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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Solitárias Palavras...

 

A música baixinho, ao longe, bem longe...

O olhar desperançado, como se a esperança pudesse um dia ter fugido, escapado, se perdido.

A voz disfarçada, embargada, embargadamente impregnada de pudor, timidez, sentimento de um ardor imenso.

O fumo saindo das casas, num desafiante sentir, incapaz sentir, incapaz e desmedido sentir.

As palavras surgiam, soltavam-se da alma numa perseguição constante pelo querer do coração, pelo querer de um destino.

Tantas e tantas palavras...

Aquele olhar reflectido nas janelas, aquelas janelas fechadas, aquela solitária visão de uma caminhada a solo, sem ninguém, desamparada.

Sempre aquele olhar...

Caminhando passo a passo, acompanhado pelas lágrimas que se escondem, pelas palavras que se reflectem na silenciosa voz desacompanhada.

A chuva que ainda não cai, mas que se sente...

Como se sentir, fosse mais do que a singela imaginação do ser, como se amar fosse mais do que a singela dimensão da alma.

A música baixinho, ao longe, sempre ao longe...

 

 

Filipe Vaz Correia