Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Retrato Da Alma!

 

Não existem letras suficientes para compor palavras, palavras suficientes para construir frases, frases suficientes para descrever este significante pormenor...

Não encontro significados tão precisos, para simplificadamente desconstruir, tudo aquilo que me vai na alma.

Esta alma incapaz de pôr no papel, o que do papel se esconde, o que escondido está na singela discrição do sentir.

Por vezes o silêncio, ruidosamente discreto, é mais intenso do que a voz, do que a certeza das palavras ardentes...

Do que a dor solitária, desta viagem sem igual por este amor.

Como se descreve, o indescritível desejo de voar?

Sem asas...

Apenas com o batimento do coração, deste desamparado coração.

Preso ao olhar, sem rede, aguardando um sinal, que como sempre, tarda...

Não existem forças capazes de disfarçar, as marcas que ficam eternamente cravadas na alma, nem vidas suficientes para esquecer tamanha frustração.

Apenas este ardor...

Ardor intenso.

Não existe sol nem chuva, lágrimas ou discretos entendimentos, capazes de abraçar todo um mundo de grotescos gritos flamejantes, de uma intemporal esperança.

E como dizia o poeta:

" Vive, vive de uma vez, todo o amor que irreflectidamente te completa, pois será esse amor que um dia será o propósito de uma vida."

Essa vida que será a tua.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Já Foste Feliz?

 

Tantas vezes me questiono...

Onde será que fui feliz?

Verdadeiramente feliz...

Sentimento esse que mistura mistério, com a interrogação constante ou a busca insana pelo desejo impossível.

Tantas palavras, segredos presos à alma, momentos e instantes que se somam, sem que o tempo pare, sem que nos seja permitido voltar atrás, e novamente pintar esse quadro que eternamente fará parte de nós...

Será o nosso infinito destino.

Essa palavra, felicidade, que estranhamente rima com saudade, lugar imenso mas distante, onde ao longe, num mirifico horizonte, o tempo se encarrega de embelezar a memória.

Por vezes fica um bater mais acelerado do coração, um respirar mais ofegante por entre uma errante lágrima, por outras vezes, apenas um solitário reencontro com a perdida alma que nos completa.

É tão difícil explicar à infeliz felicidade, felicidade presente, o quão feliz estou neste instante...

Ou o quão triste estarei, por o tempo insistir em não parar...

Não ter parado.

Por vezes seria imensamente belo, parar por segundos o presente, degustando cada cor, cada cheiro, cada pedaço de nós, misturado com o contentamento maior que nos sufoca...

Seria tão bom, pedir ao futuro que aguardasse por um momento, para regressando ao passado, beijar alguém ausente nesta viagem finita.

Tantas coisas boas...

A mão segura de minha Mãe, o seu cheiro, o seu ternurento olhar...

A voz austera mas aconchegante de meu Pai, perdendo-se por entre as infindáveis histórias, que ainda hoje me moldam.

As saudades que eu tenho dos natais, em casa de meus Pais.

A praia de Odeceixe, onde passei maravilhosas férias de verão, onde me apaixonei e sorri, chorei e fugi..

Odeceixe.

Tantas e tantas vezes, tantas e tantas pessoas, tantos e tantos momentos, entrelaçados com essa palavra dificil de decifrar...

Felicidade.

Uma música a tocar, o abraço de um amigo, o beijo da pessoa amada, o olhar escondido e reflectido no espelho, só teu...

Somente teu.

Tantas e tantas vezes pensei ser feliz...

Tantas e tantas vezes me esforço por recordar que fui feliz, nestes pedaços de história, que fazem parte de mim.

Tantas e tantas vezes fui feliz...

Mas sempre passou.

Viva o futuro...

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Luar!

 

 

 

Não fiques triste;

Só porque a tristeza insiste,

Em te mostrar que existe,

Essa dor que não desiste,

De te magoar...

 

Não penses que eternamente;

Essa desilusão que sentes,

Te irá penosamente,

Aprisionar para sempre,

Só porque esse destino não era eterno...

 

Não deixes que a escuridão;

Reaparecida na imensidão,

Deslumbrante ilusão,

Te roube do coração,

A esperança...

 

E de mansinho, devagar;

Com a noite a entrar,

Talvez possas voltar a acreditar,

Que aquele cintilante luar,

Refletido no teu olhar...

 

É o teu futuro a chegar!

 

 

 

 

 

 

Vida!

 

A vida é feita de pequenos nadas;

De reencontros e despedidas,

É feita de estradas desencontradas,

De chegadas e partidas...

 

A vida é feita de cor;

Esventrada fantasia,

Disfarçada de dor,

Que por vezes irradia,

Na esperança de um amor,

Eterna melancolia...

 

A vida  é como um beijo, a recordar;

É como um poema por escrever,

É um desejado teorema,

Um indecifrável saber...

 

A vida é uma inexplicável;

Diabrura de Deus.