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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Naquele Monte Alentejano...

 

Em cada recanto daquele monte alentejano;

Vejo os rostos dos meus avós,

Em cada retrato naquelas paredes,

Oiço o som desnudado de sua voz,

Em cada quarto, sala,

Encontro esse tempo só,

Do que sobrou,

Se tornou pó,

Vida que não regressa...

 

Em cada sorriso, agora, calado;

Encontro um pedaço de mim,

Por cada momento, agora, silenciado,

Uma memória sem fim,

De um tempo imaginado,

Que sobrevive assim,

Na minha alma...

 

E ali guardados;

Quadros vivos pendurados,

Contando pincelados,

Os momentos reencontrados,

Desse passado,

De antepassados,

Meus...

 

Em cada recanto daquele monte alentejano;

Somente naquele lugar,

Somente debaixo daquele luar,

Ouso me reencontrar...

 

Naquele monte alentejano.