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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Contradição...

 

 

 

Despida contradição;

Da contraditória alma minha;

Contradizendo o coração,

Que suspirando contradizia,

A destemida interrogação...

 

Será que o amor pode resistir;

Às agruras a surgir,

De uma vida a sentir,

Esse medo a ferir,

Em mim...

 

Será que desenhado no olhar;

Se revela o ruborizar,

Por entre esse sonho a acalentar,

Cada reencontro nosso...

 

E mesmo que apenas eu;

O sinta,

Mesmo que apenas eu,

Não minta...

 

Mesmo assim;

Quero continuar a sonhar.

 

 

 

 

 

Amor...

 

 

 

Se o meu amor por ti; 

Não fosse essa imensidão,

Tão imenso e sufocante,

Se não sonhasse o coração,

Com esse sonho distante...

 

Se esse amor fosse descrito;

Se existissem palavras para o descrever,

Se não fosse interdito,

Essa vontade de o viver...

 

Se no meu olhar;

Fosse possível decifrar,

O indecifrável descodificar,

Sentido desse amar,

Que jamais poderei escrevinhar,

Num poema...

 

Porque não existem letras suficientes;

Capazes de soletrar,

Esse sentimento,

Que insiste em chegar,

A cada momento,

Eterno...

 

Porque a eternidade é pequena demais;

Diante de tamanho amor.

 

 

 

 

O Conselheiro...

 

 

 

Já lá vai o tempo;

Lá vai muito longe,

Um distante momento,

Onde no horizonte,

Parecia vislumbrar,

Por entre a penumbra discreta,

Dessa amargura avisada,

A secreta,

Lua...

 

A secreta noite;

Cheia de encantos,

Avisos e prantos,

Ruelas e desencantos,

Escondendo os recantos de tamanho amor...

 

Já lá vai o tempo;

Onde um mero sorriso,

Uma lágrima destemperada,

Mudaria tudo...

 

Porque o tempo é o mais cruel;

Conselheiro,

De um coração ferido.

 

 

Os Espinhos De Um Amor Despedaçado!

 

 

 

Os espinhos no caminho;

Cravejados nesta alma,

Vão espetando devagarinho,

E arrancando essa parte de mim,

Que de mansinho,

Vai desaparecendo...

 

Os espinhos bem escondidos;

Arrancando a saudade,

Despedaçando destemidos,

A imensa vontade,

De acreditar...

 

Os espinhos aqui descritos;

Aprisionaram os infinitos,

Sentimentos proscritos,

De um amor despedaçado.

 

 

A Ilha Deserta

 

Uma ilha deserta, sem ninguém...

Um pedaço de terra no meio do oceano, rodeado de mar, da imensidão do silêncio que percorre vezes sem conta, a solidão.

O azul daquele mar, beijando a areia que o recebe, o sol abrasador que o acompanha e o meu olhar expectante que insiste em aguardar um sinal...

Alguém!

Por vezes ao longe pareço vislumbrar um navio, uma imagem que provem da imaginação que ainda em mim resiste, do ardor intenso de poder acreditar.

Esta luta constante entre a realidade e o sonho, entre o desejo e a vontade, entre o ser e o existir...

Tantos enigmas, incompreensíveis melodias escondidas em cada recanto desta ilha sem nome, deste lugar encantado em que se guarda o desencantado, desencantamento meu.

Tantas palavras para escrever, nesta folha que ainda me pertence, tantos desabafos para eternizar nessa garrafa que lançarei ao mar...

Esperando que esse imenso azul, o leve para o mundo, que o liberte por entre as nuvens que não consigo aqui descrever e um dia possam através delas libertar-se em forma de chuva, esta parte mais esquecida da minha alma.

E assim nesta ilha deserta, neste recanto imaginado, fica guardado este pequeno pedaço de um naúfrago.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

Alma Perdida...

 

 

 

A poética forma do sentir;

De discretamente sorrir,

Intensamente fingir,

O que sentindo existir,

Por vezes magoa...

 

A prosa desembargada;

Como escrevendo esvaziada,

A alma amargada,

Por essa solitária cruzada,

Desencontrada...

 

Palavras soltas;

Pensamentos esquecidos,

Memórias ocas,

Coração ferido...

 

E assim continua;

A escrever a mão envelhecida,

O amor fugido,

Da alma perdida...

 

Da alma;

Eternamente perdida!

 

 

 

 

 

Naquele Tempo...

 

 

 

Sentado no chão daquela casa,

Recordando esse tempo distante,

A imagem deslumbrante,

De um amor hesitante,

Que hesitando,

Findou...

 

Sentado naquele espaço,

Onde um dia senti sorrir,

Recordando um singelo abraço,

Ou um beijo a fugir...

 

E assim, sentado e entristecido,

Deixando escapar o desgosto,

Sobrevivendo bem ferido,

Ao reencontro com o meu amargurado coração...

 

 

 

 

Dois Corações...

 

 

 

Dois corações;

Num mundo gigante,

Um amor,

Intemporal e distante,

Que ao longe,

Horizonte gritante,

Celebrando num olhar,

A alma maior,

Que nos une...

 

Um amor inexplicável;

Escrito através do tempo,

Em cada letra indecifrável,

Poesia e sentimento,

Só nosso...

 

E tão nosso,

Que nem nós,

O sabemos descrever.

 

 

Noites...

 

 

 

A noite cintilante;

Vai soltando sábias palavras,

Ouvindo a alma hesitante,

Perdida e angustiada,

Sabendo desesperante,

Que a lágrima desencontrada,

Se tornará na asfixiante,

Amargura...

 

A noite estrelada;

Abraçando a tamanha dor,

Vai segredando a desencantada,

Forma de ardor,

Que permanece aprisionada,

A este intenso pensamento...

 

E tantas noites se passaram;

Tantas que passarão,

Continuando a cintilar,

Essas estrelas,

Que no meu coração permanecerão,

Como o reflexo deste eterno amor.