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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Melodiosa Infelicidade...

 

Uma estrada longínqua, distante, caminhada interminável sem olhar para trás, esquecendo as amarguras, as dores que a alma insiste em recordar, recordando ansiosamente esses eternos momentos que para sempre nos definirão...

Em cada momento, a cada sentido sentimento, buscando em olhares perdidos, os reencontros que se foram, que parecendo eternos se diluíram nessa realidade sofrida ou no sofrimento real que nos invade.

Uma estranha beleza poética descrita por palavras, por vezes omitidas, outras ainda silenciadas, num repetido afastamento, quase bailado, num cenário cristalino, imaginário, tão inexpugnável como a fortaleza de areia que outrora se encontrava altiva, numa qualquer praia...

Palavras amarradas umas às outras, aprisionadas numa corrente de memórias, desconexas, embaciadas pelo tempo, o mesmo que outrora nos fizera voar e percorrer sem amarras os mundos escondidos, na irrealidade imortal de um destino...

Os céus pejados de nuvens, de medos e anseios, de gritos e receios, de futuros adiados, numa esperança interminável, de reencontrar em cada olhar, em cada pessoa, o mesmo sorriso, a mesma expressão, que sem recordar ainda guardo sem saber.

E pincelando com letras, a folha de papel, escrevinhando soletradamente as divagações entrelaçadas que parecem se libertar secretamente, numa melodiosa desesperança, tornada canção...

Uma a uma, pintadas nesse quadro como o som de um piano, a leveza de um violino, a simplicidade de uma lágrima tão discreta como infeliz.

Mas sempre poética, sempre guardada na beleza verdadeira de um singelo e sentido querer, que nunca deixou de o ser...

Verdadeiro.

 

 

Filipe Vaz Correia