naqueles olhares, representa em mim esse medo da Humanidade, receio maior de pessoas assim...

Capazes deste tipo de sofrimento, desta tortura da alma, àqueles que supostamente lhes pertenciam.

Continuo a olhar para as imagens...

Sem resposta.

Sempre sem resposta.

E aqueles que com eles conviviam?

Os familiares?

E aquelas imagens na Disney ou em Las Vegas, nas sucessivas renovações de votos?

E os miúdos?

Mantiveram-se calados?

Sem nada dizer?

São estas as questões que me toldavam a escrita, a imensa vontade de entender, gritar a indignação diante da aberrante estupefacção.

Será possível?

Os turpin serão antes de mais um caso de Psiquiatria, Psicanálise ou algo do género, mas isso deixarei para o meu caro amigo, Jaime Bessa, entendido na matéria e talvez com uma explicação profissional para este horror...

Eu como leigo, apenas um comum escrevinhador, solto aqui esta infinita e desesperante conclusão:

Nem todos merecem ser Pais.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

 

Poderei...

 

 

 

Poderei eu sonhar;

Ou sonhando devagar,

Devagarinho sem parar,

Trauteando esse amar,

Que escapou...

 

Poderei lentamente;

Observando atentamente,

Questionar ardentemente,

Essa parte de  mim,

Que te ama...

 

Poderei compulsivamente escrever;

Vezes sem conta ao entardecer,

O teu nome sem esquecer,

Tamanho amor...

 

Poderei tantas e tantas coisas;

Tantas que não as consigo soletrar,

Despedaçadamente perdido,

Por entre as pedras,

Desse caminho.

 

Poderei?

 

 

 

Donald Trump: Um Ano De Presidência!

 

Um ano de Presidência Trump...

Um ano de gaffes, de boçalidades, de erros e suspeitas, de indelicadezas e frustrações, de Tweets...

Imensos tweets.

Um ano a tentar destruir o Obamacare, a tentar construir um muro, a incendiar o conflito Israel-Palestiniano, Médio Oriente, com a mudança irreflectida da Embaixada Americana para Jerusalém, de gabarolices com o líder Norte-Coreano.

Um ano de investigações à sua campanha e às suas relações com os Russos, de demissões no FBI e na CIA, de troca azeda de palavras com líderes mundiais...

De traições e abandonos, Spicer e Bannon, como exemplos perfeitos desta combinação explosiva de temperamentos.

Um ano de comentários racistas, misóginos, discriminatórios...

Donald Trump é Presidente dos Estados Unidos há um ano, numa viagem alucinante, para a qual o mundo não parecia preparado.

Um ano depois, só poderemos imaginar o que se segue, neste mandato pueril.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

E Treinador?

 

Pergunta do dia...

E treinador, não?

O Sporting está a gastar fortunas esta época com reforços, novos jogadores que possam aportar qualidade a um plantel, muito bom...

O conselho que deixaria à estrutura leonina, é este:

Contratem um treinador de futebol e talvez estejamos mais perto de ser campeões.

Pergunta deixada, tristeza continuada, após mais esta malfadada jornada.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

As Lágrimas de Fábio Coentrão...

 

O Sporting voltou a perder pontos, desta vez em Setúbal...

Não vou voltar a escrever que este Sporting joga como equipa pequena, que o seu treinador é medricas, tem receios que passam para a equipa, estrangulando e limitando a sua criatividade.

Não vou voltar a escrever sobre isso, pois é por demais desoladora, a forma como joga o meu Sporting.

Se ontem me emocionei, naquela noite fria no Bonfim, foi apenas pelo Fábio Coentrão...

E hoje, ainda mais, quando li o seu texto no Facebook, demonstrando uma vez mais, aquele amor imenso com que veste aquela camisola.

Muitos dirão que ele foi mal-criado com o árbitro, largando duas ou três asneirolas profissionais, outros dirão ainda, que estragou o banco de suplentes e que aquelas atitudes lhe deveriam dar um castigo severo...

Desde já me oponho.

Pelo linguajar, era o que faltava...

Num jogo de futebol as asneiras não contam, muito menos para quem joga, está lá dentro no fervor da competição.

Pelos estragos no banco de suplentes, muito menos... 

Na verdade, meus caros amigos, não quero saber se Fábio Coentrão disse ou não disse asneiras, se partiu ou não o banco de suplentes, pois o que verdadeiramente me importou, foi ver naquelas lágrimas a criança que fui um dia, chorando como ele, por aquele emblema, naquela imagem...

Foi sentir nas suas palavras, o sonho realizado de uma vida, o sonho de menino que ali estava representado no seu desespero, pelo "seu" Sporting.

Coentrão conquistou a alma Sportinguista que em mim habita, abraçou-me imensamente em cada lágrima libertada em seu rosto, pelo seu rosto abaixo.

E assim, como apenas mais um de nós, lá seguirá lutando por este nosso grande amor...

Este amor chamado Sporting.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Acreditei...

 

 

 

Há muito que perdi;

O outro lado de mim,

Secretamente desisti,

De te reencontrar...

 

Já não se expressa no olhar;

Já não trauteio a velha canção,

Já me esqueci de recordar,

A esperançada ilusão...

 

Deixei-te partir;

Para esse amargurado passado,

Deixando de sorrir,

Como antes havia sonhado...

 

Há muito arranquei esse pedaço,

Essa parte do meu coração,

Abandonado abraço,

Arrependida desilusão...

 

Há muito;

Muito tempo atrás,

Acreditei em ti.

 

 

Divagações...

 

Existem desenhos na parede, pedaços de vida retratados em cada parte dessa alma, que ali ficará para trás, aprisionada a tantos e tantos momentos escondidos...

Encaixotados num destino que se esqueceu de ficar.

Partiu...

Despudoradamente partiu, assim como o tempo, que correu sem parar, por entre os ventos de um futuro que não se esqueceu de chegar.

Chegadas e partidas, regressos e despedidas, caminhadas e desencontros, em reencontrados encontros finitos...

Ou finitos desencontros reencontrados?

Tantas palavras, tamanhas palavras, neste corrupio denominado de vida, nesta roda gigante, onde as entradas e saídas, vão sendo marcadas por entre lágrimas...

Sempre lágrimas, contraditoriamente opostas.

O destino é esse desígnio misterioso, inacabado desenho do tempo, de escolhas, erradas ou certas, de palavras, ditas ou amordaçadas, de desejos, pedidos ou perdidos.

Tantas viagens por cumprir, tantas já cumpridas, num sonho impreciso, imenso, intenso...

No meio deste sonho, definição da alma, vai cantando a velha chama, vai ardendo o velho poema, sempre inteiro, como o primeiro amor.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Tristes Desabafos De Um Adepto Sportinguista...

 

Eu Sportinguista me confesso...

Revoltado, pela forma como alguns energúmenos resolveram apoiar o meu clube, num jogo de hóquei em patins, no Caixa Dragão.

Ofendendo gratuitamente, infelizmente já se tornou normal, mas este patamar de grito, de canção, vociferando para os céus, a tristeza por não ter ocorrido uma verdadeira desgraça a uns milhares de adeptos, só pelo facto de estes serem de um clube rival.

Que tristeza.

Que triste infelicidade, por ver este tipo de pessoas, vestindo a camisola do meu Sporting.

Demarcar-se deste tipo de actos, não se traduz num mero comunicado, numa mera questão semântica, demarcar-se deste tipo de gente, é definir regras, ter a coragem de actuar...

Aqui sim se justifica, a expulsão de um sócio, expurgando este género de "selvagens" do seio do clube.

Caso contrário, lá se vai a coerência, para clamar indignação, quando outros fazem o mesmo, quando como muitas vezes aqui escrevi, boçais festejam a morte de um adepto Leonino no Jamor.

E a coerência é sempre o caminho mais correcto para o sucesso.

Viva o Sporting.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Um Mundo De Sabores E Palavras...

 

Nada é mais terapêutico do que cozinhar...

Ou melhor, nada é mais terapêutico do que escrever...

Adoro cozinhar, aquele singelo momento em que um conjunto de alimentos, misturados de acordo com a tua imaginação, acabam numa combinação perfeita, imprevisível, deslumbrante.

Umas simples favas transformadas em sabor alentejano, uma bela feijoada despertando o palato para danças imperfeitas, um insignificante hambúrguer, envolvido em mozzarella e tomate, deslizando por entre um piscar de olhos.

Um texto é também isso, um desafiar da folha em branco, a procura por um momento de inspiração, mesclado com a vontade de ousar, opinar, observar despudoradamente, despudoradamente questionando.

Um prato vazio, despido de sabores, é o sinonimo da folha em branco, esse questionar constante, interrogar opinativo da alma.

Adoro cozinhar, adoro escrever...

Mas o que verdadeiramente me dá um gosto imenso, é sentir no olhar daqueles que provam um singelo prato, ou lêem um tímido texto, o significado de tais iguarias, ou de tão hesitantes palavras.

E por entre um cozinhado ou uma sopa de letras, apresentada nesta Caneca de emoções, me realizo, realizando os simples anseios, de mim mesmo.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Óscar Pérez: Assassinato Em Directo!

 

O regime de Chávez, de Maduro, matou Óscar Pérez...

Assassinaram-no.

Óscar Pérez, o ex-militar que em meados de 2017, pilotou um helicóptero e disparou contra edifícios Governamentais e o Supremo Tribunal...

O líder de um grupo de homens que se dispuseram a lutar contra um regime ditatorial, cruel, e que em Dezembro último, tentou tomar um dos mais importantes quartéis, do exercito Venezuelano.

Óscar Pérez deveria saber os riscos que corria, o preço que iria pagar, desde o momento em que decidiu afrontar, um Governo, com um estilo máfia Siciliana.

Maduro, o motorista de autocarro, que comanda um País ouvindo um passarinho...

Que domina as ruas através de milícias armadas, montados em motas, disparando contra todos aqueles que um dia se opuseram ao seu regime.

Óscar Perez sabendo o que se aproximava, não deixou que a História fosse contada através da lente dos seus algozes, deste miseráveis e abjectos Seres Humanos...

Pérez usou o seu telemóvel como testemunha, como voz intemporal de um assassinato, de um cobarde assassinato.

A sua voz ficará marcada na minha mente, o seu olhar permanecerá na minha memória, mas essencialmente estas imagens servirão de garantia, de que na Venezuela, existe alma e gente capaz de dizer não, a este regime.

O seu último gesto, imensa coragem de testemunhar a crueldade de um déspota, como Maduro, deixa ao mundo um derradeiro grito de revolta, num derradeiro acto de um herói.

 

 

Filipe Vaz Correia