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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Simplesmente Nico...

 

Era sempre especial, um jantar com o Nico...

Era sempre especial um café com o Nico, era sempre especial cruzar um olhar com o Nico, e por um instante viajar através das histórias infindáveis guardadas na sua alma, sempre disposta a partilhar com os amigos, que com ele partilhavam a sua brilhante vida...

Quando fecho os olhos e o recordo, vejo sempre no seu sorriso, amarrado àquele caloroso abraço, uma saudade aprisionada, às conversas, às anedotas, aos momentos revisitados vezes sem conta, que viviam na memória de um deslumbrante contador de histórias.

Como poderia esquecer, daquele jantar em minha casa, a minha primeira casa, num dos primeiros jantares que dei e onde cinco pessoas, à volta de uma mesa, sentados, embevecidos, escutaram até às quatro da manhã, pequenos pedaços de magia, soltos em palavras, pintando através do seu encanto, um inimaginável retrato de personalidades, de recantos que não sabíamos possíveis, mas que ele havia vivido, convivido, feito parte...

Ouvir alguém que conviveu, com Vinicius ou Laura Alves, Ribeirinho ou António Silva, Amália ou Jô Soares, Drummond de Andrade ou Jeremie Irons, Raúl Solnado ou Vasco Santana...

E conviveu como um igual, naquele misto de simplicidade atrelada ao imenso talento que só um génio como o Nico poderia ter.

Nunca mais me esqueço que sabendo, da minha imensa admiração por Jô Soares, organizou em sua casa um jantar, numa das últimas viagens desse seu eterno amigo a Lisboa, para que eu o pudesse conhecer e partilhar naquela mesa, de mais um momento para mim, inolvidável...

Essa generosidade sem fim, permitiu-me ali, voltar a ter dez anos e ao vivo, sem barreiras, poder viajar entre o beijo do Gordo e o Eu Show Nico...

Ainda guardo, como para sempre guardarei, aquela estranha sensação de viver um sonho, meio envergonhado, tentando absorver, todos os detalhes, de cada conversa entre aqueles eternos ídolos da minha infância.

E assim escrevendo por entre estas memórias que guardo deste amigo, fica aqui o agradecimento por tamanho carinho que dele e da minha querida Mafaldinha, sempre recebi, ficando também a certeza de que em algum momento, nalguma conversa, em algum pensamento, o Nico permanecerá para sempre vivo...

Porque os génios não morrem.

Até sempre, Nico...

E obrigado!

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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