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Caneca de Letras

Caneca de Letras

Felipinho...

 

O que se terá passado na mente de Felipe VI de Espanha?

Quem terá aconselhado o Rei para um discurso estranho, enviesadamente partidário, escolhendo ser mais um a acentuar as diferenças, quando poderia e deveria ser aquele que uniria, apaziguaria um conflito incompreensível...

O Rei de Espanha aparece tardiamente em cena, numa comunicação ao País carregada de ralhetes, de dedo em riste, acentuando a sua função correctiva, numa altura em que isso apenas contribui para um inflamar da situação.

Considero esta atitude de Felipe, desestabilizadora e pueril, talvez mesmo um erro Histórico, de percepção política, pois as posições já de si extremadas aconselhariam que nesta intervenção, o Rei fizesse valer a sua capacidade de mediar, de através do seu papel conseguir moderar os extremos que se opõem...

A figura do Rei, caso interviesse mais cedo ou tivesse outro tipo de discurso, ganharia certamente outro peso nesta disputa, mesmo entre aqueles que se encontram nas ruas de Barcelona, pedindo a Independência.

Felipe preferiu o caminho mais fácil, franzir o sobrolho, apontando e nomeando os desleais e desordeiros, excluindo-se assim, talvez sem se aperceber, do papel aglutinador que poderia e deveria ter.

Felipe consegue assim legitimar aqueles que em Madrid ou em qualquer parte de Espanha, destilam ódio contra os insurgentes Catalães, ao mesmo tempo que legitima, aos olhos dos que clamam pela Independência Catalã, a injustiça plasmada em cada palavra de um Rei que deveria ser de todos....

Mesmo daqueles que reclamam o direito a escolher, não o ter, como seu Rei.

 

 

 

Filipe Vaz Correia

 

 

 

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