Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Caneca de Letras

Caneca de Letras

Ó Chico...

 

Meu caro Chico, Francisco Geraldes, é com tristeza que aqui escrevo estas linhas, depois de mais um jogo do nosso Sporting.

A primeira questão que me impele a escrever esta carta é a inquietude que me provoca o desperdício indescritível do teu talento, dessa magia com que em cada toque transformas o jogo, numa mistura de João Mário e Bernardo Silva.

Em segundo lugar temos a humilhação maior, ou seja, pior do que o Sporting te resgatar a meio de uma época, onde estavas a ser um dos jogadores revelação do campeonato, para que o atual treinador leonino te utilizasse em escassos minutos...

Pior do que insistirem em colocar-te a jogar espartilhado como um avançado, quando tens moldado o teu futebol para o lugar de oito, quanto muito, um médio ala potenciador de equilíbrios, mais grave do que tudo isso...

É colocarem-te em campo ao minuto 60 e substituírem-te ao minuto 80, numa tentativa de assassinar qualquer esperança que pudesses ter, de um dia, esse treinador menor, apostar em ti.

No entanto até isso seria menor, se por alguma razão, olhasses para o teu lado e não estivesse ali em campo, uma das maiores apostas de Jorge Jesus, um barril ambulante, gordo, lento, desinspirador mas que é Argentino e custou bastante dinheiro...

Substituir-te e deixar em campo o lento Ruiz é na verdade, a maior humilhação que se pode fazer ao teu talento, quase ao mesmo nível, de te colocar a jogar ao seu lado.

Por isso meu caro Chico, por mais que o teu coração Sportinguista te diga que não, pede para sair, busca noutro lado a felicidade que a genialidade do teu futebol merece, longe de casa mas com um futuro risonho pela frente.

O ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, que lias no banco de suplentes antes do jogo com o Valência, é o retrato perfeito sobre o treinador atual do nosso Sporting, no entanto meu caro, não existirão livros que possam fazer um burro velho aprender línguas...

Ou neste caso, entender o puro talento de um Leão.

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

  

3 comentários

Comentar post