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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Divagações...

 

Existem desenhos na parede, pedaços de vida retratados em cada parte dessa alma, que ali ficará para trás, aprisionada a tantos e tantos momentos escondidos...

Encaixotados num destino que se esqueceu de ficar.

Partiu...

Despudoradamente partiu, assim como o tempo, que correu sem parar, por entre os ventos de um futuro que não se esqueceu de chegar.

Chegadas e partidas, regressos e despedidas, caminhadas e desencontros, em reencontrados encontros finitos...

Ou finitos desencontros reencontrados?

Tantas palavras, tamanhas palavras, neste corrupio denominado de vida, nesta roda gigante, onde as entradas e saídas, vão sendo marcadas por entre lágrimas...

Sempre lágrimas, contraditoriamente opostas.

O destino é esse desígnio misterioso, inacabado desenho do tempo, de escolhas, erradas ou certas, de palavras, ditas ou amordaçadas, de desejos, pedidos ou perdidos.

Tantas viagens por cumprir, tantas já cumpridas, num sonho impreciso, imenso, intenso...

No meio deste sonho, definição da alma, vai cantando a velha chama, vai ardendo o velho poema, sempre inteiro, como o primeiro amor.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Retrato Da Alma!

 

Não existem letras suficientes para compor palavras, palavras suficientes para construir frases, frases suficientes para descrever este significante pormenor...

Não encontro significados tão precisos, para simplificadamente desconstruir, tudo aquilo que me vai na alma.

Esta alma incapaz de pôr no papel, o que do papel se esconde, o que escondido está na singela discrição do sentir.

Por vezes o silêncio, ruidosamente discreto, é mais intenso do que a voz, do que a certeza das palavras ardentes...

Do que a dor solitária, desta viagem sem igual por este amor.

Como se descreve, o indescritível desejo de voar?

Sem asas...

Apenas com o batimento do coração, deste desamparado coração.

Preso ao olhar, sem rede, aguardando um sinal, que como sempre, tarda...

Não existem forças capazes de disfarçar, as marcas que ficam eternamente cravadas na alma, nem vidas suficientes para esquecer tamanha frustração.

Apenas este ardor...

Ardor intenso.

Não existe sol nem chuva, lágrimas ou discretos entendimentos, capazes de abraçar todo um mundo de grotescos gritos flamejantes, de uma intemporal esperança.

E como dizia o poeta:

" Vive, vive de uma vez, todo o amor que irreflectidamente te completa, pois será esse amor que um dia será o propósito de uma vida."

Essa vida que será a tua.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

No Fundo Da Alma!

 

 

 

Olha bem no fundo da alma;

Dessa alma desamparada,

Vislumbra aquele pedacinho,

Pedaço de nada,

Que de mansinho,

Respira...

 

Olha bem no fundo da alma;

Dessa parte despedaçada,

Pincelada desiludida,

Numa pintura desanimada,

Sem cor...

 

Olha bem no fundo da alma;

Lá no fundo, bem escondida,

Buscando a esperança,

Há muito perdida,

Em mim...

 

Olha bem no fundo da alma;

Lá no fundo...

 

 

 

 

Já Foste Feliz?

 

Tantas vezes me questiono...

Onde será que fui feliz?

Verdadeiramente feliz...

Sentimento esse que mistura mistério, com a interrogação constante ou a busca insana pelo desejo impossível.

Tantas palavras, segredos presos à alma, momentos e instantes que se somam, sem que o tempo pare, sem que nos seja permitido voltar atrás, e novamente pintar esse quadro que eternamente fará parte de nós...

Será o nosso infinito destino.

Essa palavra, felicidade, que estranhamente rima com saudade, lugar imenso mas distante, onde ao longe, num mirifico horizonte, o tempo se encarrega de embelezar a memória.

Por vezes fica um bater mais acelerado do coração, um respirar mais ofegante por entre uma errante lágrima, por outras vezes, apenas um solitário reencontro com a perdida alma que nos completa.

É tão difícil explicar à infeliz felicidade, felicidade presente, o quão feliz estou neste instante...

Ou o quão triste estarei, por o tempo insistir em não parar...

Não ter parado.

Por vezes seria imensamente belo, parar por segundos o presente, degustando cada cor, cada cheiro, cada pedaço de nós, misturado com o contentamento maior que nos sufoca...

Seria tão bom, pedir ao futuro que aguardasse por um momento, para regressando ao passado, beijar alguém ausente nesta viagem finita.

Tantas coisas boas...

A mão segura de minha Mãe, o seu cheiro, o seu ternurento olhar...

A voz austera mas aconchegante de meu Pai, perdendo-se por entre as infindáveis histórias, que ainda hoje me moldam.

As saudades que eu tenho dos natais, em casa de meus Pais.

A praia de Odeceixe, onde passei maravilhosas férias de verão, onde me apaixonei e sorri, chorei e fugi..

Odeceixe.

Tantas e tantas vezes, tantas e tantas pessoas, tantos e tantos momentos, entrelaçados com essa palavra dificil de decifrar...

Felicidade.

Uma música a tocar, o abraço de um amigo, o beijo da pessoa amada, o olhar escondido e reflectido no espelho, só teu...

Somente teu.

Tantas e tantas vezes pensei ser feliz...

Tantas e tantas vezes me esforço por recordar que fui feliz, nestes pedaços de história, que fazem parte de mim.

Tantas e tantas vezes fui feliz...

Mas sempre passou.

Viva o futuro...

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Ruas...

 

 

 

Ruas estreitas;

De estreitos destinos,

Caminhadas imperfeitas,

Imperfeições e desatinos...

 

Ruas perdidas;

Perdidos receios,

Becos e feridas,

Escondendo anseios...

 

Ruas de dor,

Viagem imortal,

Mágoas de amor,

Desejo infernal...

 

Ruas e ruelas,

Com cheiros de jasmim,

Sonhos de canela,

Agruras sem fim...

 

Ruas e mais ruas,

Alma desnudada,

Verdades nuas,

Palavras tuas,

Silêncios meus...

 

Eternamente meus!

 

 

Caneca de Letras: Um Ano Depois!

 

Um ano depois...

Precisamente há um ano, comecei esta aventura a que chamei de Caneca de Letras, um pedaço de mim em forma de blog, mistura de opiniões e desabafos, de contos e poemas, de lágrimas e alma.

Um ano de linhas e palavras, post diários, quase sem falhas, sem obrigação apenas dedicação, vontade intrínseca ou compulsiva de escrever e partilhar.

Escrever é uma parte significativa de mim, uma espécie de lado lunar da alma, de bater descompassado do pensamento.

Comecei a medo, sem saber como fazer ou o que escrever...

Em primeiro lugar, quero agradecer a toda a equipa do Sapo, pelo carinho e atenção que sempre deles senti, pelos destaques, pela experiência única de me sentir apreciado, acarinhado.

Ao longo deste ano, muitas foram as pessoas que marcaram este espaço, muitas aquelas que não conhecendo as senti como minhas...

O primeiro favorito, Does a Name Matter, os primeiros comentários da minha querida Roxie, do meu querido Anjinho ou do sempre presente Anónimo em Lisboa. 

O tempo passou e a família do Caneca de Letras foi crescendo, foram chegando novas pessoas, refrescantes opiniões, repetidas visitas:

O Último Fecha a Porta, Robinson Kanes, Ventania, A Desconhecida, Mami, Cheia, Beia Folques, A Rapariga Do Autocarro, Sérgio Ambrósio, David Marinho, MJ, Andreia, Terminatora, A Lady, Travellight World, Pedro Rodrigues, Malik e tantos outros.

Um ano de encontros e reencontros, de gentes e gestos, de memórias e desejos.

Sempre guardei para mim o que me ditava a alma, envergonhada maneira de me expressar...

Ao expor a minha escrita nesta Caneca, acabei por desnudar essa vergonha que asfixiava a minha inquieta vontade de dar asas à imaginação.

Um ano...

Um ano de amizade, velhos reencontros, histórias perdidas, pedaços de vidas que já me havia esquecido.

Um agradecimento especial  a um dos meus mais fiéis leitores:

O meu Tio Jaime.

Por fim, mas certamente a parte mais importante, agradecer a infinita paciência da minha querida mulher, que vezes sem conta, ouve atentamente poesias ou prosas, antes de as publicar...

Repetidamente, vezes sem conta.

Obrigado a todos e que venha mais um ano desta Caneca, impregnada de sonhos e Letras.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Passado...

 

 

 

Será que posso revelar;

O que esconde o meu coração?

 

O que esconde a emoção;

Desbravando inquieto,

O carregado semblante,

Desse receio, entrelaçado,

Esse medo, aprisionado,

Em cada lágrima nossa...

 

Em cada memória;

Guardada em nós,

Pedaço de história,

Cravado na pele,

No sentido destino,

Da alegórica alma...

 

E vai continuando;

A louca melodia,

O deslumbrante pensamento,

Do que foi um dia,

Esse nosso amor.

 

 

Amigo...

 

Como confiar em alguém?

Como saber que é essa a pessoa, em quem poderás confiar?

Questões difíceis, atormentadoramente difíceis e que desnudam a essência duvidosa do sentimento Humano...

Não tenho muitos amigos, direi mesmo que tenho poucos, no entanto, conheço muitas pessoas, gente que aprecio, com quem simpatizo, com quem troco sorrisos e graçolas, em ambiente descontraído, confiante, por vezes intimista.

Mas confiarei nessas pessoas?

Nunca...

Jamais!

Para mim, essa questão nunca me acrescentou dúvidas, provocou hesitações, interrogações da alma...

Sempre tive a noção até onde poderia ir a minha entrega emocional, o desnudar da minha verdadeira alma, essência das minhas fraquezas, sinceras fragilidades.

Tenho verdadeiramente poucos amigos na vida, poucas pessoas em quem depositaria a minha vida, o meu coração...

Sem nunca esquecer aquele amigo que perdi há mais de vinte anos.

Amigos em quem confio sem barreiras, sem máscaras, sem timidez, completamente entregue à essência, do meu verdadeiro eu.

No mundo de hoje, onde as pessoas têm mil amigos, vinte mil gostos ou coisa que o valha, contenta-me saber que através de um olhar alguém me reconhece, entende o que sinto, sente o que por vezes, ainda não entendi...

A amizade para mim é isso mesmo, o abraçar para lá do entendimento, estar presente na ausência do questionamento, questionar sem deixar de estar ao lado.

Este texto é uma homenagem a essas poucas pessoas que me pertencem, assim como, também eu sou parte deles, na confiança, na extrema entrega e essencialmente na infindável forma de amar...

Pois a amizade, nada mais é do que uma bela forma de amor, incondicional, emocional, eternamente leal...

Eternamente presente.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

Vale Encantado...

 

 

 

Um vale encantado;

Cheio de luzes e cores,

Querer disfarçado,

Por entre as dores,

Num céu pincelado,

De desgostos e amores...

 

Oiço os sons do silencio;

Ruídos de ilusão,

Num distante lugar,

Onde mora a emoção,

O secreto olhar,

Deste triste coração...

 

E segredando ao vento;

A ausente companhia,

O presente tormento,

A entrelaçada nostalgia...

 

Num vale encantado;

Onde verdadeiramente,

Aquele menino,

Torna a ser feliz.